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sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Opinião: "Tragédia em três actos"

www.wook.pt/ficha/tragedia-em-tres-actos/a/id/170470?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: Three-Act Tragedy
Autor: Agatha Christie  
Tradutor: Isabel Alves
Colecção: Obras de Agatha Christie nº33
Editor: Edições Asa  
Edição/reimpressão: Abril de 2008
ISBN: 9789724143651
Páginas: 208

Sinopse: São treze os convidados para um jantar que virá a ser particularmente infeliz para um deles: o reverendo Stephen Babbington, que se engasga com um cocktail e acaba por morrer. Quando o seu copo de Martini é enviado para análise, não há quaisquer vestígios de veneno – tal como Poirot previra. Mas para o grande detective belga, mais preocupante ainda é o facto de não existir absolutamente nenhum motivo para o crime...

Tragédia em Três Actos (Three-Act Tragedy), de 1935, foi publicado nos Estados Unidos com o título Murder in Three Acts. A versão televisiva, de 1986, contou com Peter Ustinov no papel de Poirot.

A minha opinião: O título do livro é Tragédia em três actos, e o título não engana, pois a história desenrola-se mesmo em três actos.

No primeiro acto, temos a primeira morte. Num jantar em casa de Sir Charles Cartwright, um actor reformado e a viver no campo, para o qual o número de participantes totaliza 13 (motivo pelo qual a secretária de Sir Charles se encontra também presente nessa noite), o reverendo Babbington morre depois de beber o seu cocktail. Sir Charles imediatamente lança a suspeita de que a morte do reverendo não foi natural, mas quando o copo é analisado, nada é encontrado para além da bebida. E o próprio Hercule Poirot, um dos convidados do jantar, não parece convencido que se tenha tratado de algo mais do que morte natural...

O segundo acto tem início em Monte Carlo, local para onde Sir Charles se mudou, por achar que a jovem por quem se apaixonou, Egg Lytton Gore, está apaixonada por um rapaz da sua idade, quando este e o seu amigo Mr. Satterhwaite lêem no jornal a notícia da morte de outro amigo de Sir Charles, o médico Sir Strange. Sir Strange morreu envenenado por uma bebida quando dava um jantar em sua casa. Mas as coincidências não se ficam por aí, porque a lista de convidados é bastante semelhante à do jantar em casa de Sir Charles. Na verdade, exceptuando a mulher do reverendo Babbington, Sir Charles, Mr. Satterhwaite e Poirot, todos os outro convidados estavam presentes em ambos os jantares. E, por coincidência, também Poirot se encontra em Monte Carlo nesse momento e, desta vez, a sua curiosidade é espicaçada...

O terceiro e último acto consiste na investigação dos crimes por parte de Sir Charles, Mr. Satterhwaite e Miss Gore. Com uma ajudinha de Poirot, claro está! Parece impossível que um assassino utilize um método tão arbitrário como envenenar um copo quando não tem forma de saber quem o beberá, a não ser que se tratem de assassinatos aleatórios... Mas Poirot não está convencido disso e põe as suas celulazinhas cinzentas a trabalhar por forma a desvendar a identidade deste assassino diabólico!

Não foi o meu livro preferido daquele que é o meu detective favorito, mas mesmo assim foi uma leitura que valeu muito a pena. Julgo que o meu maior problema com a história está no facto de Poirot ter quase um papel secundário na acção. Gosto muito mais de acompanhar as suas investigações e deduções, o que praticamente não acontece aqui. Como já referi não é um dos meus preferidos da série, mas não posso deixar de o recomendar...

Classificação: 3

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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Opinião: "Encontro com a morte"

www.wook.pt/ficha/encontro-com-a-morte/a/id/40967?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9 Título original: Appointment with Death
Autor: Agatha Christie  
Tradutor: José A. Lourenço
Colecção: Obras de Agatha Christie nº7
Editor: Edições Asa  
Edição/reimpressão: Agosto de 2007
ISBN: 9789724128153
Páginas: 208

Sinopse: Por entre as ruínas antigas de Petra, na Jordânia, jaz morto o corpo de Mrs. Boynton. Uma pequena marca no pulso é o único vestígio da injecção que a matou. 
Com apenas vinte e quatro horas para descobrir o assassino, Hercule Poirot relembra um comentário que ouvira por acaso, ainda em Jerusalém: “Compreendes que ela tem de ser morta, não compreendes?”. Profundamente odiada, principalmente pela sua própria família, Mrs. Boynton era uma mulher cruel e a sua morte é um alívio para todos os que viviam subjugados pelo seu poder.
Os familiares sentem-se finalmente livres e pedem a Poirot para não iniciar a investigação. O detective terá de lutar contra o tempo e a vontade de todos, para resolver o mistério da morte de uma das pessoas mais detestáveis de que alguma vez ouvira falar.

A minha opinião: A acção de Encontro com a morte tem inicio num hotel em Jerusalém. Hercule Poirot é um dos hóspedes do hotel na altura e, uma noite, ouve a seguinte frase pela janela: “Compreendes que ela tem de ser morta, não compreendes?”. Naturalmente assume que se trata de algo perfeitamente inocente, como a escrita de uma peça ou de um livro. E não volta a pensar nela até que, mais tarde, a frase faz perfeito sentido...

Do hotel são também hóspedes uma jovem inglesa bacharel em Medicina, um médico francês com trabalhos publicados no âmbito da doença mental e uma estranha família americana. Estranha porque, apesar de composta por uma mãe e quatro filhos, dois homens e duas raparigas, e a mulher do filho mais velho, todos eles parecem girar à volta da matriarca, cumprindo todas as suas vontade e obliterando-se no processo. Ah, e há ainda o antigo pretendente da nora, que também ali se encontra hospedado.

Rapidamente se torna perceptível que ninguém gosta verdadeiramente da velha Mrs. Boynton, mas todos eles parecem incapazes de escapar ao seu jugo... Por isso, quando o grupo, incluindo uma Lady inglesa activamente envolvida nas lides políticas do seu país e uma antiga perceptora também inglesa, se encontra nas ruínas de Petra e a velha Mrs. Boynton acaba por aparecer morta, suspeitos não faltam... Mas a verdade é que a morte da senhora teria sido classificada como natural não fosse pela suspeita do doutor Gerard que teria sido assassinada. E quando Poirot (que não se encontrava em Petra na altura) é convidado a desvendar a verdade e se recorda da frase ouvida pela janela, as suspeitas de crime tornam-se muito mais fortes...

Mais um excelente mistério escrito pela mestre do género. Embora não tenha desvendado quem foi o assassino, foi fácil eliminar quem não era. E apanhei várias das pistas, ainda que não as tenha conseguido juntar como Poirot fez. Certamente faltam-me celulazinhas cinzentas...

Classificação: 4

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domingo, 24 de maio de 2015

Opinião: "Um Gato entre os Pombos"

www.wook.pt/ficha/um-gato-entre-os-pombos/a/id/10918159?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: Cat Among the Pigeons
Autor: Agatha Christie
Tradutor: John Almeida
Colecção: Obras de Agatha Christie nº66
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Maio de 2011
ISBN: 9789892314068
Páginas: 288

Sinopse: Um novo ano lectivo começa em Meadowbank, um prestigiado colégio feminino. Entre as estudantes, todas elas oriundas de famílias ricas e poderosas, destacam-se Shaista, uma princesa do Médio Oriente; a bem-intencionada mas infantil Julia, e a sua melhor amiga, Jennifer, que vive para jogar ténis. E será entre as raquetas de ténis e os tacos de lacrosse que uma professora vai ser encontrada, morta com um tiro à queima-roupa. À medida que a investigação avança, torna-se claro que o assassino não é uma pessoa de fora. Num cenário em que ninguém é o que aparenta ser, Poirot terá de descobrir quem é quem, e, mais importante ainda, proteger a indomável Julia, que pode muito bem ser a próxima vítima…

A minha opinião: A acção de Um Gato entre os Pombos passa-se em Meadowbank, um colégio feminino frequentado por meninas de boas famílias, no início do terceiro período. Para além de algumas alunas novas, há também novas professoras, uma nova secretária da directora do colégio e até um novo jardineiro...

