Mostrar mensagens com a etiqueta DSF Mount TBR 2012. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta DSF Mount TBR 2012. Mostrar todas as mensagens

sábado, 29 de dezembro de 2012

Mount TBR 2012 Final Checkpoint

Since I wont be reading anymore of my TBR books till the end of the year, it's time to do a final checkpoint.

Bev asks us to do the following:

1. Tell us how many miles you made it up your mountain (# of books read). If you've planted your flag on the peak, then tell us and celebrate (and wave!). Even if you were especially athletic and have been sitting atop your mountain for months, please check back in and remind us quickly you sprinted up that trail. And feel free to tell us about any particularly exciting adventures you've had along the way.
Like I said in checkpoint #3, I made it to Pike's Peak. And then I stayed there and danced around a bit... Meaning I actually read 17 books for this challenge!

2. Using the titles of the books you read this year, please fill in "My Life in Books 2012":
One time at band/summer camp, I:
(met) The Boy in the Striped Pyjamas
Weekends at my house are: The Big Sleep
My neighbor is: The Lord of Flies
My (ex) boss is:
Dead until Dark
My ex was:
Naked Heat 
My superhero secret identity is: The Scarlet Letter
You wouldn’t like me when I’m angry because:
(there'll be) Death on the Nile
I’d win a gold medal in: Ricochet 
I’d pay good money for: The House at Riverton
If I were president, I would: (have) Carte Blanche
When I don’t have good books, I: (feel a) Heat Wave
Loud talkers at the movies should: (feel the) Devil's Right Hand

Thanks to Bev for organizing this challenge, it was a lot of fun. Can't wait to start climbing again!

domingo, 23 de dezembro de 2012

Opinião: "Dead Until Dark"

Autor: Charlaine Harris
Série: Sookie Stackhouse #1
Editor: Gollancz
Edição/reimpressão: 2006
ISBN: 9780575089365
Páginas: 326

Sinopse: Sookie Stackhouse is a small-time cocktail waitress in small-town Louisiana. She's quiet, keeps to herself, and doesn't get out much. Not because she's not pretty. She is. It's just that, well, Sookie has this sort of 'disability'. She can read minds. And that doesn't make her too dateable. And then along comes Bill. He's tall, dark, handsome - and Sookie can't 'hear' a word he's thinking. He's exactly the kind of guy she's been waiting for all her life.

But Bill has a disability of his own: He's a vampire. Worse than that, hangs with a seriously creepy crowd, with a reputation for trouble - of the murderous kind.

And when one of Sookie's colleagues is killed, she begins to fear she'll be next ...

A minha opinião: Cada vez mais me convenço que há livros que têm uma altura certa para serem lidos. Este foi um desses livros. Comecei a ver a série televisiva True Blood, inspirada nestes livros, e ainda vi pelo menos duas temporadas, mas não tinha qualquer intenção de ler os livros até uma amiga me ter convencido a ler porque ia gostar. Ora esta é a amiga que me apresentou ao universo do Senhor dos Anéis, do Twilight e é também uma Potterhead... Por isso fui logo a correr comprar o primeiro livro da série. Contudo, nunca me apeteceu lê-lo até agora. É que praticamente me saltou da estante para os braços, a vontade de o ler era tanta que não valia a pena resistir.

E gostei. Bastante. Tanto que já encomendei o segundo livro e estou com vontade de voltar a ver a adaptação televisiva. Este primeiro livro não foi propriamente uma surpresa, pois a primeira temporada de True Blood é bastante fiel ao livro. Mas gostei mais do livro, achei que a história é contada de uma forma mais calma e menos espalhafatosa que na série. Acho que não vale a pena resumir a história porque já está resumida na sinopse, mas gostei bastante da premissa da história: como seria o mundo se, porque foi inventado sangue sintético, os vampiros se revelassem e passassem a ser cidadãos de pleno direito? E o facto da protagonista não ser uma humana qualquer, mas uma humana que lê pensamentos sem que ninguém saiba como nem porquê também me pareceu uma ideia interessante.

A personagem que mais me surpreendeu foi mesmo o Jason, irmão de Sookie e que, ao contrário do Jason da série televisiva, não é um tolinho pouco inteligente. Gosto mais do Jason dos livros e acho que há grande potencial para esta personagem.

Uma personagem de que senti falta, e que foi criada para a série televisiva, é a Tara, porque realmente achei estranho que a Sookie não tenha uma única amiga e confidente. Mas compreendo que seja difícil manter amizades quando se sabe o que as pessoas pensam a todo o momento...

Mas a minha personagem favorita (e já era no True Blood) é o Sam. Adoro a forma apaixonada como ajuda e defende as pessoas de quem gosta e também o seu jeito descontraído de ser. Passei a leitura a desejar que a cena da revelação do seu segredo à Sookie, e que já tinha visto na série, fosse retirada do livro... É tão boa!

Ora portanto, uma série com um mundo que, penso, ir-se-á tornar cada vez mais complexo e personagens interessantes, também elas complexas e bem caracterizadas. Uma leitura divertida, ideal para descontrair e abstrair-nos dos problemas do dia-a-dia.

Classificação: 4

-------------------------------------------------------------------

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Opinião: "Olhos Verdes"

Autor: Luísa Costa Gomes
Colecção: Mil Folhas nº21
Editor: Público
Edição/reimpressão: Setembro de 2002
ISBN: 8496075079
Páginas: 194

Sinopse: Olhos Verdes trata da aparência e do acaso. Os seus personagens fazem parte do mundo das aparências: trabalham em profissões ou têm inclinações que implicam uma evasão da realidade: Pedro Levi é modelo de roupa interior; Eva Simeão é viciada em TV; o seu ex-marido, Paulo Mateus, deslumbrou-se com a América, que é "outro mundo"; João Baptista Daniel, perseguido por Eva mas não se interessando por esta, é director de marquetingue; Beatriz, sua mulher, é revisora gráfica ("Passa a melhor parte do seu dia a tornar mais pitoresca a realidade"); as irmãs Fonseca, Maria do Céu e Maria das Dores, oscilam entre o esteticismo e o esoterismo; Ísis, amiga de Eva, dedica-se ao disaine; Lourenço é fotógrafo; Anadir é a rainha dos jingles publicitários... Com todos eles, Luísa Costa Gomes pinta um nervoso retrato dos seres da sociedade contemporânea, que se entrecruzam casualmente e se evadem da realidade. Um longo capítulo dedicado a George Berkeley, o filósofo britânico que tentou demonstrar que a realidade material só existe na percepção que temos dela, tenta enquadrar a narrativa numa moldura teórica. Luísa Costa Gomes criou um romance dinâmico, interessante e cheio de humor, que se reflecte em muitas das suas linhas: "Tinha saudades dele a partir do metro e quarenta de distância"... "As pessoas são capazes de suportar tudo, desde que o possam suportar confortavelmente sentadas"... "O Bem vale mais que o Mal porque há de menos. É a lei da oferta e da procura."

A minha opinião: Olhos Verdes não segue uma estrutura narrativa linear. Centra-se em dois personagens predominantes, Pedro Levi e Eva Simeão, mas não se fica por estes, há toda uma série de outros personagens (uns mais secundários que outros) que vamos conhecendo à medida que se relacionam com Pedro e Eva e uns com os outros. É uma história sobre pessoas e sobre as suas complexidades. Pedro e Eva são personagens muito humanas, neuróticas e desajustadas, sempre em busca de algo inatingível, quer se trate de uma obsessão com um vizinho ou da procura de uma cura. E a obsessão com a imagem é algo que está sempre presente nas acções e pensamentos dos personagens.

