Editor: Tinta da China
Edição/reimpressão: Março de 2012
ISBN: 9789896711160
Páginas: 272
Sinopse: 1975 Luanda. A descolonização instiga ódios e guerras. Os brancos debandam e em poucos meses chegam a Portugal mais de meio milhão de pessoas. O processo revolucionário está no seu auge e os retornados são recebidos com desconfiança e hostilidade. Muitos não têm para onde ir nem do que viver. Rui tem quinze anos e é um deles. 1975. Lisboa.
Durante mais de um ano, Rui e a família vivem num quarto de um hotel de 5 estrelas a abarrotar de retornados — um improvável purgatório sem salvação garantida que se degrada de dia para dia.
A adolescência torna‑se uma espera assustada pela idade adulta: aprender o desespero e a raiva, reaprender o amor, inventar a esperança.
África sempre presente mas cada vez mais longe.
A minha opinião: Tendo nascido seis anos após os eventos do livro, cresci a ouvir falar dos retornados. Mas, embora tivesse uma noção do quem eram e do porquê de serem assim nomeados, confesso que foi com a leitura de O Retorno que consegui realmente entender a dimensão do que lhes aconteceu.
O narrador da história é Rui, um jovem de 15 anos, nascido em Angola. Ele não percebe muito bem o que se passa nem porquê, mas apercebe-se do ambiente tumultuoso à sua volta. Os portugueses estão a voltar e até ele e a família o irão fazer também. Mas esperaram até à última e, na véspera, o pai é levado pelas forças pró-independência de Angola, o que significa que ele, a mãe e a irmã se veem forçados a partir sem ele. E sem nenhuma posse para além de uma mala e cinco contos no bolso.
Chegados a Portugal são alojados pelo IARN (Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais) num hotel de 5 estrelas no Estoril. Parece muito bom, não é? Mas estas pessoas não deixaram as suas casas e as suas terras por quererem e de bom grado voltariam se pudessem. Durante mais de um ano acompanhamos a nova realidade desta família enquanto se tentam adaptar a um novo país, uma nova sociedade e novas regras. Tudo enquanto vivem com a incerteza de se o pai está ou não vivo e se algum dia voltará. E têm também que lidar com o crescente ressentimento dos "portugueses" que sentem que os "retornados" estão a obter todas as vantagens, nomeadamente no acesso ao emprego no Estado.
Mas a verdade é que eles tiveram de abandonar África porque foram obrigados e muitos deles nem sequer conheciam Portugal. E, embora tenham refeito as suas vidas, nunca realmente abandonaram África...
Gostei bastante. Não só aprendi muito sobre um tema que conhecia apenas superficialmente, diverti-me a fazê-lo. Isto porque a autora escreve mesmo muito bem. Vou querer ler mais livros dela.
Classificação: 4















































