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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Opinião: "O Tio Prodigioso"

www.wook.pt/ficha/o-tio-prodigioso/a/id/88017?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: The Fabulous Clipjoint
Autor: Fredric Brown
Série: Ed & Am Hunter #1
Tradutor: Mário Quintana
Colecção: 9 mm nº17
Editor: Mediasat Group, S.A.
Edição/reimpressão: Setembro de 2005
ISBN: 8498193982
Páginas: 192

Sinopse: Ed Hunter tem 18 anos, mas não quer acabar como o pai, bêbado, casado com uma "velha" mal-humurada. Uma noite, o pai não regressa a casa - é roubado e assassinado num bar da cidade. Ed, que fica sozinho, procura o tio Ambrose, com quem faz equipa para tentar descobrir quem é o assassino. "O Tio Prodigioso" (1947) é o primeiro de seis livros com a mesma dupla. O autor americano Fredric Brown (1906-1972), também conhecido como autor de romances de ficção científica, venceu o Mystery Writers Edgar Award com este seu primeiro romance.

A minha opinião: Precisava de ler um mistério vintage de um autor que nunca tivesse lido antes para o desafio Vintage BINGO e o escolhido foi este O Tio Prodigioso. Tinha mais algumas hipóteses, mas acabei por escolher este por ser o primeiro de uma série e assim, se gostasse, poderia tentar arranjar os restantes para ler. Infelizmente, não me parece que os vá procurar... É que este é um mistério do estilo noir e eu não sou particularmente fã desse estilo de mistérios...

Wallace Hunter aparece morto num beco e tudo indica que terá sido assaltado e atacado quanto se encontrava bêbado. O seu filho Ed procura o tio Ambrose, que trabalha numa feira ambulante, pois não está convencido que se tenha tratado de um simples assalto que terminou em assassinato. O tio Ambrose concorda e, juntos, começam a investigar o caso. E, obviamente, há muito mais na história do que parecia à primeira vista.

Nunca me consegui ligar a nenhuma das personagens, nem ao Ed, que me irritou várias vezes, nem ao tio Ambrose, que me pareceu muito interessante ao início, na feira, mas aos poucos, começou a parecer o típico investigador particular durão. E, para uma história com uma dupla de detectives, não partilharem a informação um com o outro não me pareceu muito inteligente...

Sendo este o primeiro livro da série, provavelmente a relação entre eles ir-se-á desenvolver e irão trabalhar mais em equipa, mas vou ficar sem saber.

Tenho noção que o problema é meu, que não vou à bola com o género, e acredito que quem gosta do mesmo tenha neste livro uma leitura prazeirosa. Infelizmente não foi o meu caso e, às tantas, já revirava os olhinhos a certas coisas.

Classificação: 2

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Este livro conta para os Desafios Vintage Mystery BINGO 2014 (author never read before), TBR Pile 2014 e Mount TBR 2014.

sábado, 23 de novembro de 2013

Opinião: "Morto Duas Vezes"

www.wook.pt/ficha/morto-duas-vezes/a/id/164697?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: The Case of the Late Pig 
Autor:
Série: Albert Campion #8
Tradutor: Maria Adelaide Namorado Freire
Colecção: 9mm nº19
Editor: Público
Edição/reimpressão: Setembro de 2005
ISBN: 8498194008
Páginas: 160

Sinopse: Primeiro fora a carta anónima e, logo a seguir o anúncio inserido em The Times informando que R. I. Peters, de 37 anos de idade, falecera. Albert Champion, o célebre e desenvolto detective recordava-se bem dele pois tinham sido colegas de escola, onde o tratavam carinhosamente por "Pig" Peters. No funeral encontrava-se outro ex-colega, Gilbert Whippet, que também recebera uma carta anónima idêntica à de Champion, ambas escritas na mesma máquina, mas.. com que finalidade? A resposta começou a surgir cinco meses depois quando o detective foi chamado a investigar um caso de assassínio ocorrido há poucas horas. É que o corpo da vítima era, sem dúvida nenhuma, o do já falecido "Pig" Peters!
Sinopse retirada daqui

