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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Opinião: "A Cor do Hibisco"

www.wook.pt/ficha/a-cor-do-hibisco/a/id/8646619?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: Purple Hibiscus
Autor: Chimamanda Ngozi Adichie 
Tradutor: Tânia Ganho
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Julho de 2010
ISBN: 9789892308531
Páginas: 272

Sinopse: Os limites do mundo da jovem Kambili são definidos pelos muros da luxuosa propriedade da família e pelas regras de um pai repressivo. O dia-a-dia é regulado por horários: rezar, dormir, estudar e rezar ainda mais. A sua vida é privilegiada mas o ambiente familiar é tudo menos harmonioso. O pai tem expectativas irreais para a mulher e os filhos, e pune-os severamente quando se mostram menos que perfeitos.
Quando um golpe militar ameaça fazer desmoronar a Nigéria, o pai de Kambili envia-a, juntamente com o irmão, para casa da tia. É aí, nessa casa cheia de energia e riso, que ela descobre todo um novo mundo onde os livros não são proibidos, os aromas a caril e a noz-moscada impregnam o ar, e a alegria dos primos ecoa.
Esta visita vai despertá-la para a vida e o amor e acabar de vez com o silêncio sufocante que a amordaçava. Mas a sua desobediência vai ter consequências inesperadas...
Uma obra sobre a ânsia pela liberdade, o amor e o ódio, e a linha ténue que separa a infância da idade adulta, que marcou a estreia de uma escritora extraordinária.


A minha opinião: A Cor do Hibisco foi uma leitura difícil para mim, pelo menos no ínicio. Não porque não tenha gostado da escrita da autora (que adorei) ou da história (que é extremamente poderosa), mas devido aos temas que aborda: fanatismo religioso e violência doméstica. Apenas um já seria suficiente para me deixar bastante incomodada, mas os dois juntos foi dose...

A história é-nos contada por Kambili, a filha mais nova numa família composta pelo Pai, a Mãe e o seu irmão Jaja. Por fora parecem a família perfeita, o Pai é dono de várias fábricas e de um jornal independente e é um filantropo reconhecido internacionalmente. Mas por dentro das quatro paredes, a realidade é outra. A Mãe, Jaja e Kambili vivem num regime de medo, constantemente preocupados em cumprir as estipulações do Pai e em satisfazer as suas expectativas. Contudo, o Pai é um fanático religioso com a ilusão de ter a perfeita família católica e não hesita em recorrer a castigos corporais sempre que acha que a mulher ou os filhos não estão a ter o comportamento apropriado.

No entanto, esta é a única realidade que Jaja e Kambili conhecem, é o normal para eles, e é só quando vão passar uns dias a casa da tia e dos primos que praticamente não conhecem, que se começam a aperceber que a realidade que conhecem não é a norma para todos. E é quando comparamos Jaja e Kambili aos seus primos que percebemos realmente o quanto estão afectados pela sua situação familiar. São crianças apáticas, tristes, que não riem, não brincam, só fazem aquilo que o Pai lhes estipula no horário. E, se inicialmente são os seus primos a ressentirem-se com eles por serem ricos e por terem uma vida fácil e protegida (ah, a ironia!), rapidamente a situação se inverte e de invejosos os primos passam a invejados pela liberdade, felicidade e amor que têm. Jaja e Kambili podem ter uma casa apetrechada com os mais modernos aparelhos electrónicos (como aparelhagem e televisão por satélite), mas não têm permissão para os utilizar. Na casa da tia, as dificuldades são muitas, a comida é simples, todos têm de fazer a sua parte para ajudar e não há dinheiro para luxos, mas há alegria, há música, há risos e há amor.

A situação é ainda mais revoltante porque todos parecem invejar a vida da Mãe, de Jaja e de Kambili. A sociedade glorifica o Pai por ter o único jornal contra o regime e pelas suas inúmeras obras de caridade, mas ninguém parece ver (ou fingem que não vêem) o que realmente se passa naquela casa.

Sinto que, por mais que esmiúce aqui a história, nunca lhe conseguirei fazer justiça, até porque a autora consegue, de forma magistral, mostrar as racionalizações que as vítimas de violência doméstica fazem e que lhes permitem conseguir lidar com a situação que vivem. Algo que é particularmente patente em Kambili que, mesmo no fim de tudo ainda pensa no Pai com carinho.

Descobri mais uma autora obrigatória e só não lhe dei classificação 5 pela dificuldade que tive em lidar com a história no início. Mas o problema foi meu, que não tenho estômago para hipocrisias, por isso não deixem de lhe dar uma hipótese.

