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segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Opinião: "Samarcanda"

Título original: Samarcande
Autor: Amin Maalouf
Tradutor: G. Cascais Franco
Editor: Grupo Cofina (Biblioteca Sábado)
Edição/reimpressão: Janeiro de 2008
ISBN: 9788461284948
Páginas: 300


Sinopse: Numa época de obscurantismo e fanatismo religioso, Omar Khayyam, o grande livre-pensador do Oriente, foi capaz de oferecer ao mundo uma mensagem hedonística e heterodoxa. Este poeta, filósofo, astrónomo e matemático persa do século XI deixou escrita uma colecção de poemas dedicados ao vinho, os célebres Robaiyat, nos quais aflora o mais refinado da perdida civilização persa. Seguindo esse manuscrito durante quase um milénio, Maalouf introduz-nos na apaixonante história da Persa através de um espectacular fresco em que a cidade de Samarcanda se destaca como protagonista.


A minha opinião: Samarcanda é um livro lindíssimo, riquíssimo e, ao mesmo tempo, é-me muito difícil escrever sobre ele...

É a história de um livro de poemas dedicados ao vinho, os Robaiyat, escrito por Omar Khayyam, mas é também a história da Pérsia, centrada na cidade de Samarcanda (actual território do Uzbequistão).

Fonte

O manuscrito é escrito na época mais gloriosa do império persa, quando Omar era um sábio da corte. Entretanto ele também se apaixona, desilude-se e assiste ao surgir do fanatismo religioso que acaba por dar origem à seita dos Assassinos.

O manuscrito acaba por se perder e só será encontrado seis séculos mais tarde quando é recuperado na Ásia, apenas para ser perdido para sempre quando se afunda no Titanic...

Mas é a escrita de Amin Maalouf que é apaixonante! As suas descrições sumptuosas de Samarcanda deixaram-me com tanta vontade de a visitar... Tive de me contentar com as imagens que encontrei na internet...


Um livro encantador, sobre um livro encantado e mítico que tantos obcecou. Gostava de ter conseguido ser mais clara nesta minha opinião, mas a verdade é que não é uma história fácil de resumir... Leiam, vale mesmo muito a pena!


Classificação: 5

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Opinião: "As Cidades Invisíveis"

Título original: Le città invisibili
Autor: Italo Calvino
Tradutor: José Colaço Barreiros
Editor: Grupo Cofina (Biblioteca Sábado)
Edição/reimpressão: Fevereiro de 2009
ISBN: 9788461292110
Páginas: 180


Sinopse: Marco Polo fala a Kublai Kan das cidades do Ocidente, maravilhando o imperador mongol com as suas descrições. Estas cidades, no entanto, existem apenas na imaginação do mercador veneziano: a sua vida encontra-se apenas dentro das suas palavras, uma narrativa capaz de criar mundos, mas que não tem forças para destruir «o inferno dos vivos». Este livro tem o lirismo dos livros de poemas, poemas que por vezes descrevem cidades e outras vezes a forma de pensar e de ser dos seus habitantes. Invertendo os papéis do Livro das Maravilhas, através do qual Marco Polo revelou o Oriente ao mundo ocidental, Calvino arquitectou o livro que o estabeleceria como uma das referências incontornáveis da literatura pós-moderna.


A minha opinião: O Livro das Maravilhas do Mundo descreve as viagens de Marco Polo pela Ásia, nomeadamente, pela corte de Kublai Kan. Em As Cidades Invisíveis, Italo Calvino faz precisamente o oposto e transcreve as descrições de cidades ocidentais que Marco Polo fez a Kublai Kan.

Ora, eu não li O Livro das Maravilhas do Mundo, portanto não sei como é que se estrutura, mas As Cidades Invisíveis consiste, basicamente, na descrição de inúmeras cidades, todas elas fruto da imaginação de Marco Polo. E, embora as descrições sejam autêntica poesia em prosa e tenham um lirismo encantado, a verdade é que não há uma narrativa no livro...

Ou seja, está extremamente bem escrito, mas não é para mim...


Classificação: 3

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Opinião: "Tim"

https://www.wook.pt/livro/tim-colleen-mccullough/17038085?a_aid=4e767b1d5a5e5
Título original: Tim
Autor: Colleen McCullough
Tradutor:
Editor: Grupo Cofina (Biblioteca Sábado)
Edição/reimpressão: Novembro de 2009
Páginas: 200

Sinopse: Num bairro acomodado de Sydney, Austrália, um grupo de operários trabalham na casa ao lado da de Mary Horton, uma mulher madura e solteira, cuja vida tem sido basicamente dedicada ao trabalho. Quando o seu olhar encontra entre os pedreiros Tim Melville, um jovem de perturbadora beleza e sorriso resplandescente, que padece de uma deficiência mental, Mary pede-lhe que se encarregue do seu jardim e acaba por desenvolver uma profunda amizade com o jovem adónis. Uma relação que modificará ambos, já que a luz interior dele acabará por regenerar a sua vida, e a sua sabedoria despertará nele um desejo de melhoria pessoal... 