A minha opinião: Gosto muito desta colecção que saiu com o Público em 2005, mas acho inaceitável o que se passou com este livro. É que até ter iniciado esta opinião, estava convencida que tinha lido o 13º livro da série More Work for the Undertaker, porque é esse o título original indicado. Contudo, ao começar a copiar a sinopse (tenho por hábito não a ler antes de iniciar a leitura), verifiquei que a mesma não correspondia à história que li. Graças ao Goodreads lá descobri que a história que li foi, afinal, The Case of the Late Pig, 8º livro da série. Por mais que tente, não consigo descobrir como raio é que este engano aconteceu, nem como é que ninguém deu por ele antes da impressão, mas enfim, aqui fica o devido aviso.

Este foi o primeiro livro desta autora que li, e posso dizer que gostei bastante e fiquei com vontade de ler mais livros com Albert Campion como protagonista. Relembrou-me o protagonista dos livros de Dorothy L. Sayers, Lord Peter Wimsey, na medida em que, tal como ele, também Albert Campion é um membro proeminente da sociedade londrina que utiliza as suas capacidades (inteligência, intuição e dedução) na resolução de mistérios.

A história tem início com a notícia da morte de um antigo colega de escola de Campion, Pig Peters, um rufião que lhe infernizou a vida a ele e aos seus colegas. Intrigado pela notícia e por um estranho bilhete anónimo, Campion acaba por ir ao funeral, onde encontra um outro colega de escola, Gilbert Whippet, também ele atraído ali por um bilhete anónimo.

Cerca de cinco meses mais tarde, Campion é contactado por Janet Pursuivant, que lhe pede que vá de imediato para Highwaters, pois ocorreu um crime. Aí chegado, encontra-se com o pai de Janet, o coronel Sir Leo Pursuivant, chefe da polícia da região, que o leva de imediato a ver o corpo. E qual não é o seu espanto quanto vê que o corpo em questão se trata de Pig Peters. Mas se Pig Peters morreu no dia anterior, quem foi enterrado há cinco meses?

Rapidamente Campion fica a saber que os anos em nada melhoraram o feitio de Pig Peters que, no fundo, continuava o mesmo rufião de sempre, coleccionando inimizades por onde passava. Ninguém parecia gostar dele, e há uma abundância de pessoas com motivo para o matar... E há ainda a questão do homem e da mulher que tinham estado no funeral e que agora estão em Highwaters. Saberão eles mais do que dizem? Há ainda um novo bilhete anónimo, recebido também, mais uma vez, por Whippet, que também se desloca a Highwaters.

Campion terá de resolver, não só o mistério da morte de Pig, mas também o mistério da morte de há cinco meses (nomeadamente de quem era o corpo e se se tratou de uma morte natural ou de crime), descobrir o autor dos bilhetes anónimos e evitar ser mais uma vítima do assassino.

Apesar de ter conseguido perceber quem era o assassino, houve alguns pormenores que me escaparam e, como gostei da escrita e do protagonista, vou tentar ler os livros anteriores da série. Até porque dá para perceber que Sir Leo e Janet já foram personagens de livros anteriores e fiquei curiosa de saber o que se passou entre Albert e Janet...

Classificação: 4

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Este livro conta para os Desafios Vintage Mystery Reading 2013 (Dangerous Beasts), Cruisin' thru the Cozies 2013, Mystery/Crime 2013 e Mount TBR 2013.

domingo, 6 de maio de 2012

Opinião: "Mão Direita do Diabo"

Autor: Dennis McShade
Série: Peter Maynard #1
Colecção: 9mm nº18
Editor: Público
Edição/reimpressão: Junho de 2005
ISBN: 8498192943
Páginas: 192

Sinopse: Dennis McShade é o pseudónimo de Dinis Machado, o único escritor português da colecção. Autor do célebre romance "O Que Diz Molero" e verdadeiro devorador da literatura policial americana de onde destaca Chandler, o autor de "Mão Direita do Diabo" (1968) conta com o detectiva Peter Maynard para desvendar um caso onde a presença do Diabo parece não andar longe...