Mas antes de acompanharmos o início do novo período lectivo, ficamos a saber o que aconteceu em Ramat, dois meses antes. Jennifer Sutcliffe, uma das novas alunas de Meadowbank, encontrava-se lá de férias com a mãe quando se deu uma revolução que retirou a família real do poder. Também o seu tio Bob lá estava e acabou por morrer ao tentar salvar o patrão e amigo Ali Yusuf, príncipe herdeiro do trono de Ramat. Contudo, antes de partir no voo que se revelaria mortal, Bob visitou o quarto de hotel da irmã e aí escondeu algo que o príncipe lhe confiou para que fosse transportado em segurança para Inglaterra. O problema é que alguém assistiu a tudo do quarto contíguo...

De regresso a Inglaterra, a casa dos Sutcliffe é misteriosamente assaltada, mas nada foi roubado, e a mãe de Jennifer é visitada por um membro do governo que a interroga sobre a possibilidade de que o seu irmão tivesse escondido algo na sua bagagem, mas nada é encontrado numa busca minuciosa.

Em Meadowbank, e completamente alheia a estes acontecimentos, Jennifer apenas se preocupa com o ténis e com a sua nova amiga Julia. E é precisamente junto das raquetes de ténis que ocorre o primeiro assassinato: a nova professora de Desporto, que é assassinada a tiro no novo pavilhão desportivo.

A polícia é chamada, mas apesar de ninguém gostar particularmente da professora, ninguém parece ter motivo para a matar... E o que parecia ser uma acontecimento isolado pode não o ser de todo quando uma aluna é raptada e uma outra professora é assassinada no pavilhão. Mas a chave para a resolução do caso pode estar na jovem Julia que recorre à ajuda de Poirot. 

Este é um dos pontos fracos da história, para mim. É que Poirot só surge em cena na página 199... E embora compreenda o porquê do detective só surgir na história tão tardiamente, não pude deixar de lhe sentir a falta...  E assim que ele entra em cena, rapidamente as peças começam a encaixar e não precisa de muito tempo para identificar o assassino.

Mais um bom mistério de Agatha Christie, em que Poirot volta a brilhar. Gostei do cenário académico aliado às intrigas de espiões, diferente dos cenários a que estou acostumada. E adorei a última revelação, que não esperava. 

Classificação: 4

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domingo, 14 de dezembro de 2014

Opinião: "Crime na Mesopotâmia"

www.wook.pt/ficha/crime-na-mesopotamia/a/id/41097?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: Murder in Mesopotamia
Autor: Agatha Christie
Tradutor:
Colecção: Obras de Agatha Christie nº11
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Março de 2006
ISBN: 9789724130569
Páginas: 224

Sinopse: Amy Leatheran é uma jovem enfermeira encarregada de acompanhar o casal Kelsey na sua viagem para Bagdade. Finda a tarefa para a qual fora contratada, Amy prepara o seu regresso a Londres quando é inesperadamente contactada pelo Dr. Leidner, um arqueólogo de renome, para dar assistência à sua mulher, Louise. De facto, Louise é uma pessoa extremamente nervosa e sofre de súbitos e incontroláveis ataques de pânico. No cenário longínquo de uma escavação arqueológica nas margens do rio Tigre, Amy conquista o afecto e a confiança de Louise, que lhe faz confidências sobre o seu passado e chama a atenção para os estranhos acontecimentos que ocorrem no acampamento e cuja origem é unanimemente atribuída aos seus próprios problemas nervosos. Mas depressa se torna óbvio que as suas suspeitas estavam correctas. E quando a tensão atinge o seu auge eis que surge o inigualável Hercule Poirot, numa oportuna viagem pela Mesopotâmia. Por entre um labirinto de segredos e mentiras, Poirot parece, desta vez, ter chegado tarde de mais…

A minha opinião: É verdade, desta vez Poirot chegou tarde demais e o crime já ocorreu quando entra em cena. Por isso, conta apenas com os testemunhos de quem privou com Mrs. Leidner, bem como com as suas impressões da observação dos mesmos. Isto porque o crime é um locked room mistery (mistério de quarto fechado), ou seja, a vítima morreu no seu quarto e, havendo apenas uma entrada e saída do acampamento, e estando a mesma constantemente vigiada na altura do crime, isso significa que um dos residentes do acampamento teve de ser, forçosamente, o assassino. Mas, tratando-se de um mistério de Agatha Christie, já se sabe que as coisas nunca são exactamente o que parecem...

Desta feita Poirot está a viajar sozinho e acaba por ser a enfermeia Amy Leatheran a sua parceira de investigação. Esta tinha sido contratada para acompanhar a vítima, que julgava estar em perigo de vida. E, apesar de ninguém levar os seus temores muito a sério, o seu marido achou preferível ter alguém com a mulher que lhe pudesse acalmar os nervos. Mas Mrs. Leidner confidencia com a enfermeira o motivo por detrás do medo que sente, o que acaba por fornecer um suspeito quando esta aparece morta. O problema é que o suspeito mais viável está supostamente morto. E, não estando morto afinal, qual a identidade falsa que assumiu ao participar na expedição? E, se não foi ele, quem mais teria motivo para querer a vítima morta?

A história é-nos contada da perspectiva da enfermeira Leatheran, já que a mesma foi das pessoas que mais contacto teve com a vítima, e depois colaborou com Poirot na investigação. Gostei muito de ler uma história de Agatha Christie contada da perspectiva de uma personagem feminina, já que, geralmente, ou o narrador é não participante, ou é um personagem masculino.

E o mistério e a sua respectiva resolução também não desiludem, apesar de ter conseguido perceber algumas coisas antes de terem sido reveladas. E adorei o pormenor de, no final, ser referido que Poirot regressou a casa no famoso Expresso do Oriente...

Classificação: 4

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Este livro conta para os Desafios Vintage Mystery BINGO 2014 (Features a Nurse), Cruisin' thru the Cozies 2014, TBR Pile 2014, Mount TBR 2014 e Monthly Motif Challenge 2014 (Oldie but Goodie)

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Opinião: "As Dez Figuras Negras"

www.wook.pt/ficha/as-dez-figuras-negras/a/id/11449750?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: And Then There Were None / Ten Little Niggers
Autor: Agatha Christie
Tradutor: Isabel Alves
Colecção: Obras de Agatha Christie nº15
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Abril de 2008
ISBN: 9789724132877
Páginas: 192

Sinopse: Dez desconhecidos, que aparentemente nada têm em comum, são atraídos pelo enigmático U. N. Owen a uma mansão situada numa ilha da costa de Devon. Durante o jantar, a voz do anfitrião invisível acusa cada um dos convidados de esconder um segredo terrível, e nessa mesma noite um deles é assassinado.
A tensão aumenta à medida que os sobreviventes se apercebem de que não só o assassino está entre eles como se prepara para ir atacando uma e outra vez… O que se segue é uma obra-prima de terror. À medida que cada um dos hóspedes é brutalmente assassinado, as suas mortes vão sendo "celebradas" através do desaparecimento de uma de dez estátuas, as "dez figuras negras".
Restará alguém para um dia contar o que de facto se passou naquela ilha?

A minha opinião: Genial! Simplesmente genial! Um dos meus livros preferidos de sempre! É um enorme prazer confirmar que a autora ainda me consegue surpreender.

Em As Dez Figuras Negras não há um detective, há sim, um conjunto de dez personagens, todos estranhos, que foram atraídos até à Ilha do Negro, na costa de Devon. Quando os oito convidados chegam à ilha são recebidos pelo mordomo e a sua mulher, que lhes informam que os Owen, que também ainda não conhecem, só chegarão à ilha no dia seguinte.

