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domingo, 15 de julho de 2018

Opinião: "Viver Sem Ti"

Título original: After You
Autor: Jojo Moyes
Série: Me Before You #2
Tradutor: Ana Maria Chaves e Márcia Montenegro 
Editor: Porto Editora
Edição/reimpressão: Setembro de 2016
ISBN: 9789720048851
Páginas: 408


Sinopse: Como seguir em frente depois de se perder a pessoa amada? 
Como construir uma vida que valha a pena ser vivida?

Louisa Clark já não é uma jovem banal a viver uma vida banal. O tempo que passou com Will Traynor transformou-a, sendo agora uma pessoa diferente que tem de enfrentar a vida sem ele. Quando um insólito acidente obriga Lou a regressar a casa dos pais, é impossível não sentir que está de volta ao ponto de partida.
Lou sabe que precisa de um empurrão que a traga de novo à vida. E é assim que acaba por ir parar ao grupo de apoio Seguir em Frente, cujos membros partilham sentimentos, alegrias, frustrações e bolos intragáveis. Serão também eles que a levarão até Sam Fielding - um paramédico que trabalha entre a vida e a morte, e o único homem que talvez seja capaz de a compreender. Mas eis que uma personagem do passado de Will surge de repente e lhe altera todos os planos, lançando-a num futuro muito diferente…. Para Lou Clark, a vida depois de Will Traynor significa reaprender a apaixonar-se, com todos os riscos que isso implica.

Em Viver Sem Ti, Jojo Moyes traz-nos duas famílias, tão reais como a nossa, cujas alegrias e tristezas nos tocarão profundamente ao longo de uma história feita de surpresas.


A minha opinião: (Contém spoilers para o livro anterior) Como fiz para o livro anterior vou começar por despachar os problemas que tenho com a edição portuguesa:
  • a tradução do título. Depois de terem feito asneira com o título do livro anterior (traduziram Me Before You por Viver Depois de Ti) conseguiram safar-se bem com a tradução deste. Mas a verdade é que ambos significam precisamente o mesmo e não era suposto...
  • a capa. É bem melhor que a anterior, mas ainda assim é tão genérica...
Agora que já desabafei, Viver Sem Ti é tão bom! Começa um ano e meio depois da morte de Will. Depois de ter tentado seguir o pedido de Will e viver a vida intensamente, Lou acabou por regressar a Inglaterra e, depois de ter usado o dinheiro que ele lhe deixou para comprar um apartamento em Londres, trabalha agora num bar no aeroporto onde tem de usar um uniforme ridículo e aturar um patrão intragável.

Lou vive com culpa de sobrevivente e é isso que faz no fundo, sobrevive em vez de viver. Sofre com a perda de Will e sente que o está a desapontar por não cumprir o seu pedido, mas não consegue mudar. Está presa na rotina. Até que um dia tem um acidente e cai do telhado do prédio e todos pensam ter sido uma tentativa de suicídio. Incluindo o paramédico que a socorre. E a sua família...

Quando recupera do acidente, Lou aceita procurar ajuda e é assim que começa a frequentar as reuniões do grupo de apoio Seguir em Frente, cujos membros passaram todos por uma perda difícil de superar. E é através de um dos membros do grupo que o paramédico que a socorreu naquela noite volta a entrar na sua vida. O seu nome é Sam Fielding e parece ser o único que realmente compreende o que Lou está a passar. Poderá Sam ser a segunda hipótese de Lou?

Mas o que acontecerá quando uma personagem do passado de Lou reaparecer com uma oportunidade única na vida?

Continuo a adorar a Lou e fiquei tão contente quando soube que a autora ia continuar a história dela... Não foi o murro no estômago que foi o primeiro livro (nem poderia nunca ser...), mas aborda um assunto importante e que a sociedade tem dificuldade em compreender: o tempo de luto não é igual para toda a gente. Não existe um tempo apropriado para ultrapassar a morte de alguém que amamos. Na verdade nunca ultrapassamos, só aprendemos a viver com isso. E a pressão para que avancemos com a nossa vida é contra-produtiva.

Apesar de Lou não ter tido ainda o seu feliz para sempre, tem um feliz por agora. Estou muito curiosa para ler o último livro da série, Still Me, mas, por algum motivo, apesar de já ter sido publicado há um ano e meio, ainda não foi publicado em Portugal...

Fonte


Classificação: 5

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Opinião: "Viver Depois de Ti"

Título original: Me Before You
Autor: Jojo Moyes
Série: Me Before You #1
Tradutor: Ana Maria Chaves e Márcia Montenegro 
Editor: Porto Editora
Edição/reimpressão: Maio de 2013
ISBN: 9789720045775 
Páginas: 424

Sinopse: Lou Clark sabe muitas coisas. Sabe quantos passos deve dar entre a paragem do autocarro e a sua casa. Sabe que trabalha na casa de chá The Buttered Bun e sabe que não está apaixonada pelo namorado, Patrick. O que ela não sabe é que vai perder o emprego e que todas as suas certezas vão ser postas em causa.
Will Traynor sabe que o acidente de motociclo lhe tirou o desejo de viver. Sabe que agora tudo lhe parece triste e inútil e sabe como pôr fim a este sofrimento. O que não sabe é que Lou vai irromper na sua vida com toda a energia e vontade de viver. E nenhum deles sabe que as suas vidas vão mudar para sempre.

