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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Opinião: "As Horas Distantes"

www.wook.pt/ficha/as-horas-distantes/a/id/10916420?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: The Distant Hours
Autor: Kate Morton
Tradutor: Cristina Correia
Editor: Porto Editora
Edição/reimpressão: Janeiro de 2012
ISBN: 9789720043559
Páginas: 528

Sinopse: Tudo começa quando uma carta, perdida há mais de meio século, chega finalmente ao seu destino...

Evacuada de Londres, no início da II Guerra Mundial, a jovem Meredith Burchill é acolhida pela família Blythe no majestoso Castelo de Milderhurst. Aí, descobre o prazer dos livros e da fantasia, mas também os seus perigos.


Cinquenta anos depois, Edie procura decifrar os enigmas que envolvem a juventude da sua mãe e a sua relação com as excêntricas irmãs Blythe, que permaneceram no castelo desde então. Há muito isoladas do mundo, elas sofrem as consequências de terríveis acontecimentos que modificaram os seus destinos para sempre.


No interior do decadente edifício, Edie começa a deslindar o passado de Meredith. Mas há outros segredos escondidos nas paredes do edifício. A verdade do que realmente aconteceu nas horas distantes do Castelo de Milderhurst irá por fim ser revelada...

A minha opinião: Esta não é uma opinião fácil de escrever para mim... Porque a verdade é que, tendo lido e adorado os dois livros anteriores da autora, as expectativas que tinha quando iniciei esta leitura eram muito elevadas. E acabei decepcionada. Não é que As Horas Distantes seja mau, longe disso, mas não é tão bom como O Segredo da Casa de Riverton e O Jardim Secreto, para mim nunca teve aquele factor wow dos anteriores. Achei-o demasiado previsível e, de certa forma demasiado certinho. Previsível porque acabei por prever praticamente todas as reviravoltas na história e, embora não tenha previsto a reviravolta final, quando se começou a desenrolar a minha reacção foi um revirar de olhos... A autora resolveu, com essa reviravolta final, fechar completamente o círculo, o que me deu a tal sensação de que a história era demasiado certinha... Tenho a certeza que, caso tivesse lido este livro antes dos anteriores o teria adorado, mas é esse o problema das expectativas, não é?

Quanto à história propriamente dita, segue a fórmula anterior: um segredo familiar do passado é progressivamente desvendado por uma personagem do presente que, apesar de não ter uma relação directa com a família em questão, acaba por ter uma relação indirecta e descobre o quanto essa família influenciou a sua própria.

Tal como indica a sinopse, tudo começa com a chegada de uma carta. Uma carta que apenas chega ao seu destino 50 anos depois de ter sido enviada e que revela a Edie que a sua mãe foi uma das crianças evacuadas de Londres para o campo na altura da II Guerra Mundial. A sua mãe nunca tinha falado no assunto e mesmo agora recusa-se a revelar muito, dizendo-lhe apenas que foi evacuada para o Castelo de Milderhurst, onde viveu com as três irmãs Blythe, filhas do famoso autor Raymond Blythe, que escreveu o livro responsável pela paixão de Edie pelos livros, "A Verdadeira História do Homem de Lama".

Por acaso, Edie acaba por ir parar a Milderhurst, onde visita o castelo e conhece as três irmãs, Persephone, Seraphina e Juniper. E fica a saber que Juniper sofreu um desgosto de amor há cinquenta anos que a deixou afectada psicologicamente. A curiosidade de Edie é cada vez maior, já que ninguém parece querer falar dessa época, nem as irmãs Blythe (Percy e Saffy vigiam constantemente June, parecendo que não querem que, inadvertidamente, conte algo a Edie), nem a sua mãe, o que leva Edie a iniciar uma investigação sobre o passado dela e das irmãs Blythe.