Classificação: 4

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terça-feira, 1 de abril de 2014

Opinião: "O Beijo Encantado"

www.wook.pt/ficha/o-beijo-encantado/a/id/11449709?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: A Kiss at Midnight
Autor: Eloisa James
Série: Fairy Tales #1
Tradutor: Maria Manuela Novais Santos
Editor: Quinta Essência
Edição/reimpressão: Outubro de 2011
ISBN: 978989228666
Páginas: 400

Sinopse: Forçada pela madrasta a ir a um baile, Kate conhece um príncipe… E decide que ele é tudo menos encantado. Segue-se um esgrimir de vontades, mas ambos sabem que a atração irresistível que sentem um pelo outro não os levará a lado nenhum. Gabriel está prometido a outra mulher - uma princesa que o ajudará a alcançar as suas ambições implacáveis.
Gabriel gosta da noiva, o que é uma surpresa agradável, mas não a ama. Obviamente, deve cortejar a sua futura princesa, e não a beldade espirituosa e pobre que se recusa a mostrar-se embevecida.
Apesar das madrinhas e dos sapatinhos de cristal, este é um conto de fadas em que o destino conspira para destruir qualquer oportunidade de Kate e Gabriel poderem ser felizes para sempre. 
A menos que um príncipe abdique de tudo o que o torna nobre…
A menos que o dote de um coração indisciplinado triunfe sobre uma fortuna…
A menos que um beijo encantado ao bater da meia-noite mude tudo.

A minha opinião: Esta foi a minha estreia com a autora e estou rendida! O Beijo Encantado é baseado na história da Gata Borralheira e adorei a volta que a autora lhe deu.

Aqui a Cinderela só aguenta todas as humilhações da madrasta para proteger os rendeiros e empregados da propriedade e, quando finalmente se decide a partir, só quer ser independente, não tem qualquer interesse em casar. A meia-irmã não é má, é só tolinha. As ratazanas são cães. A fada madrinha não tem magia, mas tem um sentido de humor apuradíssimo e é acutilante nas suas observações. E o príncipe só anda à procura de uma princesa porque precisa do dote dela para manter o castelo e os seus habitantes.

Tudo começa quando as ratazanas, como são conhecidos pelo pessoal da casa os cães de Victoria, a meia-irmã de Kate, a mordem na cara e fazem com que lhe seja impossível deslocar-se com o seu noivo até ao castelo do tio deste, o príncipe Gabriel, para que ele abençoe a união. É então que Mariana, a madrasta má, decide enviar Kate no lugar de Victoria...

Apesar das parecenças físicas, Kate e Victoria não podiam ser mais diferentes e Kate está convencida que não irá enganar ninguém, mas, para seu espanto, a farsa parece resultar. Excepto para a sua madrinha que conhece no castelo e que a reconheceu imediatamente. E para o príncipe, que apesar de estar noivo de uma rica princesa russa que irá chegar ao castelo em poucos dias, é incapaz de resistir à atracção que sente pela suposta noiva do seu sobrinho. E quando descobre que Kate não é Victoria, resistir-lhe torna-se ainda mais complicado...

Kate sabe que o seu futuro agora que encontrou a sua madrinha será muito mais risonho e que apaixonar-se por Gabriel é um tremendo erro, pois nunca poderão ficar juntos, mas o amor não é racional e é mais forte do que ela... Gabriel, por sua vez, sabe que um príncipe honrado é aquele que sacrifica a sua felicidade pela dos que de si dependem, que o futuro de todos no castelo depende do seu casamento com uma noiva rica e que essa noiva nunca poderá ser a pobretanas Kate, mas o coração quer o que o coração quer.

Parece uma situação impossível, será que Kate e Gabriel conseguirão ter o seu felizes para sempre?

Gostei mesmo muito desta versão de uma história que todos conhecemos. A Kate é uma protagonista fantástica, forte, determinada, inteligente, sem papas na língua, não se deixa vergar por ninguém e é extremamente fiel aos seus princípios. Mas o Gabriel não lhe fica atrás, embora ao início pareça ser um engatatão convencido, cedo percebemos que essa é apenas uma fachada, que o verdadeiro Gabriel é apaixonado, inteligente, extremamente bondoso e preocupado com aqueles de quem gosta e capaz de se sacrificar pelo bem comum.

Foi uma leitura compulsiva, não consegui parar de ler enquanto não soube como terminaria a história de Kate e Gabriel. Entretanto descobri que a autora escreveu um conto focado em Wick (que vou ler em breve), um personagem do qual gostei muito também, e fiquei muito contente por este também ter direito ao seu final feliz.

Uma série a seguir, sem dúvida. Só espero que a editora continue a publicá-la...

