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quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Opinião: "Teia de Cinzas"

Título original: Stenhuggaren
Autor: Camilla Läckberg
Série: Fjällbacka #3
Tradutor: Ricardo Gonçalves (do inglês)
Editor: Dom Quixote
Edição/reimpressão: Agosto de 2012
ISBN: 9789722045117
Páginas: 488


Sinopse: Outono em Fjällbacka.
Um pescador que acabou de recolher os ovos de lagosta que lançara ao mar está em estado de choque. No deck do barco jaz agora à sua frente o corpo inerte de uma menina.
Enquanto Erica Falk desespera no seu papel de mãe, Patrick Hedstrom é mais uma vez chamado a desvendar o mistério daquela morte que vai afectar de forma devastadora a vida de muita gente que lhe é próxima. E enquanto a investigação vai decorrendo, os mistérios continuam: que pasta negra era aquela que a menina tinha no estômago quando foi autopsiada? Quem atirou cinza para um bebé que ficara por um momento num carrinho à porta da loja onde a mãe tinha ido fazer compras? Que cinzas eram aquelas que atiraram à bebé do próprio Patrick Hedstrom? Perguntas a que só a investigação da competente equipa liderada por Patrick Hedstrom poderá responder.


A minha opinião: Em Teia de Cinzas voltamos a Fjällbacka, onde Patrick Hedström e Erica Falk se encontram a lidar com a realidade de serem pais de uma menina, Maja. Está a ser particularmente difícil para Erica lidar com a maternidade e o facto de Patrick se refugiar no trabalho não ajuda... Felizmente, tem Charlotte, a sua nova amiga que, para além de um menino da idade de Maja, tem uma filha mais velha, Sara, por isso tem experiência e conselhos para lhe dar.

Entretanto, Patrick é chamado porque um pescador encontrou o corpo de uma menina. Mas, quando lá chega, reconhece-a: é Sara...

Quem poderia querer matar uma menina tão nova? E qual a ligação do presente à história de um canteiro passada nos anos 20, que vamos conhecendo em capítulos alternados à história principal?

E quando a própria filha de Patrick e Erica é ameaçada, conseguirá Patrick apanhar o assassino antes que seja tarde?

Gostei muito de Teia de Cinzas e continuo a adorar seguir a história de Patrick e Erica. Mas confesso que fiquei desiludida por ver que também na Finlândia há vizinhos do Inferno... Pensava que era uma coisa mais dos países do Sul... Confesso que, embora tenha desconfiado da identidade do assassino, não desconfiei dos motivos... Mais uma vez a autora aborda temas actuais da sociedade e não tem medo de meter o dedo na ferida...

Também a história da irmã de Erica, Anna, sofre desenvolvimentos chocantes neste livro, que termina com uma revelação que pede que não demore muito a ler o próximo...

Embora o título da tradução portuguesa não seja de todo descabido, teria preferido que tivessem utilizado a tradução do título original: O Canteiro. Embora perceba que pudesse levar os potenciais compradores a achar que se relacionava com flores... Talvez O Mestre de Cantaria?


Classificação: 4

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Opinião: "Gritos do Passado"

Título original: Predikanten
Autor: Camilla Läckberg
Série: Fjällbacka #2
Tradutor: Ricardo Gonçalves (do inglês)
Editor: Dom Quixote
Edição/reimpressão: Novembro de 2010
ISBN: 9789722043489
Páginas: 432

Sinopse: Numa manhã de um Verão particularmente quente, um rapazinho brinca nas rochas em Fjällbacka - o pequeno porto turístico onde decorreu a acção de A Princesa de Gelo - quando se depara com o cadáver de uma mulher. A polícia confirma rapidamente que se tratou de um crime, mas o caso complica-se com a descoberta, no mesmo sítio de dois esqueletos.
O inspector Patrick Hedström é encarregado da investigação naquele período estival em que o incidente poderia fazer fugir os turistas, mas, sem testemunhas, sem elementos determinantes, a polícia não pode fazer mais do que esperar os resultados das análises dos serviços especiais.
Entretanto, Erica Falk, nas últimas semanas de gravidez, decide ajudar Patrick pesquisando informações na biblioteca local e novas revelações começam a dar forma ao quadro: os esqueletos são certamente de duas jovens desaparecidas há mais de vinte anos, Mona e Siv.
Volta assim à ribalta a família Hult, cujo patriarca, Ephraim, magnetizava as multidões acompanhado dos dois filhos, os pequenos Gabriel e Johannes, dotados de poderes curativos. Depois dessa época, e de um estranho suicídio, a família dividiu-se em dois ramos que agora se odeiam.
Ao mesmo tempo que Patrick reúne as peças do puzzle, sabe-se que Jenny, uma adolescente de férias num parque de campismo, desapareceu. A lista cresce….

