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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Desafio de Leitura Mystery & Suspense 2012 - Terminado!

ATTENTION: This post will be writen in Portuguese and English.

Este ano este desafio correu-me lindamente! Não só cumpri a meta, ultrapassei-a: li 18 livros!

Estes foram os livros de mistério e suspense que li para o desafio:
  1. À Beira do Abismo de Ray­mond Chan­dler
  2. Morte no Nilo de Agatha Christie
  3. Ricochete de Sandra Brown
  4. Heat Wave de Richard Castle
  5. O Mistério de Battersea de Dorothy L. Sayers
  6. Naked Heat de Richard Castle
  7. Mão Direita do Diabo de Dennis McShade
  8. Diz-me Quem És de Jessica Bird
  9. O Mistério do Quarto Amarelo de
  10. de Agatha Christie
  11. Dexter by Design de Jeff Lindsay
  12. O Homem do Fato Castanho de Agatha Christie
  13. Carte Blanche de Carlo Lucarelli
  14. O Mistério do Comboio Azul de Agatha Christie
  15. Meant for Her de Amy Gamet
  16. 4th of July de James Patterson
  17. Dead until Dark de Charlaine Harris

This year I did great in this challenge! Not only did I meat the goal, I outdid myself and read 18 books!

These were the mystery and suspense books I read for the challenge:
  1. The Big Sleep by Ray­mond Chan­dler
  2. Death on the Nile by Agatha Christie
  3. Ricochet by Sandra Brown
  4. Heat Wave by Richard Castle
  5. Whose Body? by Dorothy L. Sayers
  6. Naked Heat by Richard Castle
  7. Devil's Right Hand by Dennis McShade
  8. An Unforgettable Lady by Jessica Bird
  9. The Mystery of the Yellow Room by
  10. Agatha Christie
  11. Dexter by Design by Jeff Lindsay
  12. The Man in the Brown Suit by Agatha Christie
  13. Carte Blanche by Carlo Lucarelli
  14. The Mystery of the Blue Train by Agatha Christie
  15. Meant for Her by Amy Gamet
  16. 4th of July by James Patterson
  17. Dead until Dark by Charlaine Harris

domingo, 23 de dezembro de 2012

Opinião: "Dead Until Dark"

Autor: Charlaine Harris
Série: Sookie Stackhouse #1
Editor: Gollancz
Edição/reimpressão: 2006
ISBN: 9780575089365
Páginas: 326

Sinopse: Sookie Stackhouse is a small-time cocktail waitress in small-town Louisiana. She's quiet, keeps to herself, and doesn't get out much. Not because she's not pretty. She is. It's just that, well, Sookie has this sort of 'disability'. She can read minds. And that doesn't make her too dateable. And then along comes Bill. He's tall, dark, handsome - and Sookie can't 'hear' a word he's thinking. He's exactly the kind of guy she's been waiting for all her life.

But Bill has a disability of his own: He's a vampire. Worse than that, hangs with a seriously creepy crowd, with a reputation for trouble - of the murderous kind.

And when one of Sookie's colleagues is killed, she begins to fear she'll be next ...

A minha opinião: Cada vez mais me convenço que há livros que têm uma altura certa para serem lidos. Este foi um desses livros. Comecei a ver a série televisiva True Blood, inspirada nestes livros, e ainda vi pelo menos duas temporadas, mas não tinha qualquer intenção de ler os livros até uma amiga me ter convencido a ler porque ia gostar. Ora esta é a amiga que me apresentou ao universo do Senhor dos Anéis, do Twilight e é também uma Potterhead... Por isso fui logo a correr comprar o primeiro livro da série. Contudo, nunca me apeteceu lê-lo até agora. É que praticamente me saltou da estante para os braços, a vontade de o ler era tanta que não valia a pena resistir.

E gostei. Bastante. Tanto que já encomendei o segundo livro e estou com vontade de voltar a ver a adaptação televisiva. Este primeiro livro não foi propriamente uma surpresa, pois a primeira temporada de True Blood é bastante fiel ao livro. Mas gostei mais do livro, achei que a história é contada de uma forma mais calma e menos espalhafatosa que na série. Acho que não vale a pena resumir a história porque já está resumida na sinopse, mas gostei bastante da premissa da história: como seria o mundo se, porque foi inventado sangue sintético, os vampiros se revelassem e passassem a ser cidadãos de pleno direito? E o facto da protagonista não ser uma humana qualquer, mas uma humana que lê pensamentos sem que ninguém saiba como nem porquê também me pareceu uma ideia interessante.

A personagem que mais me surpreendeu foi mesmo o Jason, irmão de Sookie e que, ao contrário do Jason da série televisiva, não é um tolinho pouco inteligente. Gosto mais do Jason dos livros e acho que há grande potencial para esta personagem.

Uma personagem de que senti falta, e que foi criada para a série televisiva, é a Tara, porque realmente achei estranho que a Sookie não tenha uma única amiga e confidente. Mas compreendo que seja difícil manter amizades quando se sabe o que as pessoas pensam a todo o momento...

Mas a minha personagem favorita (e já era no True Blood) é o Sam. Adoro a forma apaixonada como ajuda e defende as pessoas de quem gosta e também o seu jeito descontraído de ser. Passei a leitura a desejar que a cena da revelação do seu segredo à Sookie, e que já tinha visto na série, fosse retirada do livro... É tão boa!

Ora portanto, uma série com um mundo que, penso, ir-se-á tornar cada vez mais complexo e personagens interessantes, também elas complexas e bem caracterizadas. Uma leitura divertida, ideal para descontrair e abstrair-nos dos problemas do dia-a-dia.

Classificação: 4

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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Opinião: "4th of July"

Autor: James Patterson
Série: O Clube das Investigadoras #4
Editor: Vision
Edição/reimpressão: 2006
ISBN: 9780446613361
Páginas: 448

Sinopse: The Bestselling New Detective Series of the Decade Just Got Hotter, Deadlier, and More Suspenseful. In a deadly late-night showdown, San Francisco police lieutenant Lindsay Boxer fires her weapon... and sets off a dramatic chain of events that leaves a police force disgraced, a family destroyed, and Lindsay herself at the mercy of twelve jurors. During a break in the trial, she retreats to a picturesque town that is reeling from a string of grisly murders - crimes that bear a link to a haunting, unsolved case from her rookie years.Now, with her friends in the Women's Murder Club, Lindsay must battle for her life on two fronts: in a trial rushing to a climax, and against an unknown adversary willing to do anything to hide the truth about the homicides - including kill again?

A minha opinião: (Contém spoilers para quem não leu os anteriores livros da série) Já tinha saudades das mulheres do Clube das Investigadoras... Agora lido no original, uma vez que a série deixou de ser publicada por cá...

No terceiro livro o clube viu-se privado de um dos seus membros e agora as amigas estão a tentar seguir com as suas vidas em frente e lidar com a perda de Jill. Lindsay tem em mãos um caso muito semelhante a um dos primeiros casos em que trabalhou e que nunca conseguiu resolver. E é por isso que, apesar de estar de folga e numa das reuniões do clube, não hesita em juntar-se a Jacobi na perseguição de uma pista. Mas tudo acaba por correr horrivelmente mal e Lindsay vê-se do outro lado, acusada em tribunal.