Quando finalmente tudo é revelado, não pude deixar de ficar com a sensação, que já tinha tido nos livros anteriores, que tanto sofrimento poderia ter sido evitado se apenas as pessoas falassem umas com as outras, se esclarecessem eventos e mal-entendidos... Mas suponho que é disso que as grandes histórias são feitas, não é? Não achei que esta fosse uma grande história, mas ainda assim, é muito boa. Se nunca leram nada desta autora, comecem por este. Não sendo o seu melhor, a partir daí será sempre a melhorar!

Classificação: 4

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Este livro conta para os Desafios Monthly Key Word Challenge 2014 (clock), Monthly Motif 2014 (Around the World), Mount TBR 2014TBR Pile 2014 e What's in a Name? 2014 (reference to time).

domingo, 5 de maio de 2013

Opinião: "O Jardim dos Segredos"

Título original: The Forgotten Garden
Autor: Kate Morton
Tradutor: Cristina Correia
Editor: Porto Editora
Edição/reimpressão: Janeiro de 2010
ISBN: 9789720041722
Páginas: 552

Sinopse: Uma criança perdida. Nas vésperas da Primeira Guerra Mundial uma criança é encontrada só, num barco que se dirigia à Austrália. A mulher misteriosa que prometera tomar conta dela tinha desaparecido sem deixar rasto.

Um terrível segredo. No seu 21.º aniversário, Nell Andrews descobre algo que mudará a sua vida para sempre. Décadas depois, embarca em busca da verdade, numa demanda que a conduz até à costa da Cornualha e à bela e misteriosa Mansão Blackhurst, em tempos propriedade da aristocrática família Mountrachet.

Uma herança misteriosa. Com o falecimento de Nell, a neta Cassandra recebe uma herança surpreendente. A Casa da Falésia e o seu jardim abandonado são famosos nas redondezas pelos segredos que ocultam - segredos sobre a família Mountrachet e a sua governanta, Eliza Makepeace, uma escritora de obscuros contos de fadas. É aqui que Cassandra irá por fim desvelar a verdade sobre a sua família e resolver o mistério de uma pequena criança perdida.

A minha opinião: Devo confessar que estava um bocadinho apreensiva quando iniciei esta leitura. Isto porque adorei O Segredo da Casa de Riverton e não queria criar demasiadas expectativas com O Jardim dos Segredos. Afinal, não são todos os autores que conseguem manter a mesma qualidade de livro para livro... Mas nada havia a temer, Kate Morton é uma dessas autoras! Apesar de ter gostado mais de O Segredo da Casa de Riverton, esta foi uma leitura apaixonante.

O livro segue uma estrutura semelhante, com um segredo do passado a ser desvendado aos poucos e com a história a passar-se em diferentes épocas, alternando sobretudo entre o presente (2005), o passado (1900's) e o passado recente (1975). A história começa com uma criança abandonada num navio a caminho da Austrália. A menina pensa estar a participar num jogo e nunca revela o seu nome nem as suas origens. Acaba por ser adoptada pelo capitão do porto e a sua mulher que a criam como se fosse filha deles e a baptizam de Nell. Apenas aos 21 anos sabe a verdade e é aí que tudo muda na sua vida. Em 2005 é a sua neta Cassandra que acaba por desvendar o segredo, viajando até à Cornualha, local onde se encontram as verdadeiras origens de Nell.

À semelhança de O Segredo da Casa de Riverton, a história de O Jardim dos Segredos é também agridoce porque é inevitável não pensar como tudo poderia ter sido diferente se... Não vou completar porque não quero spoilar ninguém. Mas para mim a maior lição que se pode tirar desta história é que devemos aproveitar as coisas boas que temos e não nos agarrar ao passado e ao que podia ter sido. E fica a dúvida se, por vezes, a ignorância não será uma bênção...

Não quero contar muito da história porque é o desvendar progressivo dos segredos que lhe dá o seu encanto, mas posso dizer que a achei mais previsível (cedo antevi onde iria parar e quando o maior dos segredos é finalmente desvendado, já eu desconfiava o que era) e é por isso que prefiro O Segredo da Casa de Riverton (que me apanhou completamente de surpresa). Mesmo assim é uma leitura que recomendo sem reservas. Quando terminei a vontade era voltar imediatamente a ler...

