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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Desafio Color Coded 2012 - Terminado!


ATTENTION: This post will be writen in Portuguese and English.

Mais um desafio superado!

O Desafio Color Coded 2012 consistia em ler, em 2012, 9 livros com as seguinte cores no título:
  1. Azul - O Mistério do Comboio Azul de Agatha Christie
  2. Vermelho - The Scarlet Letter de Nathaniel Hawthorne
  3. Amarelo - O Mistério do Quarto Amarelo de
  4. Verde - Olhos Verdes de Luísa Costa Gomes
  5. Castanho - O Homem do Fato Castanho de Agatha Christie
  6. Preto - Café Negro de Agatha Christie
  7. Branco - Carte Blanche de Carlo Lucarelli
  8. Qualquer outra cor - Silver Bay de Jojo Moyes
  9. Uma palavra que implique cor - O Rapaz do Pijama às Riscas de John Boyne
Este foi um desafio divertido e uma boa forma de ler alguns livros que já estavam cá por casa há algum tempo...


Another challenge completed!

The 2012 Color Coded Reading Challenge consisted of reading, in 2012, 9 books with the following colors in the title:
  1. Blue - The Mystery of the Blue Train by Agatha Christie
  2. Red - The Scarlet Letter by Nathaniel Hawthorne
  3. Yellow - The Mistery of the Yellow Room by
  4. Green - Green Eyes by Luísa Costa Gomes
  5. Brown - The Man in the Brown Suit by Agatha Christie
  6. Black - Black Coffee by Agatha Christie
  7. White - Carte Blanche by Carlo Lucarelli
  8. Any other color - Silver Bay by Jojo Moyes
  9. A word that implies color- The Boy in the Striped Pyjamas by John Boyne
This was a fun challenge and a good way to read some of the books that have been in the house for a while...

Opinião: "Olhos Verdes"

Autor: Luísa Costa Gomes
Colecção: Mil Folhas nº21
Editor: Público
Edição/reimpressão: Setembro de 2002
ISBN: 8496075079
Páginas: 194

Sinopse: Olhos Verdes trata da aparência e do acaso. Os seus personagens fazem parte do mundo das aparências: trabalham em profissões ou têm inclinações que implicam uma evasão da realidade: Pedro Levi é modelo de roupa interior; Eva Simeão é viciada em TV; o seu ex-marido, Paulo Mateus, deslumbrou-se com a América, que é "outro mundo"; João Baptista Daniel, perseguido por Eva mas não se interessando por esta, é director de marquetingue; Beatriz, sua mulher, é revisora gráfica ("Passa a melhor parte do seu dia a tornar mais pitoresca a realidade"); as irmãs Fonseca, Maria do Céu e Maria das Dores, oscilam entre o esteticismo e o esoterismo; Ísis, amiga de Eva, dedica-se ao disaine; Lourenço é fotógrafo; Anadir é a rainha dos jingles publicitários... Com todos eles, Luísa Costa Gomes pinta um nervoso retrato dos seres da sociedade contemporânea, que se entrecruzam casualmente e se evadem da realidade. Um longo capítulo dedicado a George Berkeley, o filósofo britânico que tentou demonstrar que a realidade material só existe na percepção que temos dela, tenta enquadrar a narrativa numa moldura teórica. Luísa Costa Gomes criou um romance dinâmico, interessante e cheio de humor, que se reflecte em muitas das suas linhas: "Tinha saudades dele a partir do metro e quarenta de distância"... "As pessoas são capazes de suportar tudo, desde que o possam suportar confortavelmente sentadas"... "O Bem vale mais que o Mal porque há de menos. É a lei da oferta e da procura."

A minha opinião: Olhos Verdes não segue uma estrutura narrativa linear. Centra-se em dois personagens predominantes, Pedro Levi e Eva Simeão, mas não se fica por estes, há toda uma série de outros personagens (uns mais secundários que outros) que vamos conhecendo à medida que se relacionam com Pedro e Eva e uns com os outros. É uma história sobre pessoas e sobre as suas complexidades. Pedro e Eva são personagens muito humanas, neuróticas e desajustadas, sempre em busca de algo inatingível, quer se trate de uma obsessão com um vizinho ou da procura de uma cura. E a obsessão com a imagem é algo que está sempre presente nas acções e pensamentos dos personagens.