Para fugir a todo o mediatismo em volta do caso, Linsday refugia-se em casa da irmã numa pequena cidade costeira. Mas até suspensa não consegue evitar ser polícia e acaba por se envolver na investigação de uma série de assassinatos que têm vindo a acontecer na cidade. É que também estes assassinatos têm características em comum com o caso que Lindsay nunca conseguiu resolver... O que será que as vítimas têm em comum? Estarão estes crimes relacionados com o caso de Lindsay? E como é possível que estejam relacionados com a série de crimes do início da história, se os culpados já foram encontrados?

Lindsay conta com a preciosa ajuda de Claire e Cindy, bem como da sua advogada, Yuki, para resolver os casos. Isto ao mesmo tempo que lida com o julgamento e com o facto do assassino querer fazer dela a próxima vítima.

Na capa da minha edição é referido que este é, inquestionavelmente, o melhor livro da série e não posso deixar de concordar. A forma como o autor interliga tudo é magistral. Devo confessar que não estava nada à espera do twist final e nunca desconfiei da identidade do assassino.

Só tenho um pequeno reparo a fazer que é o facto da história ser muito centrada na Lindsay e as restantes membros do clube terem uma participação muito reduzida. Mas talvez agora que o clube tem novamente quatro membros venhamos a ver mais das outras meninas nos próximos livros. Uma série que vou, sem dúvida, continuar a seguir.

Classificação: 5

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Este livro conta para o Desafio Fall Into Reading 2012, What's in a Name 5 (algo que encontras num calendário) e Mystery & Suspense 2012.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Opinião: "Meant for Her"

Autor: Amy Gamet
Série: Love and Danger #1
Editor: Auto-publicado
Edição/reimpressão: Agosto de 2012
ISBN: 0988218208
Formato: Ebook (Kindle)
Páginas: 156
Origem: Ganho no Member Giveaway do Library Thing

Sinopse: A code that only she can break…
A man that only she was made for…

A raging fire consumes a Florida hotel room, leaving behind the charred remains of a mystery man and the key to a safe deposit box. What’s inside leads investigators to Julie Trueblood, a woman who is not what she seems, and a secret that only she can decipher.

Julie’s life has been devastated once before, and she has spent the last ten years trying to separate herself from history. The fire forces open the door to her past, bringing her face-to-face with her greatest fears, and her only hope for the future.

As the Navy investigator on the case, Hank Jared realizes he’s three steps behind the moment he walks in the door. While he works to unravel the truth behind his assignment, passion ignites between him and Julie. Will he choose the love of a woman he doesn’t completely trust, or the Navy career he has worked for his entire life?

A minha opinião: Gostei bastante deste livro. A história é empolgante, as personagens memoráveis e a leitura compulsiva.

"Meant for her" conta-nos a história de Julie, uma mulher com um passado perturbado. A sua mãe morreu de cancro e o seu pai, que trabalhava para a Marinha dos EUA, foi acusado de traição e fugiu para parte incerta. Ela era apenas uma miúda quando isto aconteceu e foi a sua tia Gwen quem a criou e a ajudou a recuperar. Agora o seu pai aparece morto e Hank, o oficial da Marinha enviado para investigar, é tudo aquilo que Julie sempre quis, mas Julie não sabe se pode confiar nele... Mas será Julie apenas uma vitima inocente ou esteve em conluio com o seu pai todos estes anos? Poderá Hank confiar nela? Em fuga, mas sem saberem bem de quem, a atracção entre Hank e Julie apenas se torna mais forte.

Esta é uma história divertida, doce e emocionante. Achei o seu estilo reminiscente de Sandra Brown, mas sem as cenas quentes, e gostei muito de todos os twists na história.

Sendo o primeiro livro de Amy Gamet, devo dizer que fiquei bem impressionada. Vou definitivamente ficar à espera de um novo livro e mal posso esperar por ler a história de Gwen, até porque a autora deixou uma ponta solta que deverá ser resolvida na continuação.


A versão kindle do livro continua grátis na Amazon aqui.

Classificação: 4

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Este livro conta para os Desafios Fall Into Reading 2012 e Mystery & Suspense 2012.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Opinião: "O mistério do Comboio Azul "

Título original: The Mystery of the Blue Train
Autor: Agatha Christie
Série: Hercule Poirot #6
Tradutor: Isabel Alves
Colecção: Obras de Agatha Christie nº24
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Abril de 2008
ISBN: 9789724137650
Páginas: 240

Sinopse: Ruth recebe do pai, um milionário americano, uma extraordinária jóia que encerra “um rasto de tragédia e violência”. Embora seja avisada de que não deve transportá-la para fora do país, Ruth decide levá-la consigo quando parte para Nice a bordo do famoso Comboio Azul. A notícia do seu assassinato será para todos um imenso choque… e mais um desafio para Hercule Poirot.

O Mistério do Comboio Azul (The Mystery of the Blue Train) foi originalmente publicado na Grã-Bretanha, em 1928, ano em que foi igualmente publicado nos Estados Unidos.

A minha opinião: O livro começa com uma aura de mistério, a lembrar espiões e a compra e venda de segredos. Mas, neste caso, a compra secreta é de uma famosa jóia cuja história está associada a uma série de tragédias.

É Rufus Van Aldin, milionário americano, quem compra a famosa jóia e a oferece à sua filha, Ruth. Ruth decide viajar para a Riviera Francesa a bordo do Comboio Azul e leva consigo a jóia. A bordo do comboio viaja também Katherine Grey, uma jovem que herdou uma grande quantia da senhora para quem trabalhava, e Ruth acaba por fazer algumas confidências a Katherine. Mas também Hercule Poirot viaja a bordo do Comboio Azul e, ao jantar é sentado junto a Ruth e acaba por efectuar uma espécie de profecia ao dizer a Katherine que quem sabe um dia não se verá numa aventura semelhante às que ele já viveu. E esse dia estava mais próximo do que qualquer um deles poderia imaginar...

É que na manhã seguinte Ruth está morta. E a jóia desapareceu. Katherine é chamada para dar o seu testemunho, uma vez que foi uma das últimas pessoas a falar com Ruth e Poirot acaba por ser contratado por Van Aldin para investigar o caso.

Uma das questões que se põe a Poirot é se o assassinato e o roubo estão ou não relacionados. E será que o assassino foi alguém que já se encontrava no comboio ou alguém que aproveitou a paragem na estação para entrar no comboio e cometer o crime? Suspeitos há muitos, desde o marido de quem Ruth se pretendia divorciar e que seguia no comboio, à sua amante que também seguia no comboio, passando pelo amante de Ruth que afinal estava mais interessado na jóia do que nela...

Poiror e Katherine acabam por formar uma espécie de dupla investigadora. Mas Katherine acaba por atrair as atenções de Derek, o marido de Ruth, e de Knighton, o secretário de Van Aldin, situação que Poirot encara com apreensão. Qual dos homens irá ela escolher? E será que serão mesmo aquilo que aparentam?

Mais uma história genial de Agatha Christie, com certas parecenças com O Crime no Expresso do Oriente, em que o enredo é intricado e as personagens ricas e complexas. Ah, e esta é a primeira vez que surge a aldeia ficcional de St. Mary Mead, lar de uma outra personagem bastante conhecida e querida, Miss Marple.