Apesar da escrita fragmentada, estava a gostar do livro até chegar ao capítulo V. Até pensei que este teria sido um livro interessante para estudar nas aulas de português do secundário pois, por vezes pareceu-me adivinhar significados escondidos que seria giro analisar. Então qual é o problema? É que o capítulo V é a coisa mais surreal de sempre. Do nada, a autora resolve presentear-nos com a biografia do filósofo George Berkeley. Sim, leram bem, são 42 páginas (num livro com 194) única e exclusivamente com a biografia de uma personagem que nunca havia sido mencionada antes. Bom, mas há um motivo para isso que percebemos no capítulo seguinte, certo? Não, não há. E apesar da explicação dada na sinopse para a existência deste capítulo, a mim não me convence e continuo a achar que o mesmo é totalmente desnecessário. Com certeza haveria uma outra forma menos massuda e até mais eficaz de atingir o mesmo efeito, não?

E o pior é o que o capítulo anterior termina num cliffhanger e passei 42 páginas à espera de finalmente saber o que tinha acontecido... Eis que inicio o último capítulo e deparo-me com a descrição do Assalto ao Aeroporto. Sim, o filme com o Bruce Willis. Ah pois é, depois de uma biografia nada melhor que o argumento de um filme. o_O

Pronto se resolverem ler, não digam que não avisei e preparem-se para uma experiência verdadeiramente esquizofrénica. E estão à vontadinha para saltar o capítulo V, a não ser que apreciem biografias de filósofos do século XVIII. Depois não digam que não avisei...

 Classificação: 2

-------------------------------------------------------------------

Este livro conta para os Desafios Fall Into Reading 2012, Color Coded 2012 e Mount TBR 2012.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Opinião: "The Scarlet Letter"

Autor: Nathaniel Hawthorne
Colecção: Penguin Popular Classics
Editor: Penguin Books
Edição/reimpressão: 1994
ISBN: 9780140620801
Páginas: 224

Sinopse: The Scarlet Letter is the tragic story of a woman's shame and the cruel treatment she suffers at the hands of the Puritan society in which she lives.

A settler in New England, Hester Prynne has waited two years for her husband, an ageing English scholar, to join her. He arrives to find her in the pillory, a small baby in her arms. She must, as a punishement for her adultery, wear a scarlet 'A' embroidered on her breast and is consequently ostracized by her contemptuous neighbours.

Sworn to keep secret the identity of both her husband and her lover, Hester slowly wins the respect of society by her charitable acts. Her own strenght and the moral cowardice of the man who allows her to face guilt and shame alone are brought into sharp contrast in a dramatic and harrowing conclusion.

A minha opinião: Nem sei bem por onde hei-de começar... Talvez por dizer que achei este livro um daqueles casos em que a ideia até é boa, mas a concretização deixa muito a desejar. A escrita do autor é aborrecida e variadas vezes dava por mim a divagar de tal forma que nem me lembrava do que tinha acabado de ler. Acho mesmo que este poderá ser um dos raros casos em que a adaptação cinematográfica é superior ao livro, mas terei de ver o filme primeiro para tirar a teima.

Em primeiro lugar, caso estejam a pensar lê-lo também, ficam já a saber que podem saltar a introdução do autor. E porque sou amiguinha até vos faço um resumo. Basicamente o autor fala dos seus antepassados e do "desprezo" que sente pelos falsos moralismos puritanos (sendo que teve antepassados puritanos) e da sua carreira que o levou até à Custom House. E é aí que terá encontrado um pedaço de tecido escarlate bordado a linha dourada, na forma da letra A, e um manuscrito escrito pelo seu predecessor e onde era relatada a história que inspirou o livro. E com isto já vos poupei a leitura de 40 páginas que parecem demorar 40 dias a ler...

Em relação à história propriamente dita, esta começa com a humilhação pública de Hester Prynne, condenada por adultério, uma vez que está na colónia há dois anos à espera que o seu marido se junte a ela, e surgiu grávida. Hester está no pelourinho com um bebé nos braços e um 'A' pregado no peito e continua a recusar-se a revelar o nome do seu amante. No público encontra-se um homem de idade, desconhecido na colónia, mas que se apresenta como sendo um médico. De volta à cadeia, a bebé não sossega e o médico é chamado para a ver. É aqui que ficamos a saber que se trata do marido de Hester, finalmente chegado à colónia. Conversam e o marido confessa a sua própria culpa na desgraça de Hester, por ter casado com uma mulher tão jovem. Diz-lhe que estão pagos, mas que ainda irá descobrir a identidade do seu amante e com ele ajustar contas, e exige-lhe segredo em relação à sua verdadeira identidade.

Passam sete anos e a filha de Hester, Pearl, entretanto cresceu, mas praticamente apenas tem contacto com a mãe e revela-se uma criança de certo modo selvagem e muito temperamental. Penso que o autor quis transformar a criança numa espécie de prolongamento da letra escarlate, enquanto símbolo vivo da vergonha da mãe, mas para mim exagerou. Pearl sai-se com tiradas completamente desajustadas para a sua idade e parece quase ter uma intuição sobrenatural que me pareceu muito forçada.

A identidade do amante foi muito fácil de adivinhar e este serviu para mostrar o quanto a vergonha e o pecado escondidos podem ser muito mais prejudiciais do que revelados. A sua saúde é consumida por ambos, mas não tem coragem de revelar o segredo e, assim, aliviar a sua consciência.

A temática do moralismo e do pecado está presente em toda a história e a sociedade puritana é fortemente atacada pelo autor. E posso dizer que o tema e a história até me agradaram, mas a escrita do autor fez com que a leitura deste livro fosse uma tarefa penosa e não a actividade prazenteira que poderia ter sido...

Classificação: 2

-------------------------------------------------------------------

Este livro conta para o Desafio Fall Into Reading 2012, Mount TBR 2012, What's in a Name 5 (algo que possa estar num bolso) e Color Coded 2012.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Opinião: "O Deus das Moscas"

Título original: The Lord of Flies 
Autor: William Golding
Tradutor: Luís de Sousa Rebelo
Colecção: Mil Folhas nº7
Editor: Público
Edição/reimpressão: Maio de 2002
ISBN: 8481305065
Páginas: 224

Sinopse: Com 14 milhões de cópias vendidas só nos países de língua inglesa, O Deus das Moscas toma lugar de pleno direito no círculo restrito das obras da grande literatura que conseguem realizar tiragens de bestseller de enorme consumo. Romance de estreia do então pouco conhecido William Golding, o livro foi publicado em Inglaterra, em 1954, graças ao caloroso apoio de T. S. Eliot, mas o grande sucesso chega com a edição económica publicada nos Estados Unidos em 1959, que se torna um verdadeiro objecto de culto, sobretudo junto do público jovem.
Ainda que de cativante haja bem pouco no romance: na sequência de um desastre aéreo ocorrido durante um conflito planetário, um grupo de meninos e rapazes encontra-se numa ilha deserta sem qualquer adulto. Pareceria a situação ideal para experimentar uma organização social fundada na liberdade natural, mas a pouco e pouco o grupo é invadido pelos medos e pelas inseguranças dos seus vários elementos, que afrouxam o controlo racional e deixam vir à tona um instinto agressivo e selvagem: um instinto capaz de destruir qualquer forma de colaboração ou solidariedade e que conduz a um desfecho trágico que, a partir de um certo momento, parece ser verdadeiramente inevitável.
Romance de tese sobre a naturalidade do mal, O Deus das Moscas é todavia toda uma perfeita máquina narrativa, na qual as dinâmicas incansáveis do entrecho se fundem com uma subtil e aturada análise da psicologia infantil e com uma profunda mas desolada reflexão sobre os fundamentos antropológicos da violência e da ânsia de poder.