Apesar da escrita fragmentada, estava a gostar do livro até chegar ao capítulo V. Até pensei que este teria sido um livro interessante para estudar nas aulas de português do secundário pois, por vezes pareceu-me adivinhar significados escondidos que seria giro analisar. Então qual é o problema? É que o capítulo V é a coisa mais surreal de sempre. Do nada, a autora resolve presentear-nos com a biografia do filósofo George Berkeley. Sim, leram bem, são 42 páginas (num livro com 194) única e exclusivamente com a biografia de uma personagem que nunca havia sido mencionada antes. Bom, mas há um motivo para isso que percebemos no capítulo seguinte, certo? Não, não há. E apesar da explicação dada na sinopse para a existência deste capítulo, a mim não me convence e continuo a achar que o mesmo é totalmente desnecessário. Com certeza haveria uma outra forma menos massuda e até mais eficaz de atingir o mesmo efeito, não?

E o pior é o que o capítulo anterior termina num cliffhanger e passei 42 páginas à espera de finalmente saber o que tinha acontecido... Eis que inicio o último capítulo e deparo-me com a descrição do Assalto ao Aeroporto. Sim, o filme com o Bruce Willis. Ah pois é, depois de uma biografia nada melhor que o argumento de um filme. o_O

Pronto se resolverem ler, não digam que não avisei e preparem-se para uma experiência verdadeiramente esquizofrénica. E estão à vontadinha para saltar o capítulo V, a não ser que apreciem biografias de filósofos do século XVIII. Depois não digam que não avisei...

 Classificação: 2

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Este livro conta para os Desafios Fall Into Reading 2012, Color Coded 2012 e Mount TBR 2012.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Opinião: "Silver Bay - A Baía do Desejo"

Título original: Silver Bay
Autor: Jojo Moyes
Tradutor: Elsa T. S. Vieira
Editor: Porto Editora
Edição/reimpressão: Março de 2009
ISBN: 9789720041944
Páginas: 416

Sinopse: Mike Dormer chega a Silver Bay, uma pacata vila costeira da Austrália, com um único e secreto intuito que abalará por completo a vida dos seus habitantes.

Mas Silver Bay reserva-lhe um destino diferente.

Liza McCullen e a sua filha Hannah, de dez anos, residem no familiar Hotel Silver Bay - tão excêntrico como a sua proprietária Kathleen - onde Mike se hospeda. As suas personalidades enigmáticas exercerão um fascínio inexplicável sobre o pragmático executivo londrino, que se deixará envolver irremediavelmente pelos membros da pequena comunidade de Silver Bay e pela magia que descobre no seu modo de vida. Em pouco tempo, Mike sentir-se-á dividido entre a culpa e o desejo, a responsabilidade... e a paixão inesperada. Paralelamente, a vida de Liza sofrerá uma reviravolta inevitável.

Prisioneiros de uma perigosa teia de segredos e mentiras, estarão eles preparados para enfrentar os acontecimentos que se avizinham?

A minha opinião: A vontade de ler este livro foi despertada quando li a opinião da Célia no Estante de Livros. Quero dizer, uma história de amor e família, com segredos revelados e que ainda por cima mete golfinhos e baleias? Parecia escrito para mim! A partir daí estive sempre atenta para ver se conseguia apanhar uma promoção e adquiri-lo a um preço mais simpático. E não é que era um dos livros do dia na Feira do Livro este ano no único dia em que lá consegui ir? Ah pois é, veio logo comigo para casa!

Silver Bay é o nome de uma pequena vila na Austrália, um local mágico, mas até agora resguardado do progresso. Contudo, tudo isso está prestes a mudar pois uma empresa inglesa tem um projecto para um mega resort no local. E é esse projecto que leva Mike Dormer, incógnito, a Silver Bay. O que ele não esperava era apaixonar-se pela vila e pelas pessoas que rapidamente o adoptam como um dos seus. E especialmente não esperava apaixonar-se por Liza McCullen e pela sua filha Hannah...

E é ao ver a vila pelos olhos dos locais que Mike começa a perceber que o empreendimento (e o acréscimo de turistas e de actividades náuticas) trará mais mal do que bem e será particularmente nocivo para as baleias, possivelmente causando com que estas se afastem e alterem o seu percurso migratório. E quando testemunha pessoalmente o quanto a interferência humana é nociva para as baleias, Mike decide encontrar um local alternativo para o empreendimento. Mas quando a sua verdadeira identidade é revelada, toda a vila se revolta contra Mike e trata-o como um traidor. Conseguirá Mike recuperar a confiança das pessoas de Silver Bay, salvar a vila e reconquistar a mulher que ama?