Classificação: 5

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segunda-feira, 31 de março de 2014

Opinião: "O Grande Gatsby"

www.wook.pt/ficha/o-grande-gatsby/a/id/45930?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: The Great Gatsby
Autor: F. Scott Fitzgerald
Tradutor: José Rodrigues Miguéis
Colecção: Obras Literárias Escolhidas nº 16
Editor: Editorial Presença
Edição/reimpressão: Maio de 2013
ISBN: 9789722313698
Páginas: 176

Sinopse: O Grande Gatsby, considerado a obra-prima de F. Scott Fitzgerald, tornou-se não só um clássico da literatura do século XX, como o retrato mais expressivo da «idade do jazz», em todo o seu esplendor e decadência. Jay Gatsby é o herói que personifica o materialismo obsessivo e o desencanto do pós-Primeira Guerra Mundial. Imensamente rico e desprovido de escrúpulos, Gatsby procura preencher o vazio que o domina tentando impressionar e assim conquistar Daisy Buchanan, por quem se apaixonara na sua juventude mas que entretanto casara com o milionário Tom Buchanan. No entanto, na sua busca do amor e da inocência perdidos, Gatsby encontra apenas o fim de um sonho. Esta edição de O Grande Gatsby foi traduzida e prefaciada por José Rodrigues Miguéis. 

A minha opinião: É fácil perceber porque O Grande Gatsby se tornou num clássico da literatura. É uma história que retrata na perfeição o período do pós-Primeira Guerra Mundial nos Estados Unidos, mas, ao mesmo tempo é uma história intemporal, de amor, ilusão e desencanto.

A história é-nos narrada por Nick Carraway, vizinho de Jay Gatsby e primo de Daisy Buchanan e, por isso, inadvertidamente, acaba por se ver envolvido numa história que o mudará para sempre e que significará o final da sua inocência...

Gatsby e Daisy foram namorados em tempos, mas Daisy acabou por casar com o milionário Tom Buchanan, que por sua vez tem um caso com uma mulher casada. Gatsby nunca esqueceu Daisy e, agora que finalmente é, também ele, milionário, está decidido a reconquistá-la. E para isso dá festas opulentas e magnificentes na sua mansão que fica do outro lado da baía, mesmo em frente ao cais da casa de Daisy. As suas festas são o acontecimento da época e são frequentadas pela nata da sociedade. Mas na primeira vez que Nick vai a uma das festas descobre que praticamente ninguém conhece o anfitrião e que uma série de rumores circulam sobre o mesmo.

Graças a Nick, o reencontro entre Gatsby e Daisy acaba por se dar e a relação entre ambos é retomada. Mas a realidade nunca corresponde à expectativa e aos sonhos e planos que fazemos e esta história não é excepção. A obsessão de Gatsby por Daisy e por conseguir ter o futuro que lhe escapou no passado acaba por ter um final trágico. E é no final que vemos aquilo que, infelizmente, já todos sabemos: que é na infelicidade que os verdadeiros amigos se revelam. E é essa revelação que origina a catarse de Nick.

A edição que li contém também uma pequena biografia do autor e é impossível não perceber as semelhanças entre o mesmo e Gatsby (mas também com Nick, na sua percepção do desencanto com a realidade) e entre a sua mulher Zelda e Daisy.

Esta não foi uma opinião nada fácil de escrever e andou a ser adiada duas semanas... Mas ao escrevê-la finalmente, e ao reflectir sobre a história, acabei por me aperceber que gostei mais dela do que julguei inicialmente (passei a classificação de 3 para 4) e julgo que dificilmente a irei esquecer. O livro foi recentemente adaptado ao cinema e quero ver se não demoro muito a ver... 

Não sou muito de tomar nota de frases, mas não posso terminar sem deixar aqui uma frase da primeira página que me diz muito: 
Quando te sentires com vontade de criticar alguém, lembra-te disto: nem todos tiveram neste mundo as vantagens que tu tiveste.
Um lema pelo qual tento viver.

Classificação: 4

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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Desafio Take Control of Your TBR Pile March 2014

This post will be written in Portuguese and English.

Vi este desafio no Cuidado com o Dálmata e, como estou a pensar atacar alguns livrinhos da pilha agora em Março, resolvi inscrever-me. O Take Control of Your TBR Pile é organizado pelo blogue Caffeinated Book Reviewer e consiste, basicamente, em ler no mês de Março, livros que tenham sido publicados até lá. As restantes regras estão no link.

Quero, no mínimo, ler três livros, todos desta pilha:


Quero também publicar a minha opinião sobre eles ainda em Março.

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Consegui cumprir o principal objectivo, li três livros da pilha, mas falhei na publicação das opiniões (ainda tenho duas em atraso...). Estes foram os livros que li:

 

I saw this challenge on the blog Cuidado com o Dálmata and since I'm thinking of attacking a few of the books on my TBR pile in March, I decided to sign up too. The Take Control of Your TBR Pile is organized by the blog Caffeinated Book Reviewer and it basically consists of reading, in the month of March, books that have been published before that date. The rest of the rules can be found at the link.

I want to, at least, read three books, all from this pile:


I also want to publish my opinion about them in March.

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I managed to fulfill my main goal, I read three books from the pile, but I failed publishing my opinions of them (two more to come...). These were the books I read: