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quarta-feira, 25 de março de 2020

Opinião: "Inés da Minha Alma"

Título original: Inés del alma mía
Autor: Isabel Allende
Tradutor: Ana Mendes Lopes
Editor: Difel
Edição/reimpressão: Setembro de 2006
ISBN: 9789722908073
Páginas: 342

Sinopse: «Suponho que venham a colocar estátuas da minha pessoa nas praças, e haverá, por certo, ruas e cidades com o meu nome, tal como as haverá também com o nome de Pedro de Valdivia e outros conquistadores, mas as centenas de mulheres que se esforçaram por fundar as cidades, enquanto os seus homens lutavam, serão, quase de certeza, esquecidas.»
Inés Suárez é uma jovem e humilde costureira, oriunda da Extremadura, que embarca em direcção ao Novo Mundo para procurar o marido, extraviado com os seus sonhos de glória do outro lado do Atlântico. Anseia também por viver uma vida de aventuras, vedada às mulheres na pacata sociedade do século XVI.
Na América, Inés não encontra o marido, mas sim uma grande paixão: Pedro de Valdivia, mestre-de-campo de Francisco Pizarro, ao lado de quem Inés enfrenta os riscos e as incertezas da conquista e fundação do reino do Chile.
Neste romance épico, a força do amor concede uma trégua à rudeza, à violência e à crueldade de um momento histórico inesquecível. Através da mão de Isabel Allende, confirma-se que a realidade pode ser tão ou mais surpreendente que a melhor ficção, e igualmente cativante.


A minha opinião: Isabel Allende é uma das minhas autoras favoritas, mas, infelizmente fiquei muito decepcionada com este livro. É baseado numa história verídica, a história de Inés Suárez e do seu papel na "conquista" e fundação do reino do Chile no século XVI. Tinha todo o potencial para ser uma história épica. Infelizmente, não é... 

A história começa como as memórias de uma idosa Inés contadas à sua filha adoptada Isabel. E aqui surge, provavelmente, o meu maior problema com o livro: Inés declara à filha que o pai dela, Rodrigo de Quiroga, foi o grande amor da sua vida. No entanto, de acordo com o seu próprio relato, não foi. Foi apenas o último. O grande amor da vida de Inés foi Pedro de Valdivia. Foi um amor atribulado, mas foi claramente o grande amor da sua vida. 

A história nunca me prendeu realmente, o que explica porque é que demorei tanto tempo a ler o livro. A verdade é que todas as personagens me irritaram, com a excepção de Rodrigo. Mas ele também não surge muito tempo na história. Inés é uma mulher forte, determinada e apaixonada, mas acaba por se sujeitar a muito por causa desse mesmo amor. E é atormentada por fantasmas do passado. 

Estava à espera de um romance passado no cenário verídico da "conquista" do Chile, no entanto o que obtive foi um relato cronológico da vida de Inés, com romance em pano de fundo. Não sei se foi a autora que mudou ou se fui eu, mas ainda não estou preparada para desistir dela... 


Classificação: 2

Fonte

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Opinião: "A Casa dos Espíritos"

Título original: La casa de los espíritus
Autor: Isabel Allende
Série: Tripartite #3
Tradutor: 
Editor: Difel
Edição/reimpressão: Julho de 2002
ISBN: 9789722900706
Páginas: 360

Sinopse: O relato da vida de Esteban Trueba, da mulher, dos filhos legítimos e naturais, e dos netos vai levar-nos do começo do século até à actualidade; é toda uma dinastia de personagens à volta das quais a narrativa vai gravitando sem perder de vista os outros - mesmo depois de mortos. O temperamento colérico do fundador, a hipersensibilidade fantasista da sua mulher e a evolução social do país - que reflecte e pode muito bem simbolizar qualquer país latino-americano - tornam difíceis as relações familiares, marcadas pelo drama e a extravagância e conduzem a um final surpreendente e cruel, que deixa no entanto aberto o caminho de uma trabalhosa reconciliação.
No panorama da actual literatura hispano-americana, nennhum nome de mulher tinha conseguido até agora ocupar um lugar cimeiro. Faltava pois uma romancista. A impecável desenvoltura estilística, a lucidez histórica e social e a coerência estética, patentes em A Casa dos Espíritos fazem do primeiro romance de Isabel, um livro inesquecível.
 

A minha opinião: Este é um dos livros que indico sempre que me perguntam qual o meu livro preferido. Mas a verdade é que, apesar de saber que o tinha adorado, não me recordava muito bem da sua história. Por isso, e com o incentivo de precisar de uma releitura para o desafio Book Bingo, parti para a minha segunda leitura de A Casa dos Espíritos.

Não pensei que fosse possível, mas a verdade é que gostei mais dele agora que o reli. Não consigo precisar quando o li pela primeira vez, mas foi há mais de 10 anos, sem dúvida. Tenho a certeza, porém, que só agora apreendi muitas subtilezas que me haviam escapado na primeira leitura. E provavelmente muitas ficaram ainda por descobrir numa terceira leitura...