Quem segue as minhas opiniões aqui no blog já percebeu com certeza que tenho uma especial predilecção por histórias familiares, especialmente se houver um pouco de mistério à mistura. E é isso que podemos encontrar em Silver Bay, sendo que a família aqui não se limita à que habita o Hotel Silver Bay, estende-se também aos observadores de baleias, frequentadores assíduos do hotel e que constituem, assim, uma família alargada. E quanto ao mistério, este apresenta-se na forma de um segredo do passado do qual apenas têm conhecimento Liza, Hannah e Kathleen, a tia de Liza e proprietária do hotel. A paixão de Liza pelas baleias (e restante vida marinha em geral) é comovente e, de certo modo, contagia as restantes personagens. Hannah é uma miúda fantástica, também ela capaz de lutar apaixonadamente por aquilo em que acredita e que defende. Mike sofre uma transformação ao longo da história passando de um homem de certa forma apático e conformado, a um homem apaixonado e capaz dos maiores sacrifícios para proteger os que ama. Mas a minha personagem favorita foi Kathleen, uma mulher sem papas na língua e com uma percepção incomum (como diria uma amiga minha, ela apanha umas ondas..., mas apanha-as sempre).

Adorei esta história e fiquei com muita vontade de ler os outros livros de Jojo Moyes publicados por cá.  

Classificação: 5

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Este livro conta para o Desafio Fall Into Reading 2012 e Color Coded 2012.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Opinião: "The Scarlet Letter"

Autor: Nathaniel Hawthorne
Colecção: Penguin Popular Classics
Editor: Penguin Books
Edição/reimpressão: 1994
ISBN: 9780140620801
Páginas: 224

Sinopse: The Scarlet Letter is the tragic story of a woman's shame and the cruel treatment she suffers at the hands of the Puritan society in which she lives.

A settler in New England, Hester Prynne has waited two years for her husband, an ageing English scholar, to join her. He arrives to find her in the pillory, a small baby in her arms. She must, as a punishement for her adultery, wear a scarlet 'A' embroidered on her breast and is consequently ostracized by her contemptuous neighbours.

Sworn to keep secret the identity of both her husband and her lover, Hester slowly wins the respect of society by her charitable acts. Her own strenght and the moral cowardice of the man who allows her to face guilt and shame alone are brought into sharp contrast in a dramatic and harrowing conclusion.

A minha opinião: Nem sei bem por onde hei-de começar... Talvez por dizer que achei este livro um daqueles casos em que a ideia até é boa, mas a concretização deixa muito a desejar. A escrita do autor é aborrecida e variadas vezes dava por mim a divagar de tal forma que nem me lembrava do que tinha acabado de ler. Acho mesmo que este poderá ser um dos raros casos em que a adaptação cinematográfica é superior ao livro, mas terei de ver o filme primeiro para tirar a teima.

Em primeiro lugar, caso estejam a pensar lê-lo também, ficam já a saber que podem saltar a introdução do autor. E porque sou amiguinha até vos faço um resumo. Basicamente o autor fala dos seus antepassados e do "desprezo" que sente pelos falsos moralismos puritanos (sendo que teve antepassados puritanos) e da sua carreira que o levou até à Custom House. E é aí que terá encontrado um pedaço de tecido escarlate bordado a linha dourada, na forma da letra A, e um manuscrito escrito pelo seu predecessor e onde era relatada a história que inspirou o livro. E com isto já vos poupei a leitura de 40 páginas que parecem demorar 40 dias a ler...

Em relação à história propriamente dita, esta começa com a humilhação pública de Hester Prynne, condenada por adultério, uma vez que está na colónia há dois anos à espera que o seu marido se junte a ela, e surgiu grávida. Hester está no pelourinho com um bebé nos braços e um 'A' pregado no peito e continua a recusar-se a revelar o nome do seu amante. No público encontra-se um homem de idade, desconhecido na colónia, mas que se apresenta como sendo um médico. De volta à cadeia, a bebé não sossega e o médico é chamado para a ver. É aqui que ficamos a saber que se trata do marido de Hester, finalmente chegado à colónia. Conversam e o marido confessa a sua própria culpa na desgraça de Hester, por ter casado com uma mulher tão jovem. Diz-lhe que estão pagos, mas que ainda irá descobrir a identidade do seu amante e com ele ajustar contas, e exige-lhe segredo em relação à sua verdadeira identidade.