Em cada um dos quartos está pendurada uma lengalenga infantil, sobre os dez meninos negros, e no centro da mesa de jantar há dez figuras de louça, representando os dez meninos negros da lengalenga. No final do jantar, quando se encontram todos reunidos, ouve-se uma voz e essa voz acusa cada um dos presentes de ser responsável pela morte de alguém. Obviamente todos eles negam a acusação e a voz era apenas uma gravação, mas é então que um deles morre e uma das figuras negras de louça desaparece... E mais estranho ainda, a morte corresponde à descrição da lengalenga infantil...

Na manhã seguinte há mais uma morte correspondente à descrição e menos uma figura de louça na mesa. Completamente isolados e sem possibilidade de abandonar a ilha ou pedir auxílio, e à medida as mortes se sucedem, os sobreviventes têm de encarar o facto que não só que o assassino se encontra na ilha, mas também que provavelmente é um deles...

A história é fenomenal, incrivelmente bem pensada e imaginativa e com todos os pormenores a encaixarem perfeitamente. As diferentes formas que a autora encontra para fazer as mortes corresponderem à lengalenga são geniais e, para além disso, há um sentimento de tragédia iminente que nos angustia e torna a leitura compulsiva, sempre na expectativa de saber quem será a próxima vítima e como morrerá. E se alguma delas sobreviverá. E quem está por detrás das mortes.

Vou-me repetir, mas é mesmo genial. Não o posso recomendar mais.

Classificação: 5

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Este livro conta para os Desafios Vintage Mystery BINGO 2014 (Locked Room), Cruisin' thru the Cozies 2014, TBR Pile 2014, Mount TBR 2014, Monthly Key Challenge 2014 (Number), Monthly Motif Challenge 2014 (Book to Movie) e What's in a Name? 2014 (Number written in letters

sábado, 21 de junho de 2014

Opinião: "A morte de Lorde Edgware"

www.wook.pt/ficha/a-morte-de-lorde-edgware/a/id/40866?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: Lord Edgware Dies
Autor: Agatha Christie
Série: Hercule Poirot #9
Tradutor: Tânia Ganho
Colecção: Obras de Agatha Christie nº3
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Abril de 2008
ISBN: 9789724126548
Páginas: 240

Sinopse: Poirot estava presente quando Jane Wilkinson manifestou o desejo de se livrar do marido, o aristocrata Lorde Edgware, e terminar um casamento há muito fracassado. Foi também na presença de Poirot, que o próprio confirmou o desejo de conceder o divórcio a Jane. Tudo isto não passaria de um episódio meramente passional se não envolvesse um homicídio. Agora que o corpo de Edgware é encontrado sem vida na sua própria biblioteca, todos os olhares recaem sobre a viúva e a Scotland Yard não vai descansar enquanto não resolver a questão.
Mas, para Poirot, os factos não são assim tão fáceis de explicar e, por uma só vez, o detective belga sente-se ludibriado. Afinal, como poderia Jane ter assassinado Lorde Edgware e, ao mesmo tempo, jantar com amigos? E qual poderia ser o seu motivo, já que o aristocrata concordara finalmente com o divórcio?


A minha opinião: Quando eu penso que Agatha Christie já não me vai conseguir surpreender, eis que ela me prova como estava enganada...

A história tem início na noite em que Poirot e Hastings assistem ao espectáculo de Carlotta Adams, uma actriz talentosa e popular, e que termina com uma série de imitações, inclusive a da actriz Jane Wilkinson que, curiosamente, se encontra também nessa noite a assistir ao espectáculo. De facto, Jane fica tão impressionada com o espectáculo que convida Carlotta e também Poirot e Hastings para a sua suite onde se junta um curioso grupo de pessoas.

E aí tem uma conversa em privado com Carlotta (que não presenciamos) e pede a Poirot que a ajude a conseguir o divórcio. Isto porque Jane é, na verdade, Lady Edgware, mas quer desesperadamente divorciar-se para poder casar novamente, desta vez com um duque...

Embora relutante de início, Poirot acaba por aceitar o pedido de Jane e ao visitar Lorde Edgware, fica a saber que este está de acordo em conceder o divórcio à mulher. No dia seguinte, Lorde Edgware está morto e a principal suspeita é a sua mulher... Há testemunhas que a viram nessa noite em casa de Lorde Edgware e a reunir-se com ele, mas esta tem um álibi. Nessa noite esteve presente num jantar e tem várias testemunhas. Imediatamente a suspeita recai sobre Carlotta, mas antes que Poirot consiga falar com ela, também ela aparece morta...

Este não é um caso fácil de deslindar, nem mesmo para Poirot, já que a principal suspeita tem um álibi e a outra suspeita, para além de morta (e portanto sem forma de apresentar uma explicação), parece não ter qualquer motivo... E que motivo poderia ter Jane, já que o marido havia aceitado o divórcio? Mas pessoas com motivo para querer matar Lorde Edgware é coisa que não falta, contudo a identificação de Jane como a assassina parece apontar para que apenas ela (ou alguém fazendo-se passar por ela) tenha tido oportunidade... Felizmente que Poirot e as suas célulazinhas cinzentas não brincam em serviço e acaba por desvendar todo o caso. E confesso que não estava nada à espera daquela explicação...

Mais um excelente mistério da rainha do policial. Um dos meus favoritos!

Classificação: 5

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Este livro conta para os Desafios Vintage Mystery BINGO 2014 (Man in the Title), Cruisin' thru the Cozies 2014, TBR Pile 2014, Mount TBR 2014, Monthly Key Challenge 2014 (death) e Monthly Motif Challenge 2014 (Mystery, Murder, & Mayhem).

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Opinião: "As Investigações de Poirot"

www.wook.pt/ficha/as-investigacoes-de-poirot/a/id/168441?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: Poirot Investigates
Autor: Agatha Christie
Série: Hercule Poirot #3
Tradutor: Isabel Alves
Colecção: Obras de Agatha Christie nº32
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Agosto de 2007
ISBN: 9789724143569
Páginas: 176

Sinopse: Uma indispensável colecção de contos misteriosos.

O que têm um comum uma estrela de cinema, um arqueólogo, uma criada francesa, um primeiro-ministro, uma viúva rica e um conde italiano? Crime e Hercule Poirot. 

Pela mão da mais popular autora de policiais de todos os tempos, são ao todo onze intricados casos que Poirot, o mestre dos enigmas, terá de resolver. 

As Investigações de Poirot (Poirot Investigates) foi originalmente publicado na Grã-Bretanha em 1924. Todas as histórias deste livro foram adaptadas para televisão, sendo protagonizadas por David Suchet.

A minha opinião: As Investigações de Poirot é uma colectânea de contos, sendo que cada um corresponde a um caso resolvido por Poirot e descrito pelo seu fiel companheiro Hastings.

A aventura de «A Estrela Ocidental» - dois diamantes idênticos, "A Estrela Oriental" e "A Estrela Ocidental", uma lenda chinesa e cartas anónimas a exigir a sua devolução. Foi previsível.  

A tragédia de Marsdon Manor - um homem que havia feito recentemente um avultado seguro de vida, morre inesperadamente. Para todos os efeitos, parece ter sido morte natural, mas Poirot é contratado pela companhia de seguros para investigar. 

A aventura do apartamento barato - estou convencida que já vi a adaptação televisiva deste conto, pois a história não me era estranha... Um apartamento numa zona bastante boa de Londres é arrendado por uma renda irrisória e Poirot fica imediatamente desconfiado que aí há gato.

O mistério do pavilhão de caça - Poirot tem gripe, por isso é Hastings quem se desloca ao pavilhão de caça onde ocorreu um assassinato. Mas, obviamente, é Poirot quem soluciona o caso, através das informações que Hastings lhe envia por telegrama.

O roubo das obrigações de um milhão de dólares - Poirot investiga o roubo de obrigações, no valor de um milhão de dólares, que eram transportadas de Londres para Nova Iorque a bordo de um paquete transatlântico, e que parecem ter-se esfumado, reaparecendo misteriosamente em Nova Iorque. 