A minha opinião: Vou começar a minha opinião com uma breve contextualização (podem encontrar mais informação aqui). Mão Direita do Diabo surgiu publicado, em 1968, pela primeira vez, na colecção Rififi, e foi escrito por Dinis Machado sob o pseudónimo anglo-saxónico Dennis McShade. A Rififi foi uma colecção de livros policiais publicada nos anos 50 e 60 e Dinis Machado não foi o único a recorrer ao pseudónimo para publicar obras, outros autores portugueses também o utilizaram para publicar as suas obras policiais.

O uso de pseudónimos justificava-se, não só porque era mais fácil escapar à censura se fingissem tratar-se de traduções de livros estrangeiros, mas também pela crença de que livros policiais de autores portugueses não teriam procura. Deste modo, para além da utilização do pseudónimo anglo-saxónico, as histórias tinham protagonistas estrangeiros e a acção também se passava no estrangeiro. 

Dinis Machado era um fã dos policiais negros americanos, como os de Raymond Chandler, e nota-se. Tendo lido À Beira do Abismo no início deste ano, foi muito fácil encontrar semelhanças entre ambos. O protagonista de moral duvidosa, mas com um fortíssimo sentido de honra e a depreciação da mulher que serve apenas de escape e porto seguro ao protagonista são apenas dois exemplos de semelhanças que encontrei entre os dois livros.

Mas nem tudo são semelhanças. Em Mão Direita do Diabo, o herói é Peter Maynard, um assassino profissional, contratado para vingar um pai cuja filha se suicidou após ter sido violada por quatro homens, matando esses quatro homens. Uma missão de rotina no início, acaba por se complicar ao ponto de Maynard correr risco de vida. Isto porque o Sindicato (a máfia de Nova Iorque) acaba por se meter ao barulho e o equilíbrio precário entre as actividades do Sindicato e as actividades de Maynard deixa de existir. Mas Maynard tem um sentido de honra muito próprio, e mesmo perseguido pelo Sindicato, insiste em cumprir o contracto até ao fim.

Como já tinha dito a respeito de À Beira do Abismo, não sou particularmente fã dos policiais americanos dos anos 50/60. Contudo, gostei da personagem de Maynard, atormentado por uma úlcera que o força a beber leite constantemente, que lê e cita autores com frequência e fiel às suas convicções. Também gostei do facto de não haver femmes fatales, de que não gosto particularmente...

Em suma, achei uma história interessante e até tinha curiosidade em ler os restantes livros da série, mas como não estão disponíveis na biblioteca, e não me parece que os vá comprar, serão leituras adiadas até uma próxima oportunidade.

Classificação: 2

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quinta-feira, 28 de abril de 2011

Opinião: "A Torre e a Morte"

Título original: Lament for a Maker
Autor: Michael Innes
Série: Inspector Appleby Mysteries #3
Tradutor: Joel Lima e Cruz Barreto
Colecção: 9mm nº11
Editor: Público
Edição/reimpressão: Agosto de 2005
ISBN: 8498192668
Páginas: 320

Sinopse: Quando o Lord de Erchany, Ranald Guthrie, cai das muralhas do seu castelo, numa noite de tempestade em pleno Inverno, o lendário e perspicaz detective John Appleby é chamado para investigar o caso. Ao longo do livro, são apresentadas várias hipóteses que tentam explicar este estranho "acidente", mas só uma é a verdadeira... A Torre e a Morte (1938) é um dos melhores policiais do escocês Michael Innes (1906-1994), pseudónimo de John Innes Stewart, que não resiste a confundir os factos com elementos fantásticos e surreais.

A minha opinião: Mais um livrinho da saudosa colecção 9mm do jornal Público... A Torre e a Morte conta-nos, como o título indica, a história de uma morte que acontece numa torre (daaah!), mas é nas circunstâncias que rodeiam essa morte que reside o mistério. Terá sido uma queda, suicídio ou homicídio? Cada uma das hipóteses parece ser válida à medida que a história nos é contada por diferentes narradores, todos eles personagens da história e cujos relatos dizem respeito à parte da história que vivenciaram.