Classificação: 4

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domingo, 16 de setembro de 2012

Opinião: "Carte Blanche"

Título original: Carta Bianca
Autor: Carlo Lucarelli
Série: Commissario De Luca #1
Tradutor: Michael Reynolds
Editor: Europa Editions
Edição/reimpressão: 2006
ISBN: 193337215X
Páginas: 110

Sinopse: April 1945, Italy. The final days of the Fascist Republic. Commissario De Luca is heading up a murder investigation that draws him into the private lives of the rich and powerful as World War II reaches its frantic climax. The regime's days are numbered and its disgraced leaders know it. Their desperate retreats and futile struggles for pieces of the post-war pie are making a regular cop's job awfully hard to do.  With Mussolini's house of cards ready to collapse, De Luca faces a world mired in sadistic sex, dirty money, drugs and murder.

Carte Blanche, the first installment in Carlo Lucarelli's "De Luca Trilogy", is much more than a first-rate crime story. It is also an investigation into the workings of justice in a state that is crumbling under the weight of profound historic change. The "De Luca Trilogy" is set during one of the 20th century's seminal moments and describes a nation's ardent search to rediscover its moral bearings after being torn in two by civil strife and political corruption. Threatened by the machinations of a decaying political class, De Luca (himself reminescent of the disenchanted Dashiell Hammett PI) is a simple man doing a though job as best as he can. Even after closing his investigation, he will still have to face one final, fateful decision. 

A minha opinião: Esta foi a minha estreia na ficção policial histórica (tradução minha de historical crime fiction) e posso dizer que gostei. Carte Blanche passa-se num período conturbado da história da Itália, 1945, quando a queda de Mussolini está iminente. O protagonista, Commissario De Luca, acaba de se juntar à polícia "normal", vindo da Brigata Muti, a polícia fascista de Mussolini (de certo modo, semelhante à nossa PIDE), e logo no seu primeiro caso, defronta-se com um assassinato de um homem relacionado com altas figuras do estado fascista. 

Cedo um representante do regime entra em cena assegurando a De Luca que este terá todo o apoio do regime desde que prenda o suspeito certo, claro. As testemunhas começam a aparecer mortas e De Luca não está totalmente certo de que o suspeito que é suposto prender tenha sido mesmo o assassino. Num caso que envolve drogas, ocultismo e a Gestapo, De Luca revela-se, cada vez mais, um homem cansado. Afinal, ele é apenas um polícia que só quer fazer o seu trabalho e cuja interferência das esferas políticas fazem com que fazer o seu trabalha seja, não só difícil, como também perigoso.

O autor refere no prefácio que baseou o Commissario De Luca num ex-polícia que conheceu quando andava a fazer pesquisa para a sua tese, e que havia sido polícia durante 40 anos, tendo pertencido à polícia fascista primeiro perseguindo anti-fascistas e depois fascistas que discordavam do regime; durante a guerra havia voltado a perseguir anti-fascistas sabotadores; no final da guerra fez parte da polícia partidária perseguindo fascistas; e após o estabelecimento de um governo regular fez parte da polícia da República Italiana perseguindo alguns dos partidários que haviam sido seus colegas. Ou seja, um homem, um polícia, que não importando qual era a sua ideologia, se limitava a fazer o seu trabalho. 

Uma leitura recomendada para fãs de policiais noir, muito ao género de Raymond Chandler.

Classificação: 3

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Este livro conta para os Desafios Color Coded 2012, Mount TBR 2012 e Mystery & Suspense 2012.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Opinião: "O homem do fato castanho"

Título original: The Man in the Brown Suit
Autor: Agatha Christie
Série: Colonel Race #1
Tradutor: Maria João Delgado
Colecção: Obras de Agatha Christie nº20
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Abril de 2005
ISBN: 9789724135908
Páginas: 232

Sinopse: (Contém spoiler) A jovem Anne vai para Londres em busca de aventura. E encontra-a rapidamente: na plataforma de embarque do metro de Hyde Park Corner, onde um homem perde o equilíbrio e morre electrocutado nos carris.
O veredicto da Scotland Yard aponta para morte acidental. Mas Anne não fica satisfeita. Afinal, quem era o homem de fato castanho que examinou o corpo fazendo-se passar por médico? De que forma é que este assassinato pode estar relacionado com a morte da misteriosa Nadina?
Determinada a resolver o mistério, Anne parte num cruzeiro com destino à Cidade do Cabo, na África do Sul. Mas esta poderá vir a ser a sua derradeira viagem…

A minha opinião: Quem acompanha o blog com certeza já percebeu que sou uma fã incondicional de Agatha Christie. E também que privilegio os livros com Hercule Poirot como detective. Mas desta vez precisava de um livro com "castanho" no título para o Desafio Color Coded 2012 e foi por isso que o comprei. Mas posso dizer que fiquei agradavelmente surpresa.

O homem do fato castanho tem como protagonista a jovem Anne que cresceu sem mãe e com um pai tão focado na sua carreira académica que forçou Anne a ser o adulto da casa. Com a morte do pai, Anne resolve partir em busca de aventura, tal como as heroínas que via no cinema. E é em Londres, para onde parte, que acaba por se envolver numa trama de cuja verdadeira dimensão só tem noção praticamente no final do livro.

Anne está numa plataforma de metro e o cheiro a naftalina que emana do casaco de um homem faz com que repare nele. O homem parece assustado com qualquer coisa atrás de Anne e acaba por cair aos carris. Surge um segundo homem que se diz médico e que examina o corpo e declara a morte. Mas este segundo homem deixa cair um papel que Anne apanha e o papel, para além de conter o que parece ser um código, cheira a naftalina...

A partir daqui Anne começa a investigar e liga a morte do homem nos carris ao assassinato de uma estrangeira numa casa que se encontra para alugar, e cujo principal suspeito é um homem de fato castanho. A investigação leva-a a embarcar num cruzeiro rumo à África do Sul, destino de aventuras com que sempre sonhou. Mas a bordo do cruzeiro também se encontra um assassino... E o que esconde o homem do fato castanho? A bordo do cruzeiro Anne encontra o amor, mas será que também encontrará a morte?

Gostei muito deste livro, achei a protagonista fantástica. Corajosa, apaixonada, determinada a descobrir a verdade custe o que custar, Anne sabe o que quer e luta para o conseguir. Acho que este é o primeiro livro de Agatha Christie que leio em que a autora dá tamanha relevância a uma história de amor. Geralmente ficamos a saber que determinado casalinho se formou, ou temos o ciúme como motivo do crime, mas não acompanhamos a evolução do romance. Foi algo que me agradou muito.

Classificação: 4

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quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Opinião: "Dexter by Design"

Autor: Jeff Lindsay
Série: Dexter #4
Editor: Orion
Edição/reimpressão: 2009
ISBN: 9780752884615
Páginas: 344

Sinopse: Married life seems to agree with Dexter Morgan: he's devoted to his bride, his stomach is full and his homicidal hobbies seem nicely under control. But old habits die hard and Dexter's work as a blood spatter analyst never fails to offer new temptations that appeal to his offbeat sense of justice...

Luckily for Dex, there's someone out there with particularly twisted tastes. Dexter may have never been a big fan of art - but the discovery of an artfully displayed corpse naturally piques his curiosity. Dexter is back in business.