Em Viver depois de ti, Jojo Moyes aborda um tema difícil e controverso com sensibilidade e realismo, obrigando-nos a refletir sobre o direito à liberdade de escolha e as suas consequências.

A minha opinião: Deixem-me começar por despachar o que não gostei e que é exclusivo da edição portuguesa:
  • a tradução do título. Mas em que mundo é que Me Before You se traduz por Viver Depois de Ti? A sério, às vezes acho que fazem de propósito para chatear... E agora sempre quero ver como é que fazem para traduzir o título da sequela, Me After You...
  • a capa. Não é propriamente feia, mas este livro merecia algo melhor que uma imagem genérica de uma mulher a correr no campo rodeada por pássaros, já que isso não tem ABSOLUTAMENTE NADA a ver com a história... Eu compreendo que as editoras não queiram gastar muito dinheiro com as capas, mas podiam ter seguido a via da edição original e ter feito a capa apenas com as letras do título. Ou talvez com uma ilustração de uns collants às riscas amarelas e pretas. A sério, um bocadinho de imaginação e de cuidado aos pormenores não ficava nada mal...
  • a edição que li, e que é a primeira, precisava de uma pequena revisão, já que tem algumas gralhas.
Tirando isso, adorei tudo em Me Before You (vou usar o título original, porque me recuso a usar o português). É a história de Lou Clark que, após perder o único emprego que teve, num café da vila, e depois de passar por várias experiências no mercado de trabalho através do centro de emprego, acaba por aceitar tomar conta de um inválido. Os contornos do emprego são, no mínimo estranhos. Afinal, Lou não tem qualquer formação nem experiência na prestação de cuidados ao contrário de outros candidatos e é-lhe comunicado que o emprego será apenas por seis meses. Mas Lou precisa mesmo do emprego até porque a sua família também depende dele...

Contudo, Will Traynor não é um inválido qualquer. Ele ficou quadriplégico depois de ser atropelado por uma moto, mas antes era um homem que vivia para a adrenalina, quer a que retirava dos negócios, quer a que buscava em actividades radicais. Ficar preso a uma cadeira de rodas, com mobilidade apenas acima do pescoço e num dedo foi para ele um destino pior que a morte...

Apesar de ao início a convivência entre ambos ser difícil, a alegria e extravagância de Lou acabam por ser um bálsamo para Will, tornando os seus dias um bocadinho mais suportáveis. E Will parece ser o único que vê potencial em Lou (nem mesmo o namorado dela, Patrick, lhe dá o valor que ela merece) e incentiva-a a sonhar mais alto e a lutar para conseguir aquilo que quer, mesmo que ela própria não soubesse que o queria antes de o conhecer.

Aos poucos desenvolvem uma amizade que evolui para algo mais, mas conseguirá Lou convencer Will de que o que têm é suficiente?

Me Before You é um autêntico murro no estômago e a autora faz um trabalho brilhante na caracterização que faz do dia-a-dia de uma pessoa com quadriplegia, bem como da forma como é visto pelos que o rodeiam, mesmo por aqueles que lhe são mais próximos. Mas não se fica por aí e mostra-nos também o quanto a família de Will é afectada pelo que lhe aconteceu. E pega em assuntos tabu, como o romance com um inválido e o suicídio assistido e trata-os com uma sensibilidade que é tocante.

Adorei a Lou e o Will e mal posso esperar para ler a continuação (vou esperar pela tradução portuguesa apenas porque a minha mãe também é fã da autora e não lê em inglês...). Jojo Moyes está a tornar-se uma das minhas autoras favoritas e tenho pena que não lhe seja dado o devido valor pelo facto de ser uma mulher... Ela não escreve ficção feminina, ela escreve ficção, ponto. E fá-lo incrivelmente bem.

Ah, o livro foi este ano adaptado ao cinema (ainda não vi, mas quero muito ver) e há uma nova edição com a capa alusiva ao filme. Gosto muito mais do que da que tenho...