A minha opinião: A sinopse indica que o romance tem pouco de cativante e não podia concordar mais... O Deus das Moscas conta-nos a história de um grupo de rapazes e meninos que, devido a um acidente de avião se vêem perdidos numa ilha deserta entregues a si próprios e sem qualquer adulto. Rapidamente elegem um chefe, Rafael, que decide que a tarefa primordial é manter sempre um fogo a arder para funcionar como aviso a potenciais barcos que passassem ao largo. Logo nessa primeira noite é possível ver que será muito difícil organizar o grupo de rapazes, pois à primeira sugestão que alguém faz, agem todos sem pensar e completamente desorganizados, e acabam por deitar fogo à ilha.

Para além de Rafael outros rapazes se destacam: Bucha é a voz da razão, mas a quem ninguém dá ouvidos até ser tarde demais; Jack é uma espécie de número dois que assume o comando dos caçadores; e Simão que é também equilibrado, mas incapaz de se expressar convenientemente.

Não demora muito até que os rapazes abandonem as responsabilidades e se entreguem à liberdade que a ilha lhes proporciona. E daí até regredirem à selvajaria é um pulinho... O final foi um autêntico murro no estômago e deixou-me a pensar o que aconteceria se o mesmo sucedesse actualmente, com os miúdos de hoje. Será que pelo menos saberiam fazer fogo?

Embora perceba perfeitamente o porquê deste livro se ter tornado um clássico, não me cativou. Nunca me liguei verdadeiramente a nenhuma das personagens. E uma coisa que me irritou bastante na tradução foi o facto de terem traduzido o nome de todas as personagens à excepção de Jack.

Outra coisa que não percebo é o porquê deste livro estar na lista de livros banidos. É certo que é violento, mas não me parece mais violento que certos filmes que passam ao Domingo à tarde...

Classificação: 2

-------------------------------------------------------------------

Este livro conta para os Desafios Mount TBR 2012, What's in a Name 5 (rastejante arrepiante) e Fall Into Reading 2012.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Mount TBR 2012 Checkpoint #3


Checkpoint time again!

Bev asks us to do the following:
1. Tell us how many miles you've made it up your mountain (# of books read). If you're really ambitious, you can do some intricate math and figure out how the number of books you've read correlates to actual miles up Pike's Peak, Mt. Ararat, etc.
I've made it! I've climbed all of the 4302 m of Pike's Peak! Actually, I'm still climbing since I've read 13 books from my TBR pile and I still plan on reading a few more...

These are the books I read so far:
  1. The Big Sleep, by Ray­mond Chan­dler
  2. The Boy in the Striped Pyjamas, by John Boyne
  3. Death on the Nile, by Agatha Christie
  4. Ricochet, by Sandra Brown
  5. Heat Wave, by Richard Castle
  6. Whose Body?, by Dorothy L. Sayers
  7. Naked Heat, by Richard Castle
  8. Devil's Right Hand, by Dennis McShade
  9. The Murmuring Coast, by Lídia Jorge
  10. The House at Riverton, by Kate Morton
  11. The Mystery of the Yellow Room, by Gaston Leroux 
  12. Carte Blanche, by Carlo Lucarelli
  13. The Mystery of the Blue Train, by Agatha Christie
The book that has been the longest on my shelf is still The Murmuring Coast, a resident since 2002.

2. Complete ONE (or more if you like) of the following:
A. Using any number of titles from your conquered list, compose a poem. You may add extra words, if needed, up to the number of titles used.
 
I've done it already at the last checkpoint so I'll sit this one out this time.

B. Looking ahead to next year's challenge: Is there a level that you'd like to see added (maybe a 30 or 35 level or some other number in between our current mountain peaks)? If so, give me a suggestion and the name of a mountain peak and I'll think about switching things up a bit next year.
I still don't know how many more of my TBR books I'll be reading this year but I don't think I'll make it to 25. I wouldn't mind a level in between, maybe 16 or 18?

C. Have any of the books you read surprised you--if so, in what way (not as good as anticipated? unexpected ending? Best thing you've read all year? Etc.)
I only read two more books since the last checkpoint, one by an author I didn't know and that I enjoyed and the other by an old time favorite author of mine. Both were enjoyable but none was particularly surprinsing.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Opinião: "O mistério do Comboio Azul "

Título original: The Mystery of the Blue Train
Autor: Agatha Christie
Série: Hercule Poirot #6
Tradutor: Isabel Alves
Colecção: Obras de Agatha Christie nº24
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Abril de 2008
ISBN: 9789724137650
Páginas: 240

Sinopse: Ruth recebe do pai, um milionário americano, uma extraordinária jóia que encerra “um rasto de tragédia e violência”. Embora seja avisada de que não deve transportá-la para fora do país, Ruth decide levá-la consigo quando parte para Nice a bordo do famoso Comboio Azul. A notícia do seu assassinato será para todos um imenso choque… e mais um desafio para Hercule Poirot.

O Mistério do Comboio Azul (The Mystery of the Blue Train) foi originalmente publicado na Grã-Bretanha, em 1928, ano em que foi igualmente publicado nos Estados Unidos.

A minha opinião: O livro começa com uma aura de mistério, a lembrar espiões e a compra e venda de segredos. Mas, neste caso, a compra secreta é de uma famosa jóia cuja história está associada a uma série de tragédias.

É Rufus Van Aldin, milionário americano, quem compra a famosa jóia e a oferece à sua filha, Ruth. Ruth decide viajar para a Riviera Francesa a bordo do Comboio Azul e leva consigo a jóia. A bordo do comboio viaja também Katherine Grey, uma jovem que herdou uma grande quantia da senhora para quem trabalhava, e Ruth acaba por fazer algumas confidências a Katherine. Mas também Hercule Poirot viaja a bordo do Comboio Azul e, ao jantar é sentado junto a Ruth e acaba por efectuar uma espécie de profecia ao dizer a Katherine que quem sabe um dia não se verá numa aventura semelhante às que ele já viveu. E esse dia estava mais próximo do que qualquer um deles poderia imaginar...

É que na manhã seguinte Ruth está morta. E a jóia desapareceu. Katherine é chamada para dar o seu testemunho, uma vez que foi uma das últimas pessoas a falar com Ruth e Poirot acaba por ser contratado por Van Aldin para investigar o caso.

Uma das questões que se põe a Poirot é se o assassinato e o roubo estão ou não relacionados. E será que o assassino foi alguém que já se encontrava no comboio ou alguém que aproveitou a paragem na estação para entrar no comboio e cometer o crime? Suspeitos há muitos, desde o marido de quem Ruth se pretendia divorciar e que seguia no comboio, à sua amante que também seguia no comboio, passando pelo amante de Ruth que afinal estava mais interessado na jóia do que nela...

Poiror e Katherine acabam por formar uma espécie de dupla investigadora. Mas Katherine acaba por atrair as atenções de Derek, o marido de Ruth, e de Knighton, o secretário de Van Aldin, situação que Poirot encara com apreensão. Qual dos homens irá ela escolher? E será que serão mesmo aquilo que aparentam?

Mais uma história genial de Agatha Christie, com certas parecenças com O Crime no Expresso do Oriente, em que o enredo é intricado e as personagens ricas e complexas. Ah, e esta é a primeira vez que surge a aldeia ficcional de St. Mary Mead, lar de uma outra personagem bastante conhecida e querida, Miss Marple.

Classificação: 4

-------------------------------------------------------------------

domingo, 16 de setembro de 2012

Opinião: "Carte Blanche"

Título original: Carta Bianca
Autor: Carlo Lucarelli
Série: Commissario De Luca #1
Tradutor: Michael Reynolds
Editor: Europa Editions
Edição/reimpressão: 2006
ISBN: 193337215X
Páginas: 110

Sinopse: April 1945, Italy. The final days of the Fascist Republic. Commissario De Luca is heading up a murder investigation that draws him into the private lives of the rich and powerful as World War II reaches its frantic climax. The regime's days are numbered and its disgraced leaders know it. Their desperate retreats and futile struggles for pieces of the post-war pie are making a regular cop's job awfully hard to do.  With Mussolini's house of cards ready to collapse, De Luca faces a world mired in sadistic sex, dirty money, drugs and murder.

