Mostrar mensagens com a etiqueta Quetzal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Quetzal. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Opinião: "Na Memória dos Rouxinóis"

Autor:
Editor: Quetzal
Edição/reimpressão: Fevereiro de 2018
ISBN: 9789897224355
Páginas: 216


Sinopse: «Jorge Rousinol nem sempre foi Jorge Rousinol. Até 5 de agosto de 1945, era o Sete, um número primo.»

É assim que começa a história de Jorge Rousinol, um matemático galego que sempre defendeu o poder do esquecimento como o melhor instrumento para a tomada de decisões. Porém - estranha decisão para quem nunca quis recordar -, no final da vida encomenda uma biografia para perpetuar as suas descobertas, as suas desilusões e as suas pequenas glórias.  O biógrafo escolhido acaba por ser alguém com quem privara décadas antes e que se vê, ele próprio, envolvido em memórias que hão de surpreender o leitor.

É um romance em três tempos (o do passado do biografado, o do passado do biógrafo e o do presente que os une), que confirma a escrita fantástica, inesperada e inovadora de Filipa Martins com a leveza e a rara sensualidade que atravessa a vida destes personagens.


A minha opinião: Tinha grandes expectativas em relação a Na Memória dos Rouxinóis. A sinopse deixava antever uma história familiar com enganos e segredos e eu sou particularmente fã dessas histórias. E a verdade é que até tem, mas a execução, na minha opinião, deixa muito a desejar...

Não é que a autora escreva mal, nada disso, escreve até muitíssimo bem. Mas fiquei com a sensação que se esforça demasiado para o provar. A escrita pareceu-me forçada e a necessidade de estar constantemente a provar a sua cultura, com a inserção de factos aleatórios e sem qualquer relevância para a história, sinceramente, irritou-me... E depois há um pormenor que, para mim, é apenas parvo: o biógrafo escolhido é o marido do sobrinho de Jorge Rousinol, mas na verdade eles são primos, só que a autora resolveu que preferia que fossem tio e sobrinho - o que nos indica - e por isso é assim que os trata (e que eles se tratam).

Fonte
Porquê???

Enfim, no meio de tudo isto, a história, que até tinha potencial, enrola-se um bocado e acabei por não querer saber do que acontecia a nenhum dos personagens, porque todos eles são um bocado auto-destrutivos.

Não lhe dei um 1 porque gostei das partes do passado, da história dos pais e dos avós do Rousinol, e do contexto histórico da mesma. Mas, provavelmente, não vou voltar a ler a autora.


Classificação: 2

quarta-feira, 18 de março de 2015

Opinião: "O Sentido do Fim"

www.wook.pt/ficha/o-sentido-do-fim/a/id/11917221?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: The Sense of an Ending
Autor: Julian Barnes
Tradutor: Helena Cardoso
Editor: Quetzal
Edição/reimpressão: Outubro de 2013
ISBN: 9789725649893
Páginas: 160

Sinopse: Tony Webster e a sua clique só conheceram Adrian Finn no fim do liceu. Famintos de livros e de sexo, e sem namoradas, viviam esses dias em conjunto, trocando afetações, piadas, rumores e mordacidades de todo o género. Talvez Adrian fosse mais sério do que os outros, e seria certamente o mais inteligente. Mesmo assim, juraram que ficariam amigos para o resto da vida.
Tony está agora reformado. Teve uma carreira, um casamento e um divórcio amigável. E nunca fez nada para magoar ninguém - pelo menos acredita nisso. Mas a chegada da carta de uma solicitadora desencadeia uma série de surpresas, acontecimentos inesperados que lhe vão mostrar que a memória é afinal uma coisa altamente imperfeita. 

O Sentido do Fim é assim a história de um homem que se confronta com a mutabilidade do seu passado.

Com marcas da literatura inglesa clássica - na apreciação do júri que o distinguiu com o Man Booker Prize 2011 -, O Sentido do Fim constrói, com grande delicadeza e precisão, uma trama tensa, forte, e revela a mestria de um dos maiores escritores dos nossos tempos.

A minha opinião: Assim que este livro foi lançado por cá, chamou-me logo a atenção: a sinopse, a capa (eu sei, eu sei, não devemos julgar os livros pelas capas...) e, bem, o facto de ter sido premiado com o Man Booker Prize, em princípio, deveria querer dizer alguma coisa não é? Por isso, aproveitei a Feira do Livro do ano passado para o adquirir com um desconto jeitoso. E agora que precisava de ler, para um desafio, um livro que tivesse ganho um prémio literário pareceu-me a altura perfeita para o tirar da estante.