Classificação: 5

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Este livro conta para os Desafios TBR Pile 2016 e Mount TBR 2016.

sábado, 25 de julho de 2015

Opinião: "A Herança do Vazio"

www.wook.pt/ficha/a-heranca-do-vazio/a/id/188755?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: The Inheritance of Loss
Autor:
Adaptado por: Vera Falcão Martins
Editor: Porto Editora
Edição/reimpressão: 2007
ISBN: 9780241143483
Páginas: 416

Sinopse: No nordeste dos Himalaias, numa casa isolada no sopé do monte Kanchenjunga, vive Jemubhai, um velho juiz amargurado, que tudo o que quer é reformar-se em paz e dedicar o seu afecto à única criatura que ama, a sua cadela Mutt. A chegada da neta órfã, Sai, abalará o seu sossego, obrigando-o a remexer as suas memórias e a repensar a sensação de estranheza na própria pátria. Tudo isto se acentuará com o romance entre Sai e Gyan, um nepalês que se envolve numa revolta que alterará inquestionavelmente a vida de Jemubhai.

A serenidade da vida do juiz contrasta com a vida do filho do seu cozinheiro, Biju, que saltita sucessivamente de restaurante em restaurante, em Nova Iorque, à procura de emprego, numa fuga constante aos Serviços de Imigração. Julgando que o filho leva uma vida boa e que acabará por vir buscá-lo para junto dele, o cozinheiro vai arrastando os seus dias.


Neste magnífico romance, vencedor do Man Booker Prize 2006, Desai como que cria uma tapeçaria em que todas as personagens partilham uma herança comum de impotência e humilhação. E, com uma mestria sublime, consegue, ao longo de toda esta poderosa saga familiar, deixar sempre em aberto um desfecho de esperança ou de traição.


Numa escrita inesgotavelmente rica e complexa, com rasgos de exotismo, a autora retrata temas tão actuais como a globalização, o colonialismo, o racismo, o abismo entre pobres e ricos e a imigração.

A minha opinião: A Herança do Vazio era uma das leituras sugeridas na Comunidade de Leitores, e escolhi-o pela capa, que é lindíssima, e pela sinopse, que sugere uma história mesmo à minha medida. Infelizmente não se veio a verificar...

Demorei um mês para ler um livro de pouco mais de 400 páginas o que, por si só já é muito mau sinal... Mas a verdade é que a história nunca me prendeu, e tive de ir lendo outros livros porque simplesmente não me apetecia ler este. Percebo agora que devia ter desistido, mas mantive sempre a esperança de que fosse melhorar. Afinal, este livro foi vencedor do Man Booker Prize... Certamente teria algo de especial que ainda se iria revelar, certo? Infelizmente, comigo não foi o caso.

A história passa-se maioritariamente na região de Kalimpong, uma região da Índia que faz fronteira com o Nepal, o Butão, o Bangladesh e o Tibete. É uma região de contrastes, com muitas e variadas nacionalidades e castas, em que alguns tentam desesperadamente agarrar-se ao modo de vida do antigo império, outros lutam em movimentos separatistas e a maioria só quer que os deixem em paz e que as coisas não piorem mais ainda.

Mas passa-se também em Nova Iorque, na qual seguimos o difícil percurso de um jovem imigrante indiano, enquanto o seu pai e todos na terra pensam que ele está a enriquecer na América. E temos ainda flashbacks para o passado do juíz e dos pais de Sai, a sua neta.

O cenário poderia ter proporcionado uma história interessante e empolgante, mas infelizmente nunca aconteceu. Achei que a história tem um excesso de personagens que só serviu para que me dispersasse e que a opção por não seguir uma história linear foi prejudicial à leitura. Não me liguei a uma só personagem, nunca fiquei em pulgas para saber o que aconteceria a seguir, nem me interessei particularmente pelo seu destino final.

As únicas partes que achei moderadamente interessantes foram as que descreviam a vida do filho do cozinheiro nos EUA, mas até essas foram perdendo o interesse...

Não posso recomendar a sua leitura, mas considerando o prémio que recebeu e a média de 3.38 que tem no Goodreads, muito provavelmente, o problema é meu.

Classificação: 1

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Opinião: "O Horizonte"

www.wook.pt/ficha/o-horizonte/a/id/10278794?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: L'Horizon
Autor: Patrick Modiano
Tradutor:
Editor: Porto Editora
Edição/reimpressão: Outubro de 2014
ISBN: 9789720043351
Páginas: 112

Sinopse: O Horizonte - um horizonte carregado de esperança que faz deste romance belíssimo uma obra peculiar dentro do universo hipnótico de Patrick Modiano.

Jean Bosmans, um homem frágil perseguido pelo fantasma da mãe, recorda a sua juventude e as pessoas que entretanto perdeu. Sobretudo a enigmática Margaret Le Coz, a jovem mulher por quem se apaixonou nos já longínquos anos 60 e que um dia misteriosamente desapareceu. Quarenta anos depois, Bosmans parte à procura desse amor que a memória teimosamente conservou.

A minha opinião: Na casa dos sessenta, Jean Bosmans, o protagonista desta história, relembra o seu passado e regista-o num caderno. E, inevitavelmente, é à sua curta, mas intensa e memorável ligação com Margaret Le Coz, há quarenta anos, que volta sempre.