A minha opinião: (Contém spoilers para quem não leu os anteriores livros da série) Uma vez que a Bertrand deixou de publicar esta série, vi-me forçada a continuá-la no original. Ainda bem que não tenho dificuldade em ler em inglês, ou não poderia continuar a seguir as aventuras de Dexter.

O livro retoma a história onde o terceiro livro termina. Dexter e Rita estão agora em lua-de-mel em Paris e Dexter não podia estar mais aborrecido... Rita sempre sonhou ir a Paris e agora arrasta Dexter por todos os locais turísticos da cidade. Claro que Dexter preferia estar em Miami a dedicar-se ao seu passatempo favorito... Mas eis que o Passageiro das Trevas se manifesta finalmente numa alternativa galeria de arte. E o motivo depressa é desvendado. Em exposição está uma obra intitulada "Jennifer's Leg" que consiste na perna da artista, cortada pela própria, tendo também documentado o corte faseado em vários vídeos que estão em exposição.

De regresso a Miami e ao trabalho, Dexter depara-se com uma série de corpos mutilados e em pose. O Passageiro das Trevas manifesta-se mas não se identifica. E isto leva Dexter a concluir que o mais importante para o assassino não é a morte mas a pose dos cadáveres. Quase como uma instalação com a qual se pretende chocar o observador. Este é, assim, um dos fundamentais pontos do livro. Onde é que se encontra o limite entre o que é arte e o que é simples loucura? A mutilação pode ser considerada arte?

Quando a situação se torna pessoal e o assassino vai atrás da família de Dexter, este não tem outra hipótese senão apanhar o assassino antes que ele o apanhe. E tudo sem atrair demasiado as atenções dos colegas polícias para as suas actividades extra-curriculares.

Mais uma vez podemos ver que a relação de Dexter com a irmã é importante para ele, pois ainda que não tenha sentimentos, há qualquer coisa forte que o liga a Deborah e o faz ter um certo instinto protector em relação a ela. Estou muito curiosa por ver como a relação entre ambos vai evoluir nos próximos livros.

Também a relação de Dexter com os filhos de Rita tem muito potencial. Mal posso esperar por saber como correm as lições no sentido de os encaminhar no Caminho de Harry.

Não foi o meu livro preferido da série, mas o autor continua a inovar e a manter a frescura da história. E posso dizer que vale a pena ler o original. O estilo da escrita resulta melhor e é bastante humorístico.

Classificação: 4

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Este livro conta para o Desafio Mystery & Suspense 2012.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Opinião: "Café Negro"

Título original: Black Coffee
Autor: Agatha Christie
Série: Hercule Poirot #7
Tradutor: John Almeida
Colecção: Obras de Agatha Christie nº68
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Agosto de 2011
ISBN: 9789892315645
Páginas: 172

Sinopse: O inventor Sir Claud Amory fica desesperado quando a sua fórmula para um novo e poderoso explosivo é roubada. O autor do roubo só pode ser alguém que esteja em sua casa. Terá sido um familiar ou um “amigo”? Com medo da resposta, Sir Claud decide dar uma oportunidade ao infractor. As portas são trancadas e as luzes desligadas mas, em vez de devolver a fórmula, o ladrão acrescenta algo ao café do anfitrião... Poirot já não consegue impedir esta morte, mas pode ainda evitar uma catástrofe. Tem “apenas” de encontrar a fórmula e o assassino. E tudo isto sem se deixar envenenar...

Escrito originalmente por Agatha Christie em 1930 como uma peça de teatro, Café Negro (Black Coffee) foi adaptado para romance por Charles Osborne em 1997. Foi também transposto para o cinema em 1931 e 1932.

A minha opinião: Tal como indica a sinopse, Café Negro foi originalmente escrito como uma peça de teatro e, 67 anos mais tarde, foi adaptado para romance por Charles Osborne, um actor que já havia desempenhado o papel de Dr. Carelli numa adaptação da peça.

A adaptação foi muito fiel, pois lê-se como um livro escrito por Agatha Christie. No entanto, não posso deixar de pensar que, provavelmente, resulta melhor como peça de teatro do que como romance. A acção tem praticamente toda lugar na biblioteca, onde se dá o crime, e há alguns pormenores que nos são descritos, possivelmente porque eram necessários na representação da peça, mas que preferia que não tivessem sido incluídos na adaptação.

Ainda assim, não tendo sido um dos meus preferidos, não deixa de ser um mistério onde Poirot demonstra mais uma vez a sua competência e perfeito domínio das celulazinhas cinzentas.

Classificação: 3

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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Opinião: "Obsessão"

Título original: Charade
Autor: Sandra Brown
Tradutor: Lídia Geer
Editor: Quinta Essência
Edição/reimpressão: Fevereiro de 2012
ISBN: 9789898228734
Páginas: 470

Sinopse: Um milagre da medicina proporciona à estrela de televisão Cat Delaney mais do que um novo coração. Com a sua segunda oportunidade de vida, Cat troca Hollywood por San Antonio, onde apresenta um programa de televisão em prol de crianças com necessidades especiais. É nesta cidade que conhece Alex Pierce, um antigo polícia que optou por escrever romances policiais - o primeiro homem a vê-la como uma mulher depois da sua cirurgia. Mas o novo mundo de Cat torna-se assustador quando «acidentes» fatais começam a ceifar a vida de outras pessoas que receberam transplantes do coração e alguém começa a seguir todos os seus movimentos. Cat não tarda a aperceber-se de que Alex talvez – ou talvez não – seja o seu aliado mais importante e que o seu novo coração lhe custa um preço terrível: uma teia de segredos e alguém determinado a acabar com a sua vida.
Com o seu novo mundo a tornar-se cada vez mais assustador e um perseguidor misterioso a seguir cada um dos seus movimentos, Cat é apanhada num labirinto sombrio de traição e segredos... e talvez veja demasiado tarde a máscara que esconde o rosto de um assassino.

A minha opinião: Sandra Brown não desilude! Mais uma vez a autora trás-nos uma história de mistério, de leitura compulsiva, muito quente e sensual. Embora não tenha sido tão imprevisível como outros que já li da autora, é uma leitura muito agradável e, sim, obsessiva, que não posso deixar de recomendar.

Obsessão fala-nos de um assunto original, o transplante de órgãos, neste caso o transplante de coração. Cat Delaney é a protagonista e conhecemo-la quando recebe um transplante de coração. Logo de seguida, a autora levanta o véu sobre os potenciais dadores: um marido encontra a mulher com o amante e comete um assassinato passional, uma mulher dá à luz e há um enorme acidente na estrada que o companheiro percorre para chegar ao hospital, e dois motociclistas têm um grave acidente quando fogem do chefe do gangue. Qual destes será o coração que Cat recebe?

Após receber o transplante que lhe permite voltar a sonhar com um futuro, Cat deixa Hollywood e a fama que a sua carreira de actriz lhe granjeou e aceita mudar-se para San Antonio e dar a cara por um novo projecto, um programa de televisão local onde se promove a adopção de crianças com um passado traumatizante. Sendo ela própria órfã e tendo passado pelo sistema, Cat compreende bem o que é ser uma destas crianças e abraça o projecto de coração.

Em San Antonio, Cat conhece Alex Pierce, um homem que a atrai como nenhum outro a havia atraído antes. Mas será que Alex é mesmo o que parece? E ao confiar nele, não estará Cat a pôr em risco o seu coração?