A aventura do túmulo egípcio - na sequência da descoberta e abertura do túmulo de um rei egípcio, vários membros da expedição morrem, o que dá origem à teoria de uma maldição associada ao túmulo. Poirot desloca-se até lá e esclarece o que realmente se passa.

O roubo de jóias no Grand Metropolitan - Poirot e Hastings decidem ir passar um fim-de-semana ao hotel Grand Metropolitan, onde se dá o roubo de jóias de um dos quartos. Após algumas investigações, Poirot acaba por descobrir quem cometeu o roubo e como o mesmo foi feito. 

O rapto do primeiro-ministro - em plena Primeira Guerra Mundial, e quando se deslocava em segredo para participar na Conferência dos Aliados, o primeiro-ministro é raptado. Poirot é incumbido de o encontrar, mantendo o secretismo quanto ao seu desaparecimento, e de identificar os culpados.

O desaparecimento de Mr. Davenheim - Poirot aposta com o inspector Japp que consegue resolver o caso do desaparecimento de Mr. Davenheim sem se levantar da cadeira. Foi um dos meus contos preferidos. 

A aventura do aristocrata italiano - o conde Foscatini aparece morto no seu apartamento, depois de ter ligado ao seu médico, com o qual Poirot se encontrava nessa noite, a pedir socorro. E é assim que Poirot se vê envolvido na investigação deste crime.

O caso do testamento desaparecido - Poirot é contratado por uma jovem senhora para encontrar o testamento que o seu tio supostamente terá deixado escondido em casa para ela encontrar e, assim, provar-se merecedora da sua herança. Gostei bastante deste conto.

No geral gostei de ler esta colectânea de contos. Como é normal nestes casos, houve contos de que gostei mais do que outros, mas em todos a superioridade intelectual de Hercule Poirot é sempre evidente.

Classificação: 3

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Este livro conta para os Desafios Vintage Mystery BINGO 2014 (Short Story Collection), Cruisin' thru the Cozies 2014, TBR Pile 2014, Mount TBR 2014 e Monthly Motif Challenge 2014 (Short & Sweet).

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Opinião: "Um Corpo na Biblioteca"

www.wook.pt/ficha/um-corpo-na-biblioteca/a/id/41249?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: The Body in the Library
Autor: Agatha Christie
Série: Miss Marple #3
Tradutor: Isabel Alves
Colecção: Obras de Agatha Christie nº16
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Maio de 2003
ISBN: 9789724133485
Páginas: 176

Sinopse: Ela era jovem, loura e usava demasiada maquilhagem. O coronel Bantry e a mulher, Dolly, nunca a tinham visto antes... de a encontrarem morta no tapete da sua biblioteca!
Quem é ela? Como é que foi ali parar? E qual a sua relação com outra jovem assassinada, cujo cadáver será posteriormente descoberto num carro incendiado? O respeitável casal Bantry convida a pessoa mais eficiente que conhece no que a mistérios diz respeito: Miss Jane Marple. E quando o enigma se adensa e a investigação aponta para vários suspeitos possíveis, a astuta solteirona faz jus à sua fama de implacável bisbilhoteira.


A minha opinião: Este é o segundo livro de Agatha Christie com Miss Marple como protagonista que leio e posso dizer que foi o que mais gostei. Porque finalmente consegui perceber aquilo que a distingue dos outros detectives amadores: o facto de saber tudo o que se passa na sua aldeia e utilizar esse conhecimento do comportamento humano aplicando-o ao caso em questão. Miss Marple tem sempre uma pequena história sobre um dos seus amigos ou conhecidos para ilustrar um ponto que quer provar, o que achei delicioso. Também adorei as estratégias que utiliza para levar as pessoas a desabafarem com ela, contando-lhe o que querem e o que não querem, sem mesmo se aperceberem de que o estão a fazer...

O crime é insólito. Uma jovem aparece morta na biblioteca dos Bantry, mas nem eles, nem ninguém na aldeia parece reconhecê-la. A investigação policial acaba por conduzir a um hotel da região, o Hotel Majestic, onde se encontra hospedado um velho amigo dos Bantry, Conway Jefferson, que não só conhecia a vítima, como acaba por fornecer um possível motivo para a sua morte. Terá sido pela sua ligação a Jefferson que o assassino escolheu a biblioteca dos Bantry para deixar o corpo? E qual a ligação deste crime com o corpo da jovem escuteira descoberto incinerado num carro roubado?

Jane Marple é chamada a investigar o caso por Mrs. Bantry que antevê, e bem, que numa aldeia pequena como St. Mary's Mead, se o caso não for resolvido rapidamente, a suspeita cairá para sempre sobre o coronel Bantry. E é aplicando o seu conhecimento da vida numa aldeia que Miss Marple desvenda, por fim, quem assassinou as duas jovens e porquê. Um bom mistério "aconchegante" ideal para ler nestes dias frios que temos tido.

Classificação: 4

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Este livro conta para os Desafios Vintage Mystery Reading 2013 (Scene of the Crime), Cruisin' thru the Cozies 2013, Mystery/Crime 2013 e Mount TBR 2013.

domingo, 17 de novembro de 2013

Opinião: "A Festa das Bruxas"

www.wook.pt/ficha/a-festa-das-bruxas/a/id/9596235?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: Hallowe'en Party
Autor: Agatha Christie
Série: Hercule Poirot #36
Tradutor: John Almeida
Colecção: Obras de Agatha Christie nº63
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Fevereiro de 2011
ISBN: 9789892310046
Páginas: 208

Sinopse: A famosa escritora de policiais Ariadne Oliver prepara-se para celebrar a Noite das Bruxas em casa de uma amiga. Outra das convidadas é Joyce, uma jovem fã de livros policiais, que confessa ter já assistido a um assassinato. Mas a sua fama de contadora de histórias mirabolantes faz com que ninguém lhe preste atenção. Porém, quando Joyce é encontrada morta nessa mesma noite, Mrs. Oliver questiona se esta última história seria mesmo fruto da sua imaginação. Quem de entre os convidados quereria silenciá-la? Mrs. Oliver não conhece ninguém melhor do que o seu amigo Hercule Poirot para responder a esta questão. Mas nem mesmo para o grande detective será fácil desmascarar o assassino...

A Festa das Bruxas (Hallowe'en Party) foi originalmente publicado em 1969 na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Foi adaptado para a televisão em 2010, com David Suchet no papel de Hercule Poirot. 

A minha opinião: Ariadne Oliver já não acha os assassinatos divertidos, mas isso não significa que esteja livre deles... Mais uma vez vê-se envolvida num assassinato e recorre a Poirot para tentar descobrir quem foi que matou a jovem Joyce. É que pouco antes de morrer, Joyce anunciou que tinha testemunhado um assassinato e Mrs. Oliver pensa que poderá ter sido esse o motivo pelo qual foi assassinada.

Poirot começa a sua investigação e rapidamente percebe que ninguém levava Joyce muito a sério, já que tinha o hábito de inventar histórias para ganhar protagonismo, e ninguém parece acreditar que tivesse mesmo testemunhado um assassinato. Mas se era só uma história inventada, porque foi Joyce assassinada? E se era verdade, quem foi que Joyce viu ser assassinado? É isso que Poirot terá de descobrir e, depois de mais um corpo surgir, terá de ser rápido para evitar mais uma morte.

Gosto bastante da Mrs. Oliver, mas neste livro nota-se que estar envolvida em tantos crimes na vida real começa a desgastá-la e, por isso, surge mais apagada, e até um pouco derrotada. Poirot é muito competente, como sempre, e no final tudo acaba por fazer sentido, mas não foi uma história que me deslumbrasse. O que não significa que não a recomende a fãs da autora e do detective das célulazinhas cinzentas... 