Este O Horizonte é, assim, a memória de uma relação do passado, quando o protagonista era jovem e tinha ainda toda uma vida de possibilidades à sua frente. E é revisitada quando o seu horizonte começa a encurtar, quando está numa fase madura da sua vida e o passado começa a ser mais importante que o futuro...

Nunca tinha sequer ouvido falar de Patrick Modiano antes de este ter ganho o Prémio Nobel da Literatura, mas reconheço, na qualidade da sua escrita, que tenha sido merecido. De facto gostei muito da escrita deste livro, da forma como flui, e é muito bela.

Quanto à história propriamente dita, por se tratar de uma memória, acaba por se algo fragmentada e, por vezes desconexa, e não sou grande fã de finais em aberto... Mas penso que Patrick Modiano tem o potencial para gerar uma grande legião de fãs em Portugal.

Classificação: 3

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Opinião: "Retrato de Família"

Título original: Sheltering Rain
Autor: Jojo Moyes
Tradutor:
Editor: Porto Editora
Edição/reimpressão: Maio de 2011
ISBN: 9789720041951
Páginas: 416

Sinopse: 1953, Isabel II é coroada. A comunidade inglesa em Hong Kong reúne-se para celebrar o acontecimento. Para Joy, trata-se apenas de mais uma reunião enfadonha, idêntica a tantas outras. Mas a sua vida transformar-se-á nessa mesma noite ao conhecer o jovem oficial da Marinha Edward Ballantyne. A impulsiva proposta de casamento após um breve encontro parece ser a resposta a todos os desejos de Joy.

Mais de quarenta anos volvidos, Joy e Edward vivem na Irlanda e a sua relação com Kate, a filha, e Sabine, a neta de dezasseis anos, é distante e fria. Em Londres, Kate tenta resolver mais uma das suas inúmeras crises amorosas e, numa tentativa de proteger Sabine, decide que ela vá passar umas férias com os avós.

Para surpresa geral, Sabine parece adaptar-se bem à vida no campo e ao difícil temperamento da avó. Até que o súbito agravamento do estado de saúde de Edward obriga Kate a um inesperado regresso à casa de família, reabrindo as velhas feridas que a separam de Joy. Que segredos afastam mãe e filha? Poderá Sabine unir duas gerações tão diferentes, ou cairá também ela no silêncio que as separa?

A minha opinião: Retrato de Família tem início em 1953, quando a comunidade inglesa em Hong Kong está reunida para ouvir a coroação de Isabel II. Joy não está particularmente interessada na coroação, mas é nessa noite que conhece Edward, um jovem oficial da marinha, embora em circunstâncias bastante constrangedoras, uma vez que bebeu demasiado e acabou a vomitar...

No dia seguinte ele procura-a para saber como ela se sente e acabam por descobrir uma paixão comum por cavalos, e acabam também noivos.

Quarenta e quatro anos depois, o casal vive na Irlanda e prepara-se para receber em casa a sua neta Sabine. No entanto, Sabine e os avós mal se conhecem pois a sua mãe Kate afastou-se de casa quando ainda estava grávida e só voltou três vezes depois disso. O convívio entre Sabine e os avós é complicado de início, pois Sabine está muito habituada a ser independente e em casa dos avós não faltam regras. E depois há o facto de Edward se encontrar gravemente doente e da avó começar a comportar-se de forma cada vez mais estranha. Felizmente que tem Thom, Mrs. H e Annie a quem recorrer.

Entretanto, em Londres, Kate começa a questionar a sua vida e as suas escolhas. E o efeito das mesmas em Sabine. Quando o seu pai piora, Kate regressa a casa e enfrenta o passado. E quem sabe se o seu regresso à Irlanda não será exactamente aquilo de que precisava?

Esta é uma história familiar, com segredos e mistérios, e que vamos conhecendo aos poucos. Gosto muito deste tipo de histórias, mas faltou algo nesta para me encantar verdadeiramente. Acho que teria gostado mais se a história do passado, em Hong Kong, tivesse sido mais desenvolvida... Gostei, mas não adorei. Mas há que ter em conta que este foi o primeiro livro da autora e já tive oportunidade de confirmar que a prática, neste caso, levou mesmo à perfeição!

Classificação: 4

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Este livro conta para os Desafios TBR Pile 2014, Mount TBR 2014 e What's in a Name? 2014 (Type or element of weather

sábado, 6 de setembro de 2014

Opinião: "Amor e Chocolate"

www.wook.pt/ficha/amor-e-chocolate/a/id/220015?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: The Chocolate Run
Autor: Dorothy Koomson
Tradutor: Irene Ramalho
Editor: Porto Editora
Edição/reimpressão: Fevereiro de 2013
ISBN: 9789720041128
Páginas: 416

Sinopse: Amber Salpone não queria sentir-se atraída pelo amigo Greg Walterson, mas não consegue evitar. E, de cada vez que a atracção se concretiza em algo mais, a aventura secreta fica mais perto de se tornar numa relação séria, o que, sendo ele um mulherengo e tendo ela fobia ao compromisso, constitui um grande problema.
Enquanto Amber luta para aceitar o que passou a sentir por Greg, apercebe-se também de que ela e Jen, a sua melhor amiga, estão cada vez mais afastadas. Pouco a pouco, à medida que as duras verdades das vidas de todos vão sendo reveladas, Amber tem de enfrentar o facto de o chocolate não curar tudo e, por vezes, fugir não é opção...