E como se não bastasse, Cat começa a receber anonimamente recortes de jornais com notícias de transplantados que morreram em acidentes estranhos na mesma data em que haviam recebido um transplante de coração. A mesma data em que Cat recebeu o seu. Parece que alguém anda a eliminar todos as pessoas que receberam transplantes de coração naquela data, o que significa que Cat será a próxima vítima...

Gostei da forma como a autora abordou a velha questão das características do dador poderem ou não passar para o transplantado. Foi uma abordagem que não pretendeu dar uma opinião, nem estabelecer uma verdade absoluta e que me agradou bastante.

Também a forma como o sistema americano de adopções e de famílias de acolhimento foi muito bem abordada. Não o demonizando, também não o louvou, mostrando que, apesar de muitas vezes falhar, a maioria das pessoas que nele trabalha tenta fazer o seu melhor.

As cenas mais quentes também estão muito bem escritas e são, de facto bastante calientes. A atracção mútua entre Cat e Alex é credível e torci para que as piores suspeitas não se confirmassem e Cat pudesse ter um final feliz.

Fico a aguardar ansiosamente pelo próximo livro de Sandra Brown!

Classificação: 4

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Este livro conta para o Desafio Mystery & Suspense 2012.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Opinião: "O Mistério do Quarto Amarelo"

Título original: Le mystère de la chambre jaune
Autor:
Série: Joseph Rouletabille #1
Tradutor: Pilar Delvaux
Colecção: Livros de Bolso Europa-América
Editor: Europa-América
Edição/reimpressão: Maio de 2004
ISBN: 9721053880
Páginas: 224 

Sinopse: A porta do quarto amarelo estava trancada por dentro, a janela também, não havia nenhuma lareira com chaminé. No entanto, Mathilde Stangerson foi encontrada agonizante, prostrada no chão do quarto.
Quem a tentou assassinar e, sobretudo, por onde terá fugido o assassino?
Caberá ao jovem repórter e detective amador Rouletabille, ao fim de uma complicada investigação, desvendar o mistério do quarto amarelo.

A minha opinião: Já tinha visto o filme baseado neste livro há alguns anos e gostei tanto que acabei por comprar o livro. Claro que não o li logo e agora estou contente por não o ter feito. É que já não me lembrava quem era o assassino e não é que nunca consegui descobrir? Acho que este será o melhor elogio que posso fazer a este livro, apesar de, para todos os efeitos já saber a história (apesar de já não me lembrar bem), o autor conseguiu criar um enredo suficientemente intricado para me deixar completamente à nora...

Quer dizer, não completamente à nora que lembrava-me da solução do mistério do quarto amarelo e também de certos pormenores sobre o assassino que não posso revelar sem entrar em spoilers.

Mas em relação à história, esta centra-se no ataque à menina Matilde quando esta se encontrava no quarto amarelo. Ora o quarto amarelo só tinha uma porta, que se encontrava trancada por dentro, e atrás da mesma encontrava-se o pai de Matilde; e uma janela, também trancada por dentro. A porta é derrubada e Matilde encontrada inconsciente e sozinha no quarto. Mas, então, por onde saiu o assassino? Essa é a questão para a qual ninguém parece ter resposta...

É então que surge o jornalista Rouletabille, atraído pelo destaque que o caso mereceu na imprensa e que se dirige imediatamente para o local. Rapidamente percebe que o caso tem mais que se lhe diga do que parece, especialmente quando o assassino volta a atacar e anuncia solenemente que será ele, Rouletabille, quem irá solucionar o caso.

Rouletabille, de certo modo, lembrou-me Poirot, pois também ele dá primazia à razão sobre a ciência, mas ao invés de utilizar as célulazinhas cinzentas, utiliza a boa extremidade da sua razão.

Um mistério interessante, acolhedor e, de certa forma, diferente dos demais. Recomendado para fãs do género cosy mysteries.

Classificação: 4

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Este livro conta para os Desafios Spring Reading Thing 2012, Mount TBR 2012, Color Coded 2012 (amarelo), Cruisin' thru the Cozies 2012, Mystery & Suspense 2012 e Vintage Mystery Reading 2012.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Opinião: "Diz-me Quem És"

Título original: An Unforgettable Lady
Autor: Jessica Bird
Série: An Unforgettable Lady #1 
Tradutor: Ana Paula Florindo
Editor: Quinta Essência
Edição/reimpressão: Abril de 2012
ISBN: 9789898228918
Páginas: 404
Fonte: Oferecido pela editora em troca de uma opinião honesta

Sinopse: Grace Hall é uma socialite deslumbrante, rodeada de glamour, privilégio e riqueza, mas a sua fortuna fez dela o alvo de um louco que anda a matar as mulheres mais influentes de Manhattan. Para se proteger, Grace exige o melhor dos guarda-costas - e depara com muito mais do que esperava.
John Smith é um especialista em segurança intransigente e frio que é tão dedicado ao seu trabalho como é mortífero. Mudar-se para o luxuoso apartamento de cobertura de Grace é a última coisa que deseja, mas é impossível dizer-lhe que não. Quando explica as regras à sua nova cliente, surgem entre eles faíscas, bem como um desejo incendiário. Com Grace nos braços, John dá por si a baixar as próprias defesas. À medida que as noites amenas se tornam escaldantes e o assassino se aproxima, Grace e Smith enfrentam uma escolha crucial: seguir as regras ou seguir os seus corações.

A minha opinião: Este livro foi-me recomendado como sendo do mesmo género dos de Sandra Brown, que adoro. Não é bem, mas mesmo assim gostei.

Apesar de ambas as autoras aliarem mistério ao romance, Jessica Bird (aliás J.R. Ward) dá o enfoque predominante ao romance, sendo o mistério muito secundário na história. De facto, praticamente toda a acção do livro gira à volta da atracção e do quero/afinal não quero entre os protagonistas que só de vez em quando parecem lembrar-se que há um assassino em série atrás da protagonista.

Mas como já disse, gostei do livro. Rapidamente percebi que se tratava mais de romance sensual do que propriamente de um mistério (aliás, a identidade do assassino é ridiculamente fácil de adivinhar) e a partir daí tornou-se uma leitura compulsiva. Isto porque a autora consegue tornar credível a imensa atracção entre Grace e John, mas não cai na asneira de os fazer cair nos braços um do outro à primeira vista. Aliás, o que eles penam (e nós com eles...) até finalmente cederem à tentação! A sério, estava a começar a ficar frustrada com a quantidade de vezes que "ia sendo, mas não fondo"...

Um livro que se lê rapidamente e que entretém. Uma leitura quente para o Verão que se aproxima!

Um apontamento final em relação à capa. Apesar de a achar muito bonita, porque carga d'água é que a modelo da capa é morena? A Grace é loura! LOURA! Será assim tão difícil fazer corresponder as modelos das capas às personagens? Pronto já desabafei...

Classificação: 3

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Este livro conta para os Desafios Spring Reading Thing 2012 e Mystery & Suspense 2012.

domingo, 6 de maio de 2012

Opinião: "Mão Direita do Diabo"

Autor: Dennis McShade
Série: Peter Maynard #1
Colecção: 9mm nº18
Editor: Público
Edição/reimpressão: Junho de 2005
ISBN: 8498192943
Páginas: 192

Sinopse: Dennis McShade é o pseudónimo de Dinis Machado, o único escritor português da colecção. Autor do célebre romance "O Que Diz Molero" e verdadeiro devorador da literatura policial americana de onde destaca Chandler, o autor de "Mão Direita do Diabo" (1968) conta com o detectiva Peter Maynard para desvendar um caso onde a presença do Diabo parece não andar longe...