Classificação: 5

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Este livro conta para os Desafios Mount TBR 2013, Monthly Key Word Challenge (garden), Book Bingo 2013 (ficção histórica) e Spring Reading Thing 2013.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Opinião: "O Segredo da Casa de Riverton"

Título original: The House at Riverton
Autor: Kate Morton
Tradutor: Vítor Guerreiro
Editor: Porto Editora
Edição/reimpressão: Outubro de 2008
ISBN: 9789720041609
Páginas: 480

Sinopse: Como sobrevivem os que presenciam a tragédia?

Verão de 1924
Na noite de um glamoroso evento social, um jovem poeta perde a vida junto ao lago de uma grande casa de campo inglesa. Depois desse trágico acontecimento, as suas únicas testemunhas, as irmãs Hannah e Emmeline Hartford, jamais se voltariam a falar.

Inverno de 1999
Grace Bradley, de noventa e oito anos de idade, antiga empregada da casa de Riverton, recebe a visita de uma jovem realizadora que pretende fazer um filme sobre a morte trágica do poeta.
Memórias antigas e fantasmas adormecidos, há muito remetidos para o esquecimento, começam a ser reavivados. Um segredo chocante ameaça ser revelado, algo que o tempo parece ter apagado mas que Grace tem bem presente.
Passado numa Inglaterra destroçada pela primeira guerra e rendida aos loucos anos 20, O Segredo da Casa de Riverton é um romance misterioso e uma emocionante história de amor.

A minha opinião: Geralmente gosto de escrever as minhas opiniões logo quando termino os livros e, de preferência, antes de começar a leitura seguinte. Mas com O Segredo da Casa de Riverton não fui capaz e não sei bem porquê...

Quero começar por dizer que esta autora me foi recomendada pela Célia após ter lido e adorado O Décimo Terceiro Conto e, mais tarde, o livro passou a ser sugestão frequente nas recomendações do Goodreads. Muito obrigada Célia, pela recomendação, já tenho os restantes livros da Kate Morton e vou, sem dúvida, continuar a acompanhar esta autora.

Quanto à história propriamente dita, e sem revelar muito, trata-se de um dos meus géneros favoritos, drama familiar histórico (não sei se esta categoria existe mesmo, mas é assim que o classifico) que alterna entre o presente (1999) e o passado (período entre as duas guerras mundiais). A história é-nos contada do ponto de vista de Grace, actualmente com 98 anos, que começa a relembrar a sua vida (inevitavelmente entrelaçada com a vida da família Hartford, para quem trabalhou), a propósito do contacto de uma jovem realizadora que está a fazer um filme sobre a família Hartford (particularmente sobre as irmãs Hannah e Emmeline) e o seu envolvimento numa tragédia que só nos é revelada mesmo no final. A realizadora pretende tentar desvendar melhor o passado e a vida das duas irmãs, uma vez que Grace é a única sobrevivente daquela época.

E cedo percebemos que Grace sabe muito mais do que alguma vez contou... Mas a inevitabilidade da morte e a vontade de se reconectar com o neto levam-na a contar toda a história em cassetes que grava e envia para o neto. E é assim que também nós ficamos a saber toda a verdade sobre a tragédia daquela noite de Verão e tudo o que anteriormente se passou e que conduziu as personagens àquele final.

Gostei muito desta história, da relação entre os três irmãos, da relação entre Hannah e Grace, de como em tão poucos anos a sociedade mudou radicalmente a forma como encarava a mulher e o seu comportamento em sociedade (e que podemos constatar no contraste entre a situação de Hannah e a situação de Emmeline) e, principalmente de como uma mentira perfeitamente inocente pode ter resultados tão avassaladores anos mais tarde.

No final há um pormenor que achei escusado e que penso não fazer muito sentido em termos cronológicos, mas acho que é o único reparo que tenho a fazer.

Classificação: 5

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Este livro conta para os Desafios Mount TBR 2012, What's in a Name 5 (tipo de casa) e Spring Reading Thing 2012.