Carte Blanche, the first installment in Carlo Lucarelli's "De Luca Trilogy", is much more than a first-rate crime story. It is also an investigation into the workings of justice in a state that is crumbling under the weight of profound historic change. The "De Luca Trilogy" is set during one of the 20th century's seminal moments and describes a nation's ardent search to rediscover its moral bearings after being torn in two by civil strife and political corruption. Threatened by the machinations of a decaying political class, De Luca (himself reminescent of the disenchanted Dashiell Hammett PI) is a simple man doing a though job as best as he can. Even after closing his investigation, he will still have to face one final, fateful decision. 

A minha opinião: Esta foi a minha estreia na ficção policial histórica (tradução minha de historical crime fiction) e posso dizer que gostei. Carte Blanche passa-se num período conturbado da história da Itália, 1945, quando a queda de Mussolini está iminente. O protagonista, Commissario De Luca, acaba de se juntar à polícia "normal", vindo da Brigata Muti, a polícia fascista de Mussolini (de certo modo, semelhante à nossa PIDE), e logo no seu primeiro caso, defronta-se com um assassinato de um homem relacionado com altas figuras do estado fascista. 

Cedo um representante do regime entra em cena assegurando a De Luca que este terá todo o apoio do regime desde que prenda o suspeito certo, claro. As testemunhas começam a aparecer mortas e De Luca não está totalmente certo de que o suspeito que é suposto prender tenha sido mesmo o assassino. Num caso que envolve drogas, ocultismo e a Gestapo, De Luca revela-se, cada vez mais, um homem cansado. Afinal, ele é apenas um polícia que só quer fazer o seu trabalho e cuja interferência das esferas políticas fazem com que fazer o seu trabalha seja, não só difícil, como também perigoso.

O autor refere no prefácio que baseou o Commissario De Luca num ex-polícia que conheceu quando andava a fazer pesquisa para a sua tese, e que havia sido polícia durante 40 anos, tendo pertencido à polícia fascista primeiro perseguindo anti-fascistas e depois fascistas que discordavam do regime; durante a guerra havia voltado a perseguir anti-fascistas sabotadores; no final da guerra fez parte da polícia partidária perseguindo fascistas; e após o estabelecimento de um governo regular fez parte da polícia da República Italiana perseguindo alguns dos partidários que haviam sido seus colegas. Ou seja, um homem, um polícia, que não importando qual era a sua ideologia, se limitava a fazer o seu trabalho. 

Uma leitura recomendada para fãs de policiais noir, muito ao género de Raymond Chandler.

Classificação: 3

-------------------------------------------------------------------

Este livro conta para os Desafios Color Coded 2012, Mount TBR 2012 e Mystery & Suspense 2012.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Mount TBR 2012 Checkpoint #2


It's time for another checkpoint on our way to the top!

Bev asks us to do the following:
1. Tell us how many miles you've made it up your mountain (# of books read). If you're really ambitious, you can do some intricate math and figure out how the number of books you've read correlates to actual miles up Pike's Peak, Mt. Ararat, etc.
So far I've climbed 3943,5 m of the 4302 m of Pike's Peak, meaning I've read 11 of the 12 required books!

These are the books I read so far:
The Big Sleep, by Ray­mond Chan­dler
The Boy in the Striped Pyjamas, by John Boyne
Death on the Nile, by Agatha Christie
Ricochet, by Sandra Brown
Heat Wave, by Richard Castle
Whose Body?, by Dorothy L. Sayers
Naked Heat, by Richard Castle
Devil's Right Hand, by Dennis McShade
The Murmuring Coast, by Lídia Jorge
The House at Riverton, by Kate Morton
The Mystery of the Yellow Room, by Gaston Leroux 

The book that has been the longest on my shelf is The Murmuring Coast, a resident since 2002.

2. Complete ONE (or more if you like) of the following:
A. Using any number of titles from your conquered list, compose a poem. You may add extra words, if needed, up to the number of titles used.
 
This is such a fun challenge! I've managed to use all the titles, but couldn't post a picture cause some of the books are at my moms so she can also read them.

Heat Wave
    at
The House at Riverton,
    by
The Murmuring Coast,
    where
The Boy in the Striped Pyjamas
    was having
The Big Sleep
    holding
Devil's Right Hand.
    Suddenly
Ricochet
    became
The Mistery of the Yellow Room
    and
Death on the Nile.
Whose Body?
    The
Naked Heat.
 
B. Who has been your favorite character so far? Why?
Well, Hercule Poirot is an old favorite, so I'm gonna pick Grace from The House at Riverton. She was such a great character both while young and in her golden years.

C. Have any of the books you read surprised you--if so, in what way (not as good as anticipated? unexpected ending? Best thing you've read all year? Etc.)
Richard Castle's books have been a nice surprise, especially the second one. The House at Riverton is one of my favorites of the year so far. The Murmuring Coast was a bit disappointing, I was especting something different.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Opinião: "O Mistério do Quarto Amarelo"

Título original: Le mystère de la chambre jaune
Autor:
Série: Joseph Rouletabille #1
Tradutor: Pilar Delvaux
Colecção: Livros de Bolso Europa-América
Editor: Europa-América
Edição/reimpressão: Maio de 2004
ISBN: 9721053880
Páginas: 224 

Sinopse: A porta do quarto amarelo estava trancada por dentro, a janela também, não havia nenhuma lareira com chaminé. No entanto, Mathilde Stangerson foi encontrada agonizante, prostrada no chão do quarto.
Quem a tentou assassinar e, sobretudo, por onde terá fugido o assassino?
Caberá ao jovem repórter e detective amador Rouletabille, ao fim de uma complicada investigação, desvendar o mistério do quarto amarelo.

A minha opinião: Já tinha visto o filme baseado neste livro há alguns anos e gostei tanto que acabei por comprar o livro. Claro que não o li logo e agora estou contente por não o ter feito. É que já não me lembrava quem era o assassino e não é que nunca consegui descobrir? Acho que este será o melhor elogio que posso fazer a este livro, apesar de, para todos os efeitos já saber a história (apesar de já não me lembrar bem), o autor conseguiu criar um enredo suficientemente intricado para me deixar completamente à nora...

Quer dizer, não completamente à nora que lembrava-me da solução do mistério do quarto amarelo e também de certos pormenores sobre o assassino que não posso revelar sem entrar em spoilers.

Mas em relação à história, esta centra-se no ataque à menina Matilde quando esta se encontrava no quarto amarelo. Ora o quarto amarelo só tinha uma porta, que se encontrava trancada por dentro, e atrás da mesma encontrava-se o pai de Matilde; e uma janela, também trancada por dentro. A porta é derrubada e Matilde encontrada inconsciente e sozinha no quarto. Mas, então, por onde saiu o assassino? Essa é a questão para a qual ninguém parece ter resposta...

É então que surge o jornalista Rouletabille, atraído pelo destaque que o caso mereceu na imprensa e que se dirige imediatamente para o local. Rapidamente percebe que o caso tem mais que se lhe diga do que parece, especialmente quando o assassino volta a atacar e anuncia solenemente que será ele, Rouletabille, quem irá solucionar o caso.

Rouletabille, de certo modo, lembrou-me Poirot, pois também ele dá primazia à razão sobre a ciência, mas ao invés de utilizar as célulazinhas cinzentas, utiliza a boa extremidade da sua razão.

Um mistério interessante, acolhedor e, de certa forma, diferente dos demais. Recomendado para fãs do género cosy mysteries.

Classificação: 4

-------------------------------------------------------------------

Este livro conta para os Desafios Spring Reading Thing 2012, Mount TBR 2012, Color Coded 2012 (amarelo), Cruisin' thru the Cozies 2012, Mystery & Suspense 2012 e Vintage Mystery Reading 2012.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Opinião: "O Segredo da Casa de Riverton"

Título original: The House at Riverton
Autor: Kate Morton
Tradutor: Vítor Guerreiro
Editor: Porto Editora
Edição/reimpressão: Outubro de 2008
ISBN: 9789720041609
Páginas: 480

Sinopse: Como sobrevivem os que presenciam a tragédia?

Verão de 1924
Na noite de um glamoroso evento social, um jovem poeta perde a vida junto ao lago de uma grande casa de campo inglesa. Depois desse trágico acontecimento, as suas únicas testemunhas, as irmãs Hannah e Emmeline Hartford, jamais se voltariam a falar.

Inverno de 1999
Grace Bradley, de noventa e oito anos de idade, antiga empregada da casa de Riverton, recebe a visita de uma jovem realizadora que pretende fazer um filme sobre a morte trágica do poeta.
Memórias antigas e fantasmas adormecidos, há muito remetidos para o esquecimento, começam a ser reavivados. Um segredo chocante ameaça ser revelado, algo que o tempo parece ter apagado mas que Grace tem bem presente.
Passado numa Inglaterra destroçada pela primeira guerra e rendida aos loucos anos 20, O Segredo da Casa de Riverton é um romance misterioso e uma emocionante história de amor.

A minha opinião: Geralmente gosto de escrever as minhas opiniões logo quando termino os livros e, de preferência, antes de começar a leitura seguinte. Mas com O Segredo da Casa de Riverton não fui capaz e não sei bem porquê...

Quero começar por dizer que esta autora me foi recomendada pela Célia após ter lido e adorado O Décimo Terceiro Conto e, mais tarde, o livro passou a ser sugestão frequente nas recomendações do Goodreads. Muito obrigada Célia, pela recomendação, já tenho os restantes livros da Kate Morton e vou, sem dúvida, continuar a acompanhar esta autora.

Quanto à história propriamente dita, e sem revelar muito, trata-se de um dos meus géneros favoritos, drama familiar histórico (não sei se esta categoria existe mesmo, mas é assim que o classifico) que alterna entre o presente (1999) e o passado (período entre as duas guerras mundiais). A história é-nos contada do ponto de vista de Grace, actualmente com 98 anos, que começa a relembrar a sua vida (inevitavelmente entrelaçada com a vida da família Hartford, para quem trabalhou), a propósito do contacto de uma jovem realizadora que está a fazer um filme sobre a família Hartford (particularmente sobre as irmãs Hannah e Emmeline) e o seu envolvimento numa tragédia que só nos é revelada mesmo no final. A realizadora pretende tentar desvendar melhor o passado e a vida das duas irmãs, uma vez que Grace é a única sobrevivente daquela época.

E cedo percebemos que Grace sabe muito mais do que alguma vez contou... Mas a inevitabilidade da morte e a vontade de se reconectar com o neto levam-na a contar toda a história em cassetes que grava e envia para o neto. E é assim que também nós ficamos a saber toda a verdade sobre a tragédia daquela noite de Verão e tudo o que anteriormente se passou e que conduziu as personagens àquele final.

Gostei muito desta história, da relação entre os três irmãos, da relação entre Hannah e Grace, de como em tão poucos anos a sociedade mudou radicalmente a forma como encarava a mulher e o seu comportamento em sociedade (e que podemos constatar no contraste entre a situação de Hannah e a situação de Emmeline) e, principalmente de como uma mentira perfeitamente inocente pode ter resultados tão avassaladores anos mais tarde.

No final há um pormenor que achei escusado e que penso não fazer muito sentido em termos cronológicos, mas acho que é o único reparo que tenho a fazer.

Classificação: 5

-------------------------------------------------------------------

Este livro conta para os Desafios Mount TBR 2012, What's in a Name 5 (tipo de casa) e Spring Reading Thing 2012.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Opinião: "A Costa dos Murmúrios"

Autor: Lídia Jorge
Colecção: Mil Folhas nº10
Editor: Público
Edição/reimpressão: Julho de 2002
ISBN: 8493264512
Páginas: 224

Sinopse: A Costa dos Murmúrios, publicado em 1988, é o mais famoso romance de Lídia Jorge, tanto em Portugal como no estrangeiro. O seu aparecimento foi um êxito desde o primeiro momento, tendo chegado a vender cerca de 50.000 exemplares em menos de um ano. A obra é produto da experiência que a autora viveu em África e, particularmente, dos seus três anos em Moçambique, imediatamente antes da queda do regime de ditadura em 1974. Com a nova ordem política, Portugal aceita a autonomia da sua colónia, que em Junho de 1975 obtém a independência plena. O romance reflecte a época da luta colonial segundo as recordações da autora, mas o fio condutor da trama é a traumática história de amor de Eva Lopo e Luís Alex, combatente ao serviço do projecto imperial salazarista. O romance abre com um conto relatado na terceira pessoa sobre o casamento de Eva e Luís. Mas, seguidamente, é Eva que assume a voz da narração e evoca os últimos vinte anos de vertiginosas transformações. Entre elas, é particularmente dolorosa a do seu marido, que se converte num repressor sanguinário, o que conduz Eva a manter, por despeito, uma relação amorosa com um jornalista mulato. Para além do seu vigoroso conteúdo como personagem de carne e osso, Luís é igualmente símbolo de um regime incapaz de gerar futuro algum e que tenta defender-se pela força. O balanço da evocação é tão lamentável e desolador como a própria guerra.

A minha opinião: A Costa dos Murmúrios não foi uma leitura fácil. A autora tem uma escrita bastante particular e, por vezes pareceu-me que era suposto ter inferido algo que não atingi... Talvez por a realidade retratada no livro me ser, felizmente, desconhecida. Não sei, mas fiquei com a sensação de que me falhou alguma coisa.

O livro começa com um conto sobre o casamento de Eva e Luís intitulado Os Gafanhotos. De seguida, Eva começa a contar a sua história, estabelecendo paralelos com o conto. E a sua história começa com a sua chegada a Moçambique para o seu casamento com o alferes Luís. Mas a história idealizada em Os Gafanhotos não corresponde à realidade pois, como Eva irá descobrir, Luís não é o mesmo homem por quem se apaixonou, a guerra mudou-o, desprovendo-o da sua personalidade e tornando-o uma espécie de autómato, uma triste cópia do seu capitão que admira cegamente. Este foi, para mim, um dos pontos fortes do livro, a descrição dos efeitos da guerra num jovem que, antes da guerra era curioso e ambicioso e que, durante a guerra mudou radicalmente na forma de pensar e de agir, como se tivesse sofrido uma lavagem cerebral, tornando-se irreconhecível para a mulher que o amava.

Mas A Costa dos Murmúrios não aborda apenas os efeitos da guerra nos homens que a combateram. Também foca os seus efeitos nas suas mulheres que ficavam para trás, esperando e desesperando pelo seu regresso, de preferência sãos e salvos.

É um livro sobre a estupidez e atrocidade da guerra contado na perspectiva da mulher de um combatente, o que julguei ser uma perspectiva bastante interessante. Julgo que foi mesmo o estilo da escrita que me impossibilitou ter gostado mais da história. Curiosamente, quando comecei a ler não tinha lido a sinopse por isso pensei que o estilo do livro seria o estilo do conto inicial e estava a gostar bastante do mesmo....

Classificação: 2

-------------------------------------------------------------------

Este livro conta para os Desafios Mount TBR 2012, What's in a Name 5 (acidente geográfico) e Spring Reading Thing 2012.

domingo, 6 de maio de 2012

Opinião: "Mão Direita do Diabo"

Autor: Dennis McShade
Série: Peter Maynard #1
Colecção: 9mm nº18
Editor: Público
Edição/reimpressão: Junho de 2005
ISBN: 8498192943
Páginas: 192

Sinopse: Dennis McShade é o pseudónimo de Dinis Machado, o único escritor português da colecção. Autor do célebre romance "O Que Diz Molero" e verdadeiro devorador da literatura policial americana de onde destaca Chandler, o autor de "Mão Direita do Diabo" (1968) conta com o detectiva Peter Maynard para desvendar um caso onde a presença do Diabo parece não andar longe...