Classificação: 4

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Este livro conta para os Desafios What's in a Name 6 (festa/celebração), Cruisin' thru the Cozies 2013, Mystery/Crime 2013 e Mount TBR 2013.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Opinião: "Mrs. McGinty está morta"

Título original: Mrs. McGinty's Dead
Autor: Agatha Christie
Série: Hercule Poirot #28
Tradutor: Isabel Alves
Colecção: Obras de Agatha Christie nº57
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Junho de 2009
ISBN: 9789892304786
Páginas: 224

Sinopse: Mrs. McGinty está morta. 
                    Como é que ela morreu? 
                                                                       De joelhos como eu. 

Assim reza um jogo infantil… infelizmente para a verdadeira Mrs. McGinty, o que deveria ser apenas uma brincadeira de crianças assumiu contornos bem reais. Foi encontrada morta, os seus aposentos destruídos. O assassino procurava algo com tal desespero que chegou a levantar as tábuas do soalho. O que terá motivado tão bárbaras acções?

Poderá a resposta estar num recorte de jornal que a vítima guardara dois dias antes da sua morte? Com um assassino desesperado à solta, Hercule Poirot terá de se manter vivo a todo o custo para descobrir…

Mrs. McGinty Está Morta (Mrs. McGinty’s Dead) foi originalmente publicado em 1952 na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos.  

A minha opinião: Poirot é contactado pelo comissário Spence que lhe pede auxílio pois está convencido que ajudou a condenar um homem inocente. O caso parece muito simples, e todas as provas parecem apontar para a culpa de James Bentley, mas Spence não acredita e quer evitar a sua execução.

Assim, Poirot desloca-se a Broadhinny, o local do crime e onde morava a vítima, Mrs. McGinty. Para além do rendimento que obtinha ao alugar um quarto a Bentley, Mrs. McGinty trabalhava como mulher-a-dias em várias casas da aldeia. No decurso das suas investigações, Poirot descobre que a chave do caso poderá estar num recorde de jornal que Mrs. McGinty tinha guardado dois dias antes de morrer. O dito recorte era uma retrospectiva sobre quatro mulheres vítimas de tragédias passadas. Teria Mrs. McGinty reconhecido alguma das mulheres e sido assassinada antes que pudesse falar? E teria o assassino incriminado James Bentley? Conseguirá Poirot descobrir a verdade a tempo de evitar outra morte?

Eu sou suspeita, mas ainda não li um livro de Agatha Christie de que não tivesse gostado. E gostei de Mrs. McGinty Está Morta, apesar de não ser dos meus preferidos. A autora é, mais uma vez, exímia a fazer-nos suspeitar de tudo e de todos e a pensar que todas as mulheres da aldeia poderão ser uma das quatro mulheres referidas no recorte de jornal. Um bom mistério para fãs do género como eu. 

Classificação: 4 

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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Opinião: "Os Trabalhos de Hércules"

Título original: The Labours of Hercules
Autor: Agatha Christie
Série: Hercule Poirot #26
Tradutor: John Almeida
Colecção: Obras de Agatha Christie nº61
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Maio de 2010
ISBN: 9789892308142
Páginas: 272

Sinopse: Hercule Poirot está a pensar muito seriamente em reformar-se e dar por terminada a sua brilhante carreira detectivesca. A verdade é que o talentoso belga acalenta um sonho: cultivar abóboras-meninas. Todavia, quando um amigo o compara a Hércules, o herói grego, o grande detective fica perplexo mas acaba por considerar que têm, sim, algo em comum: foram ambos responsáveis por livrar a sociedade de alguns dos seus mais temíveis monstros. Poirot decide então despedir-se em grande e aceitar apenas mais doze trabalhos, doze casos que correspondam em magnificência aos doze trabalhos de Hércules. Cada um deles ficará nos anais do crime como um feito heróico de dedução.

Considerada a melhor colecção de contos de Agatha Christie, Os Trabalhos de Hércules usa um tema unificador para mostrar doze exemplos das capacidades formidáveis das "celulazinhas cinzentas"de Hercule Poirot.

Os Trabalhos de Hércules (The Labours of Hercules) foi originalmente publicado em 1947 na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. 
 
A minha opinião: Numa altura em que começa a contemplar a hipótese de se reformar muito em breve, Poirot é comparado, por um amigo, a Hércules. E é assim que lhe surge uma idéia que rapidamente se torna num plano: tal como Hércules teve que ultrapassar doze trabalhos, também Hercule resolverá mais doze casos e só então se reformará.

Confesso que não me recordo muito bem de todos os trabalhos de Hércules, mas é bastante óbvio que os doze casos de Poirot têm todos semelhanças com os mesmos. Vou fazer uma breve referência a cada um deles:
  1. O Leão de Nemeia - Poirot é contratado para investigar um estranho caso de rapto de cães pequineses. Os cães são sempre raptados na presença de testemunhas e devolvidos depois de pago o resgate pedido. Como consegue o raptor desaparecer com os cães no meio de tantas pessoas e qual o verdadeiro motivo por detrás dos raptos é o que Poirot irá descobrir.
  2. A Hidra de Lerna - um homem desesperado recorre a Poirot para que o ajude. Na sua pequena aldeia corre o boato de que assassinou a sua mulher, que morreu há um ano. O homem garante que a sua mulher morreu de causas naturais e Poirot viaja até à aldeia e lança alguns boatos também para forçar a Hidra a mostrar a sua cabeça central.
  3. A Corça de Arcádia - um jovem mecânico bem apessoado relembra a Poirot um jovem pastor em Arcádia e quando este lhe pede que descubra o paradeiro da jovem por quem se apaixonou e que desapareceu misteriosamente, Poirot inicia a busca da bela "corça".
  4. O Javali de Erimanto - numa estância suiça, cujo acesso se faz apenas por um funicular que misteriosamente se avaria, Poirot tem de descobrir qual dos hóspedes ou dos funcionários é um perigoso assassino, um javali, em fuga da justiça.
  5. Os Estábulos de Augias - o jovem, e recentemente nomeado primeiro-ministro, vê o início do seu mandato ameaçado por revelações acerca do seu sogro, o anterior e demissionário primeiro-ministro, que irão ser publicadas num jornal. Poirot terá de adaptar e modernizar a solução de Hércules para conseguir limpar estes estábulos modernos.
  6. As Aves de Estinfália - novamente num hotel, desta feita na fictícia Herzoeslováquia, Poirot ajuda um cavalheiro inglês, envolvido numa situação muito desagradável precisamente devido ao seu cavalheirismo. E prova que, por vezes, as aves de mau agoiro não são bem aquelas de quem desconfiamos.
  7. O Touro de Creta - uma jovem abandonada pelo noivo pede ajuda a Poirot para que o faça mudar de ideias. É que o jovem está convencido que está a enlouquecer e pretende cortar todos os laços com a noiva para a poupar, mas ela não acredita na sua loucura. Será Poirot a descobrir a verdade e a livrar a aldeia do seu próprio touro de Creta.
  8. As Éguas de Diomedes - Poirot é contactado por um jovem médico que se deparou com uma festa na qual os convidados consumiram cocaína. Contudo, o médico não quer recorrer à polícia para proteger uma das convidadas. A jovem em causa, tal como as suas três irmãs, tem a fama de ser estouvada, justificável pelo facto de terem sido criadas apenas pelo pai. Cabe a Poirot a tarefa de descobrir o fornecedor da droga e parar a destruição que estas estão a causar.
  9. O Cinturão de Hipólita - um quadro de Rubens é roubado, em plena luz do dia e na presença de testemunhas, da galeria onde se encontrava exposto. E é por se encontrar a investigar esse caso que Poirot acaba a investigar também o caso de uma colegial desaparecida no comboio que a levaria à nova escola e que mais tarde reaparece, mas sem qualquer memória do que se passou. Conseguirá Poirot resolver ambos os casos?
  10. O Gado de Gerião - uma personagem da primeira história reaparece e pede ajuda a Poirot porque está preocupada com uma sua amiga envolvida numa seita cujos membros têm o curioso hábito de morrer depois de deixarem toda a sua fortuna à seita. Serão essas mortes apenas estranhas coincidências, ou haverá mão criminosa?
  11. As Maçãs das Hespérides - Poirot é contratado para recuperar o famoso e infame cálice do Papa Bórgia, roubado ao seu legítimo dono há dez anos.
  12. A Captura de Cérbero - Poirot reencontra em Londres a condessa Vera Rosakoff, agora gerente do bar nocturno da moda, o Inferno, decorado a rigor com direito ao cão Cérbero de guarda à entrada. Quando começa a frequentar o clube, Poirot apercebe-se que há negócios obscuros a ocorrer no Inferno e cabe a ele revelá-los.