Toda a história nos é contada da perspectiva de Tony Webster que, no fundo, nos conta as suas memórias e e as suas impressões, não só da sua vida, mas também da sua relação com Adrian Finn. E começa no início, relembrando quando Adrian, recém chegado à escola que frequentava, chamou a sua atenção e a dos seus dois amigos, pela sua inteligência e maneira peculiar de encarar as coisas. Adrian é diferente deles, mas isso só lhes desperta mais o interesse e a admiração. E os quatro acabaram por se tornar grandes amigos. Amigos para sempre.

Ou não, que já se sabe que poucas são as amizades que resistem ao tempo e à distância... E no caso de Adrian... Bom, não vou contar porque acho que é melhor que seja descoberto durante a leitura.

A história avança até que Tony é um homem de meia idade, divorciado, mas ainda amigo da ex-mulher, e que perdeu o contacto com os antigos amigos. E é quando recebe uma carta de uma solicitadora a indicar que a mãe de uma antiga namorada dos tempos da faculdade (que só viu uma vez) morreu e lhe deixou algo em testamento, que Tony reexamina o seu passado e o passado de Adrian e, lentamente, começa a perceber que, por vezes, aquilo que recordamos não corresponde necessariamente à realidade. 

Gostei muito da história e, principalmente, da escrita do autor. É uma história sobre amizade, mas também sobre como por vezes a nossa percepção do passado está completamente errada só porque não temos acesso a toda a informação (e por vezes, mesmo que a tenhamos, interpretamo-la erroneamente). E é de leitura compulsiva, por estar extremamente bem escrito (e bem traduzido) e porque queremos saber o que é que afinal se passou...

Fiquei com vontade de ler mais livros do autor e, felizmente, há mais alguns traduzidos para português, pelo que vou ficar atenta a promoções para os adquirir.

Classificação: 4

-------------------------------------------------------------------

Este livro conta para os Desafios TBR Pile 2015, Mount TBR 2015What's in a Name? 2015 (word including ‘ing’ in it) e Monthly Motif Challenge 2015 (Award Winner - Man Booker Prize 2011)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Opinião: "Amuleto"

www.wook.pt/ficha/amuleto/a/id/14827908?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: Amuleto
Autor: Roberto Bolaño
Tradutor:
Editor: Quetzal
Edição/reimpressão: Março de 2013
ISBN: 9789897220883
Páginas: 144

Sinopse: A voz arrebatadora de Auxílio Lacouture narra um crime atroz e longínquo, que só virá a ser revelado nas últimas páginas deste romance - no qual, de resto, não escasseiam crimes, sejam eles os do quotidiano, ou os da formação do gosto.
Uruguaia de meia-idade, alta e magra como Dom Quixote, Auxilio ficou escondida na casa de banho das mulheres, enquanto a políca ocupava, de forma brutal, da Faculdade de Filosofia e Letras da Cidade do México, em 1968. Durante os dias que aí permaneceu, os lavabos converteram-se num túnel do tempo, que lhe permitiu rememorar os anos vividos no México e antever os que estavam por vir.
Neste exercício evoca a poeta Lilian Serpas, que foi para a cama com Che, e o seu desafortunado filho; os poetas espanhóis León Filipe e Pedro Garfias, a quem Auxílio serviu voluntariamente como empregada doméstica; a pintora catalã Remedios Varo e a sua legião de gatos; o rei dos homossexuais da colónia Guerrero e o seu reino de terror; Arturo Belano, uma das personagens centrais de Os Detetives Selvagens; e a derradeira imagem de um assassínio esquecido.

A minha opinião: Em Amuleto, Roberto Bolaño parte de uma situação real, a ocupação da Faculdade de Filosofia e Letras da Cidade do México, pela polícia, em 1968, para criar uma história que acaba por acompanhar os principais acontecimentos da próxima década, não só no México, mas também por toda a América do Sul. E é através do olhos de Auxílio que o autor nos conta essa mesma história.

Auxílio é uruguaia e encontra-se ilegal no México. Foi para o México, não para encontrar melhores condições de vida, mas para conviver com os poetas mexicanos e é isso que faz, trabalhando (a maior parte das vezes de graça) nas suas casas e na Universidade. E é quando Auxílio se encontra precisamente na casa de banho das mulheres do quarto andar da Faculdade de Letras que a polícia mexicana ocupa a universidade e Auxílio fica presa durante treze dias.

Auxílio começa então a recordar os acontecimentos desde que chegou ao México, mas também aquilo que experienciará depois de sair da casa de banho, misturando passado e futuro e com algumas incursões no presente, à medida que o tempo vai passando e Auxílio vai perdendo as forças.