A minha opinião: Vou começar a minha opinião com uma breve contextualização (podem encontrar mais informação aqui). Mão Direita do Diabo surgiu publicado, em 1968, pela primeira vez, na colecção Rififi, e foi escrito por Dinis Machado sob o pseudónimo anglo-saxónico Dennis McShade. A Rififi foi uma colecção de livros policiais publicada nos anos 50 e 60 e Dinis Machado não foi o único a recorrer ao pseudónimo para publicar obras, outros autores portugueses também o utilizaram para publicar as suas obras policiais.

O uso de pseudónimos justificava-se, não só porque era mais fácil escapar à censura se fingissem tratar-se de traduções de livros estrangeiros, mas também pela crença de que livros policiais de autores portugueses não teriam procura. Deste modo, para além da utilização do pseudónimo anglo-saxónico, as histórias tinham protagonistas estrangeiros e a acção também se passava no estrangeiro. 

Dinis Machado era um fã dos policiais negros americanos, como os de Raymond Chandler, e nota-se. Tendo lido À Beira do Abismo no início deste ano, foi muito fácil encontrar semelhanças entre ambos. O protagonista de moral duvidosa, mas com um fortíssimo sentido de honra e a depreciação da mulher que serve apenas de escape e porto seguro ao protagonista são apenas dois exemplos de semelhanças que encontrei entre os dois livros.

Mas nem tudo são semelhanças. Em Mão Direita do Diabo, o herói é Peter Maynard, um assassino profissional, contratado para vingar um pai cuja filha se suicidou após ter sido violada por quatro homens, matando esses quatro homens. Uma missão de rotina no início, acaba por se complicar ao ponto de Maynard correr risco de vida. Isto porque o Sindicato (a máfia de Nova Iorque) acaba por se meter ao barulho e o equilíbrio precário entre as actividades do Sindicato e as actividades de Maynard deixa de existir. Mas Maynard tem um sentido de honra muito próprio, e mesmo perseguido pelo Sindicato, insiste em cumprir o contracto até ao fim.

Como já tinha dito a respeito de À Beira do Abismo, não sou particularmente fã dos policiais americanos dos anos 50/60. Contudo, gostei da personagem de Maynard, atormentado por uma úlcera que o força a beber leite constantemente, que lê e cita autores com frequência e fiel às suas convicções. Também gostei do facto de não haver femmes fatales, de que não gosto particularmente...

Em suma, achei uma história interessante e até tinha curiosidade em ler os restantes livros da série, mas como não estão disponíveis na biblioteca, e não me parece que os vá comprar, serão leituras adiadas até uma próxima oportunidade.

Classificação: 2

-------------------------------------------------------------------

domingo, 22 de abril de 2012

Opinião: "Naked Heat"

Autor: Richard Castle
Editor: Hyperion
Série: Kikki Heat #2
Edição/reimpressão: 2011
ISBN: 9780786891368
Páginas: 408

Sinopse: When New York’s most vicious gossip columnist, Cassidy Towne, is found dead, Heat uncovers a gallery of high-profile suspects, all with compelling motives for killing the most feared muckraker in Manhattan. But Heat’s murder investigation is complicated by her surprise reunion with superstar magazine journalist Jameson Rook. In the wake of their recent breakup, Nikki would rather not deal with their raw emotional baggage. But the handsome, wise-cracking writer’s personal involvement in the case forces her to team up with Rook anyway. The residue of their unresolved romantic conflict and crackling sexual tension fills the air as Heat and Rook embark on the search for a killer among celebrities and mobsters, singers and hookers, pro athletes and shamed politicians. This new, explosive case brings on the heat in the glittery world of secrets, cover-ups, and scandals.  

A minha opinião: Gostei bastante mais de Naked Heat do que de Heat Wave. Talvez porque as personagens estejam cada vez mais desenvolvidas, mas talvez também pelo caso em si que achei mais interessante do que o primeiro.

Mais uma vez a vítima parece ser odiada por todos e, por isso mesmo, todos têm motivos para a querer morta. Afinal, Cassidy Towne era a colunista de cusquices com a língua mais afiada de Nova Iorque. E ao longo da investigação, Heat e Rook descobrem vários podres das celebridades da cidade. Mas qual delas seria capaz de matar para proteger o seu segredo?

A relação entre Heat e Rook também se solidifica neste segundo livro, embora a provocação mútua continue.

Agora é esperar pelo terceiro livro...

Classificação: 4

-------------------------------------------------------------------

Este livro conta para os Desafios Spring Reading Thing 2012, Mystery & Suspense 2012 e Mount TBR 2012.

sábado, 31 de março de 2012

Mount TBR 2012 Checkpoint


ATTENTION: This post will be writen in Portuguese and English.

Até agora este desafio está a correr muito bem. Dos 12 livros que me propus ler já li 6, ou seja metade!

Não sei se vou conseguir manter o ritmo, mas espero que sim. Quem sabe não acabo por conseguir escalar uma montanha mais alta?

Os livros que li até agora:
À Beira do Abismo, de Ray­mond Chan­dler
O Rapaz do Pijama às Riscas, de John Boyne
Morte no Nilo, de Agatha Christie
Ricochete, de Sandra Brown
Heat Wave, de Richard Castle
O Mistério de Battersea, de Dorothy L. Sayers

O livro que tinha há mais tempo na estante era O Rapaz do Pijama às Riscas, residente desde 2010.


So far, so good. Of the 12 books I intended to read, I've already read half!

I don't know if I'll be able to keep up, but I hope so. Who knows if I won't end up climbing a higher peak?

The books I read so far:
The Big Sleep, by Ray­mond Chan­dler
The Boy in the Striped Pyjamas, by John Boyne
Death on the Nile, by Agatha Christie
Ricochet, by Sandra Brown
Heat Wave, by Richard Castle
Whose Body?, by Dorothy L. Sayers

The book that had been the longest on my shelf was The Boy in the Striped Pyjamas, a resident since 2010.

Opinião: "O Mistério de Battersea"

Título original: Whose Body?
Autor: Dorothy L. Sayers
Série: Lord Peter Wimsey #1
Tradutor: Luís Manuel Bernardes
Colecção: Alibi - Os Clássicos do Policial nº34
Editor: Edições 70
Edição/reimpressão: Janeiro de 1992
ISBN: 9724408388
Páginas: 176

Sinopse: O corpo depositado na banheira do arquitecto Thipps pertencia a um homem de meia idade. Como única peça de vestuário tinha um pince-nez. Quem era ele e como fora lá parar?

Para o inspector Sugg, tratava-se de Sir Reuben Levy, o financeiro da City, desaparecido no mesmo dia.

Mas a verdade era bem diferente e bem mais sinistra... coube a Lord Peter Wimsey enfrentá-la.

A minha opinião: O corpo de um homem aparece completamente nú, excepto por um pince-nez, na banheira do arquitecto Thipps. Na véspera, o rico financeiro Sir Reuben Levy desaparece misteriosamente de sua casa também supostamente nú e descalço.

Será possível que o cadáver na banheira seja Sir Reuben Levy? É o que pensa o responsável pela investigação, o inspector Sugg. Afinal o cadáver até tem parecenças com Sir Reuben Levy... Mas Lord Peter Wimsey, atraído para o caso por um telefonema da sua mãe, a Duquesa de Denver, não acredita, apesar de achar que ambos os casos estão relacionados.

Já tinha lido um mistério protagonizado por Lord Peter Wimsey, O Crime Exige Propaganda, e tinha muita curiosidade em ler mais livros desta série. Mas não gostei tanto deste O Mistério de Battersea como gostei do anterior. Penso que se deva ao facto deste ser o primeiro livro da série e, por isso, as personagens não se encontrarem tão desenvolvidas.