A minha opinião: Gritos do Passado é o segundo livro da série policial Fjällbacka, que se passa na cidade com o mesmo nome, na Suécia. O investigador volta a ser o inspector Patrick Hedström que se encontra, de momento, de férias, à espera do nascimento do seu primeiro filho com Erica Falk, que já conhecemos do primeiro livro.

Mas a descoberta do corpo nu e mutilado de uma jovem na Fenda do Rei faz com que Patrick tenha de voltar ao trabalho. E como se não bastasse, o corpo da jovem encontra-se por cima de dois esqueletos. Que se vem a descobrir serem os esqueletos de duas jovens desaparecidas há mais de vinte anos. O principal suspeito do desaparecimento das raparigas matou-se na altura, portanto não pode ter sido ele a transportar os corpos para a Fenda do Rei. E a rapariga morta agora apresenta ferimentos semelhantes aos dos esqueletos das outras raparigas. Mas o que pode ter levado o assassino a parar de matar durante tantos anos?

A investigação do caso conduz, inevitavelmente, à família Hult, uma família no mínimo estranha. O patriarca, Ephraim, já falecido, era um famoso pregador em cujas assembleias usava os seus filhos, que afirmava terem puderes curativos, para curar todos os tipos de maleitas. Curiosamente, quando uma das suas seguidoras morreu e lhe deixou todas as suas posses, Ephraim reformou-se e os filhos perderam os poderes... Mas se para Gabriel, que nunca se sentiu confortável no papel de curador, perder os poderes foi uma benção, para Johannes foi uma perda da qual nunca se recompôs realmente.

A relação entre os irmãos nunca foi boa, mas depois de Gabriel fornecer à polícia a informação que a fez desconfiar de Johannes e do suicídio deste, os dois lados da família separaram-se irremediavelmente. Mas agora vêem-se forçados a confrontar os esqueletos no armário e a possibilidade de que um deles seja o assassino.

Como se não bastasse tudo isso, Patrick ainda tem de lidar com a necessidade de apoiar Erica, com um chefe irreconhecível e com um colega incompetente. E depois desaparece outra rapariga... Conseguirá Patrick descobrir a identidade do assassino a tempo de a salvar?

Gostei de voltar a Fjällbacka e de rever Patrick e Erica. Ela tem um papel menos relevante neste livro e, sinceramente, gostei mais dela no primeiro livro. Vou dar-lhe o benefício da dúvida e atribuir a sua atitude de capacho às hormonas de grávida, mas irritou-me tanto que se deixasse enredar pela família e conhecidos para que os hospedasse em sua casa, possibilitando-lhes, assim, férias à borla... A sério, se for mesmo essa a cultura na Suécia, é de loucos.

Gostei mais do Patrick, que continua um investigador muito competente. E, apesar de por vezes se deixar envolver demasiado no caso, ele está lá pela Erica. Mas palpita-me que este caso lhe tenha deixado marcas...

A história da irmã da Erica também tem desenvolvimentos e deverá ter um foco maior no próximo livro, considerando a forma como as coisas ficaram. Não percebo porque é tão difícil a Anna reconhecer que precisa de ajuda e aceitar a que Erica lhe oferece...

Mal posso esperar para ver como lidam Patrick e Erica com o bebé!

Classificação: 4

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Este livro conta para os Desafios Mount TBR 2016TBR Pile 2016 e What's in a Name? 2016 (Profession - o título original é Pregador)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Opinião: "Stoner"

www.wook.pt/ficha/stoner/a/id/15934330?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: Stoner
Autor:
Tradutor:
Editor: Dom Quixote
Edição/reimpressão: Setembro de 2014
ISBN: 9789722055567
Páginas: 264

Sinopse: O Stoner do título é o protagonista deste romance - um obscuro professor de literatura, que até ao dia da sua morte dá aulas numa universidade do interior. A sua vida, brevemente descrita nos dois primeiros parágrafos do romance, oferece um triste obituário. O que se segue, numa prosa precisa, despojada, quase cruel, é uma sucessão de fracassos de uma personagem que perde quase tudo - menos a entrega incondicional à literatura.

