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quinta-feira, 26 de junho de 2014

Opinião: "O Perfume - História de um assassino"

www.wook.pt/ficha/o-perfume/a/id/45978?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: Das Parfum: Die Geschichte eines Mörders
Autor: Patrick Süskind
Tradutor: Maria Emília Ferros Moura
Colecção: Grandes Narrativas nº 12
Editor: Editorial Presença
Edição/reimpressão: Abril de 2007
ISBN: 9789722314480
Páginas: 276

Sinopse: Esta estranha história passa-se no século XVIII e é fruto de um extraordinário trabalho de reconstituição histórica que consegue captar plenamente os ambientes da época tal como as mentalidades. O protagonista é um artesão especializado no ofício de perfumista, e essa arte constitui para ele – nascido no meio dos nauseabundos odores de um mercado de rua – uma alquímica busca do Absoluto. O perfume supremo será para ele uma forma de alcançar o Belo e, nessa demanda nada o detém, nem mesmo os crimes mais hediondos, que fazem dele um ser monstruoso aos nossos olhos. Jean-Baptiste Grenouille possui no entanto uma incorrupta pureza que exerce um forte fascínio sobre o leitor. O Perfume, publicado em 1985, de um autor então quase desconhecido, foi considerado um dos mais importantes romances da década e nunca mais deixou de ser reeditado desde então, totalizando os 4 milhões de exemplares vendidos, só na Alemanha, e 15 milhões em países estrangeiros. Foi traduzido em 42 línguas. Este fenómeno transformou-o num dos mais importantes livros de culto de sempre. Em 2006, O Perfume passa a ser uma longa-metragem inspirada no romance de Patrick Süskind.

A minha opinião: Esta leitura foi o perfeito exemplo do perigo das expectativas... É que eu tinha muitas em relação a este livro, mas estas não se cumpriram. É que a história que eu tinha idealizado não correspondeu à história do livro, e não pude deixar de me sentir um pouquinho desiludida. E sim, eu sei que a culpa é inteiramente minha, mas não posso  fazer nada para mudar isso...

Acho que a melhor forma de falar sobre o livro é comentando cada uma das quatro partes em que se divide. A primeira foi a minha favorita, posso mesmo afirmar que estava a adorar conhecer o protagonista, Grenouille, uma criatura repugnante, altamente manipuladora, com um sentido de olfacto apuradíssimo, assim como apurado é o seu instinto de sobrevivência que faz com que se adapte aquilo que dele é esperado na altura. O pormenor do rasto de morte que o segue sempre que alguém deixa de lhe ser útil (sempre nas situações mais caricatas, mas sem que tenha tido qualquer participação directa nas mortes) é fantástico, e a forma como explora a cidade de Paris através do seu olfacto é tão perturbadora quanto maravilhosa (como devem imaginar, Paris no século XVIII não cheirava propriamente a rosas...). E depois há a descoberta d'O Perfume, que é emanado por uma jovem ruiva e cuja busca e posse passa a ser o seu objectivo de vida. Claro que, sendo ele uma criatura perfeitamente amoral, recorrer ao homicídio para atingir esse objectivo nem sequer o faz pensar duas vezes...

E a primeira coisa a fazer, na perseguição da sua demanda, é aprender a arte da extracção de perfumes, o que consegue tornando-se aprendiz de um famoso perfumista parisiense. A primeira parte da história termina quando Grenouille parte para Grasse com o objectivo de aprender outras formas de extracção de perfumes. E até aqui estava mesmo a adorar, mas eis que começa a segunda parte e parece que estou a ler um livro completamente diferente... É que, à medida que se afasta de Paris e se embrenha no campo, começa a experienciar a ausência dos cheiros humanos e acaba a viver sete anos numa montanha, isolado de tudo e de todos, a alimentar-se de répteis e a lamber água de uma rocha. E foi aqui que a história se perdeu para mim... Não consegui perceber o porquê desta interrupção, nem das revelações que teve, até porque a sua missão já estava definida. A sério, nada contra histórias com experiências de isolamento, em que os personagens se redefinem e voltam a encontrar um propósito na vida, mas não achei que, nesta história em concreto, fosse necessário. E teve o condão de me ter irritado de tal forma, que já não consegui "reentrar" na história de forma satisfatória...

Ora bem, depois desta pausa de sete anos (completamente desnecessária, na minha humilde opinião...), o que é que o protagonista faz? Retoma o objectivo que tinha quando saiu de Paris, tornar-se aprendiz em Grasse (estão a ver porque é que digo que a pausa foi desnecessária?) e aí aprender a extrair os perfumes mais delicados. E é também aí que volta a sentir O Perfume, o que o leva a cometer uma série de assassinatos, nos quais extrai a essência dos cadáveres de jovens mulheres, por forma a conseguir possuí-lo finalmente. Também nesta parte fiquei um pouquinho desapontada, pois gostaria que os assassinatos e o ritual da extracção do perfume tivessem sido descritos com mais pormenor, mas, na maioria dos casos, o autor limita-se a referir que mais uma rapariga apareceu morta...