O Lord Peter Wimsey de O Mistério de Battersea não me impressionou tanto como havia impressionado em O Crime Exige Propaganda, mas há nele algo que me lembra o Patrick Jane da série O Mentalista. Ambos são ricos, muito inteligentes e intuitivos, e gostam de recorrer a truques e armar ciladas para provar as suas teorias.

O Mistério de Battersea não será o meu favorito da série, mas tenciono continuar a ler os livros, até porque sei que Lord Peter Wimsey irá crescer como personagem. Não será é muito fácil encontrar os livros em português porque julgo que já não são editados.

Um pormenor que achei curioso e que encontrei enquanto pesquisava mais informação sobre a obra, é que a autora era bastante arrojada para a época. No manuscrito original que submeteu para publicação, Lord Peter Wimsey identificava positivamente o cadáver como não sendo Sir Reuben Levy porque este é judeu e o cadáver não se encontra circuncidado. O seu editor considerou esta identificação demasiado franca e na versão publicada a identificação é feita pelo facto das mãos do cadáver não serem as de um financeiro por se encontrarem calejadas.

Classificação: 3

-------------------------------------------------------------------

Este livro conta para os Desafios Spring Reading Thing 2012, Mount TBR 2012Cruisin' thru the Cozies 2012, Mystery & Suspense 2012 e Vintage Mystery Reading 2012.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Opinião: "Heat Wave"

Autor: Richard Castle
Editor: Hyperion
Série: Kikki Heat #1
Edição/reimpressão: 2011
ISBN: 9780786891412
Páginas: 248

Sinopse: Mystery sensation Richard Castle, blockbuster author of the wildly best-selling Derrick Storm novels, introduces his newest character, NYPD Homicide Detective Nikki Heat. Tough, sexy, professional, Nikki Heat carries a passion for justice as she leads one of New York City's top homicide squads. She's hit with an unexpected challenge when the commissioner assigns superstar magazine journalist Jameson Rook to ride along with her to research an article on New York's Finest. Pulitzer Prize-winning Rook is as much a handful as he is handsome. His wise-cracking and meddling aren't her only problems. As she works to unravel the secrets of the murdered real estate tycoon, she must also confront the spark between them. The one called heat.

A minha opinião: Já falei da série Castle aqui e aqui e penso que já deu para perceber que é uma das minhas séries preferidas! Foi com muita expectativa que iniciei a leitura deste livro e não fiquei decepcionada.

Para quem não acompanha a série, Richard Castle é o protagonista masculino, um escritor que começa a acompanhar uma detective da polícia nova-iorquina, Kate Beckett, procurando inspiração para uma nova série de livros policiais. Na série, Castle escreve e publica vários livros desta série, sendo Heat Wave o primeiro. No que considero uma brilhante estratégia de marketing, os livros foram encomendados a um escritor fantasma e são comercializados como tendo sido escritos pelo próprio Richard Castle.

Também no livro Jameson Rook é um escritor (jornalista) que acompanha a detective da polícia nova-iorquina, Nikki Heat, como pesquisa para um artigo que irá escrever. O livro acaba por parecer mais um episódio da série, na medida em que as personagens do livro são claramente inspiradas nas personagens da série. Foi impossível não visualizar a Nikki Heat como Stana Katic, a actriz que interpreta Kate Beckett ou Jameson Rook como Nathan Fillion, o actor que interpreta Richard Castle, e o mesmo para as restantes personagens secundárias.

Quanto à história propriamente dita, não é original, mas entretém. Um empresário da construção civil aparece morto numa queda do seu apartamento no sexto andar. Suicídio ou homicídio? Homicídio, pois claro. Surgem os suspeitos e os motivos do costume (ciúmes, dívidas, heranças) e, no final, a detective Heat descobre o culpado.

A interacção entre Heat e Rook também é muito semelhante à de Beckett e Castle na série, mas, ao contrário destes, Heat e Rook não perdem tempo a assumir a atracção que sentem um pelo outro.

Continuo a preferir as personagens da série, acho Beckett uma personagem bastante mais atormentada pelo passado do que Heat e o facto de Rook ser um jornalista e não um escritor de ficção limita um bocado a sua imaginação. Senti também a falta da filha de Castle.

Em suma, não se trata de uma obra prima do policial e provavelmente não sobreviverá após o final da série, mas gostei e vou continuar a ler os livros. Recomendo sobretudo a fãs da série televisiva.

Classificação: 3

-------------------------------------------------------------------

Este livro conta para os Desafios Mystery & Suspense 2012 e Mount TBR 2012.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Opinião: "Ricochete"

Título original: Ricochet
Autor: Sandra Brown
Tradutor: Lídia Geer
Editor: Quinta Essência
Edição/reimpressão: Setembro de 2011
ISBN: 9789898228642
Páginas: 462

Sinopse: Quando o detetive Duncan Hatcher é chamado à mansão do juiz Cato Laird para investigar uma morte, compreende que a discrição é a chave para manter o seu emprego. Elise, a mulher-troféu do juiz, afirma ter matado a tiro um gatuno em legítima defesa, mas Duncan tem quase a certeza de que ela mente. A investigação que faz ao passado pouco suspeito de Elise convence-o de que ela é mentirosa, manipuladora e, mais do que provavelmente, uma assassina.
Mas quando Elise desaparece…
Sem saber em quem acreditar, Duncan vê-se envolvido na investigação de um homicídio que desafia a sua lógica, o seu infalível instinto e a sua inabalável integridade. Não confia em ninguém, exceto na palavra do criminoso que prometeu eliminá-lo. E confia ainda menos na mulher que mais deseja.

A minha opinião: Sandra Brown é uma autora que não desilude. Desta feita a história é-nos contada na perspectiva do protagonista masculino, o que é uma novidade nos livros que já li da autora. Duncan Hatcher é um detective da polícia de Savannah que, por causa de uma questão técnica, vê o criminoso Robert Savich ser posto em liberdade uma vez mais. Mas desta feita não é capaz de se conter e acaba por explodir em tribunal, extravasando a sua raiva e frustração e dizendo ao juiz exactamente o que pensa dele. O juiz Cato Laird ainda tenta acalmá-lo, mas acaba por condená-lo por desrespeito ao tribunal e Hatcher é preso durante 48 horas.

É libertado no dia em que a sua parceira DeeDee irá receber uma condecoração e, uma vez que tinha prometido ir como seu acompanhante, acaba por ir ao jantar, ainda que contrariado. E é aí que vê Elise pela primeira vez e literalmente fica ofuscado pela sua beleza. O pior é quando DeeDee lhe diz que o apelido de Elise é Laird ou seja, é a mulher do juiz que o mandou para a prisão.

Duas semanas mais tarde, são chamados a casa do juiz onde Elise matou um ladrão. Segundo Elise o desconhecido atirou primeiro e ela matou-o para se defender, mas tanto Duncan como DeeDee têm sérias dúvidas... E quanto mais investigam, menos plausível a teoria da legítima defesa parece. Quando Elise procura Duncan e lhe pede ajuda, ele continua a não acreditar nela e tem sérias dificuldades em manter a objectividade e em cumprir as regras tal é o desejo que sente por ela. Mas quando Elise desaparece, Duncan começa a questionar se não deveria ter acreditado nela.

Esta é uma história cheia de reviravoltas, em que as personagens acabam por estar todas relacionadas, e em que até ao final não sabemos bem quem são os bons e quem são os maus. A tensão sexual continua presente, assim como algumas cenas mais quentes, mas são indispensáveis à história.

Acabou por não ser tão surpreendente como alguns dos livros que já li da autora, mas mesmo assim gostei bastante deste Ricochete. Esta primeira edição tem alguns erros de revisão que, espero, venham a ser corrigidos numa próxima edição, mas nada de muito grave.

