Mostrar mensagens com a etiqueta Relógio D'Água. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Relógio D'Água. Mostrar todas as mensagens

domingo, 17 de julho de 2011

Opinião: "Mrs. Dalloway"

Título original: Mrs. Dalloway
Autor: Virginia Woolf 
Tradutor: José Miguel Silva
Colecção: Ficções
Editor: Relógio D'Água
Edição/reimpressão: Janeiro de 2004
ISBN: 9727087647
Páginas: 219

Sinopse: Publicado em 1925, Mrs. Dalloway é o primeiro dos romances de Virginia Woolf que subverte a narrativa tradicional. O título inicial do livro era As Horas, uma referência ao tempo em que a acção decorre. A I Grande Guerra terminou, o calor do Verão invade Londres e Clarissa, Mrs. Dalloway, prepara-se para dar uma das suas festas. Mas quando a noite se aproxima, a chegada de Peter Walsh, o seu primeiro amor regressado da Índia, vai despertar o passado, trazendo-lhe à memória os sonhos adolescentes e a discussão que muitos anos antes a precipitou num casamento sem fulgor. De súbito, Clarissa tem consciência da força da vida em seu redor, de Peter inalterado e contudo diverso, e da sua filha Elizabeth que se está a tornar uma mulher. Virginia Woolf expõe assim diferentes modos de sentir, evocando, mais que o espírito do tempo, o espírito da própria vida no olhar de cada personagem. Mas a originalidade maior do livro vem dessa espécie de duplo de Mrs. Dalloway, Septimus Warren Smith, enlouquecendo em silêncio com o trauma da guerra e com quem Clarissa parece partilhar uma mesma consciência.

A minha opinião: Desde que vi o filme As Horas que fiquei com muita vontade de ler Mrs. Dalloway. Quando o vi à venda numa feira do livro, à cerca de 3 anos, não resisti a comprá-lo. No entanto, só agora resolvi lê-lo. E em boa hora o fiz!

Gostei muito deste Mrs. Dalloway, a forma como a autora conseguiu entrelaçar as vidas de tantas personagens em apenas algumas horas é genial. Como já tinha lido algures, a autora consegue desenvolver de tal forma os seus personagens que, apesar de apenas os conhecermos durante algumas horas, ficamos com a sensação de os conhecermos profundamente. Contudo, e apesar de ter adorado a sua escrita, a leitura foi um pouco confusa devido às constantes alterações de ponto de vista, sem capítulos ou sequer espaçamento entre parágrafos que indique que a história vai passar para o ponto de vista de outra personagem.

Não resisti a pesquisar um pouco sobre a autora e fiquei a saber que pertencia ao movimento modernista, o que não me surpreende pois a autora aborda temas que não deveriam ser muito comuns na literatura da época, e ainda menos tratando-se de uma mulher. Neste caso aborda o lesbianismo e o suicídio. E do que já conhecia da autora mais o que pesquisei após a leitura, o suicídio devia ser já um tema muito presente na mente de Virginia Woolf. Aliás, após ler o seu bilhete de despedida, que reproduzo, não consigo deixar de pensar que a personagem Septimus Warren Smith tem algo de auto-biográfico.

Dearest, I feel certain that I am going mad again. I feel we can't go through another of those terrible times. And I shan't recover this time. I begin to hear voices, and I can't concentrate. So I am doing what seems the best thing to do. You have given me the greatest possible happiness. You have been in every way all that anyone could be. I don't think two people could have been happier 'til this terrible disease came. I can't fight any longer. I know that I am spoiling your life, that without me you could work. And you will I know. You see I can't even write this properly. I can't read. What I want to say is I owe all the happiness of my life to you. You have been entirely patient with me and incredibly good. I want to say that – everybody knows it. If anybody could have saved me it would have been you. Everything has gone from me but the certainty of your goodness. I can't go on spoiling your life any longer. I don't think two people could have been happier than we have been. V.

Não é uma leitura leve, mas é definitivamente agradável. Vou, sem dúvida, ler os restantes livros da autora.