Apesar de também existirem outras personagens criadas pelo autor (e algumas delas protagonistas de outros livros), através de Auxílio conhecemos vários personagens reais, principalmente poetas, mas também pintores, a elite intelectual mexicana da época, profundamente marcada pelos acontecimentos de 1968, a ocupação da universidade, e, posteriormente, o massacre de centemas de estudantes e civis, assassinados a mando do governo, como forma de suprimir a oposição. Acontecimentos que também marcaram, obviamente, o autor, que me pareceu querer fazer com este livro uma homenagem a essa geração perdida. Gostei e vou querer ler mais alguma coisa do autor.

Classificação: 3

domingo, 1 de abril de 2012

Opinião: "A Boneca de Kokoschka"

Autor: Afonso Cruz
Editor: Quetzal
Edição/reimpressão: Outubro de 2010
ISBN: 9789725649039
Páginas: 244

Sinopse: O pintor Oskar Kokoschka estava tão apaixonado por Alma Mahler que, quando a relação acabou, mandou construir uma boneca, de tamanho real, com todos os pormenores da sua amada. A carta à fabricante de marionetas, que era acompanhada de vários desenhos com indicações para o seu fabrico, incluía quais as rugas da pele que ele achava imprescindíveis. Kokoschka, longe de esconder a sua paixão, passeava a boneca pela cidade e levava-a à ópera. Mas um dia, farto dela, partiu-lhe uma garrafa de vinho tinto na cabeça e a boneca foi para o lixo. Foi a partir daí que ela se tornou fundamental para o destino de várias pessoas que sobreviveram às quatro toneladas de bombas que caíram em Dresden durante a Segunda Guerra Mundial.

A minha opinião: Este livro também foi lido para a Comunidade de Leitores da Biblioteca Municipal, mas, ao contrário do anterior gostei bastante de A Boneca de Kokoschka.

Pela sinopse esperava algo de diferente, esperava uma história em que a vida de várias personagens fosse tocada pela boneca. Mas na verdade a boneca só surge, e brevemente, a mais de meio do livro. A experiência da guerra é o fio condutor das várias personagens que Afonso Cruz criou. Aliás, o fantasma da guerra está presente ao longo de toda a narrativa e molda o carácter e personalidade das personagens.

O livro está dividido em três partes. A primeira parte passa-se em Dresden em plena Segunda Guerra Mundial e é protagonizada por Isaac Dresner e pelo Sr. Vogel. Isaac esconde-se na cave da loja do Sr. Vogel e fala com ele, o que faz com que o Sr. Vogel pense estar a ouvir vozes que lhe chegam do chão.

A segunda parte passa-se em Paris, no pós guerra. Isaac vive com a sua mulher e com o Sr. Vogel (um pai que trata como a um filho) e tem uma pequena editora. Ouve falar de um escritor que nunca conseguiu o sucesso e, atraído pela sua história, contacta-o e mostra-se interessado em publicar um dos seus livros. É aqui que ficamos a conhecer a história da boneca de Kokoschka, mas também a história da família Varga.

Na terceira e última parte surge-nos uma nova personagem, Miro Korda, e a história passa também por Portugal. No final percebemos como todas as personagens se interligam, e na ficção tal como na realidade, percebemos como as vidas se entrelaçam e influenciam, mesmo que não nos apercebamos. E também como a história dos nossos antepassados, pais e avós, condiciona a nossa própria história.

A participação na Comunidade de Leitores tem sido uma óptima experiência a vários níveis, mas talvez um dos principais seja o facto de me permitir descobrir novos autores portugueses que me estavam a passar ao lado... Afonso Cruz é um autor que vou querer continuar a ler.

ADENDA:  Fiquei curiosa e pesquisei no Google o nome Kokoschka. Fiquei a saber que, não só o pintor Oskar Kokoschka existiu mesmo, também a sua paixão por Alma Mahler e todo o episódio da boneca são reais. Gosto quando um autor parte de um acontecimento verídico para criar uma obra de ficção e Afonso Cruz foi exímio a fazê-lo. Apesar de a boneca aparecer pouco, é crucial para a história, por motivos que não posso explicar sem cair em spoilers. Mas agora que sei que a boneca foi real, toda a história ganha uma nova dimensão para mim. Só tenho pena que o autor não indique a autenticidade deste episódio no livro, julgo que seria benéfico para o leitor.

Classificação: 4

-------------------------------------------------------------------

Este livro conta para o Desafio Spring Reading Thing 2012.