Já anteriormente referi a minha predilecção por sagas familiares e esta é, sem dúvida uma das minhas preferidas. Isabel Allende leva-nos numa viagem pela história da família Trueba, história essa que inevitavelmente está interligada com a história do país onde se passa, o Chile.

Há uma predominância evidente das mulheres desta família, fortes e determinadas, com o pormenor delicioso de todas terem nomes sinónimos de branco (uma cor associada à pureza): Clara, Blanca e Alba - avó, mãe e neta (e ainda a bisavó Nívea). É através da história destas mulheres e desta família que Allende nos dá a conhecer também a história de um povo e de um país em mudança. Uma história que é também a sua e a da sua família (o seu pai era primo direito de Salvador Allende).

Gostei do pormenor da autora não ter nomeado personagens-chave da história do Chile, como Salvador Allende (referido apenas como o "Candidato" e mais tarde o "Presidente") e Pablo Neruda (o "Poeta"), o que, na minha opinião, permite eternizar ainda mais a história e alertar para a triste possibilidade de que a história se poderá repetir com outros protagonistas nos mesmos papéis. E tendo Portugal em comum com o Chile um passado de ditadura (que felizmente não vivi), foi particularmente arrepiante ler a parte final do livro, pois não é difícil imaginar que o mesmo se passou por cá...

Mas não posso terminar esta opinião sem referir a personagem masculina (obviamente há mais, mas esta é a que verdadeiramente se destaca): Esteban Trueba. Um selfmade man, que subiu a pulso e nunca teve medo de arregaçar as mangas e trabalhar, dedicado à sua família, mas arreigado às suas ideias e costumes, simultaneamente cruel e apaixonado. Acaba por perceber tarde de mais os erros que cometeu e paga caro pela sua obstinação e arrogância, colhendo o que semeou, e vendo aqueles de quem mais gosta a pagar pelos seus pecados.

Podia dizer muito mais sobre este livro, mas a opinião já vai longa... Digo apenas que vou continuar a indicá-lo como um dos meus livros preferidos e fico com a certeza que esta não será a última vez que o leio. E agora façam um favor a vós próprios e vão lê-lo também! E se já o leram, releiam-no, vale bem a pena!

Classificação: 5

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Este livro conta para o Desafio Book Bingo 2013 (releitura).

sexta-feira, 26 de março de 2010

Opinião: "O Plano Infinito"

Título original: El Plan Infinito
Autor: Isabel Allende
Tradutor: Carlos Martins Pereira
Editor: Difel
Edição/reimpressão: Setembro de 2005
ISBN: 9722907050
Páginas: 400

Sinopse: O protagonista deste épico e intimista romance, Gregory Reeves, é um gringo que se fará a si próprio no mundo dos hispanos da Califórnia, e que encarna muitos dos defeitos e virtudes da nossa sociedade. Ao longo do livro, o leitor vai encontrar-se com os sentimentos da marginalização social e do racismo, com a paixão da actividade política, com os contrastes entre opulência e pobreza, com a patética realidade da guerra do Vietname, com a experiência da evolução do conceito de família, com a incessante busca e vivência do amor... que ao mesmo tempo leva Gregory Reeves ao seu pessoal Plano Infinito, intuído na sua infância quando o pai pregava.

Mais uma grande criação literária de Isabel Allende que, a partir de um início brilhante, vai manter no leitor, um constante interesse, até um final tão revelador, quanto surpreendente.

A minha opinião: Já tinha tentado ler este livro há dois ou três anos, mas na altura não consegui passar das primeiras páginas. Agora achei que era a altura certa para lhe dar uma nova hipótese e ainda bem que o fiz. Isabel Allende é uma das minhas autoras favoritas e ainda que não se tenha tornado um dos meus preferidos, gostei bastante deste Plano Infinito. Julgo ser o primeiro livro da autora em que o protagonista é um homem e uma vez mais a autora desenrola uma acção fictícia num cenário real. Assim, a história do protagonista, Gregory Reeves, funde-se com a história dos Estados Unidos da América, nas décadas de 60, 70 e 80. Através do percurso de Gregory (e das dezenas de personagens secundárias) ficamos a conhecer, por exemplo, o problema da imigração mexicana e do racismo subjacente, o problema do bullying (que na altura ainda não se chamava assim), a ascensão e queda do movimento hippie, a guerra do Vietname e o surgimento dos yuppies.


Uma das coisas que adoro nos livros da autora, e que também acontece em O Plano Infinito, é o facto de existirem muitas personagens secundárias que, mais tarde ou mais cedo, acabam por revelar a sua importância na história. Gostei sobretudo de Carmen, achei-a uma personagem muito forte que conseguiu vencer as adversidades e escolheu ser feliz.

O facto de ter dois narradores (o personagem principal e um que narra na 3ª pessoa) acaba por se tornar um pouco confuso às vezes, mas não retira prazer à leitura.

Classificação: 3