A minha opinião: No final da leitura só conseguia pensar "mas porque é que demorei tanto tempo a ler um livro desta autora?". De facto, demorei demasiado tempo a tirar a limpo o porquê do enorme sucesso desta autora, mas agora percebo... E a parte boa é que tenho muitos livros da autora para conhecer!

Amor e Chocolate é uma história de amor de certa forma incomum. É-nos contada na primeira pessoa por Amber e, por isso, só temos acesso à sua visão dos acontecimentos e aos seus pensamentos. E partilhamos as suas dúvidas e angústias.

No início da história, Amber enfrenta a embaraçosa manhã após ter ido para a cama com o seu amigo Greg. Amber e Greg são amigos há três anos, desde que a sua melhor amiga, Jen, começou a namorar com o melhor amigo dele, Matt, e Amber nunca pensou nele dessa forma. Não que ele não tivesse tentado, mas Greg é um mulherengo e Amber nunca o levou a sério.

Contudo, agora Greg está determinado em provar-lhe que mudou e que está verdadeiramente interessado nela, e Amber acaba por se envolver cada vez mais com ele, sempre à espera do inevitável dia em que tudo termine, ele volte a sair com inúmeras mulheres e a amizade entre eles termine. E, tendo em conta que os seus melhores amigos são um casal, e para evitar constrangimentos futuros, resolvem manter a relação em segredo até perceberem no que vai dar.

Foi muito giro assistir ao desenvolver da relação entre a Amber e o Greg sendo que, uma vez que só temos acesso ao ponto de vista da Amber, não podemos deixar de partilhar as suas dúvidas e angústias, por não sabermos o que se passa do ponto de vista do Greg.

Curiosamente, à medida que a relação entre ambos se vai desenvolvendo, a relação entre Amber e Jen vai-se degradando, Jen começa a mudar e Amber começa a questionar se a amizade entre ambas é realmente tão forte e verdadeira como sempre pensou. Ao mesmo tempo, começa a formar-se uma amizade com as suas colegas de trabalho que não existia antes e que foi divertida de seguir.

Gostei do facto da autora ter centrado a história no romance que cresceu da amizade e não ter recorrido ao facto da Amber ser negra e o Greg branco para incutir dramatismo na história. Nem ao facto da Amber ser assim para o anafadito (ela passa a vida a pensar em chocolate e a comê-lo e não se preocupa minimamente com isso, está perfeitamente confortável na sua pele). São factos mencionados, mas não contribuem significativamente para a história.

Definitivamente vou ler outro livro da autora muito em breve. A sua escrita, perspectiva e sentido de humor agradaram-me imenso e espero poder confirmar que não se tratou de caso único.

Classificação: 4

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Este livro conta para os Desafios Monthly Key Word Challenge 2014 (run), Mount TBR 2014 e TBR Pile 2014.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Opinião: "As Horas Distantes"

www.wook.pt/ficha/as-horas-distantes/a/id/10916420?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: The Distant Hours
Autor: Kate Morton
Tradutor: Cristina Correia
Editor: Porto Editora
Edição/reimpressão: Janeiro de 2012
ISBN: 9789720043559
Páginas: 528

Sinopse: Tudo começa quando uma carta, perdida há mais de meio século, chega finalmente ao seu destino...

Evacuada de Londres, no início da II Guerra Mundial, a jovem Meredith Burchill é acolhida pela família Blythe no majestoso Castelo de Milderhurst. Aí, descobre o prazer dos livros e da fantasia, mas também os seus perigos.


Cinquenta anos depois, Edie procura decifrar os enigmas que envolvem a juventude da sua mãe e a sua relação com as excêntricas irmãs Blythe, que permaneceram no castelo desde então. Há muito isoladas do mundo, elas sofrem as consequências de terríveis acontecimentos que modificaram os seus destinos para sempre.


No interior do decadente edifício, Edie começa a deslindar o passado de Meredith. Mas há outros segredos escondidos nas paredes do edifício. A verdade do que realmente aconteceu nas horas distantes do Castelo de Milderhurst irá por fim ser revelada...