A minha opinião: Tal como o título indica, esta é a história de Tim. Mas é também a história de Mary Horton e de como a relação de ambos os mudou para sempre.

Tim é um homem de 25 anos, com o corpo e a cara de um deus grego, mas a mente de uma criança. Trabalha em construção civil, com uma equipa que tanto o protege como goza com ele de forma cruel (a sério, se se impressionam facilmente com cenas nojentas, então fiquem já avisados de que vão ficar mal dispostos no inicio).

Mary é uma solteirona de 43 anos que, tendo tido uma infância difícil, dedicou todo o seu tempo e esforço ao trabalho e agora tem a vida confortável com que sempre sonhou. E, na verdade, nunca se interessou por ninguém. Até ao dia em que vê Tim a trabalhar na casa da vizinha e se encanta com ele. Mas quando percebe que ele tem uma deficiência mental, o encanto apenas aumenta e começa a interessar-se por ele e contrata-o para a ajudar com o seu jardim aos fins de semana.

Aos poucos, Tim começa a desabrochar, apanhando pequenas coisas de Mary como novas palavras e expressões. E ela percebe que ele tem capacidade de aprender e assume o papel de sua tutora. Mas também a influência dele nela começa a ser notória. Ela parece ter rejuvenescido e ter uma nova apreciação pela vida. O trabalho continua a ser importante, mas já não é o mais importante na sua vida.

Mas, apesar dos pais de Tim entenderem e apreciarem a relação de Tim e Mary, a irmã dele pensa que Mary se está a aproveitar dele e pode deitar tudo a perder...

Gostei bastante de Tim. A história que a autora nos conta acaba por ter várias lições: que o amor não escolhe idades, nem estatutos sociais, nem sequer capacidades mentais. Que nunca é tarde para o amor desde que estejamos preparados para ele.

Infelizmente o final foi anti-climático. Para ser sincera, não o entendi e acho que o livro teria ganho muito em ter terminado no penúltimo capítulo. 

Classificação: 4

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Opinião: "Rapariga Com Brinco de Pérola"

Título original: Girl with a Pearl Earring
Autor: Tracy Chevalier
Tradutor: Ana Falcão Bastos
Editor: Grupo Cofina (Biblioteca Sábado)
Edição/reimpressão: Fevereiro de 2010
Páginas: 200

Sinopse: Na Holanda do século XVII Griet é filha de um pintor de azulejos protestante de Delft que perdeu a vista num acidente. Para ajudar a sua necessitada família, Griet tem de trabalhar como criada numa casa mais acomodada. Quando o pintor Jan Vermeer e a sua esposa a contratam, deixa a sua casa e começa bruscamente a vida adulta. A casa Vermeer, que alberga uma família católica com cinco filhos, a avó e uma criada mais velha, rapidamente se revela como um ambiente hostil. Catharina, a mulher de Vermeer, ficará com ciúmes de Griet, uma atractiva jovem com talento artístico, e a fiel empregada da avó começará a vigiar todos os seus movimentos.

A minha opinião: Esta é uma história deliciosa! A autora pega em factos verídicos, o pintor Jan Vermeer e o seu mais famoso quadro "Rapariga Com Brinco de Pérola", e cria toda uma história à volta de como esse quadro foi pintado. E fá-lo de forma brilhante pois fez-me acreditar que as coisas podiam mesmo ter-se passado assim. 

Gostei muito de Griet, uma rapariga que poderia ter uma vida bastante diferente não fosse o acidente no qual o seu pai perdeu a vista ter feito com que este não pudesse mais trabalhar. Sendo a filha mais velha, e uma vez que o seu irmão se encontrava a aprender o ofício de pintor de azulejos, Griet é forçada a ir servir para casa de Vermeer para ajudar a família. E logo de início percebemos que Griet não é uma criada como as outras. Tem uma sensibilidade muito grande para a pintura (quiçá resultado do facto do seu pai ser um conceituado pintor de azulejos) e um orgulho incomum para uma "simples criada". 