Passam sete anos e a filha de Hester, Pearl, entretanto cresceu, mas praticamente apenas tem contacto com a mãe e revela-se uma criança de certo modo selvagem e muito temperamental. Penso que o autor quis transformar a criança numa espécie de prolongamento da letra escarlate, enquanto símbolo vivo da vergonha da mãe, mas para mim exagerou. Pearl sai-se com tiradas completamente desajustadas para a sua idade e parece quase ter uma intuição sobrenatural que me pareceu muito forçada.

A identidade do amante foi muito fácil de adivinhar e este serviu para mostrar o quanto a vergonha e o pecado escondidos podem ser muito mais prejudiciais do que revelados. A sua saúde é consumida por ambos, mas não tem coragem de revelar o segredo e, assim, aliviar a sua consciência.

A temática do moralismo e do pecado está presente em toda a história e a sociedade puritana é fortemente atacada pelo autor. E posso dizer que o tema e a história até me agradaram, mas a escrita do autor fez com que a leitura deste livro fosse uma tarefa penosa e não a actividade prazenteira que poderia ter sido...

Classificação: 2

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Este livro conta para o Desafio Fall Into Reading 2012, Mount TBR 2012, What's in a Name 5 (algo que possa estar num bolso) e Color Coded 2012.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Opinião: "O mistério do Comboio Azul "

Título original: The Mystery of the Blue Train
Autor: Agatha Christie
Série: Hercule Poirot #6
Tradutor: Isabel Alves
Colecção: Obras de Agatha Christie nº24
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Abril de 2008
ISBN: 9789724137650
Páginas: 240

Sinopse: Ruth recebe do pai, um milionário americano, uma extraordinária jóia que encerra “um rasto de tragédia e violência”. Embora seja avisada de que não deve transportá-la para fora do país, Ruth decide levá-la consigo quando parte para Nice a bordo do famoso Comboio Azul. A notícia do seu assassinato será para todos um imenso choque… e mais um desafio para Hercule Poirot.

O Mistério do Comboio Azul (The Mystery of the Blue Train) foi originalmente publicado na Grã-Bretanha, em 1928, ano em que foi igualmente publicado nos Estados Unidos.

A minha opinião: O livro começa com uma aura de mistério, a lembrar espiões e a compra e venda de segredos. Mas, neste caso, a compra secreta é de uma famosa jóia cuja história está associada a uma série de tragédias.

É Rufus Van Aldin, milionário americano, quem compra a famosa jóia e a oferece à sua filha, Ruth. Ruth decide viajar para a Riviera Francesa a bordo do Comboio Azul e leva consigo a jóia. A bordo do comboio viaja também Katherine Grey, uma jovem que herdou uma grande quantia da senhora para quem trabalhava, e Ruth acaba por fazer algumas confidências a Katherine. Mas também Hercule Poirot viaja a bordo do Comboio Azul e, ao jantar é sentado junto a Ruth e acaba por efectuar uma espécie de profecia ao dizer a Katherine que quem sabe um dia não se verá numa aventura semelhante às que ele já viveu. E esse dia estava mais próximo do que qualquer um deles poderia imaginar...

É que na manhã seguinte Ruth está morta. E a jóia desapareceu. Katherine é chamada para dar o seu testemunho, uma vez que foi uma das últimas pessoas a falar com Ruth e Poirot acaba por ser contratado por Van Aldin para investigar o caso.

Uma das questões que se põe a Poirot é se o assassinato e o roubo estão ou não relacionados. E será que o assassino foi alguém que já se encontrava no comboio ou alguém que aproveitou a paragem na estação para entrar no comboio e cometer o crime? Suspeitos há muitos, desde o marido de quem Ruth se pretendia divorciar e que seguia no comboio, à sua amante que também seguia no comboio, passando pelo amante de Ruth que afinal estava mais interessado na jóia do que nela...

Poiror e Katherine acabam por formar uma espécie de dupla investigadora. Mas Katherine acaba por atrair as atenções de Derek, o marido de Ruth, e de Knighton, o secretário de Van Aldin, situação que Poirot encara com apreensão. Qual dos homens irá ela escolher? E será que serão mesmo aquilo que aparentam?

Mais uma história genial de Agatha Christie, com certas parecenças com O Crime no Expresso do Oriente, em que o enredo é intricado e as personagens ricas e complexas. Ah, e esta é a primeira vez que surge a aldeia ficcional de St. Mary Mead, lar de uma outra personagem bastante conhecida e querida, Miss Marple.

