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quinta-feira, 18 de julho de 2013

Opinião: "A Casa dos Espíritos"

Título original: La casa de los espíritus
Autor: Isabel Allende
Série: Tripartite #3
Tradutor: 
Editor: Difel
Edição/reimpressão: Julho de 2002
ISBN: 9789722900706
Páginas: 360

Sinopse: O relato da vida de Esteban Trueba, da mulher, dos filhos legítimos e naturais, e dos netos vai levar-nos do começo do século até à actualidade; é toda uma dinastia de personagens à volta das quais a narrativa vai gravitando sem perder de vista os outros - mesmo depois de mortos. O temperamento colérico do fundador, a hipersensibilidade fantasista da sua mulher e a evolução social do país - que reflecte e pode muito bem simbolizar qualquer país latino-americano - tornam difíceis as relações familiares, marcadas pelo drama e a extravagância e conduzem a um final surpreendente e cruel, que deixa no entanto aberto o caminho de uma trabalhosa reconciliação.
No panorama da actual literatura hispano-americana, nennhum nome de mulher tinha conseguido até agora ocupar um lugar cimeiro. Faltava pois uma romancista. A impecável desenvoltura estilística, a lucidez histórica e social e a coerência estética, patentes em A Casa dos Espíritos fazem do primeiro romance de Isabel, um livro inesquecível.
 

A minha opinião: Este é um dos livros que indico sempre que me perguntam qual o meu livro preferido. Mas a verdade é que, apesar de saber que o tinha adorado, não me recordava muito bem da sua história. Por isso, e com o incentivo de precisar de uma releitura para o desafio Book Bingo, parti para a minha segunda leitura de A Casa dos Espíritos.

Não pensei que fosse possível, mas a verdade é que gostei mais dele agora que o reli. Não consigo precisar quando o li pela primeira vez, mas foi há mais de 10 anos, sem dúvida. Tenho a certeza, porém, que só agora apreendi muitas subtilezas que me haviam escapado na primeira leitura. E provavelmente muitas ficaram ainda por descobrir numa terceira leitura...

Já anteriormente referi a minha predilecção por sagas familiares e esta é, sem dúvida uma das minhas preferidas. Isabel Allende leva-nos numa viagem pela história da família Trueba, história essa que inevitavelmente está interligada com a história do país onde se passa, o Chile.

Há uma predominância evidente das mulheres desta família, fortes e determinadas, com o pormenor delicioso de todas terem nomes sinónimos de branco (uma cor associada à pureza): Clara, Blanca e Alba - avó, mãe e neta (e ainda a bisavó Nívea). É através da história destas mulheres e desta família que Allende nos dá a conhecer também a história de um povo e de um país em mudança. Uma história que é também a sua e a da sua família (o seu pai era primo direito de Salvador Allende).

Gostei do pormenor da autora não ter nomeado personagens-chave da história do Chile, como Salvador Allende (referido apenas como o "Candidato" e mais tarde o "Presidente") e Pablo Neruda (o "Poeta"), o que, na minha opinião, permite eternizar ainda mais a história e alertar para a triste possibilidade de que a história se poderá repetir com outros protagonistas nos mesmos papéis. E tendo Portugal em comum com o Chile um passado de ditadura (que felizmente não vivi), foi particularmente arrepiante ler a parte final do livro, pois não é difícil imaginar que o mesmo se passou por cá...

Mas não posso terminar esta opinião sem referir a personagem masculina (obviamente há mais, mas esta é a que verdadeiramente se destaca): Esteban Trueba. Um selfmade man, que subiu a pulso e nunca teve medo de arregaçar as mangas e trabalhar, dedicado à sua família, mas arreigado às suas ideias e costumes, simultaneamente cruel e apaixonado. Acaba por perceber tarde de mais os erros que cometeu e paga caro pela sua obstinação e arrogância, colhendo o que semeou, e vendo aqueles de quem mais gosta a pagar pelos seus pecados.

Podia dizer muito mais sobre este livro, mas a opinião já vai longa... Digo apenas que vou continuar a indicá-lo como um dos meus livros preferidos e fico com a certeza que esta não será a última vez que o leio. E agora façam um favor a vós próprios e vão lê-lo também! E se já o leram, releiam-no, vale bem a pena!

Classificação: 5

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Este livro conta para o Desafio Book Bingo 2013 (releitura).

sexta-feira, 26 de março de 2010

Opinião: "O Plano Infinito"

Título original: El Plan Infinito
Autor: Isabel Allende
Tradutor: Carlos Martins Pereira
Editor: Difel
Edição/reimpressão: Setembro de 2005
ISBN: 9722907050
Páginas: 400

Sinopse: O protagonista deste épico e intimista romance, Gregory Reeves, é um gringo que se fará a si próprio no mundo dos hispanos da Califórnia, e que encarna muitos dos defeitos e virtudes da nossa sociedade. Ao longo do livro, o leitor vai encontrar-se com os sentimentos da marginalização social e do racismo, com a paixão da actividade política, com os contrastes entre opulência e pobreza, com a patética realidade da guerra do Vietname, com a experiência da evolução do conceito de família, com a incessante busca e vivência do amor... que ao mesmo tempo leva Gregory Reeves ao seu pessoal Plano Infinito, intuído na sua infância quando o pai pregava.

Mais uma grande criação literária de Isabel Allende que, a partir de um início brilhante, vai manter no leitor, um constante interesse, até um final tão revelador, quanto surpreendente.

A minha opinião: Já tinha tentado ler este livro há dois ou três anos, mas na altura não consegui passar das primeiras páginas. Agora achei que era a altura certa para lhe dar uma nova hipótese e ainda bem que o fiz. Isabel Allende é uma das minhas autoras favoritas e ainda que não se tenha tornado um dos meus preferidos, gostei bastante deste Plano Infinito. Julgo ser o primeiro livro da autora em que o protagonista é um homem e uma vez mais a autora desenrola uma acção fictícia num cenário real. Assim, a história do protagonista, Gregory Reeves, funde-se com a história dos Estados Unidos da América, nas décadas de 60, 70 e 80. Através do percurso de Gregory (e das dezenas de personagens secundárias) ficamos a conhecer, por exemplo, o problema da imigração mexicana e do racismo subjacente, o problema do bullying (que na altura ainda não se chamava assim), a ascensão e queda do movimento hippie, a guerra do Vietname e o surgimento dos yuppies.


Uma das coisas que adoro nos livros da autora, e que também acontece em O Plano Infinito, é o facto de existirem muitas personagens secundárias que, mais tarde ou mais cedo, acabam por revelar a sua importância na história. Gostei sobretudo de Carmen, achei-a uma personagem muito forte que conseguiu vencer as adversidades e escolheu ser feliz.

O facto de ter dois narradores (o personagem principal e um que narra na 3ª pessoa) acaba por se tornar um pouco confuso às vezes, mas não retira prazer à leitura.

Classificação: 3