A minha opinião: Esta não é uma opinião fácil de escrever para mim... Porque a verdade é que, tendo lido e adorado os dois livros anteriores da autora, as expectativas que tinha quando iniciei esta leitura eram muito elevadas. E acabei decepcionada. Não é que As Horas Distantes seja mau, longe disso, mas não é tão bom como O Segredo da Casa de Riverton e O Jardim Secreto, para mim nunca teve aquele factor wow dos anteriores. Achei-o demasiado previsível e, de certa forma demasiado certinho. Previsível porque acabei por prever praticamente todas as reviravoltas na história e, embora não tenha previsto a reviravolta final, quando se começou a desenrolar a minha reacção foi um revirar de olhos... A autora resolveu, com essa reviravolta final, fechar completamente o círculo, o que me deu a tal sensação de que a história era demasiado certinha... Tenho a certeza que, caso tivesse lido este livro antes dos anteriores o teria adorado, mas é esse o problema das expectativas, não é?

Quanto à história propriamente dita, segue a fórmula anterior: um segredo familiar do passado é progressivamente desvendado por uma personagem do presente que, apesar de não ter uma relação directa com a família em questão, acaba por ter uma relação indirecta e descobre o quanto essa família influenciou a sua própria.

Tal como indica a sinopse, tudo começa com a chegada de uma carta. Uma carta que apenas chega ao seu destino 50 anos depois de ter sido enviada e que revela a Edie que a sua mãe foi uma das crianças evacuadas de Londres para o campo na altura da II Guerra Mundial. A sua mãe nunca tinha falado no assunto e mesmo agora recusa-se a revelar muito, dizendo-lhe apenas que foi evacuada para o Castelo de Milderhurst, onde viveu com as três irmãs Blythe, filhas do famoso autor Raymond Blythe, que escreveu o livro responsável pela paixão de Edie pelos livros, "A Verdadeira História do Homem de Lama".

Por acaso, Edie acaba por ir parar a Milderhurst, onde visita o castelo e conhece as três irmãs, Persephone, Seraphina e Juniper. E fica a saber que Juniper sofreu um desgosto de amor há cinquenta anos que a deixou afectada psicologicamente. A curiosidade de Edie é cada vez maior, já que ninguém parece querer falar dessa época, nem as irmãs Blythe (Percy e Saffy vigiam constantemente June, parecendo que não querem que, inadvertidamente, conte algo a Edie), nem a sua mãe, o que leva Edie a iniciar uma investigação sobre o passado dela e das irmãs Blythe.

Quando finalmente tudo é revelado, não pude deixar de ficar com a sensação, que já tinha tido nos livros anteriores, que tanto sofrimento poderia ter sido evitado se apenas as pessoas falassem umas com as outras, se esclarecessem eventos e mal-entendidos... Mas suponho que é disso que as grandes histórias são feitas, não é? Não achei que esta fosse uma grande história, mas ainda assim, é muito boa. Se nunca leram nada desta autora, comecem por este. Não sendo o seu melhor, a partir daí será sempre a melhorar!

Classificação: 4

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Este livro conta para os Desafios Monthly Key Word Challenge 2014 (clock), Monthly Motif 2014 (Around the World), Mount TBR 2014TBR Pile 2014 e What's in a Name? 2014 (reference to time).

domingo, 5 de maio de 2013

Opinião: "O Jardim dos Segredos"

Título original: The Forgotten Garden
Autor: Kate Morton
Tradutor: Cristina Correia
Editor: Porto Editora
Edição/reimpressão: Janeiro de 2010
ISBN: 9789720041722
Páginas: 552

Sinopse: Uma criança perdida. Nas vésperas da Primeira Guerra Mundial uma criança é encontrada só, num barco que se dirigia à Austrália. A mulher misteriosa que prometera tomar conta dela tinha desaparecido sem deixar rasto.

Um terrível segredo. No seu 21.º aniversário, Nell Andrews descobre algo que mudará a sua vida para sempre. Décadas depois, embarca em busca da verdade, numa demanda que a conduz até à costa da Cornualha e à bela e misteriosa Mansão Blackhurst, em tempos propriedade da aristocrática família Mountrachet.

Uma herança misteriosa. Com o falecimento de Nell, a neta Cassandra recebe uma herança surpreendente. A Casa da Falésia e o seu jardim abandonado são famosos nas redondezas pelos segredos que ocultam - segredos sobre a família Mountrachet e a sua governanta, Eliza Makepeace, uma escritora de obscuros contos de fadas. É aqui que Cassandra irá por fim desvelar a verdade sobre a sua família e resolver o mistério de uma pequena criança perdida.

A minha opinião: Devo confessar que estava um bocadinho apreensiva quando iniciei esta leitura. Isto porque adorei O Segredo da Casa de Riverton e não queria criar demasiadas expectativas com O Jardim dos Segredos. Afinal, não são todos os autores que conseguem manter a mesma qualidade de livro para livro... Mas nada havia a temer, Kate Morton é uma dessas autoras! Apesar de ter gostado mais de O Segredo da Casa de Riverton, esta foi uma leitura apaixonante.