Classificação: 4

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domingo, 16 de setembro de 2012

Opinião: "Carte Blanche"

Título original: Carta Bianca
Autor: Carlo Lucarelli
Série: Commissario De Luca #1
Tradutor: Michael Reynolds
Editor: Europa Editions
Edição/reimpressão: 2006
ISBN: 193337215X
Páginas: 110

Sinopse: April 1945, Italy. The final days of the Fascist Republic. Commissario De Luca is heading up a murder investigation that draws him into the private lives of the rich and powerful as World War II reaches its frantic climax. The regime's days are numbered and its disgraced leaders know it. Their desperate retreats and futile struggles for pieces of the post-war pie are making a regular cop's job awfully hard to do.  With Mussolini's house of cards ready to collapse, De Luca faces a world mired in sadistic sex, dirty money, drugs and murder.

Carte Blanche, the first installment in Carlo Lucarelli's "De Luca Trilogy", is much more than a first-rate crime story. It is also an investigation into the workings of justice in a state that is crumbling under the weight of profound historic change. The "De Luca Trilogy" is set during one of the 20th century's seminal moments and describes a nation's ardent search to rediscover its moral bearings after being torn in two by civil strife and political corruption. Threatened by the machinations of a decaying political class, De Luca (himself reminescent of the disenchanted Dashiell Hammett PI) is a simple man doing a though job as best as he can. Even after closing his investigation, he will still have to face one final, fateful decision. 

A minha opinião: Esta foi a minha estreia na ficção policial histórica (tradução minha de historical crime fiction) e posso dizer que gostei. Carte Blanche passa-se num período conturbado da história da Itália, 1945, quando a queda de Mussolini está iminente. O protagonista, Commissario De Luca, acaba de se juntar à polícia "normal", vindo da Brigata Muti, a polícia fascista de Mussolini (de certo modo, semelhante à nossa PIDE), e logo no seu primeiro caso, defronta-se com um assassinato de um homem relacionado com altas figuras do estado fascista. 

Cedo um representante do regime entra em cena assegurando a De Luca que este terá todo o apoio do regime desde que prenda o suspeito certo, claro. As testemunhas começam a aparecer mortas e De Luca não está totalmente certo de que o suspeito que é suposto prender tenha sido mesmo o assassino. Num caso que envolve drogas, ocultismo e a Gestapo, De Luca revela-se, cada vez mais, um homem cansado. Afinal, ele é apenas um polícia que só quer fazer o seu trabalho e cuja interferência das esferas políticas fazem com que fazer o seu trabalha seja, não só difícil, como também perigoso.

O autor refere no prefácio que baseou o Commissario De Luca num ex-polícia que conheceu quando andava a fazer pesquisa para a sua tese, e que havia sido polícia durante 40 anos, tendo pertencido à polícia fascista primeiro perseguindo anti-fascistas e depois fascistas que discordavam do regime; durante a guerra havia voltado a perseguir anti-fascistas sabotadores; no final da guerra fez parte da polícia partidária perseguindo fascistas; e após o estabelecimento de um governo regular fez parte da polícia da República Italiana perseguindo alguns dos partidários que haviam sido seus colegas. Ou seja, um homem, um polícia, que não importando qual era a sua ideologia, se limitava a fazer o seu trabalho. 

Uma leitura recomendada para fãs de policiais noir, muito ao género de Raymond Chandler.

Classificação: 3

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Este livro conta para os Desafios Color Coded 2012, Mount TBR 2012 e Mystery & Suspense 2012.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Opinião: "O homem do fato castanho"

Título original: The Man in the Brown Suit
Autor: Agatha Christie
Série: Colonel Race #1
Tradutor: Maria João Delgado
Colecção: Obras de Agatha Christie nº20
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Abril de 2005
ISBN: 9789724135908
Páginas: 232

Sinopse: (Contém spoiler) A jovem Anne vai para Londres em busca de aventura. E encontra-a rapidamente: na plataforma de embarque do metro de Hyde Park Corner, onde um homem perde o equilíbrio e morre electrocutado nos carris.
O veredicto da Scotland Yard aponta para morte acidental. Mas Anne não fica satisfeita. Afinal, quem era o homem de fato castanho que examinou o corpo fazendo-se passar por médico? De que forma é que este assassinato pode estar relacionado com a morte da misteriosa Nadina?
Determinada a resolver o mistério, Anne parte num cruzeiro com destino à Cidade do Cabo, na África do Sul. Mas esta poderá vir a ser a sua derradeira viagem…

A minha opinião: Quem acompanha o blog com certeza já percebeu que sou uma fã incondicional de Agatha Christie. E também que privilegio os livros com Hercule Poirot como detective. Mas desta vez precisava de um livro com "castanho" no título para o Desafio Color Coded 2012 e foi por isso que o comprei. Mas posso dizer que fiquei agradavelmente surpresa.