O romance foi publicado em 1965 e caiu no esquecimento - tal como o seu autor, John Williams, também ele um obscuro professor universitário. Passados quase 50 anos, porém, o mesmo cego amor à literatura, que movia a personagem principal, levou a que a escritora francesa Anna Gavalda traduzisse o livro perdido. Outras edições se seguiram, em vários países da Europa. Até que, em 2013, os leitores da livraria britânica Waterstones escolheram Stoner como melhor livro do ano - ignorando obras acabadas de publicar. 

Julian Barnes, Ian McEwan, Bret Easton Ellis e muitos outros escritores, juntaram-se ao coro e resgataram a obra nas páginas dos jornais. Com a aclamação crítica, mais premente se tornou a interrogação: porque é que um romance tão exigente renasce das cinzas e se torna num espontâneo sucesso comercial em diferentes latitudes? 

Na era da hipercomunicação, Stoner devolve-nos o sentido de intimidade, deixa-nos a sós com aquele homem tristonho, de vida apagada. Fechamos a porta e partilhamos com ele o empolgamento literário: sabendo, tal como ele, que nos restará sempre o consolo da literatura.

A minha opinião: Desde que li algumas opiniões sobre este livro em blogues portugueses que ando com Stoner debaixo de olho... Mas nunca o apanhei em promoção, pelo que acabei por aproveitar para o ler agora, uma vez que é uma das leituras possíveis para a Comunidade de Leitores da Biblioteca Municipal.

Tal como a sinopse refere, a vida do protagonista que dá nome ao livro, Stoner, encontra-se desde logo descrita nos primeiros parágrafos do livro. E, descrita daquela forma, parece ter sido uma vida inconsequente e deprimente, o que desde logo não motiva particularmente a leitura do livro. Mas, à medida que fui lendo (e foi uma leitura demorada, confesso) acabei por me encantar por Stoner e por me interessar pela sua história.

Stoner é o filho único de um casal de agricultores pobre e acompanhamos a sua história desde os 17 anos quando, ao contrário do que sempre esperou, o pai lhe comunica que não irá juntar-se a ele na lavoura imediatamente assim que terminar o liceu, mas irá sim frequentar a recentemente inaugurada Escola Agrária da Universidade de Columbia, onde irá aprender novas técnicas agrícolas que poderá depois empregar nos campos da família.

Mas heis que, no segundo ano do curso, Stoner tem, obrigatoriamente, de frequentar um semestre de Literatura Inglesa. E é nessa cadeira, por intermédio do professor, que Stoner tem uma epifânia e se apaixona pela literatura, acabando por desistir da Escola Agrária e por se inscrever em cadeiras de Letras. No final do curso é convidado a continuar os estudos por forma a poder tornar-se professor na Universidade.

E é assim que a vida de Stoner fica para sempre relacionada com a Universidade. Pelo meio há amizades, uma primeira guerra, amores, desamores, inimizades, injustiças, novos amores, uma segunda guerra, conformidade, resistência, aceitação e morte. E uma grande, grande paixão pelo ensino.

Não foi uma leitura muito fácil, nem que me tenha agarrado rápida ou facilmente. Desconfio, contudo, que a altura que escolhi para o ler não tenha sido a mais feliz (especialmente este ano, que parece que fui mordida pela mosca tsé-tsé...) e gostava de o reler um dia, pois penso que irei gostar ainda mais dele.

O Stoner é um protagonista que a princípio se estranha, mas que depois se entranha. Parece um bocado sonso e apático, mas eventualmente revela-se um personagem forte nas suas convicções, um introvertido que se sente melhor no meio dos seus livros do que de outras pessoas e alguém a quem a sorte e as circunstâncias também não sorriram...

Pela negativa destaco a sua mulher, Edith, porque, sinceramente, nunca cheguei a perceber porque é que ela aceitou o pedido de casamento de Stoner... Sem entrar muito em pormenores, claramente não foi por amor, mas também não me parece que tenha sido por desespero, nem para fugir de algo, nem porque estivesse comprometida. A única explicação que me surgiu foi que tivesse sido por aborrecimento... A sério, nem me incomodava o comportamento da personagem desde que este tivesse uma explicação, mas assim irritou-me bastante.

