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quarta-feira, 18 de março de 2026

Opinião: "Um Amor na Cornualha"

Título original: A Cornish Affair
Autor: Liz Fenwick
Tradutor: Raquel Dutra Lopes
Editor: Quinta Essência
Edição: Junho de 2014
ISBN: 9789897261305
Páginas: 368


Sinopse: Fugir no dia do próprio casamento nunca parece bem.

Quando a pressão do futuro casamento se torna demasiada, Jude foge da igreja, deixando um bom homem no altar, a sua mãe furiosa e os convidados com mexericos suficiente para durar um ano. Culpada e envergonhada, Jude foge para Pengarrock, uma mansão em ruínas na Cornualha, no cimo de uma falésia, onde aceita um emprego a catalogar a extensa biblioteca da família Trevillion. A casa é um refúgio bem-vindo para Jude, cheia de história e segredos, mas quando seu novo proprietário chega, torna-se claro que Pengarrock não é amada por todos. Quando Jude sucumbe ao feitiço da casa, descobre um enigma familiar decorrente de uma terrível tragédia que teve lugar séculos antes: ao que parece, há algures um tesouro perdido. E quando Pengarrock é posta à venda, parece que o tempo está a esgotar-se para a casa e para Jude…


A minha opinião: Um Amor na Cornualha é a prequela de A Casa dos Sonhos, e conta-nos a história de duas personagens que surgem brevemente nesse livro.

A protagonista é Jude Warren, uma americana que foge do seu próprio casamento no dia da cerimónia e vai para a Inglaterra, para onde ela e o noivo se iam mudar após o casamento. Apesar do seu noivo John ser uma excelente pessoa, ela percebeu que estava a casar-se mais para fazer a vontade à mãe do que propriamente por ser algo que queria fazer. E que estava a confundir amizade com amor...

Jude aceita um emprego em Pengarrock, uma mansão decrépita na Cornualha, a catalogar a biblioteca de Petroc Trevillion. Ela apaixona-se pelo local e está determinada em salvar a propriedade da ruína financeira. Nem que, para isso, tenha de resolver um mistério familiar com séculos de existência e recuperar um tesouro perdido.

Só que vai ter de lidar com Tristan Trevillion, o filho de Petroc e herdeiro de Pengarrock, que chega determinado a fazer o que tem de ser feito para evitar a falência do pai, incluindo vender a mansão. E, se ao início a relação de ambos é de desconfiança mútua, eventualmente chegam à conclusão que ambos querem o mesmo: salvar a mansão. E que, se trabalharem juntos, as suas hipóteses aumentam consideravelmente.

Gostei mais do primeiro livro, mas ainda assim gostei bastante deste. A Jude é um mulher que parte para muito longe da casa para se descobrir e, ao fazê-lo descobre o lugar e as pessoas a que pertence. E consegue avançar com a sua vida sem deixar assuntos pendentes. O Tristan é um homem amargurado ao início, amaldiçoado com um sentido prático que o pai, infelizmente, nunca possuiu e que fez com que os dois se tivessem afastado. Contudo, com a ajuda de Jude, acabam por conseguir restabelecer uma relação. O romance acaba por não ser o principal neste livro, mas, ainda assim, gostei.


Classificação: 4


Enredos: viagem de autoconhecimento, famílias afastadas, mistério secular.

domingo, 2 de setembro de 2012

Opinião: "A Casa dos Sonhos"

Título original: The Cornish House
Autor: Liz Fenwick
Tradutor: Raquel Dutra Lopes
Editor: Quinta Essência
Edição/reimpressão: Julho de 2012
ISBN: 9789897260100
Páginas: 432
Origem: Oferecido pela editora em troca de uma opinião honesta

Sinopse: Quando a artista Maddie herda uma casa na Cornualha, logo após a morte do marido, ela espera que isso seja o novo começo de que ela e enteada Hannah precisam desesperadamente.

Trevenen é linda, mas negligenciada, uma casa rica em história. Maddie está encantada com ela e determinada a saber o máximo sobre o seu passado. Quando descobre as histórias das gerações de mulheres que viveram lá antes, Maddie começa a sentir que a sua vida está de alguma forma ligada àquelas paredes. 

Mas o sonho de Maddie de uma vida tranquila no campo está muito longe da realidade que enfrenta. Ainda a lutar com a sua dor e com Hannah, Maddie é incapaz de encontrar inspiração para a sua pintura e percebe que pode enfrentar a perspectiva de ter de vender Trevenen, agora que começou a amá-la. 

E enquanto Maddie e Hannah desvendam o passado de Trevenen, a casa revela segredos que ficaram ocultos durante gerações.
Um livro maravilhoso cheio de romance e mistério.

A minha opinião: Devo começar por dizer que não sou nada lamechas. Não tenho a lágrima fácil e, por isso, geralmente os livros que emocionam toda a gente a mim não me fazem nada. Mas A Casa dos Sonhos deixou-me com a lágrima no canto do olho. Talvez porque o tom do livro não é lamechas, mas a sua história e as suas personagens são muito reais.

A história gira à volta de uma casa, Trevenen, e confesso que adoro histórias em que a casa onde se passam acaba por ser, ela própria, uma espécie de personagem. Maddie, recentemente viúva, descobre que herdou uma propriedade na Cornualha e muda-se para lá com a enteada Hannah. A relação entre ambas tem vindo a degradar-se progressivamente desde a morte do marido de Maddie e pai de Hannah. Afinal, Hannah é uma adolescente abandonada pela mãe de quem não se lembra e que perdeu o pai após uma doença prolongada e que se vê totalmente dependente de alguém com quem não tem qualquer laço de sangue...

Maddie tem fantasmas no passado, com os quais vai ter de lidar enquanto tenta reconstruir a sua vida e a sua relação com Hannah. Surgem novas amizades e até, quem sabe, um novo amor. Mas estará Maddie preparada para voltar a amar? Conseguirá Hannah ultrapassar os seus problemas de abandono e aceitar que a vida tem de continuar? E conseguirá ela aceitar que Maddie ame alguém que não o seu pai? E que ruídos são aqueles que se ouvem à noite? Estará Trevenen assombrada?

Este foi o romance de estreia de Liz Fenwick e julgo que foi uma estreia auspiciosa. A autora aborda temas difíceis como a adopção, o abandono, o luto e a perda, de uma forma realista, mas sem entrar em moralismos. E mostra-nos que o caminho para a recuperação se torna mais fácil quando deixamos de olhar apenas para o nosso umbigo e percebemos que a nossa dor também é a dor de outras pessoas. E que se as deixarmos entrar, o partilhar dessa mesma dor é um primeiro passo para a conseguir ultrapassar. Porque é mais o que nos une do que o que nos separa.

Vi no site da autora que esta se encontra a escrever uma prequela de A Casa dos Sonhos, intitulada August Rock, na qual nos conta a história de duas personagens que surgem, ainda que muito brevemente, em A Casa dos Sonhos. Sem dúvida, vou querer ler!

Uma última nota para a edição que deveria ser revista numa possível reedição do livro. Surgem nomes trocados e a forma de apresentação dos diálogos torna-os confusos, tendo tido de, por várias vezes, lê-los duas e três vezes até perceber quem estava a dizer o quê.

Classificação: 4