Já aqui disse que não propriamente fã de contos, mas até apreciei estes, não só porque são todos protagonizados por Hercule Poirot, o meu detective preferido, mas também porque acaba por haver um fio condutor que os liga. Julgo que os teria apreciado bastante mais se me lembrasse melhor da mitologia grega... 

Classificação: 3

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Este livro conta para os Desafios Vintage Mystery Reading 2013 (Repeat Offenders), Cruisin' thru the Cozies 2013, Mystery/Crime 2013, Mount TBR 2013 e Book Bingo 2013 (contos).

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Opinião: "Matar é Fácil"

Título original: Murder Is Easy
Autor: Agatha Christie
Série: Superintendent Battle #4
Tradutor: Carlos Afonso Lobo
Colecção: Obras de Agatha Christie nº28
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Novembro de 2005
ISBN: 9789724140469
Páginas: 218 

Sinopse: Luke Fitzwilliam não deu qualquer importância àquilo que, para ele, não passava de um fantasioso produto da imaginação de Miss Lavinia Pinkerton, a quem acabara de conhecer no comboio e cuja teoria a levava a dirigir-se à Scoland Yard. Segundo a velhinha, as mortes que assolaram a pacata aldeia onde vivia deviam-se à acção de um assassino em série. Mas Lavinia não se ficava por aqui e acreditava conhecer a identidade da próxima vítima: Dr. Humbleby, o médico local.
Algumas horas depois, Miss Pinkerton morre vítima de atropelamento. Mera coincidência? Luke sentia-se inclinado a acreditar que sim… até que ao ler o The Times se depara com a notícia da inesperada morte do Dr. Humbleby…

Matar é Fácil (Murder Is Easy) foi originalmente publicado na Grã-Bretanha em 1939, ano em que seria igualmente publicado nos Estados Unidos, com o título Easy to Kill. O romance foi, em 1981, adaptado para televisão. 

A minha opinião: Em primeiro lugar tenho de referir que não percebo muito bem porque é que este livro está integrado na série Superintendent Battle, uma vez que o superintendente só aparece no penúltimo capítulo e nem sequer é ele a desvendar o caso...

O verdadeiro detective (ainda que não muito eficaz) desta história é Luke Fitzwilliam, que se desloca a Wychwood-under-Ashe infiltrado para desmascarar um possível assassino em série. Luke acaba de chegar a Inglaterra, depois de se reformar da polícia britânica no Oriente, e no comboio para Londres conhece uma velhinha simpática, Miss Pinkerton, que lhe conta que o motivo pelo qual vai a Londres é para se deslocar à Scoland Yard e desmascarar um assassino que já fez várias vítimas na sua aldeia. Embora nunca lhe chegue a revelar a identidade do assassino, revela-lhe a identidade da sua próxima vítima: o Dr. Humbleby.

Claro que Luke não dá a mínima importância à história da velhinha até que lê no jornal, não só a notícia do atropelamento mortal de Miss Pinkerton, como também, alguns dias depois, a notícia da morte do Dr. Humbleby. É claro que pode não passar tudo de uma estranha coincidência, mas Luke fica suficientemente intrigado para resolver investigar por conta própria. Por sorte, Luke tem um amigo que tem uma prima que vive na aldeia, Bridget Conway, e que fornece a Luke a desculpa perfeita para aí se deslocar, fingindo ser seu primo.

Rapidamente Luke percebe que há vários suspeitos que podem ser o assassino e tudo se resume a tentar descobrir o que une as diferentes vítimas, qual o motivo para os assassinatos e se cada um dos suspeitos teve oportunidade para cometer os crimes. E, é claro, impedir que o assassino volte a atacar...

Gostei bastante desta história e do protagonista, Luke, embora ache que, para um polícia reformado, não era lá grande detective... Mas a verdade é que a autora nunca nos revela que tipo de polícia ele era. E ainda para mais, durante a investigação, o homem acaba por se apaixonar, o que é sempre coisa para distrair uma pessoa...

Mas gosto destas histórias isoladas de Agatha Christie, pois são sempre bastante diferentes das de Poirot ou Miss Marple e porque já sabemos, à partida, que são histórias com princípio, meio e fim, sem continuidade. Agora quero muito ver a adaptação da BBC que, curiosamente, parece que adaptou a história para ser um mistério de Miss Marple, o que, sem dúvida, terá tirado protagonismo a Luke. Estou curiosa com o resultado.

Classificação: 4

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Este livro conta para os Desafios Vintage Mystery Reading 2013 (Jolly Old England), Cruisin' thru the Cozies 2013 e Mystery/Crime 2013.

domingo, 25 de agosto de 2013

Opinião: "Cai o pano - O último caso de Poirot"

Título original: Curtain: Poirot's last case
Autor: Agatha Christie
Série: Hercule Poirot #39
Tradutor: Salvador Guerra
Colecção: Obras de Agatha Christie nº76
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Maio de 2013
ISBN: 9789892323442
Páginas: 224
Origem: Oferecido pela editora em troca de uma opinião honesta

Sinopse: Hercule Poirot regressa à mansão de Styles, palco do seu primeiro caso. Na casa está reunido um grupo que muito agrada ao Capitão Hastings. O seu choque é, pois, imenso quando Poirot anuncia que, entre eles, se encontra um assassino implacável. Nenhum dos convidados tem perfil de criminoso, muito pelo contrário. Com o passar dos anos, a saúde do detetive deteriorou-se. Será que as suas célebres celulazinhas cinzentas vão desapontá-lo pela primeira vez?

Cai o pano: O último caso de Poirot (Curtain: Poirot’s last case) foi originalmente publicado em 1975 na Grã-Bretanha, tendo sido editado no mesmo ano nos Estados Unidos.

A minha opinião: Cai o pano: O último caso de Poirot é, tal como o nome indica, o último caso de Poirot. E nele encontramos um Poirot muito envelhecido e debilitado pela doença, um Poirot que aceitou a sua iminente mortalidade, mas que nem por isso aceita deixar um assassino escapar impune...

É que, apesar do seu corpo se encontrar em rápido e evidente declínio, o seu cérebro continua a 100% e, por isso, Poirot recorre à ajuda do seu velho amigo Capitão Hastings e pede que este se junte a ele no local onde tudo começou, a mansão de Styles. Styles foi transformada numa hospedaria e é aí que Poirot informa Hastings que um dos hospedes de Styles é um assassino em série. E pede a Hastings que o ajude, sendo os seus olhos e ouvidos na casa, uma vez que Poirot está praticamente confinado à cama e já só se move numa cadeira de rodas. Contudo, recusa-se a revelar a identidade do assassino, o que faz com que Hastings acabe por desconfiar de tudo e de todos...

Será Hastings capaz de auxiliar Poirot a capturar o assassino antes que este reclame a sua próxima vítima? Mas como, se nem sabe de quem se trata? A situação torna-se ainda mais desesperante para o pobre Capitão Hastings porque a sua filha é uma das hóspedes de Styles...

Gostei de regressar a Styles, quase como se, ao terminar a história de Poirot onde a mesma começou, fosse o completar de um círculo, de uma jornada que, felizmente, ainda continuo a acompanhar (porque não estou a ler os livros por ordem...). A mansão volta a ser uma espécie de personagem, com o seu ambiente opressivo e maligno a impregnar os seus habitantes. Tenho um fraquinho por velhas mansões inglesas, já se sabe!