A escrita do autor é seca, despojada de grandes descrições, floreados ou sentimentalismos. Mas resulta e acabei por adorá-la, especialmente considerando que o protagonista é um homem subtilmente apaixonado. E um personagem que, ao contrário do que lhe acontece no livro, não será facilmente esquecido...

Classificação: 5

sábado, 12 de dezembro de 2015

Opinião: "Se fosse fácil era para os outros"

www.wook.pt/ficha/se-fosse-facil-era-para-os-outros/a/id/14039127?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9 Autor: Rui Cardoso Martins
Editor: Dom Quixote
Edição/reimpressão: 2012
ISBN: 9789722050852
Páginas: 248

Sinopse: O mundo é pequeno mas redondo e nunca acaba.
Um cartão de crédito é resgatado da morte e paga a viagem de uma vida. Há dinheiro?, foge amigo para qualquer lado. Mas guarda os teus pesadelos no bolso. E não caminhes fora da tua cabeça, romântico de aço, coração de kevlar, turista da ilusão. Salta do carrossel enferrujado da Europa. Foge para o Oeste Selvagem da América, conhece o Pior Povo do Mundo. Morre se tiver de ser.
Se fosse fácil era para os outros. Cinco homens partem para a única aventura que interessa: fazem tudo o que sempre quiseram e são exactamente o que são. 

A minha opinião: Escrever uma opinião sobre Se fosse fácil era para os outros não foi fácil para mim... O que explica porque é que demorou tanto a surgir por aqui. Mas mesmo não sendo fácil, vou dar o meu melhor para explicar do que trata tentando não revelar muito, por forma a não privar ninguém do prazer de o descobrir.

A história é-nos contada sempre do ponto de vista do narrador que começa a sua narração dirigindo-se à sua falecida mulher. E percebemos que apesar de todos lhe começarem a dizer que é altura de avançar, ele ainda não está preparado. E tomou uma decisão. No meio de toda a correspondência que continua a receber em nome da mulher, surgem dois cartões de crédito novinhos em folha e ele decide pegar em três amigos (há um quarto que já lá está e que se junta a eles entretanto) e ir viajar pela América à conta dos ditos cartões.

E a partir daí vamos acompanhando os cinco amigos nas suas aventuras e desventuras por terras do Tio Sam e, embora apenas tenhamos a perspectiva do narrador, cedo se torna evidente que todos eles têm um motivo para fazer aquela viagem, uma viagem de auto-descoberta e uma catarse para cada um deles que os mudará irrevogavelmente...

Não foi fácil entrar na história, pois o narrador tem alguma tendência para se dispersar em pensamentos e em relembranças, mas eventualmente, quando a história assume contornos mais negros do que os que tinha inicialmente pensado, prendeu-me e já só queria saber o que iria acontecer de seguida.

Li este livro por causa da Comunidade de Leitores da Biblioteca Municipal e escolhi-o na primeira sessão desta edição, na qual nos foi proposto analisar os vários livros propostos baseando-nos somente nas suas capas. E fui imediatamente atraída pela capa de Se fosse fácil era para os outros. Defeito de formação, mas enquanto geógrafa sou irremediavelmente atraída por mapas e bússolas... Avancei para a leitura sem expectativas e tive uma agradável surpresa. Por vezes julgar um livro pela sua capa até corre bem... Ainda mais neste caso em que a capa não podia ser mais adequada à história!
 
Classificação: 3

domingo, 1 de março de 2015

Opinião: "Cem Anos de Solidão"

www.wook.pt/ficha/cem-anos-de-solidao/a/id/70606?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: Cien Años de Soledad
Autor: Gabriel Garcí­a Márquez
Tradutor: Margarida Santiago
Colecção: Biblioteca Gabriel Garcí­a Márquez
Editor: Dom Quixote
Edição/reimpressão: 2004
ISBN: 9896090610
Páginas: 326

Sinopse:  «Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía haveria de recordar aquela tarde remota em que o pai o levou a conhecer o gelo.»

Com estas palavras começa Cem Anos de Solidão, obra-prima da literatura contemporânea, traduzida em todas as línguas do mundo, que consagrou definitivamente Gabriel Garcí­a Márquez como um dos maiores escritores do nosso tempo.