No ano passado foi feito um telefilme baseado no livro que vou tentar ver. Não encontrei nenhum trailer, só um behind the scenes, mas já dá para ter uma ideia.



Classificação: 4

-------------------------------------------------------------------

Este livro conta para os Desafios Mystery & Suspense 2012 e Mount TBR 2012.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Opinião: "Morte no Nilo"

Título original: Death on the Nile
Autor: Agatha Christie
Série: Hercule Poirot #18
Tradutor: Isabel Alves
Colecção: Obras de Agatha Christie nº30
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Fevereiro de 2011
ISBN: 9789724141701
Páginas: 272

Sinopse: A tranquilidade de um cruzeiro ao longo do Nilo é ensombrada pela descoberta do cadáver de Linnet Ridgeway. Ela era jovem e bela; e tinha tudo… até perder a vida! Hercule Poirot apercebe-se de que, a bordo do navio, todos os passageiros são possíveis assassinos: pelas mais diversas razões, todos tinham algo a apontar a Linnet. Mas quem terá sido levado ao acto extremo de a alvejar? Ainda que tudo aponte para a mesma pessoa, o detective cedo descobre que naquele cenário exótico nada é exactamente o que parece.

A minha opinião: Mais um excelente mistério de Hercule Poirot! Agatha Christie não pára de me surpreender e ainda bem!

Morte no Nilo inicia-se em Inglaterra onde ficamos a conhecer Linnet Ridgeway, o seu mundo e as pessoas que dele fazem também parte. E mais uma vez não há nenhum pormenor sem importância, e situações que parecem inconsequentes acabam por ter relevância mais tarde. A autora é exímia a transmitir uma atmosfera de "paz podre" à volta de Linnet, ou seja, embora nos seja apresentada como boa pessoa, generosa e encantadora, percebemos que há muito ressentimento, interesse e inveja à sua volta. E a própria Linnet não tem qualquer noção da realidade pois, segundo a mesma, não tem "um único inimigo no mundo".

Uma vez no Egipto, apercebemo-nos rapidamente que a autora reuniu uma série de personagens com muito que se lhes diga... E também parece claro que não se encontram naquele navio por coincidência. Têm um motivo concreto (uns legítimo, outros nem tanto) para se encontrarem no navio onde Linnet Ridgeway está a passar a lua de mel. O assassinato de Linnet não é imediato, o que aumenta a atmosfera de desconfiança. Após a morte de Linnet, quando Poirot começa a investigação, parece que praticamente todas as pessoas a bordo do navio tinham motivo para querer a sua morte. E uma vez que o crime acontece no navio, o leque de suspeitos é limitado, teve de ser alguém a bordo.

Tal como é típico da autora, existe uma série de mistérios menores que Poirot desvenda, eliminando suspeitos, à medida que outras personagens são assassinadas por saberem de mais... Ou seja, praticamente todos os passageiros do navio têm um segredo, embora possa não ter nada a ver com Linnet e a sua morte, e Poirot completa o puzzle pondo todas as peças no sítio.

O final é, mais uma vez, genial e, embora intrincado, faz todo o sentido quando explicado por Poirot. Desta vez desconfiei do "quem", mas estava totalmente à nora quanto ao "como" e "porquê".

Fiquei com muita vontade de ver as adaptações, quer o filme de 1978 com Angela Lansbury no papel de Mrs. Otterbourne (ainda que algumas personagens tenham sido retiradas), quer o telefilme com David Suchet como Poirot (pelo que li, mais fiel à história).

Classificação: 5

-------------------------------------------------------------------

Este livro conta para os Desafios Mount TBR 2012Cruisin' thru the Cozies 2012, Mystery & Suspense 2012 e Vintage Mystery Reading 2012.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Opinião: "O Rapaz do Pijama às Riscas"

Título original: The Boy in the Striped Pyjamas
Autor: John Boyne
Tradutor: Cecília Faria e Olívia Santos
Revisor: Ana Maria Chaves  
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Março de 2010
ISBN: 9789724153575
Páginas: 176

Sinopse: Bruno, de nove anos, nada sabe sobre a Solução Final e o Holocausto. Ele não tem consciência das terríveis crueldades que são infligidas pelo seu país a vários milhões de pessoas de outros países da Europa. Tudo o que ele sabe é que teve de se mudar de uma confortável mansão em Berlim para uma casa numa zona desértica, onde não há nada para fazer nem ninguém com quem brincar. Isto até ele conhecer Shmuel, um rapaz que vive do outro lado da vedação de arame que delimita a sua casa e que estranhamente, tal como todas as outras pessoas daquele lado, usa o que parece ser um pijama às riscas.

A amizade com Shmuel vai levar Bruno da doce inocência à brutal revelação. E ao descobrir aquilo de que, involuntariamente, também ele faz parte, Bruno vai, inevitavelmente, ver-se enredado nesse monstruoso processo.

A minha opinião: Esta foi uma opinião que me custou muito a escrever. Isto porque a história deste livro é tão poderosa que me custa revivê-la... Este é mesmo um pequeno grande livro!

A premissa é genial. E se o Comandante dos campos de concentração de Auschwitz se mudasse para lá com a sua família, mas nunca explicasse aos seus filhos o que significava o local onde estavam? É assim que a história começa, com Bruno, de nove anos, a chegar a casa, em Berlim, e a ser informado que toda a família se iria mudar. Esta foi uma decisão que desagradou bastante a Bruno que assim se viu afastado dos avós e dos amigos. Mas o pior foi quando chegou à sua casa nova e constatou que ficava no meio do nada, completamente isolada e sem outras crianças com quem pudesse brincar. Quer dizer, não totalmente sem crianças, pois Bruno podia ver, da janela do seu quarto, centenas de pessoas, crianças inclusivé. O curioso é que todas se encontravam do outro lado de uma vedação e todas usavam pijamas às riscas.

Apesar de avisado que não se deve aproximar da vedação, Bruno parte uma tarde numa exploração e encontra Shmuel, um menino da sua idade, sentado do outro lado da vedação. Começam a conversar e depressa descobrem muitas coisas em comum (talvez a principal o facto de que ambos desejavam sair dali e voltar para casa) e assim começa a amizade entre Bruno e Shmuel, que se encontram praticamente todos os dias naquele local, cada um de um lado da vedação, sem puderem brincar, mas apenas conversar.

Através da inocência dos nove anos de Bruno é-nos contada a história de um dos mais atrozes crimes contra a Humanidade alguma vez cometidos. O facto de não conseguir pronunciar Auschwitz (diz Acho-Vil) e Führer (diz Fúria) e de inicialmente pensar que a vedação está lá para o impedir de passar para o outro lado são dois exemplos da inocência de Bruno. Esta foi uma história que me lembrou bastante de um dos meus filmes favoritos, A Vida É Bela porque em ambos os casos, as maiores atrocidades são suavizadas pela inocência do olhar de uma criança.

Em pesquisas descobri que o autor foi bastante criticado por este excessivo desconhecimento da realidade por parte de Bruno, mas confesso que não me fez confusão. Após a chegada da família a Auschwitz, Bruno e Gretel (a sua irmã), são completamente negligenciados, tanto pelo pai que só se preocupa com o trabalho e a carreira, como pela mãe que se entrega aos seus licorzinhos medicinais e a uma amizade que se adivinha colorida com um sargento. Por este motivo, e porque as crianças têm uma forma de bloquear informação que não compreendem e/ou pressentem dolorosa, não me chocou que Bruno não se apercebesse do que realmente se passava do outro lado da vedação.

O final é pungente, mas também esta história nunca poderia ter um final feliz...

Classificação: 4

-------------------------------------------------------------------

Este livro conta para os Desafios Mount TBR 2012 e Color Coded 2012 (riscas).