O mistério está muito bem construído e explicado, mas outra coisa não seria de esperar de Agatha Christie e foi uma leitura bastante agradável. Só não lhe dou 5 porque acaba por ter pouco Poirot, mas neste caso não havia outra forma possível... 

Classificação: 4

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Este livro conta para os Desafios Book Bingo 2013 (clássico), Cruisin' thru the Cozies 2013 e Mystery/Crime 2013.

domingo, 30 de junho de 2013

Opinião: "Morte na Praia"

Título original: Evil Under the Sun
Autor: Agatha Christie
Série: Hercule Poirot #23
Tradutor: José Lourenço
Colecção: Obras de Agatha Christie nº5
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Abril de 2008
ISBN: 9789724127651
Páginas: 192

Sinopse: Numa ilha da costa de Devon, em plena época balnear, desenham-se os contornos de um triângulo amoroso. Por uma (in)feliz coincidência, Poirot encontra-se bem perto do desenrolar da acção. De férias e decidido a aproveitar ao máximo (ou tanto quanto o detective belga se permite) os efeitos benéficos do sol e do ar marítimo, Poirot cedo abdica desses propósitos para dedicar toda a sua atenção ao excêntrico grupo que com ele partilha o hotel. Mas escondem-se motivos sombrios por detrás da aparente frivolidade destas relações sociais, e nada nem ninguém parece conseguir demover o assassino das suas sinistras intenções.

A minha opinião: A acção de Morte na Praia fez-me lembrar uma tragédia grega. O ambiente de desgraça iminente é rapidamente perceptível, inclusivé por Poirot que o admite a certa altura. É referido logo no primeiro capítulo que "o mal está debaixo do Sol" (a tradução literal do título original) e Poirot dá o mote quando exemplifica que todas as pessoas ali presentes têm um motivo para ali se encontrarem, por estarem de férias, por ser Agosto e por em Agosto as pessoas de férias irem para a beira-mar, o que por si só constituiria um álibi para alguém que quisesse assassinar um inimigo que soubesse que ali se encontraria.

E o mal acaba por acontecer debaixo do Sol... Uma antiga actriz, que apesar de casada, continuava a cultivar paixões, aparece morta. Ninguém parecia gostar dela, nem o marido, nem a enteada, nem a sua mais recente conquista. E a juntar a esta lista de suspeitos há ainda a amiga de infância do marido que sempre o amou, a mulher do seu amante e um reverendo fanático, entre outros. Suspeitos não faltam, e motivos também não, mas só Poirot conseguirá ver para lá das ilusões e descobrirá a verdade!

Apesar de não ser um dos meus favoritos, Morte na Praia é um mistério muito competente, em que todas as pontas são atadas e onde Poirot, desta feita a solo, se encontra em grande forma.

Classificação: 4

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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Opinião: "O mistério do Comboio Azul "

Título original: The Mystery of the Blue Train
Autor: Agatha Christie
Série: Hercule Poirot #6
Tradutor: Isabel Alves
Colecção: Obras de Agatha Christie nº24
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Abril de 2008
ISBN: 9789724137650
Páginas: 240

Sinopse: Ruth recebe do pai, um milionário americano, uma extraordinária jóia que encerra “um rasto de tragédia e violência”. Embora seja avisada de que não deve transportá-la para fora do país, Ruth decide levá-la consigo quando parte para Nice a bordo do famoso Comboio Azul. A notícia do seu assassinato será para todos um imenso choque… e mais um desafio para Hercule Poirot.

O Mistério do Comboio Azul (The Mystery of the Blue Train) foi originalmente publicado na Grã-Bretanha, em 1928, ano em que foi igualmente publicado nos Estados Unidos.

A minha opinião: O livro começa com uma aura de mistério, a lembrar espiões e a compra e venda de segredos. Mas, neste caso, a compra secreta é de uma famosa jóia cuja história está associada a uma série de tragédias.

É Rufus Van Aldin, milionário americano, quem compra a famosa jóia e a oferece à sua filha, Ruth. Ruth decide viajar para a Riviera Francesa a bordo do Comboio Azul e leva consigo a jóia. A bordo do comboio viaja também Katherine Grey, uma jovem que herdou uma grande quantia da senhora para quem trabalhava, e Ruth acaba por fazer algumas confidências a Katherine. Mas também Hercule Poirot viaja a bordo do Comboio Azul e, ao jantar é sentado junto a Ruth e acaba por efectuar uma espécie de profecia ao dizer a Katherine que quem sabe um dia não se verá numa aventura semelhante às que ele já viveu. E esse dia estava mais próximo do que qualquer um deles poderia imaginar...

É que na manhã seguinte Ruth está morta. E a jóia desapareceu. Katherine é chamada para dar o seu testemunho, uma vez que foi uma das últimas pessoas a falar com Ruth e Poirot acaba por ser contratado por Van Aldin para investigar o caso.

Uma das questões que se põe a Poirot é se o assassinato e o roubo estão ou não relacionados. E será que o assassino foi alguém que já se encontrava no comboio ou alguém que aproveitou a paragem na estação para entrar no comboio e cometer o crime? Suspeitos há muitos, desde o marido de quem Ruth se pretendia divorciar e que seguia no comboio, à sua amante que também seguia no comboio, passando pelo amante de Ruth que afinal estava mais interessado na jóia do que nela...

Poiror e Katherine acabam por formar uma espécie de dupla investigadora. Mas Katherine acaba por atrair as atenções de Derek, o marido de Ruth, e de Knighton, o secretário de Van Aldin, situação que Poirot encara com apreensão. Qual dos homens irá ela escolher? E será que serão mesmo aquilo que aparentam?

Mais uma história genial de Agatha Christie, com certas parecenças com O Crime no Expresso do Oriente, em que o enredo é intricado e as personagens ricas e complexas. Ah, e esta é a primeira vez que surge a aldeia ficcional de St. Mary Mead, lar de uma outra personagem bastante conhecida e querida, Miss Marple.

Classificação: 4

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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Opinião: "O homem do fato castanho"

Título original: The Man in the Brown Suit
Autor: Agatha Christie
Série: Colonel Race #1
Tradutor: Maria João Delgado
Colecção: Obras de Agatha Christie nº20
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Abril de 2005
ISBN: 9789724135908
Páginas: 232

Sinopse: (Contém spoiler) A jovem Anne vai para Londres em busca de aventura. E encontra-a rapidamente: na plataforma de embarque do metro de Hyde Park Corner, onde um homem perde o equilíbrio e morre electrocutado nos carris.
O veredicto da Scotland Yard aponta para morte acidental. Mas Anne não fica satisfeita. Afinal, quem era o homem de fato castanho que examinou o corpo fazendo-se passar por médico? De que forma é que este assassinato pode estar relacionado com a morte da misteriosa Nadina?
Determinada a resolver o mistério, Anne parte num cruzeiro com destino à Cidade do Cabo, na África do Sul. Mas esta poderá vir a ser a sua derradeira viagem…

A minha opinião: Quem acompanha o blog com certeza já percebeu que sou uma fã incondicional de Agatha Christie. E também que privilegio os livros com Hercule Poirot como detective. Mas desta vez precisava de um livro com "castanho" no título para o Desafio Color Coded 2012 e foi por isso que o comprei. Mas posso dizer que fiquei agradavelmente surpresa.

O homem do fato castanho tem como protagonista a jovem Anne que cresceu sem mãe e com um pai tão focado na sua carreira académica que forçou Anne a ser o adulto da casa. Com a morte do pai, Anne resolve partir em busca de aventura, tal como as heroínas que via no cinema. E é em Londres, para onde parte, que acaba por se envolver numa trama de cuja verdadeira dimensão só tem noção praticamente no final do livro.

Anne está numa plataforma de metro e o cheiro a naftalina que emana do casaco de um homem faz com que repare nele. O homem parece assustado com qualquer coisa atrás de Anne e acaba por cair aos carris. Surge um segundo homem que se diz médico e que examina o corpo e declara a morte. Mas este segundo homem deixa cair um papel que Anne apanha e o papel, para além de conter o que parece ser um código, cheira a naftalina...