A minha opinião: Vou começar a minha opinião com uma breve contextualização (podem encontrar mais informação aqui). Mão Direita do Diabo surgiu publicado, em 1968, pela primeira vez, na colecção Rififi, e foi escrito por Dinis Machado sob o pseudónimo anglo-saxónico Dennis McShade. A Rififi foi uma colecção de livros policiais publicada nos anos 50 e 60 e Dinis Machado não foi o único a recorrer ao pseudónimo para publicar obras, outros autores portugueses também o utilizaram para publicar as suas obras policiais.

O uso de pseudónimos justificava-se, não só porque era mais fácil escapar à censura se fingissem tratar-se de traduções de livros estrangeiros, mas também pela crença de que livros policiais de autores portugueses não teriam procura. Deste modo, para além da utilização do pseudónimo anglo-saxónico, as histórias tinham protagonistas estrangeiros e a acção também se passava no estrangeiro. 

Dinis Machado era um fã dos policiais negros americanos, como os de Raymond Chandler, e nota-se. Tendo lido À Beira do Abismo no início deste ano, foi muito fácil encontrar semelhanças entre ambos. O protagonista de moral duvidosa, mas com um fortíssimo sentido de honra e a depreciação da mulher que serve apenas de escape e porto seguro ao protagonista são apenas dois exemplos de semelhanças que encontrei entre os dois livros.

Mas nem tudo são semelhanças. Em Mão Direita do Diabo, o herói é Peter Maynard, um assassino profissional, contratado para vingar um pai cuja filha se suicidou após ter sido violada por quatro homens, matando esses quatro homens. Uma missão de rotina no início, acaba por se complicar ao ponto de Maynard correr risco de vida. Isto porque o Sindicato (a máfia de Nova Iorque) acaba por se meter ao barulho e o equilíbrio precário entre as actividades do Sindicato e as actividades de Maynard deixa de existir. Mas Maynard tem um sentido de honra muito próprio, e mesmo perseguido pelo Sindicato, insiste em cumprir o contracto até ao fim.

Como já tinha dito a respeito de À Beira do Abismo, não sou particularmente fã dos policiais americanos dos anos 50/60. Contudo, gostei da personagem de Maynard, atormentado por uma úlcera que o força a beber leite constantemente, que lê e cita autores com frequência e fiel às suas convicções. Também gostei do facto de não haver femmes fatales, de que não gosto particularmente...

Em suma, achei uma história interessante e até tinha curiosidade em ler os restantes livros da série, mas como não estão disponíveis na biblioteca, e não me parece que os vá comprar, serão leituras adiadas até uma próxima oportunidade.

Classificação: 2

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domingo, 22 de abril de 2012

Opinião: "Naked Heat"

Autor: Richard Castle
Editor: Hyperion
Série: Kikki Heat #2
Edição/reimpressão: 2011
ISBN: 9780786891368
Páginas: 408

Sinopse: When New York’s most vicious gossip columnist, Cassidy Towne, is found dead, Heat uncovers a gallery of high-profile suspects, all with compelling motives for killing the most feared muckraker in Manhattan. But Heat’s murder investigation is complicated by her surprise reunion with superstar magazine journalist Jameson Rook. In the wake of their recent breakup, Nikki would rather not deal with their raw emotional baggage. But the handsome, wise-cracking writer’s personal involvement in the case forces her to team up with Rook anyway. The residue of their unresolved romantic conflict and crackling sexual tension fills the air as Heat and Rook embark on the search for a killer among celebrities and mobsters, singers and hookers, pro athletes and shamed politicians. This new, explosive case brings on the heat in the glittery world of secrets, cover-ups, and scandals.  

A minha opinião: Gostei bastante mais de Naked Heat do que de Heat Wave. Talvez porque as personagens estejam cada vez mais desenvolvidas, mas talvez também pelo caso em si que achei mais interessante do que o primeiro.

Mais uma vez a vítima parece ser odiada por todos e, por isso mesmo, todos têm motivos para a querer morta. Afinal, Cassidy Towne era a colunista de cusquices com a língua mais afiada de Nova Iorque. E ao longo da investigação, Heat e Rook descobrem vários podres das celebridades da cidade. Mas qual delas seria capaz de matar para proteger o seu segredo?

A relação entre Heat e Rook também se solidifica neste segundo livro, embora a provocação mútua continue.

Agora é esperar pelo terceiro livro...

Classificação: 4

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Este livro conta para os Desafios Spring Reading Thing 2012, Mystery & Suspense 2012 e Mount TBR 2012.

sábado, 31 de março de 2012

Opinião: "O Mistério de Battersea"

Título original: Whose Body?
Autor: Dorothy L. Sayers
Série: Lord Peter Wimsey #1
Tradutor: Luís Manuel Bernardes
Colecção: Alibi - Os Clássicos do Policial nº34
Editor: Edições 70
Edição/reimpressão: Janeiro de 1992
ISBN: 9724408388
Páginas: 176

Sinopse: O corpo depositado na banheira do arquitecto Thipps pertencia a um homem de meia idade. Como única peça de vestuário tinha um pince-nez. Quem era ele e como fora lá parar?

Para o inspector Sugg, tratava-se de Sir Reuben Levy, o financeiro da City, desaparecido no mesmo dia.

Mas a verdade era bem diferente e bem mais sinistra... coube a Lord Peter Wimsey enfrentá-la.

A minha opinião: O corpo de um homem aparece completamente nú, excepto por um pince-nez, na banheira do arquitecto Thipps. Na véspera, o rico financeiro Sir Reuben Levy desaparece misteriosamente de sua casa também supostamente nú e descalço.

Será possível que o cadáver na banheira seja Sir Reuben Levy? É o que pensa o responsável pela investigação, o inspector Sugg. Afinal o cadáver até tem parecenças com Sir Reuben Levy... Mas Lord Peter Wimsey, atraído para o caso por um telefonema da sua mãe, a Duquesa de Denver, não acredita, apesar de achar que ambos os casos estão relacionados.

Já tinha lido um mistério protagonizado por Lord Peter Wimsey, O Crime Exige Propaganda, e tinha muita curiosidade em ler mais livros desta série. Mas não gostei tanto deste O Mistério de Battersea como gostei do anterior. Penso que se deva ao facto deste ser o primeiro livro da série e, por isso, as personagens não se encontrarem tão desenvolvidas.

O Lord Peter Wimsey de O Mistério de Battersea não me impressionou tanto como havia impressionado em O Crime Exige Propaganda, mas há nele algo que me lembra o Patrick Jane da série O Mentalista. Ambos são ricos, muito inteligentes e intuitivos, e gostam de recorrer a truques e armar ciladas para provar as suas teorias.

O Mistério de Battersea não será o meu favorito da série, mas tenciono continuar a ler os livros, até porque sei que Lord Peter Wimsey irá crescer como personagem. Não será é muito fácil encontrar os livros em português porque julgo que já não são editados.