O livro segue uma estrutura semelhante, com um segredo do passado a ser desvendado aos poucos e com a história a passar-se em diferentes épocas, alternando sobretudo entre o presente (2005), o passado (1900's) e o passado recente (1975). A história começa com uma criança abandonada num navio a caminho da Austrália. A menina pensa estar a participar num jogo e nunca revela o seu nome nem as suas origens. Acaba por ser adoptada pelo capitão do porto e a sua mulher que a criam como se fosse filha deles e a baptizam de Nell. Apenas aos 21 anos sabe a verdade e é aí que tudo muda na sua vida. Em 2005 é a sua neta Cassandra que acaba por desvendar o segredo, viajando até à Cornualha, local onde se encontram as verdadeiras origens de Nell.

À semelhança de O Segredo da Casa de Riverton, a história de O Jardim dos Segredos é também agridoce porque é inevitável não pensar como tudo poderia ter sido diferente se... Não vou completar porque não quero spoilar ninguém. Mas para mim a maior lição que se pode tirar desta história é que devemos aproveitar as coisas boas que temos e não nos agarrar ao passado e ao que podia ter sido. E fica a dúvida se, por vezes, a ignorância não será uma bênção...

Não quero contar muito da história porque é o desvendar progressivo dos segredos que lhe dá o seu encanto, mas posso dizer que a achei mais previsível (cedo antevi onde iria parar e quando o maior dos segredos é finalmente desvendado, já eu desconfiava o que era) e é por isso que prefiro O Segredo da Casa de Riverton (que me apanhou completamente de surpresa). Mesmo assim é uma leitura que recomendo sem reservas. Quando terminei a vontade era voltar imediatamente a ler...

Classificação: 5

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Este livro conta para os Desafios Mount TBR 2013, Monthly Key Word Challenge (garden), Book Bingo 2013 (ficção histórica) e Spring Reading Thing 2013.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Opinião: "Silver Bay - A Baía do Desejo"

Título original: Silver Bay
Autor: Jojo Moyes
Tradutor: Elsa T. S. Vieira
Editor: Porto Editora
Edição/reimpressão: Março de 2009
ISBN: 9789720041944
Páginas: 416

Sinopse: Mike Dormer chega a Silver Bay, uma pacata vila costeira da Austrália, com um único e secreto intuito que abalará por completo a vida dos seus habitantes.

Mas Silver Bay reserva-lhe um destino diferente.

Liza McCullen e a sua filha Hannah, de dez anos, residem no familiar Hotel Silver Bay - tão excêntrico como a sua proprietária Kathleen - onde Mike se hospeda. As suas personalidades enigmáticas exercerão um fascínio inexplicável sobre o pragmático executivo londrino, que se deixará envolver irremediavelmente pelos membros da pequena comunidade de Silver Bay e pela magia que descobre no seu modo de vida. Em pouco tempo, Mike sentir-se-á dividido entre a culpa e o desejo, a responsabilidade... e a paixão inesperada. Paralelamente, a vida de Liza sofrerá uma reviravolta inevitável.

Prisioneiros de uma perigosa teia de segredos e mentiras, estarão eles preparados para enfrentar os acontecimentos que se avizinham?

A minha opinião: A vontade de ler este livro foi despertada quando li a opinião da Célia no Estante de Livros. Quero dizer, uma história de amor e família, com segredos revelados e que ainda por cima mete golfinhos e baleias? Parecia escrito para mim! A partir daí estive sempre atenta para ver se conseguia apanhar uma promoção e adquiri-lo a um preço mais simpático. E não é que era um dos livros do dia na Feira do Livro este ano no único dia em que lá consegui ir? Ah pois é, veio logo comigo para casa!

Silver Bay é o nome de uma pequena vila na Austrália, um local mágico, mas até agora resguardado do progresso. Contudo, tudo isso está prestes a mudar pois uma empresa inglesa tem um projecto para um mega resort no local. E é esse projecto que leva Mike Dormer, incógnito, a Silver Bay. O que ele não esperava era apaixonar-se pela vila e pelas pessoas que rapidamente o adoptam como um dos seus. E especialmente não esperava apaixonar-se por Liza McCullen e pela sua filha Hannah...

E é ao ver a vila pelos olhos dos locais que Mike começa a perceber que o empreendimento (e o acréscimo de turistas e de actividades náuticas) trará mais mal do que bem e será particularmente nocivo para as baleias, possivelmente causando com que estas se afastem e alterem o seu percurso migratório. E quando testemunha pessoalmente o quanto a interferência humana é nociva para as baleias, Mike decide encontrar um local alternativo para o empreendimento. Mas quando a sua verdadeira identidade é revelada, toda a vila se revolta contra Mike e trata-o como um traidor. Conseguirá Mike recuperar a confiança das pessoas de Silver Bay, salvar a vila e reconquistar a mulher que ama?