O homem do fato castanho tem como protagonista a jovem Anne que cresceu sem mãe e com um pai tão focado na sua carreira académica que forçou Anne a ser o adulto da casa. Com a morte do pai, Anne resolve partir em busca de aventura, tal como as heroínas que via no cinema. E é em Londres, para onde parte, que acaba por se envolver numa trama de cuja verdadeira dimensão só tem noção praticamente no final do livro.

Anne está numa plataforma de metro e o cheiro a naftalina que emana do casaco de um homem faz com que repare nele. O homem parece assustado com qualquer coisa atrás de Anne e acaba por cair aos carris. Surge um segundo homem que se diz médico e que examina o corpo e declara a morte. Mas este segundo homem deixa cair um papel que Anne apanha e o papel, para além de conter o que parece ser um código, cheira a naftalina...

A partir daqui Anne começa a investigar e liga a morte do homem nos carris ao assassinato de uma estrangeira numa casa que se encontra para alugar, e cujo principal suspeito é um homem de fato castanho. A investigação leva-a a embarcar num cruzeiro rumo à África do Sul, destino de aventuras com que sempre sonhou. Mas a bordo do cruzeiro também se encontra um assassino... E o que esconde o homem do fato castanho? A bordo do cruzeiro Anne encontra o amor, mas será que também encontrará a morte?

Gostei muito deste livro, achei a protagonista fantástica. Corajosa, apaixonada, determinada a descobrir a verdade custe o que custar, Anne sabe o que quer e luta para o conseguir. Acho que este é o primeiro livro de Agatha Christie que leio em que a autora dá tamanha relevância a uma história de amor. Geralmente ficamos a saber que determinado casalinho se formou, ou temos o ciúme como motivo do crime, mas não acompanhamos a evolução do romance. Foi algo que me agradou muito.

Classificação: 4

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terça-feira, 31 de julho de 2012

Opinião: "Café Negro"

Título original: Black Coffee
Autor: Agatha Christie
Série: Hercule Poirot #7
Tradutor: John Almeida
Colecção: Obras de Agatha Christie nº68
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Agosto de 2011
ISBN: 9789892315645
Páginas: 172

Sinopse: O inventor Sir Claud Amory fica desesperado quando a sua fórmula para um novo e poderoso explosivo é roubada. O autor do roubo só pode ser alguém que esteja em sua casa. Terá sido um familiar ou um “amigo”? Com medo da resposta, Sir Claud decide dar uma oportunidade ao infractor. As portas são trancadas e as luzes desligadas mas, em vez de devolver a fórmula, o ladrão acrescenta algo ao café do anfitrião... Poirot já não consegue impedir esta morte, mas pode ainda evitar uma catástrofe. Tem “apenas” de encontrar a fórmula e o assassino. E tudo isto sem se deixar envenenar...

Escrito originalmente por Agatha Christie em 1930 como uma peça de teatro, Café Negro (Black Coffee) foi adaptado para romance por Charles Osborne em 1997. Foi também transposto para o cinema em 1931 e 1932.

A minha opinião: Tal como indica a sinopse, Café Negro foi originalmente escrito como uma peça de teatro e, 67 anos mais tarde, foi adaptado para romance por Charles Osborne, um actor que já havia desempenhado o papel de Dr. Carelli numa adaptação da peça.

A adaptação foi muito fiel, pois lê-se como um livro escrito por Agatha Christie. No entanto, não posso deixar de pensar que, provavelmente, resulta melhor como peça de teatro do que como romance. A acção tem praticamente toda lugar na biblioteca, onde se dá o crime, e há alguns pormenores que nos são descritos, possivelmente porque eram necessários na representação da peça, mas que preferia que não tivessem sido incluídos na adaptação.

Ainda assim, não tendo sido um dos meus preferidos, não deixa de ser um mistério onde Poirot demonstra mais uma vez a sua competência e perfeito domínio das celulazinhas cinzentas.