Um pormenor que achei curioso e que encontrei enquanto pesquisava mais informação sobre a obra, é que a autora era bastante arrojada para a época. No manuscrito original que submeteu para publicação, Lord Peter Wimsey identificava positivamente o cadáver como não sendo Sir Reuben Levy porque este é judeu e o cadáver não se encontra circuncidado. O seu editor considerou esta identificação demasiado franca e na versão publicada a identificação é feita pelo facto das mãos do cadáver não serem as de um financeiro por se encontrarem calejadas.

Classificação: 3

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Este livro conta para os Desafios Spring Reading Thing 2012, Mount TBR 2012Cruisin' thru the Cozies 2012, Mystery & Suspense 2012 e Vintage Mystery Reading 2012.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Opinião: "Heat Wave"

Autor: Richard Castle
Editor: Hyperion
Série: Kikki Heat #1
Edição/reimpressão: 2011
ISBN: 9780786891412
Páginas: 248

Sinopse: Mystery sensation Richard Castle, blockbuster author of the wildly best-selling Derrick Storm novels, introduces his newest character, NYPD Homicide Detective Nikki Heat. Tough, sexy, professional, Nikki Heat carries a passion for justice as she leads one of New York City's top homicide squads. She's hit with an unexpected challenge when the commissioner assigns superstar magazine journalist Jameson Rook to ride along with her to research an article on New York's Finest. Pulitzer Prize-winning Rook is as much a handful as he is handsome. His wise-cracking and meddling aren't her only problems. As she works to unravel the secrets of the murdered real estate tycoon, she must also confront the spark between them. The one called heat.

A minha opinião: Já falei da série Castle aqui e aqui e penso que já deu para perceber que é uma das minhas séries preferidas! Foi com muita expectativa que iniciei a leitura deste livro e não fiquei decepcionada.

Para quem não acompanha a série, Richard Castle é o protagonista masculino, um escritor que começa a acompanhar uma detective da polícia nova-iorquina, Kate Beckett, procurando inspiração para uma nova série de livros policiais. Na série, Castle escreve e publica vários livros desta série, sendo Heat Wave o primeiro. No que considero uma brilhante estratégia de marketing, os livros foram encomendados a um escritor fantasma e são comercializados como tendo sido escritos pelo próprio Richard Castle.

Também no livro Jameson Rook é um escritor (jornalista) que acompanha a detective da polícia nova-iorquina, Nikki Heat, como pesquisa para um artigo que irá escrever. O livro acaba por parecer mais um episódio da série, na medida em que as personagens do livro são claramente inspiradas nas personagens da série. Foi impossível não visualizar a Nikki Heat como Stana Katic, a actriz que interpreta Kate Beckett ou Jameson Rook como Nathan Fillion, o actor que interpreta Richard Castle, e o mesmo para as restantes personagens secundárias.

Quanto à história propriamente dita, não é original, mas entretém. Um empresário da construção civil aparece morto numa queda do seu apartamento no sexto andar. Suicídio ou homicídio? Homicídio, pois claro. Surgem os suspeitos e os motivos do costume (ciúmes, dívidas, heranças) e, no final, a detective Heat descobre o culpado.

A interacção entre Heat e Rook também é muito semelhante à de Beckett e Castle na série, mas, ao contrário destes, Heat e Rook não perdem tempo a assumir a atracção que sentem um pelo outro.

Continuo a preferir as personagens da série, acho Beckett uma personagem bastante mais atormentada pelo passado do que Heat e o facto de Rook ser um jornalista e não um escritor de ficção limita um bocado a sua imaginação. Senti também a falta da filha de Castle.

Em suma, não se trata de uma obra prima do policial e provavelmente não sobreviverá após o final da série, mas gostei e vou continuar a ler os livros. Recomendo sobretudo a fãs da série televisiva.

Classificação: 3

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Este livro conta para os Desafios Mystery & Suspense 2012 e Mount TBR 2012.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Opinião: "Ricochete"

Título original: Ricochet
Autor: Sandra Brown
Tradutor: Lídia Geer
Editor: Quinta Essência
Edição/reimpressão: Setembro de 2011
ISBN: 9789898228642
Páginas: 462

Sinopse: Quando o detetive Duncan Hatcher é chamado à mansão do juiz Cato Laird para investigar uma morte, compreende que a discrição é a chave para manter o seu emprego. Elise, a mulher-troféu do juiz, afirma ter matado a tiro um gatuno em legítima defesa, mas Duncan tem quase a certeza de que ela mente. A investigação que faz ao passado pouco suspeito de Elise convence-o de que ela é mentirosa, manipuladora e, mais do que provavelmente, uma assassina.
Mas quando Elise desaparece…
Sem saber em quem acreditar, Duncan vê-se envolvido na investigação de um homicídio que desafia a sua lógica, o seu infalível instinto e a sua inabalável integridade. Não confia em ninguém, exceto na palavra do criminoso que prometeu eliminá-lo. E confia ainda menos na mulher que mais deseja.

A minha opinião: Sandra Brown é uma autora que não desilude. Desta feita a história é-nos contada na perspectiva do protagonista masculino, o que é uma novidade nos livros que já li da autora. Duncan Hatcher é um detective da polícia de Savannah que, por causa de uma questão técnica, vê o criminoso Robert Savich ser posto em liberdade uma vez mais. Mas desta feita não é capaz de se conter e acaba por explodir em tribunal, extravasando a sua raiva e frustração e dizendo ao juiz exactamente o que pensa dele. O juiz Cato Laird ainda tenta acalmá-lo, mas acaba por condená-lo por desrespeito ao tribunal e Hatcher é preso durante 48 horas.

É libertado no dia em que a sua parceira DeeDee irá receber uma condecoração e, uma vez que tinha prometido ir como seu acompanhante, acaba por ir ao jantar, ainda que contrariado. E é aí que vê Elise pela primeira vez e literalmente fica ofuscado pela sua beleza. O pior é quando DeeDee lhe diz que o apelido de Elise é Laird ou seja, é a mulher do juiz que o mandou para a prisão.

Duas semanas mais tarde, são chamados a casa do juiz onde Elise matou um ladrão. Segundo Elise o desconhecido atirou primeiro e ela matou-o para se defender, mas tanto Duncan como DeeDee têm sérias dúvidas... E quanto mais investigam, menos plausível a teoria da legítima defesa parece. Quando Elise procura Duncan e lhe pede ajuda, ele continua a não acreditar nela e tem sérias dificuldades em manter a objectividade e em cumprir as regras tal é o desejo que sente por ela. Mas quando Elise desaparece, Duncan começa a questionar se não deveria ter acreditado nela.

Esta é uma história cheia de reviravoltas, em que as personagens acabam por estar todas relacionadas, e em que até ao final não sabemos bem quem são os bons e quem são os maus. A tensão sexual continua presente, assim como algumas cenas mais quentes, mas são indispensáveis à história.

Acabou por não ser tão surpreendente como alguns dos livros que já li da autora, mas mesmo assim gostei bastante deste Ricochete. Esta primeira edição tem alguns erros de revisão que, espero, venham a ser corrigidos numa próxima edição, mas nada de muito grave.

No ano passado foi feito um telefilme baseado no livro que vou tentar ver. Não encontrei nenhum trailer, só um behind the scenes, mas já dá para ter uma ideia.