A fabulosa aventura da família Buendía-Iguarán, com os seus milagres, fantasias, obsessões, tragédias, incestos, adultérios, rebeldias, descobertas e condenações são a representação ao mesmo tempo do mito e da história, da tragédia e do amor do mundo inteiro.

A minha opinião: Esta foi a minha estreia com Gabriel Garcí­a Márquez e todos os louvores a este autor são plenamente merecidos! Adorei e, como sempre acontece nestes casos, não posso acreditar que esperei tanto tempo para ler algo deste autor... 

Como tantas vezes acontece quando falamos de realismo mágico, a história não é fácil de resumir, mas é, no fundo, a história de uma família, a família Buendía, ao longo das suas múltiplas gerações. A família Buendía é uma família importante em Macondo, localidade onde a história tem lugar, mas é também uma família marcada pela tragédia, premonizada pelo facto do casal que está na sua origem, José Arcádio Buendía e Úrsula Iguarán, serem primos. Ao contrário da crendice popular, não pariram iguanas, mas a sua descendência estava fadada à tragédia e infelicidade...

A leitura é compulsiva, pese embora seja difícil acompanhar as diferentes gerações de personagens, já que todos os varões da família eram baptizados Aureliano ou José Arcádio, e as mulheres  Amaranta ou Remédios. 

Há rebeliões e milagres, adultério e incesto, coisas impossíveis a acontecer em cada página, mas de alguma forma, da maneira como o autor nos descreve tudo isso, tudo parece normal e possível, e tive a sensação de que nada se poderia ter passado de outra forma. Simplesmente genial! E agora quero ler todos os livros do autor!

Classificação: 5

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Este livro conta para os Desafios Desafios TBR Pile 2015 e Mount TBR 2015

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Opinião: "A Princesa de Gelo"

www.wook.pt/ficha/a-princesa-de-gelo/a/id/14828338?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: Isprinsessan
Autor: Camilla Läckberg
Série: Fjällbacka #1
Tradutor: Ricardo Gonçalves (do inglês)
Editor: Dom Quixote
Edição/reimpressão: Novembro de 2010
ISBN: 9789722041454
Páginas: 400

Sinopse: De regresso à cidadezinha onde nasceu depois da morte dos pais, a escritora Erica Falk encontra uma comunidade à beira da tragédia. A morte da sua amiga de infância, Alex, é só o princípio do que está para vir. 
Com os pulsos cortados e o corpo mergulhado na água congelada da banheira, tudo leva a crer que Alex se suicidou.
Quando começa a escrever uma evocação da carismática Alex, Erica, que não a via desde a infância, vê-se de repente no centro dos acontecimentos. Ao mesmo tempo, Patrik Hedström, que investiga o caso, começa a perceber que as coisas nem sempre são o que parecem.

Mas só quando ambos começam a trabalhar juntos é que vem ao de cima a verdade sobre aquela cidadezinha com um passado profundamente perturbador...

A minha opinião: A Princesa de Gelo é o primeiro livro de uma série policial passada na cidade de Fjällbacka, na Suécia. Esta é a minha estreia nos mistérios policiais escandinavos, tão em voga actualmente, e posso dizer que fiquei fã! Na verdade, apetece-me bater a mim própria por ter demorado tanto tempo a ler este livro, uma vez que já o tenho na estante há mais de um ano...

A história inicia-se com a descoberta do corpo de Alex, que aparentemente se suicidou na banheira. A descoberta do corpo é feita por Erica Falk, a sua melhor amiga na infância, mas de quem se afastou na adolescência. Erica e Alex perderam completamente o contacto quando Alex e os seus pais deixaram repentinamente a cidade, mas agora Alex tinha voltado a frequentá-la aos fins de semana.

Eventualmente, o caso é declarado um homicídio e um dos detectives encarregados do caso é Patrik Hedström, antigo colega de escola de Erica, e por quem sempre teve um fraquinho. Por isso, agora que o destino os voltou a reunir, e que ambos estão livres e desimpedidos (ele divorciado e ela solteira), Patrik decide não perder mais tempo e convida Erica para jantar.