Quem segue as minhas opiniões aqui no blog já percebeu com certeza que tenho uma especial predilecção por histórias familiares, especialmente se houver um pouco de mistério à mistura. E é isso que podemos encontrar em Silver Bay, sendo que a família aqui não se limita à que habita o Hotel Silver Bay, estende-se também aos observadores de baleias, frequentadores assíduos do hotel e que constituem, assim, uma família alargada. E quanto ao mistério, este apresenta-se na forma de um segredo do passado do qual apenas têm conhecimento Liza, Hannah e Kathleen, a tia de Liza e proprietária do hotel. A paixão de Liza pelas baleias (e restante vida marinha em geral) é comovente e, de certo modo, contagia as restantes personagens. Hannah é uma miúda fantástica, também ela capaz de lutar apaixonadamente por aquilo em que acredita e que defende. Mike sofre uma transformação ao longo da história passando de um homem de certa forma apático e conformado, a um homem apaixonado e capaz dos maiores sacrifícios para proteger os que ama. Mas a minha personagem favorita foi Kathleen, uma mulher sem papas na língua e com uma percepção incomum (como diria uma amiga minha, ela apanha umas ondas..., mas apanha-as sempre).

Adorei esta história e fiquei com muita vontade de ler os outros livros de Jojo Moyes publicados por cá.  

Classificação: 5

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Este livro conta para o Desafio Fall Into Reading 2012 e Color Coded 2012.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Opinião: "O Segredo da Casa de Riverton"

Título original: The House at Riverton
Autor: Kate Morton
Tradutor: Vítor Guerreiro
Editor: Porto Editora
Edição/reimpressão: Outubro de 2008
ISBN: 9789720041609
Páginas: 480

Sinopse: Como sobrevivem os que presenciam a tragédia?

Verão de 1924
Na noite de um glamoroso evento social, um jovem poeta perde a vida junto ao lago de uma grande casa de campo inglesa. Depois desse trágico acontecimento, as suas únicas testemunhas, as irmãs Hannah e Emmeline Hartford, jamais se voltariam a falar.

Inverno de 1999
Grace Bradley, de noventa e oito anos de idade, antiga empregada da casa de Riverton, recebe a visita de uma jovem realizadora que pretende fazer um filme sobre a morte trágica do poeta.
Memórias antigas e fantasmas adormecidos, há muito remetidos para o esquecimento, começam a ser reavivados. Um segredo chocante ameaça ser revelado, algo que o tempo parece ter apagado mas que Grace tem bem presente.
Passado numa Inglaterra destroçada pela primeira guerra e rendida aos loucos anos 20, O Segredo da Casa de Riverton é um romance misterioso e uma emocionante história de amor.

A minha opinião: Geralmente gosto de escrever as minhas opiniões logo quando termino os livros e, de preferência, antes de começar a leitura seguinte. Mas com O Segredo da Casa de Riverton não fui capaz e não sei bem porquê...

Quero começar por dizer que esta autora me foi recomendada pela Célia após ter lido e adorado O Décimo Terceiro Conto e, mais tarde, o livro passou a ser sugestão frequente nas recomendações do Goodreads. Muito obrigada Célia, pela recomendação, já tenho os restantes livros da Kate Morton e vou, sem dúvida, continuar a acompanhar esta autora.

Quanto à história propriamente dita, e sem revelar muito, trata-se de um dos meus géneros favoritos, drama familiar histórico (não sei se esta categoria existe mesmo, mas é assim que o classifico) que alterna entre o presente (1999) e o passado (período entre as duas guerras mundiais). A história é-nos contada do ponto de vista de Grace, actualmente com 98 anos, que começa a relembrar a sua vida (inevitavelmente entrelaçada com a vida da família Hartford, para quem trabalhou), a propósito do contacto de uma jovem realizadora que está a fazer um filme sobre a família Hartford (particularmente sobre as irmãs Hannah e Emmeline) e o seu envolvimento numa tragédia que só nos é revelada mesmo no final. A realizadora pretende tentar desvendar melhor o passado e a vida das duas irmãs, uma vez que Grace é a única sobrevivente daquela época.

E cedo percebemos que Grace sabe muito mais do que alguma vez contou... Mas a inevitabilidade da morte e a vontade de se reconectar com o neto levam-na a contar toda a história em cassetes que grava e envia para o neto. E é assim que também nós ficamos a saber toda a verdade sobre a tragédia daquela noite de Verão e tudo o que anteriormente se passou e que conduziu as personagens àquele final.

Gostei muito desta história, da relação entre os três irmãos, da relação entre Hannah e Grace, de como em tão poucos anos a sociedade mudou radicalmente a forma como encarava a mulher e o seu comportamento em sociedade (e que podemos constatar no contraste entre a situação de Hannah e a situação de Emmeline) e, principalmente de como uma mentira perfeitamente inocente pode ter resultados tão avassaladores anos mais tarde.

No final há um pormenor que achei escusado e que penso não fazer muito sentido em termos cronológicos, mas acho que é o único reparo que tenho a fazer.

Classificação: 5

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Este livro conta para os Desafios Mount TBR 2012, What's in a Name 5 (tipo de casa) e Spring Reading Thing 2012.