Classificação: 3

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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Opinião: "O Mistério do Quarto Amarelo"

Título original: Le mystère de la chambre jaune
Autor:
Série: Joseph Rouletabille #1
Tradutor: Pilar Delvaux
Colecção: Livros de Bolso Europa-América
Editor: Europa-América
Edição/reimpressão: Maio de 2004
ISBN: 9721053880
Páginas: 224 

Sinopse: A porta do quarto amarelo estava trancada por dentro, a janela também, não havia nenhuma lareira com chaminé. No entanto, Mathilde Stangerson foi encontrada agonizante, prostrada no chão do quarto.
Quem a tentou assassinar e, sobretudo, por onde terá fugido o assassino?
Caberá ao jovem repórter e detective amador Rouletabille, ao fim de uma complicada investigação, desvendar o mistério do quarto amarelo.

A minha opinião: Já tinha visto o filme baseado neste livro há alguns anos e gostei tanto que acabei por comprar o livro. Claro que não o li logo e agora estou contente por não o ter feito. É que já não me lembrava quem era o assassino e não é que nunca consegui descobrir? Acho que este será o melhor elogio que posso fazer a este livro, apesar de, para todos os efeitos já saber a história (apesar de já não me lembrar bem), o autor conseguiu criar um enredo suficientemente intricado para me deixar completamente à nora...

Quer dizer, não completamente à nora que lembrava-me da solução do mistério do quarto amarelo e também de certos pormenores sobre o assassino que não posso revelar sem entrar em spoilers.

Mas em relação à história, esta centra-se no ataque à menina Matilde quando esta se encontrava no quarto amarelo. Ora o quarto amarelo só tinha uma porta, que se encontrava trancada por dentro, e atrás da mesma encontrava-se o pai de Matilde; e uma janela, também trancada por dentro. A porta é derrubada e Matilde encontrada inconsciente e sozinha no quarto. Mas, então, por onde saiu o assassino? Essa é a questão para a qual ninguém parece ter resposta...

É então que surge o jornalista Rouletabille, atraído pelo destaque que o caso mereceu na imprensa e que se dirige imediatamente para o local. Rapidamente percebe que o caso tem mais que se lhe diga do que parece, especialmente quando o assassino volta a atacar e anuncia solenemente que será ele, Rouletabille, quem irá solucionar o caso.

Rouletabille, de certo modo, lembrou-me Poirot, pois também ele dá primazia à razão sobre a ciência, mas ao invés de utilizar as célulazinhas cinzentas, utiliza a boa extremidade da sua razão.

Um mistério interessante, acolhedor e, de certa forma, diferente dos demais. Recomendado para fãs do género cosy mysteries.

Classificação: 4

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Este livro conta para os Desafios Spring Reading Thing 2012, Mount TBR 2012, Color Coded 2012 (amarelo), Cruisin' thru the Cozies 2012, Mystery & Suspense 2012 e Vintage Mystery Reading 2012.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Opinião: "O Rapaz do Pijama às Riscas"

Título original: The Boy in the Striped Pyjamas
Autor: John Boyne
Tradutor: Cecília Faria e Olívia Santos
Revisor: Ana Maria Chaves  
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Março de 2010
ISBN: 9789724153575
Páginas: 176

Sinopse: Bruno, de nove anos, nada sabe sobre a Solução Final e o Holocausto. Ele não tem consciência das terríveis crueldades que são infligidas pelo seu país a vários milhões de pessoas de outros países da Europa. Tudo o que ele sabe é que teve de se mudar de uma confortável mansão em Berlim para uma casa numa zona desértica, onde não há nada para fazer nem ninguém com quem brincar. Isto até ele conhecer Shmuel, um rapaz que vive do outro lado da vedação de arame que delimita a sua casa e que estranhamente, tal como todas as outras pessoas daquele lado, usa o que parece ser um pijama às riscas.

A amizade com Shmuel vai levar Bruno da doce inocência à brutal revelação. E ao descobrir aquilo de que, involuntariamente, também ele faz parte, Bruno vai, inevitavelmente, ver-se enredado nesse monstruoso processo.

A minha opinião: Esta foi uma opinião que me custou muito a escrever. Isto porque a história deste livro é tão poderosa que me custa revivê-la... Este é mesmo um pequeno grande livro!