Assim, a história é-nos revelada por personagens tão diferentes como Ewan Bell, o sapateiro que cita os escritores antigos; Noel Gylby, um jovem que se vê metido nesta história após um acidente numa noite de tempestade de neve e que se vê forçado a abrigar-se em Erchany onde mantém um diário através do qual ficamos a saber o que passou durante a sua estadia aí; Aljo Wedderburn, o advogado que é o primeiro a formular uma teoria para explicar a morte; o inspector John Applebie que, sem ter sido chamado directamente para o caso, fica tão curioso com o mesmo que não resiste a investigá-lo; e uma outra personagem que não vou revelar quem é porque seria um spoiler.

Como é referido na sinopse, é Ranald Guthrie quem morre na torre. Senhor do castelo de Erchany, tem um feitio detestável que faz com que ninguém na aldeia mais próxima simpatize com ele. A única pessoa que parece gostar dele é Christine Mathers, a sua "sobrinha" (esta é uma questão que suscita dúvidas ao longo do livro, pelo que não vou ser explícita neste ponto), mas esta vê mudanças repentinas no tio que não consegue explicar e que a fazem crer que está louco. Para além do mais Christine está apaixonada, e é correspondida, por Neil Lindsay, descendente da família rival dos Guthrie e, por isso, Ranald é contra o casamento. Na altura da morte existem vários suspeitos por perto, e todos parecem ter motivo.

Não me posso alongar mais sem entrar em spoilers, mas esta é uma história muito densa, recheada de pormenores que, no fim, se entrelaçam perfeitamente. Informações que são casualmente referidas a certa altura acabam por se revelar pormenores essenciais mais à frente, pelo que é necessário ler este livro com uma atenção redobrada. Confesso que gosto mais de histórias com um só narrador, mas gostei deste A Torre e a Morte, gostei de todas as reviravoltas, especialmente as últimas que me fizeram ler sem parar até chegar ao final. Mas teria passado bem com menos ratos, muito menos ratos...

Classificação: 3

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Opinião: "O Último Caso de Trent"

Título original: Trent's Last Case
Autor: E. C. Bentley

Série: Phillip Trent #1
Tradutor: Baptista de Carvalho
Colecção: 9mm nº10
Editor: Público
Edição/reimpressão: 2005
ISBN: 8498192617
Páginas: 224

Sinopse: Philip Trent, um jornalista freelancer, é impelido pelo seu editor a investigar a misteriosa morte do milionário americano Sigbee Manderson, alvejado perto de um campo de golfe. Porém, o que ele descobre nunca chega a ser publicado. O Último Caso de Trent (1912) do jornalista e humorista inglês Eric Clerihew Bentley (1875-1956), é o primeiro policial onde surge a personagem de Trent. Saído da imaginação daquele que é considerado um dos mestres do género policial, Trent é um detective dos tempos modernos, bon vivant, e com gostos caros.


A minha opinião: Quando Trent aceita investigar o assassinato de Manderson estava longe de saber o impacto que essa investigação teria na sua vida. Rapidamente percebemos que ninguém gostava realmente de Manderson, nem mesmo a sua mulher, mas se parecem não faltar possíveis suspeitos, todos parecem ter álibis para a hora do crime... Descobrir o culpado revela-se fácil para Trent, mas a decisão de publicar ou não essa descoberta revela-se bastante mais difícil.


Gostei bastante deste mistério e também do detective. O seu método baseia-se sobretudo na observação, mas também recorre a técnicas mais modernas como a recolha de impressões digitais. O autor foi capaz de manter o mistério até ao fim pois, apesar do nome do culpado nos ser revelado a meio do livro, fiquei sempre com a sensação de que algo não batia certo, de que havia algo mais. O twist final, ainda que não totalmente inesperado, foi muito interessante. Fiquei com vontade de ler mais aventuras de Trent, mas infelizmente não parecem existir mais livros do autor traduzidos para português...

Classificação: 3