E é esta sensibilidade que a faz admirar profundamente Vermeer, uma admiração que acaba por se tornar em algo mais. Mas as qualidades de Griet não passam despercebidas a Vermeer que lhe confia a preparação das cores, obrigando Griet a autênticos malabarismos para conseguir conciliar essas funções com as suas funções de criada, mantendo-as em segredo. 

E depois há o terceiro vértice do triângulo amoroso, Pieter, o filho do açougueiro, apaixonado por Griet, que representa a sua saída de uma vida de servidão. Mas será que Griet é capaz de se afastar de Vermeer e dos seus quadros? 

Enfim, é uma história belíssima que os fãs de ficção histórica (como eu) não devem perder.

Classificação: 5

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Este livro conta para os Desafios What's in a Name 4 (Categoria Jewelry/Gem) e Fall Into Reading 2011.

domingo, 22 de maio de 2011

Opinião: "Vasto Mar de Sargaços"

Título original: Wide Sargasso Sea
Autor: Jean Rhys
Tradutor: José Carlos Costa Marques
Editor: Grupo Cofina (Biblioteca Sábado)
Edição/reimpressão: Fevereiro de 2009
ISBN: 9788461292127
Páginas: 180

Sinopse: (Atenção - contém spoilers para quem ainda não leu Jane Eyre) Perdida entre estranhos numas Antilhas tão fascinantes como opressivas, vítima de diversos infortúnios familiares e minada pela incompreensão e desprezo do marido, Antoinette vai perdendo tudo o que amava, incluindo a segurança necessária para manter o equilíbrio mental... Este extraordinário romance desenvolve-se paralelamente ao clássico gótico de Charlotte Brontë Jane Eyre, e procura reescrever a história da primeira mulher de Edward Fairfax Rochester, a «louca do sótão». A voz torbulenta de Antoinette, silenciada no romance de Brontë, oferece ao leitor uma possibilidade de compreender as causas dessa loucura que o romance vitoriano se empenhou em manter escondida...

A minha opinião: (Atenção - contém spoilers para quem ainda não leu Jane Eyre) Depois de ter lido (e adorado) Jane Eyre, e uma vez que já tinha o livro, não resisti a ler de seguida a sua prequela. Gostei da hipótese proposta por Jean Rhys para o porquê da loucura da primeira mulher de Mr. Rochester (uma vez que a sua verdadeira história, a ter alguma vez sido pensada, morreu com Charlotte Brontë) e confesso que acabei por simpatizar bastante mais com ela.

O livro está dividido em três partes. A primeira é-nos narrada por Antoinette e nela ficamos a conhecer a sua infância e adolescência, nada fáceis pois Antoinette era filha de esclavagistas e, após o fim da escravatura e totalmente na miséria após a morte do seu pai, sofreu por não se integrar nem com os negros que lhe chamavam branca-preta, nem com os ingleses que a julgavam uma "selvagem". A segunda é narrada por Mr. Rochester que, sem saber muito bem como, se vê casado com uma mulher que mal conhece e que tenta amar, mas não consegue por nunca a chegar a compreender e também pela mágoa de se sentir enganado por ela, pela família dela e pela sua própria família. A terceira parte volta a ser narrada por Antoinette quando já se encontra no sótão de Thornfield Hall. Esta foi a parte de que mais gostei, mas infelizmente é também a mais curta, pois revela-nos o que passa pela cabeça de Antoinette/Blanche em alguns dos momentos-chave de Jane Eyre. Tive pena que Jean Rhys não tivesse explorado mais esta parte.

Apesar de ter ficado com muita pena de Antoinette, consigo perceber o comportamento de Mr. Rochester. Antoinette era uma mulher que nunca tinha sido verdadeiramente amada, nunca se tinha sentido desejada e agarrou-se desesperadamente à esperança de felicidade com Mr. Rochester e tentou "obrigá-lo" a amá-la, acabando por lhe sair o tiro pela culatra. Quanto a Mr. Rochester, tenho a sensação que as coisas poderiam ter sido muito diferentes se lhe tivessem contado a verdade desde o início, pois ao descobrir as mentiras e os enganos, acabou por descarregar toda a sua mágoa e frustração na pessoa que menos culpa tinha. 