A partir daqui Anne começa a investigar e liga a morte do homem nos carris ao assassinato de uma estrangeira numa casa que se encontra para alugar, e cujo principal suspeito é um homem de fato castanho. A investigação leva-a a embarcar num cruzeiro rumo à África do Sul, destino de aventuras com que sempre sonhou. Mas a bordo do cruzeiro também se encontra um assassino... E o que esconde o homem do fato castanho? A bordo do cruzeiro Anne encontra o amor, mas será que também encontrará a morte?

Gostei muito deste livro, achei a protagonista fantástica. Corajosa, apaixonada, determinada a descobrir a verdade custe o que custar, Anne sabe o que quer e luta para o conseguir. Acho que este é o primeiro livro de Agatha Christie que leio em que a autora dá tamanha relevância a uma história de amor. Geralmente ficamos a saber que determinado casalinho se formou, ou temos o ciúme como motivo do crime, mas não acompanhamos a evolução do romance. Foi algo que me agradou muito.

Classificação: 4

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terça-feira, 31 de julho de 2012

Opinião: "Café Negro"

Título original: Black Coffee
Autor: Agatha Christie
Série: Hercule Poirot #7
Tradutor: John Almeida
Colecção: Obras de Agatha Christie nº68
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Agosto de 2011
ISBN: 9789892315645
Páginas: 172

Sinopse: O inventor Sir Claud Amory fica desesperado quando a sua fórmula para um novo e poderoso explosivo é roubada. O autor do roubo só pode ser alguém que esteja em sua casa. Terá sido um familiar ou um “amigo”? Com medo da resposta, Sir Claud decide dar uma oportunidade ao infractor. As portas são trancadas e as luzes desligadas mas, em vez de devolver a fórmula, o ladrão acrescenta algo ao café do anfitrião... Poirot já não consegue impedir esta morte, mas pode ainda evitar uma catástrofe. Tem “apenas” de encontrar a fórmula e o assassino. E tudo isto sem se deixar envenenar...

Escrito originalmente por Agatha Christie em 1930 como uma peça de teatro, Café Negro (Black Coffee) foi adaptado para romance por Charles Osborne em 1997. Foi também transposto para o cinema em 1931 e 1932.

A minha opinião: Tal como indica a sinopse, Café Negro foi originalmente escrito como uma peça de teatro e, 67 anos mais tarde, foi adaptado para romance por Charles Osborne, um actor que já havia desempenhado o papel de Dr. Carelli numa adaptação da peça.

A adaptação foi muito fiel, pois lê-se como um livro escrito por Agatha Christie. No entanto, não posso deixar de pensar que, provavelmente, resulta melhor como peça de teatro do que como romance. A acção tem praticamente toda lugar na biblioteca, onde se dá o crime, e há alguns pormenores que nos são descritos, possivelmente porque eram necessários na representação da peça, mas que preferia que não tivessem sido incluídos na adaptação.

Ainda assim, não tendo sido um dos meus preferidos, não deixa de ser um mistério onde Poirot demonstra mais uma vez a sua competência e perfeito domínio das celulazinhas cinzentas.

Classificação: 3

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Opinião: "Morte no Nilo"

Título original: Death on the Nile
Autor: Agatha Christie
Série: Hercule Poirot #18
Tradutor: Isabel Alves
Colecção: Obras de Agatha Christie nº30
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Fevereiro de 2011
ISBN: 9789724141701
Páginas: 272

Sinopse: A tranquilidade de um cruzeiro ao longo do Nilo é ensombrada pela descoberta do cadáver de Linnet Ridgeway. Ela era jovem e bela; e tinha tudo… até perder a vida! Hercule Poirot apercebe-se de que, a bordo do navio, todos os passageiros são possíveis assassinos: pelas mais diversas razões, todos tinham algo a apontar a Linnet. Mas quem terá sido levado ao acto extremo de a alvejar? Ainda que tudo aponte para a mesma pessoa, o detective cedo descobre que naquele cenário exótico nada é exactamente o que parece.

A minha opinião: Mais um excelente mistério de Hercule Poirot! Agatha Christie não pára de me surpreender e ainda bem!

Morte no Nilo inicia-se em Inglaterra onde ficamos a conhecer Linnet Ridgeway, o seu mundo e as pessoas que dele fazem também parte. E mais uma vez não há nenhum pormenor sem importância, e situações que parecem inconsequentes acabam por ter relevância mais tarde. A autora é exímia a transmitir uma atmosfera de "paz podre" à volta de Linnet, ou seja, embora nos seja apresentada como boa pessoa, generosa e encantadora, percebemos que há muito ressentimento, interesse e inveja à sua volta. E a própria Linnet não tem qualquer noção da realidade pois, segundo a mesma, não tem "um único inimigo no mundo".

Uma vez no Egipto, apercebemo-nos rapidamente que a autora reuniu uma série de personagens com muito que se lhes diga... E também parece claro que não se encontram naquele navio por coincidência. Têm um motivo concreto (uns legítimo, outros nem tanto) para se encontrarem no navio onde Linnet Ridgeway está a passar a lua de mel. O assassinato de Linnet não é imediato, o que aumenta a atmosfera de desconfiança. Após a morte de Linnet, quando Poirot começa a investigação, parece que praticamente todas as pessoas a bordo do navio tinham motivo para querer a sua morte. E uma vez que o crime acontece no navio, o leque de suspeitos é limitado, teve de ser alguém a bordo.

Tal como é típico da autora, existe uma série de mistérios menores que Poirot desvenda, eliminando suspeitos, à medida que outras personagens são assassinadas por saberem de mais... Ou seja, praticamente todos os passageiros do navio têm um segredo, embora possa não ter nada a ver com Linnet e a sua morte, e Poirot completa o puzzle pondo todas as peças no sítio.

O final é, mais uma vez, genial e, embora intrincado, faz todo o sentido quando explicado por Poirot. Desta vez desconfiei do "quem", mas estava totalmente à nora quanto ao "como" e "porquê".

Fiquei com muita vontade de ver as adaptações, quer o filme de 1978 com Angela Lansbury no papel de Mrs. Otterbourne (ainda que algumas personagens tenham sido retiradas), quer o telefilme com David Suchet como Poirot (pelo que li, mais fiel à história).

Classificação: 5

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Este livro conta para os Desafios Mount TBR 2012Cruisin' thru the Cozies 2012, Mystery & Suspense 2012 e Vintage Mystery Reading 2012.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Opinião: "O Natal de Poirot"

Título original: Hercule Poirot's Christmas
Autor: Agatha Christie
Série: Hercule Poirot #20
Tradutor: Isabel Alves
Colecção: Obras de Agatha Christie nº12
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Abril de 2008
ISBN: 9789724131610
Páginas: 208

Sinopse: É véspera de Natal. A reunião da família Lee é destruída por um ensurdecedor barulho de mobília a partir-se, seguido por um grito de agonia. No andar de cima, o tirânico Simeon Lee encontra-se morto num lago de sangue com a garganta cortada.

No entanto, quando Hercule Poirot, que se encontra na zona para passar o Natal com um amigo, oferece a sua ajuda, encontra uma atmosfera não de luto mas de suspeita mútua. Parece que toda a gente tinha as suas razões para odiar o velho….

A minha opinião: Eu adoro o Natal! Por isso não resisti a ler este livrinho nesta altura. Um mistério na época natalícia desvendado pelo meu detective preferido? Perfeito para mim!

E na verdade adorei! Ainda que tivesse desvendado muitas coisas, a autora conseguiu surpreender-me no final, não estava à espera que o assassino fosse aquela personagem. Hercule Poirot encontra-se em grande forma neste livro. Só tive pena que o Capitão Hastings não entrasse na história.

Um excelente mistério para terminar o ano em grande!

Classificação: 5

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Este livro conta para os Desafios Mystery & Suspense 2011 e 2011 Vintage Mystery Reading.