Este foi um dos pontos fortes da história para mim, a forma como acompanhamos o desenvolvimento da relação entre ambos, ao mesmo tempo que ambos investigam o assassinato de Alex. Os suspeitos abundam, bem como os segredos, tornando-se rapidamente evidente que ninguém conhecia realmente Alex, nem a sua amiga e sócia, nem o seu marido. Alex tinha um caso extra-conjugal e estava grávida, o que aponta logo para dois potenciais suspeitos. Mas há também um segredo do seu passado, passível de explicar o porquê de se ter afastado de Erica na adolescência e de ter abandonado a cidade, uma estranha ligação à família mais poderosa da cidade e uma ainda mais estranha ligação ao bêbado da cidade. Parece óbvio que apenas desvendando todos os segredos de Alex serão capazes de encontrar a razão porque foi morta e, assim, identificar o assassino.

Outra coisa que me agradou bastante foi o facto da autora não se ter centrado apenas no mistério. Para além do desenvolvimento da relação entre Patrik e Erica, temos ainda os problemas de Patrik no trabalho ao ter de lidar com um chefe incompetente e ansioso por reclamar créditos alheios e, quanto a Erica, esta tem de lidar com a morte repentina dos pais e com o marido abusivo da irmã que a manipula completamente.

Ora bem, se gostei tanto, porque é que não lhe dei a classificação máxima? Por um lado porque o mistério foi previsível, embora não tenha identificado o assassino muito antes de este nos ser revelado. Por outro, porque achei que houve ali alguma incoerência na personagem do cunhado de Erica. Não quero revelar demasiado, mas digamos apenas que, de acordo com aquilo que a autora nos revela sobre ele, quando se dá um certo acontecimento, não me convence que ele não tenha reagido. Tendo em conta que é o primeiro livro da série, tenho a certeza que ainda vamos vê-lo, mas mesmo assim, seria expectável uma reacção imediata da sua parte.

Em todo o caso, foi uma estreia bastante auspiciosa com a autora e tenho grandes expectativas para o resto da série.

Classificação: 4

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Este livro conta para os Desafios TBR Pile 2014, Mount TBR 2014, Monthly Key Challenge 2014 (princess) e What's in a Name? 2014 (position of .

terça-feira, 29 de abril de 2014

Opinião: "As Velas Ardem Até ao Fim"

www.wook.pt/ficha/as-velas-ardem-ate-ao-fim/a/id/71531?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: A gyertyák csonkig égnek
Autor: Sándor Márai
Tradutor:
Editor: Dom Quixote
Edição/reimpressão: Abril de 2009
ISBN: 9789722020626
Páginas: 154

Sinopse: Um pequeno castelo de caça na Hungria, onde outrora se celebravam elegantes saraus e cujos salões decorados ao estilo francês se enchiam da música de Chopin, mudou radicalmente de aspecto. O esplendor de então já não existe, tudo anuncia o final de uma época. Dois homens, amigos inseparáveis na juventude, sentam-se a jantar depois de quarenta anos sem se verem. Um, passou muito tempo no Extremo Oriente, o outro, ao contrário, permaneceu na sua propriedade. Mas ambos viveram à espera deste momento, pois entre eles interpõe-se um segredo de uma força singular...

A minha opinião: Já há muito tempo que tenho este livro na lista dos que quero muito ler, mas não há meio de o encontrar à venda numa promoção apelativa... Mas eis se não quando ele surge como uma das sugestões de leitura da Comunidade de Leitores e eu não hesitei, era desta que finalmente o ia ler!

Em boa hora o fiz, pois é um livro fantástico! A história passa-se no decorrer de um dia e, principalmente, de uma noite, mas é, sobretudo, uma conversa final entre dois amigos sobre os acontecimentos de há quarenta e um anos. E, na verdade, é mais um monólogo que uma conversa, uma vez que o anfitrião teve quarenta e um anos para pensar e perceber o que realmente aconteceu no passado. E apresenta as suas conclusões ao amigo que o deixou, precisamente há quarenta e um anos, de forma súbita e completamente inesperada e sem uma única explicação ou despedida... No fundo, pretende apenas obter a validação das conclusões a que chegou, nada mais.

Uma história poderosíssima, um verdadeiro tratado sobre a amizade, sobre o qual não quero desvendar muito mais, sob pena de retirar algum do encanto da sua leitura.

E apesar de o ter, finalmente, lido, não vou deixar de estar atenta a promoções, pois é, definitivamente, um livro a ter na estante!

Classificação: 5