Classificação: 3

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Este livro conta para os Desafios What's in a Name 4 (Categoria Size) e Spring Reading Thing 2011.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Opinião: "Orgulho e Preconceito"

Título original: Pride and Prejudice
Autor: Jane Austen
Tradutor: Nuno Castro
Editor: Grupo Cofina (Biblioteca Sábado)

Edição/reimpressão: 2008
ISBN:
9788461205950
Páginas: 240

Sinopse: Elizabeth Bennet, uma das cinco filhas de uma família da classe média rural, conhece Fitzwilliam Darcy, membro da alta sociedade mas de um orgulho desmesurado. As tensões aparecem rapidamente, alterando sensivelmente o idílico e pacífico mundo rural inglês, que se revela como uma sociedade rígida em que abundam os preconceitos e na qual nem tudo é aquilo que parece. Neste romance de formação, os protagonistas devem madurar e aprender dos seus erros para poderem encarar o futuro, superando o orgulho de classe de Darcy e os preconceitos de Elizabeth.
 

A minha opinião: Uau! Nunca pensei que um livro do qual já conhecia a história me prendesse tanto, mas a verdade é que prendeu. Li-o em tempo recorde (para mim que não sou uma leitora particularmente rápida) e aproveitava todos os momentos livres para ler só mais um bocadinho...

Adorei tudo neste livro, a história, as personagens, a moral, tudo! Já imaginava que iria gostar pois, apesar de nunca ter lido nenhum dos livros de Jane Austen, já tinha visto as adaptações cinematográficas de Sensibilidade e Bom Senso, Emma (do qual vi também a mais recente série da BBC) e Orgulho e Preconceito. E o mais curioso é que, se adorei as adaptações dos dois primeiros, não fiquei particularmente fã da adaptação de Orgulho e Preconceito. E por isso pensei que não iria gostar do livro por aí além. Como estava enganada! Embora tivesse achado a versão cinematográfica de Elizabeth irritante e enjoada (para o que pode ter contribuído a actriz que desempenhou o papel...), agora que li o livro pude compreender melhor o porquê de muitas das suas atitudes que me tinham irritado no filme. E quero revê-lo pois acho que, agora que conheço toda a história, me agradará bastante mais.

Embora seja uma história escrita há mais de 200 anos, continua muito actual, pois muitas vezes a primeira impressão que temos de uma pessoa condiciona a nossa visão da mesma e leva-nos a criar preconceitos que nos impedem de ver como ela realmente é. E também continuam a existir os preconceitos motivados pelo orgulho de uma maior fortuna e posição social.

Achei todas as personagens credíveis, pois ainda hoje não seria difícil encontrar pessoas iguais às descritas por Jane Austen. Todas as personagens estavam perfeitas no seu papel, nada me pareceu a mais na história, tudo se conjugou com sentido no final e não ficaram pontas soltas. Não tenho absolutamente nada de negativo a apontar nesta leitura, excepto o tamanho da letra da edição que li. Mas, por outro lado, se não fosse o tamanho de letra pequeno que me forçava a parar a leitura por cansaço, teria devorado este livro em muito menos tempo...

Foi, sem dúvida, o melhor livro que li desde que iniciei o blog! 

Classificação: 5

domingo, 28 de março de 2010

Opinião: "Sem Sangue"

Título original: Senza Sangue
Autor: Alessandro Baricco
Tradutor: Fernando Assis Pacheco
Editor: Grupo Cofina (Biblioteca Sábado)
Edição/reimpressão: Maio de 2009
ISBN: 9788461316151
Páginas: 160

Sinopse: Quando os seus inimigos finalmente o encontram, Manuel Roca obriga Nina, a sua filha pequena, a meter-se num esconderijo debaixo de um alçapão na despensa, a partir do qual testemunhará o assassinato do seu pai e do seu irmão. Após a matança, Tito, um dos assassinos, encontra o esconderijo de Nina, mas, apiedado da inocência da criança, não diz nada aos seus cúmplices. Décadas mais tarde, Nina é uma intrigante mulher que passeia pela rua quando encontra um já idoso Tito a vender lotaria. Este encontro revelará até que ponto a traumática experiência da sua infância marcou ambas as personagens, e se serão alguma vez capazes de a superar.


A minha opinião: Sem Sangue é a história de uma mulher que, em criança, testemunhou a morte do seu pai e do seu irmão e é também a história de um dos assassinos que, tendo-a descoberto no seu esconderijo, resolveu não a denunciar, salvando-lhe, assim, a vida. O que aconteceu a ambos após esse momento marcante é revelado no encontro que têm muitos anos mais tarde quando contam um ao outro as suas histórias. Contudo, as suas 160 páginas poderiam ter sido facilmente reduzidas para metade, uma vez que o tamanho das letras é bastante superior ao normal. É, assim, uma história muito breve, quase parecendo um resumo e tenho pena que o autor não a tenha desenvolvido, pois achei a história muito interessante e, devidamente aprofundada, ter-me-ia certamente, prendido à sua leitura.


Classificação: 2