Classificação: 4

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Este livro conta para os Desafios Mystery & Suspense 2012 e Mount TBR 2012.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Opinião: "Morte no Nilo"

Título original: Death on the Nile
Autor: Agatha Christie
Série: Hercule Poirot #18
Tradutor: Isabel Alves
Colecção: Obras de Agatha Christie nº30
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Fevereiro de 2011
ISBN: 9789724141701
Páginas: 272

Sinopse: A tranquilidade de um cruzeiro ao longo do Nilo é ensombrada pela descoberta do cadáver de Linnet Ridgeway. Ela era jovem e bela; e tinha tudo… até perder a vida! Hercule Poirot apercebe-se de que, a bordo do navio, todos os passageiros são possíveis assassinos: pelas mais diversas razões, todos tinham algo a apontar a Linnet. Mas quem terá sido levado ao acto extremo de a alvejar? Ainda que tudo aponte para a mesma pessoa, o detective cedo descobre que naquele cenário exótico nada é exactamente o que parece.

A minha opinião: Mais um excelente mistério de Hercule Poirot! Agatha Christie não pára de me surpreender e ainda bem!

Morte no Nilo inicia-se em Inglaterra onde ficamos a conhecer Linnet Ridgeway, o seu mundo e as pessoas que dele fazem também parte. E mais uma vez não há nenhum pormenor sem importância, e situações que parecem inconsequentes acabam por ter relevância mais tarde. A autora é exímia a transmitir uma atmosfera de "paz podre" à volta de Linnet, ou seja, embora nos seja apresentada como boa pessoa, generosa e encantadora, percebemos que há muito ressentimento, interesse e inveja à sua volta. E a própria Linnet não tem qualquer noção da realidade pois, segundo a mesma, não tem "um único inimigo no mundo".

Uma vez no Egipto, apercebemo-nos rapidamente que a autora reuniu uma série de personagens com muito que se lhes diga... E também parece claro que não se encontram naquele navio por coincidência. Têm um motivo concreto (uns legítimo, outros nem tanto) para se encontrarem no navio onde Linnet Ridgeway está a passar a lua de mel. O assassinato de Linnet não é imediato, o que aumenta a atmosfera de desconfiança. Após a morte de Linnet, quando Poirot começa a investigação, parece que praticamente todas as pessoas a bordo do navio tinham motivo para querer a sua morte. E uma vez que o crime acontece no navio, o leque de suspeitos é limitado, teve de ser alguém a bordo.

Tal como é típico da autora, existe uma série de mistérios menores que Poirot desvenda, eliminando suspeitos, à medida que outras personagens são assassinadas por saberem de mais... Ou seja, praticamente todos os passageiros do navio têm um segredo, embora possa não ter nada a ver com Linnet e a sua morte, e Poirot completa o puzzle pondo todas as peças no sítio.

O final é, mais uma vez, genial e, embora intrincado, faz todo o sentido quando explicado por Poirot. Desta vez desconfiei do "quem", mas estava totalmente à nora quanto ao "como" e "porquê".

Fiquei com muita vontade de ver as adaptações, quer o filme de 1978 com Angela Lansbury no papel de Mrs. Otterbourne (ainda que algumas personagens tenham sido retiradas), quer o telefilme com David Suchet como Poirot (pelo que li, mais fiel à história).

Classificação: 5

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domingo, 15 de janeiro de 2012

Opinião: "À Beira do Abismo"

Título original: The Big Sleep
Autor: Ray­mond Chan­dler
Série: Phillip Marlowe #1
Tradutor: Carlo Magalhães
Editor: Contraponto
Edição/reimpressão: Julho de 2009
ISBN: 9789896660383
Páginas: 200

Sinopse: Em Los Angeles, Sternwood - um velho paraplégico confinado a uma cadeira de rodas - procura os serviços do detective privado Philip Marlowe por estar a ser chantageado por um vigarista. Contudo, Marlowe vê o seu trabalho dificultado pelas duas filhas do general que frequentam os locais menos recomendáveis de Los Angeles, e isto ainda antes de tropeçar no primeiro cadáver…

A minha opinião: À Beira do Abismo é a primeira aventura do detective privado Philip Marlowe. Nesta sua primeira aventura, Marlowe é contratado pelo general Sternwood, um velhote muito debilitado, paraplégico, mas ainda bastante orgulhoso. Sternwood está a ser chantageado com umas notas promissórias de uma suposta dívida contraída por uma das suas filhas e contrata Marlowe para tratar do assunto. E não demora muito até Marlowe encontrar o primeiro cadáver... Quanto mais Marlowe investiga, mais as filhas de Sternwood parecem estar relacionadas com o caso. E depois há a questão do genro de Sternwood que desapareceu misteriosamente...

Gostei de Marlowe, um detective desbocado, inteligente e intuitivo, com queda para se meter em sarilhos e uma tendência para procurar a verdade, mesmo que saiba que se vai meter em problemas. Mas foi praticamente a única coisa de que gostei...

A outra coisa de que gostei foi da descrição do ambiente de Los Angeles no final dos anos 30. Por um lado o glamour e por outro a escumalha e pelo meio o detective privado. Gostei bastante.

E agora o que não gostei. Para começar a forma como as mulheres são caracterizadas irritou-me. As mulheres de À Beira do Abismo são parvinhas, deficientes mentais, interesseiras, maquiavélicas, mulheres fatais, sedutoras, mimadas, infantis... Bolas, é que não há uma que se aproveite! Parece que a única qualidade que o autor concede às mulheres é a beleza.

E depois a forma como a história é contada também não me agradou particularmente, mas aqui admito que se trata de gosto pessoal. Eu gosto de histórias em que temos de esperar até ao final para descobrir a identidade do assassino, com suspense e twists. E aqui não encontrei nada disso... Marlowe vai descobrindo um novo cadáver à medida que descobre o assassino do anterior. Há crime com fartura, mas não há mistério!

Duas notas finais para a edição portuguesa. Em primeiro lugar, a tradução de algumas expressões pareceu-me estranha e, a certa altura, surge a palavra "Mausão" ao invés de "Mauzão", um erro que facilmente teria sido evitado utilizando um corrector ortográfico.

A segunda nota tem a ver com o título. Mas afinal quem é que é suposto estar à beira do abismo? O título original (The Big Sleep) tem uma explicação no penúltimo parágrafo que se perde na tradução portuguesa...

Classificação: 2

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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Desafio de Leitura Mystery & Suspense 2012

ATTENTION: This post will be writen in Portuguese and English.

Este ano estou confiante que irei conseguir superar este desafio (só me falta um livro), por isso vou inscrever-me na edição de 2012.

O desafio volta a ser organizado pelo blog Book Chick City e consiste em ler, durante o ano de 2012, um mínimo de 12 livros que se enquadrem no género mistério e suspense.

Os livros escolhidos podem ser utilizados noutros desafios, e também não há obrigatoriedade de fazer uma lista prévia, pelo que irei escolhendo ao longo do ano.

Para mais informações, ou se estiverem interessados em participar, cliquem na imagem à direita no blog.


This year I'm confident I'll be able to make it (only one book left), so I'm signing for the 2012 edition.

The challenge is organized by Book Chick City and it consists of reading, during 2012, a minimum of 12 mystery and suspense books.

The books can crossover into other challenges and you don't have to pick what you want to read ahead of time so I'll just pick them throughout the year.

For more informations, or to join in, check the button on the right.