Mostrar mensagens com a etiqueta George Orwell. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta George Orwell. Mostrar todas as mensagens

sábado, 25 de maio de 2019

Opinião: "A Quinta dos Animais"

Título original: Animal Farm: A Fairy Story
Autor: George Orwell
Tradutor: Paulo Faria
Editor: Antígona
Edição/reimpressão: Julho de 2008
ISBN: 9789726081975
Páginas: 160


Sinopse: Esta nova tradução de Animal Farm recupera o título original, contrariamente às edições anteriores, que adoptaram os títulos panfletários O Porco Triunfante e - o mais conhecido - O Triunfo dos Porcos.

«À primeira vista, este livro situa-se na linhagem dos contos de Esopo, de La Fontaine e de outros que nos encantaram a infância. Tal como os seus predecessores, Orwell escreveu uma fábula, uma história personificada por animais. Mas há nesta fábula algo de inquietante. Classicamente, atribuir aos animais os defeitos e os ridículos dos humanos, se servia para censurar a sociedade, servia igualmente para nos tranquilizar, pois ficavam colocados à distância, "no tempo em que os animais falavam", os vícios de todos nós e as suas funestas consequências. Em A Quinta dos Animais o enredo inverte-se. É a fábula merecida por uma época - a nossa época - em que são os homens e as mulheres a comportar-se como animais. O que ocorre no livro não é apenas a conversão dos porcos em homens, porque Orwell escreveu nas últimas linhas que os animais que trabalhavam na quinta "olhavam dos porcos para os homens, dos homens para os porcos, e novamente dos porcos para os homens: mas era já impossível distingui-los uns dos outros". Se os porcos se haviam tornado humanos, por outro lado nada distinguia os humanos dos porcos, e a fábula de Orwell encerra-se na circularidade deste percurso. É acerca desta circularidade que cabe reflectir.»
Do Prefácio


A minha opinião: Já tinha adorado 1984, por isso tinha expectativas muito elevadas em relação a A Quinta dos Animais. E foram superadas! Orwell era realmente genial!

A Quinta dos Animais é uma fábula na qual o autor humaniza os animais de uma quinta para demonstrar, no fundo, como o poder pode corromper e como a memória do povo é curta. O seu objectivo era fazer uma crítica ao socialismo soviético e penso que acertou na muche!

Na Quinta do Infantado, propriedade do Sr. Reis, os animais reúnem-se frequentemente no celeiro para discutir as injustiças de que são alvo. O dia da Rebelião chegará em breve... Afinal, são eles que fazem todo o trabalho na quinta, merecem mais respeito e melhores condições de trabalho! E terminam sempre as reuniões cantando o "Hino do Mundo Animal".

O dia da Rebelião chega quando o Sr. Reis, embriagado, se esquece de alimentar os animais durante um dia inteiro e fogem para comer. Quando o Sr. Reis e os seus homens os começam a chicotear, os animais defendem-se e acabam por ganhar a luta. E, a partir desse dia, tomam o controlo da quinta. E pintam na parede do celeiro os sete mandamentos do Animalismo:

Fonte
Embora todas as decisões sejam feitas em plenários onde todos os animais têm voz, os porcos rapidamente se destacam como líderes do movimento, principalmente Bola-de-Neve e Napoleão. Bola-de-Neve é um idealista que procura a melhoria das condições de todos os animais e leva os mandamentos muito a sério. E, por isso, acaba por sofrer um golpe de Estado e desaparece misteriosamente da quinta. A partir daí, progressivamente, os porcos e, principalmente Napoleão, acabam por tomar o controlo da quinta e dos animais. E subvertem completamente os mandamentos da forma que mais lhes convém, servindo-se de propaganda para convencer os restantes animais de que tudo o que fazem é pelo bem comum. Se vos parece familiar é porque qualquer semelhança com a realidade não é uma coincidência...

Fonte
No final os animais acabam por perceber que o sistema em que vivem se tornou, afinal, numa ditadura, mas é tarde demais... E tornou.se impossível distinguir os porcos dos homens...

