Título original: The Boy in the Striped Pyjamas
Autor: John Boyne
Tradutor: Cecília Faria e Olívia Santos
Revisor: Ana Maria Chaves
Editor: Edições Asa
Edição/reimpressão: Março de 2010
ISBN: 9789724153575
Páginas: 176
Sinopse: Bruno, de nove anos, nada sabe sobre a Solução Final e o Holocausto. Ele não tem consciência das terríveis crueldades que são infligidas pelo seu país a vários milhões de pessoas de outros países da Europa. Tudo o que ele sabe é que teve de se mudar de uma confortável mansão em Berlim para uma casa numa zona desértica, onde não há nada para fazer nem ninguém com quem brincar. Isto até ele conhecer Shmuel, um rapaz que vive do outro lado da vedação de arame que delimita a sua casa e que estranhamente, tal como todas as outras pessoas daquele lado, usa o que parece ser um pijama às riscas.
A amizade com Shmuel vai levar Bruno da doce inocência à brutal revelação. E ao descobrir aquilo de que, involuntariamente, também ele faz parte, Bruno vai, inevitavelmente, ver-se enredado nesse monstruoso processo.
A minha opinião: Esta foi uma opinião que me custou muito a escrever. Isto porque a história deste livro é tão poderosa que me custa revivê-la... Este é mesmo um pequeno grande livro!
A premissa é genial. E se o Comandante dos campos de concentração de Auschwitz se mudasse para lá com a sua família, mas nunca explicasse aos seus filhos o que significava o local onde estavam? É assim que a história começa, com Bruno, de nove anos, a chegar a casa, em Berlim, e a ser informado que toda a família se iria mudar. Esta foi uma decisão que desagradou bastante a Bruno que assim se viu afastado dos avós e dos amigos. Mas o pior foi quando chegou à sua casa nova e constatou que ficava no meio do nada, completamente isolada e sem outras crianças com quem pudesse brincar. Quer dizer, não totalmente sem crianças, pois Bruno podia ver, da janela do seu quarto, centenas de pessoas, crianças inclusivé. O curioso é que todas se encontravam do outro lado de uma vedação e todas usavam pijamas às riscas.
Apesar de avisado que não se deve aproximar da vedação, Bruno parte uma tarde numa exploração e encontra Shmuel, um menino da sua idade, sentado do outro lado da vedação. Começam a conversar e depressa descobrem muitas coisas em comum (talvez a principal o facto de que ambos desejavam sair dali e voltar para casa) e assim começa a amizade entre Bruno e Shmuel, que se encontram praticamente todos os dias naquele local, cada um de um lado da vedação, sem puderem brincar, mas apenas conversar.
Através da inocência dos nove anos de Bruno é-nos contada a história de um dos mais atrozes crimes contra a Humanidade alguma vez cometidos. O facto de não conseguir pronunciar Auschwitz (diz Acho-Vil) e Führer (diz Fúria) e de inicialmente pensar que a vedação está lá para o impedir de passar para o outro lado são dois exemplos da inocência de Bruno. Esta foi uma história que me lembrou bastante de um dos meus filmes favoritos,
A Vida É Bela porque em ambos os casos, as maiores atrocidades são suavizadas pela inocência do olhar de uma criança.
Em pesquisas descobri que o autor foi bastante criticado por este excessivo desconhecimento da realidade por parte de Bruno, mas confesso que não me fez confusão. Após a chegada da família a Auschwitz, Bruno e Gretel (a sua irmã), são completamente negligenciados, tanto pelo pai que só se preocupa com o trabalho e a carreira, como pela mãe que se entrega aos seus licorzinhos medicinais e a uma amizade que se adivinha colorida com um sargento. Por este motivo, e porque as crianças têm uma forma de bloquear informação que não compreendem e/ou pressentem dolorosa, não me chocou que Bruno não se apercebesse do que realmente se passava do outro lado da vedação.
O final é pungente, mas também esta história nunca poderia ter um final feliz...
Classificação: 4
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Este livro conta para os Desafios
Mount TBR 2012 e
Color Coded 2012 (riscas).