A premissa é genial. E se o Comandante dos campos de concentração de Auschwitz se mudasse para lá com a sua família, mas nunca explicasse aos seus filhos o que significava o local onde estavam? É assim que a história começa, com Bruno, de nove anos, a chegar a casa, em Berlim, e a ser informado que toda a família se iria mudar. Esta foi uma decisão que desagradou bastante a Bruno que assim se viu afastado dos avós e dos amigos. Mas o pior foi quando chegou à sua casa nova e constatou que ficava no meio do nada, completamente isolada e sem outras crianças com quem pudesse brincar. Quer dizer, não totalmente sem crianças, pois Bruno podia ver, da janela do seu quarto, centenas de pessoas, crianças inclusivé. O curioso é que todas se encontravam do outro lado de uma vedação e todas usavam pijamas às riscas.

Apesar de avisado que não se deve aproximar da vedação, Bruno parte uma tarde numa exploração e encontra Shmuel, um menino da sua idade, sentado do outro lado da vedação. Começam a conversar e depressa descobrem muitas coisas em comum (talvez a principal o facto de que ambos desejavam sair dali e voltar para casa) e assim começa a amizade entre Bruno e Shmuel, que se encontram praticamente todos os dias naquele local, cada um de um lado da vedação, sem puderem brincar, mas apenas conversar.

Através da inocência dos nove anos de Bruno é-nos contada a história de um dos mais atrozes crimes contra a Humanidade alguma vez cometidos. O facto de não conseguir pronunciar Auschwitz (diz Acho-Vil) e Führer (diz Fúria) e de inicialmente pensar que a vedação está lá para o impedir de passar para o outro lado são dois exemplos da inocência de Bruno. Esta foi uma história que me lembrou bastante de um dos meus filmes favoritos, A Vida É Bela porque em ambos os casos, as maiores atrocidades são suavizadas pela inocência do olhar de uma criança.

Em pesquisas descobri que o autor foi bastante criticado por este excessivo desconhecimento da realidade por parte de Bruno, mas confesso que não me fez confusão. Após a chegada da família a Auschwitz, Bruno e Gretel (a sua irmã), são completamente negligenciados, tanto pelo pai que só se preocupa com o trabalho e a carreira, como pela mãe que se entrega aos seus licorzinhos medicinais e a uma amizade que se adivinha colorida com um sargento. Por este motivo, e porque as crianças têm uma forma de bloquear informação que não compreendem e/ou pressentem dolorosa, não me chocou que Bruno não se apercebesse do que realmente se passava do outro lado da vedação.

O final é pungente, mas também esta história nunca poderia ter um final feliz...

Classificação: 4

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Este livro conta para os Desafios Mount TBR 2012 e Color Coded 2012 (riscas).

domingo, 8 de janeiro de 2012

Desafio Color Coded 2012


ATTENTION: This post will be writen in Portuguese and English.

Acho que sou capaz de ter um problema... Cá estou eu a inscrever-me noutro desafio...

Este é organizado pelo blog My Reader's Block e consiste em ler, em 2012, 9 livros com as seguinte cores no título:
  1. Um livro com "Azul" no título.
  2. Um livro com "Vermelho" no título.
  3. Um livro com "Amarelo" no título.
  4. Um livro com "Verde" no título.
  5. Um livro com "Castanho" no título.
  6. Um livro com "Preto" no título.
  7. Um livro com "Branco" no título.
  8. Um livro com qualquer outra cor no título (Roxo, Laranja, Turquesa, Rosa, Magenta, etc.)
  9. Um livro com uma palavra que implique cor (arco-íris, bolinhas, xadrez, estampado, risca, etc.)
Os livros escolhidos podem ser utilizados noutros desafios e não há obrigatoriedade de fazer uma lista prévia, pelo que irei escolhendo ao longo do ano.

Para mais informações, ou se estiverem interessados em participar, cliquem na imagem à direita no blog.


I think I may have a problem... Here I am signing up for another challenge...

This one is organized by My Reader's Block and it consists of reading, in 2012, 9 books with the following colors in the title:
  1. A book with "Blue" in the title.
  2. A book with "Red" in the title.
  3. A book with "Yellow" in the title.
  4. A book with "Green" in the title.
  5. A book with "Brown" in the title.
  6. A book with "Black" in the title.
  7. A book with "White" in the title.
  8. A book with any other color in the title (Purple, Orange, Turquoise, Pink, Magneta, etc.).
  9. A book with a word that implies color (Rainbow, Polka-dot, Plaid, Paisley, Stripe, etc.).
The books can crossover into other challenges and you don't have to pick what you want to read ahead of time so I'll just pick them throughout the year.

For more informations, or to join in, check the button on the right.