Classificação: 4

-------------------------------------------------------------------

Este livro conta para o Desafio What's in a Name 4 (Categoria Life Stage)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Opinião: "As Aventuras de Alice no País das Maravilhas e Alice do Outro Lado do Espelho"

Título original: Alice's Adventures in Wonderland and Through the Looking Glass
Autor: Lewis Carroll
Ilustrador: Sir John Tenniel
Tradutor: Margarida Vale de Gato
Colecção: Universos Mágicos
Editor: Relógio D'Água
Edição/reimpressão: Maio de 2000
ISBN: 9789727085828
Páginas: 336

Sinopse: Dois em um, isto é, dois clássicos da literatura infantil, "As Aventuras de Alice no País das Maravilhas" e "Alice do Outro Lado do Espelho" num só livro. A edição tem ainda as ilustrações de John Tenniel que acompanharam as primeiras edições de ambos os livros.
Lewis Carroll, pseudónimo de Charles Dogson, diácono, matemático, lente da Universidade de Oxford e fotógrafo amador, contava estas histórias, que depois passaria à escrita, para entreter as meninas Liddell, filhas do deão da Igreja de Cristo em Oxford, especialmente Alice, a sua favorita. De aí para cá foram, e continuaram certamente a ser, milhões de crianças fascinadas pelo universo fantástico da pequena Alice e do seu cortejo de animais e objectos que falam.
Sinopse retirada daqui 

A minha opinião: Nunca tinha pensado vir a ler as aventuras de Alice, mas após ver a versão cinematográfica de Tim Burton não resisti e assim que saí do cinema fui direitinha à Bertrand...
Perdi algum tempo a decidir qual a edição que devia comprar e acabei por escolher a edição da Relógio D'Água por conter ambas as histórias num só volume, por conter as ilustrações originais e por ter um preço acessível. Posso dizer que não me arrependi, pois para além das vantagens já referidas, esta edição contém também anotações da tradutora que facilitaram muito a compreensão da história e do contexto em que foi escrita, bem como os trocadilhos e referências do autor. Aproveito para dar os parabéns à tradutora, Margarida Vale de Gato, pelo excelente trabalho, pois penso que estes livros não devem ter sido nada fáceis de traduzir e também por ter fornecido as preciosas notas sem as quais teria andado ainda mais perdida no mundo fantástico de Lewis Carroll. Também as lindíssimas ilustrações ajudaram a visualizar melhor as histórias.

Considerando que ambas as histórias tiveram como base uma Alice real, Alice Liddell, que pediu ao autor para que escrevesse as histórias que lhe contava (um pedido que o autor incluiu na obra - "Deviam escrever um livro sobre mim, isso é que era! E quando eu crescer, hei-de escrever um..." - pag. 41) fiquei com bastante curiosidade em ler o livro Alice Eu Fui, uma biografia romanceada de Alice Liddell.

Quanto às histórias propriamente ditas, penso que toda a gente as conhece melhor ou pior, pelo menos a história de Alice no País das Maravilhas. Muito resumidamente, Alice está uma tarde no jardim com as suas irmãs quando vê passar, muito apressado, um coelho branco que decide seguir. Ao fazê-lo acaba por cair numa toca de coelho que a leva até ao País das Maravilhas onde conhece uma série de personagens loucas, mas muito divertidas, das quais destaco a Rainha de Copas, o Chapeleiro Louco e o Gato de Cheshire.

Na segunda história, enquanto brinca com as suas gatinhas, Alice começa a inquirir-se sobre o que haverá do Outro Lado do Espelho e acaba por atravessá-lo. O mundo do Outro Lado do Espelho é ainda mais louco que o País das Maravilhas, e tudo se passa como num jogo de xadrez. Destaco as personagens da Rainha Branca e da Rainha Vermelha, Tuidledum e Tuidledim e Humpty Dumpty. Tal como a menina citada pelo autor no prefácio, também eu "acho que o Do Outro Lado do Espelho é mais estúpido do que As Aventuras de Alice". Mas neste caso, isso não é necessariamente mau...

 
Classificação: 3