Fonte
Fico feliz por saber que o livro está incluído no Plano Nacional de Leitura, embora não saiba se é de leitura obrigatória ou facultativa. Na minha opinião, devia ser obrigatória! É fantástico e não o posso recomendar mais!


Classificação: 5

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Opinião: "1984"

Título original: Nineteen Eighty-four
Autor: George Orwell
Tradutor:Ana Luísa Faria
Colecção: Mil Folhas nº25
Editor: Público
Edição/reimpressão: Outubro de 2002
ISBN: 8481305626
Páginas: 320


Sinopse: Na sua obra 1984, escrita um ano antes da sua morte, em 1950, George Orwell concebe um Estado futuro omnipresente e omnipotente, constituindo um dos clássicos da literatura do século XX. A personagem de O'Brien, membro da direcção do partido dominante no Estado totalitário, condensa a ideia da obra, com um comportamento caracterizado pelo exercício do poder como valor absoluto. Tudo é justificável para conseguir o poder, e tudo para o conservar. Não há casa que escape à vigilância do Super-Estado, o Grande Irmão cuja presença chega às actividades mais íntimas do ser humano.

Winston Smith, o protagonista, é um homem que tenta rebelar-se contra esse sistema monstruoso, mas que, pouco a pouco, se vê submetido ao mesmo. O Estado apodera-se da consciência das pessoas, dos seus sentimentos, dos seus sentidos. Em 1984, Orwell oferece-nos um panorama profundo das relações e dependências que o Estado é capaz de criar com uma filosofia ditatorial, onde não há respeito pela individualidade do ser humano, e muito menos quando a tecnologia se encontra ao serviço dessa perversão.

O Grande Irmão, esse olho que tudo vê, inspirou o nome de um dos programas que mais êxito teve nos últimos anos dentro do género dos reality shows. Como em 1984, trata-se de um grupo de pessoas que se submete à vigilância permanente de todos os seus actos. A diferença radica no facto de o fazerem livremente. A novela de Orwell, contudo, expõe um retrato lastimoso e magistral da perda de liberdade do ser humano.


A minha opinião: 1984 é um livro assustador. Não só porque a sociedade descrita por Orwell é incrivelmente realista, mas também porque, tratando-se de um cenário futurista que se passa em 1984, mas publicado em 1949, é assustadoramente actual.

Em 1984 o Grande Irmão controla tudo e todos. A Polícia do Pensamento está constantemente atenta e vigilante. Colegas, amigos, família, são levados para nunca mais regressar e é como se nunca tivessem existido. A Novilíngua, que supostamente pretende apenas facilitar a comunicação, surge  como forma de eliminar o livre pensamento. A repressão é conseguida através dos telecrãs que vigiam tudo e todos, inclusivamente nas suas próprias casas, mas também através do controlo da comunicação social. As notícias são manipuladas de acordo com a agenda do Partido e há uma constante guerra por áreas disputadas entre três super-potências, sendo que duas são aliadas contra uma terceira, e as alianças alteram-se periodicamente, sendo qualquer referência à aliança anterior imediatamente destruída...

O passado é, assim, constantemente reescrito e é precisamente esse o trabalho do protagonista, Winston Smith. Ele trabalha no Ministério da Verdade, reescrevendo a História. Contudo, a pouco e pouco, a semente da desconfiança e da revolta começa a desabrochar dentro de Smith. Mas conseguirá um homem fazer a diferença numa sociedade completamente dormente e crente fiel de que o Partido sabe o que é melhor para todos?

Como já referi, é um cenário absolutamente assustador... Porque muito daquilo que Orwell imaginou já existe actualmente. E porque será tão fácil, se não fizermos nada contra, chegar lá... Afinal, e citando Edmund Burke, the only thing necessary for the triumph of evil is for good men to do nothing.

Antes de o ler, já sabia muito sobre 1984. Mas confesso que foi muito pior do que estava à espera. E nunca teria imaginado aquele final, embora agora perceba que era o único final possível. É triste perceber que Orwell nos alertou para o caminho para onde nos dirigimos enquanto sociedade há 69 anos, mas parece ser inevitável que é mesmo para lá que nos dirigimos... Um livro genial e uma leitura obrigatória!


Classificação: 5

Fonte