Em jeito de conclusão, adorei a primeira parte, todas as descrições dos cheiros e dos perfumes são deliciosas (mesmo quando descrevem cheiros nauseabundos), adorei a ideia da demanda pela posse d'O Perfume, mas achei a segunda parte completamente desnecessária, e gostava que tivesse havido mais pormenor na descrição das mortes. Quando a história finalmente retoma o rumo, já não me entusiasmou da mesma forma, apesar de ter gostado também do final.

Classificação: 3

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Este livro conta para os Desafios Mount TBR 2014 e TBR Pile 2014.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Opinião: "A Rapariga Que Roubava Livros"

www.wook.pt/ficha/a-rapariga-que-roubava-livros/a/id/201084?a_aid=4e767b1d5a5e5&a_bid=b425fcc9
Título original: The Book Thief
Autor: Markus Zusak
Tradutor:
Colecção: Grandes Narrativas nº 385
Editor: Editorial Presença
Edição/reimpressão: Setembro de 2010
ISBN: 9789722339070
Páginas: 468

Sinopse: Molching, um pequeno subúrbio de Munique, durante a Segunda Guerra Mundial. Na Rua Himmel as pessoas vivem um dia-a-dia penoso, sob o peso da suástica e dos bombardeamentos cada vez mais frequentes, mas não deixaram de sonhar. A Morte, narradora omnipresente e omnisciente, cansada de recolher almas, observa com compaixão e fascínio a estranha natureza dos humanos. Através do seu olhar intemporal, é-nos contada a história da pequena Liesel e dos seus pais adoptivos, Hans, o pintor acordeonista de olhos de prata, e Rosa, a mulher com cara de cartão amarrotado, do pequeno Rudy, cujo herói era o atleta negro Jesse Owen, e de Max, o pugilista judeu, que um dia veio esconder-se na cave da família Hubermann e que escreveu e ilustrou livros, para oferecer à rapariga que roubava livros, sobre as páginas de Mein Kampf recuperadas com tinta branca, ou ainda a história da mulher que convidou Liesel a frequentar a sua biblioteca, enquanto os nazis queimavam livros proibidos em grandes fogueiras. Um livro sobre uma época em que as palavras eram desmedidamente importantes no seu poder de destruir ou de salvar. Um livro luminoso e leve como um poema, que se lê com deslumbramento e emoção.

A minha opinião: Confesso que tinha algum receio de ler este livro. Todas as opiniões que lia e ouvia indicavam que, se por um lado, esta seria uma história de que iria gostar muito, por outro, o seu potencial esmagador era enorme... Não me enganei, adorei e chorei descontroladamente no final, mas estou muito contente por o ter lido.

A Rapariga Que Roubava Livros passa-se num subúrbio de Munique, durante a Segunda Guerra Mundial, e é narrado pela Morte. Sim, essa mesmo, a verdadeira, que trabalhou intensamente na época e que é, possivelmente, a personagem mais humana do livro. Isto porque, talvez devido ao distanciamento que tem, demonstra uma compaixão que faltou a tantos Homens naquela altura...

A perspectiva em que a história nos é contada é muito interessante e completamente nova para mim: é a perspectiva dos alemães comuns e prova que nem todos os alemães eram nazis ou se identificavam com a ideologia. Se muitos idolatravam o Führer e eram nazis convictos, muitos outros faziam o que era esperado deles para evitar represálias e alguns ainda, como o pai adoptivo de Liesel, recusaram até ao fim renunciar à sua humanidade e arriscaram a própria vida para ajudar os que não tinham qualquer esperança.

Para além da história e de todo o contexto histórico, a grande riqueza deste livro assenta nas suas personagens, ricas, complexas e extremamente bem caracterizadas. Começando pela rapariga que dá título ao livro, Liesel, que é levada pela mãe para Molching, onde irá ficar com uma família adoptiva, e cujo irmãozinho mais novo morre na viagem, episódio que a marca profundamente e que constitui o seu primeiro (mas, infelizmente, não o único) encontro com a Morte. É também o que despoleta a sua compulsão para roubar livros, uma vez que rouba o Manual do Coveiro durante o funeral do irmão, uma compulsão tornada ainda mais estranha pelo facto de Liesel não saber ler. Mas serão vários os livros que roubará ao longo da história...

Os seus pais adoptivos, Hans e Rosa Hubermann, personagens inesquecíveis, que ao início parecem tão diferentes, mas que afinal têm tanto em comum... Extremamente humanos e compassivos, apesar dos seus feitios completamente distintos, não só acolhem Liesel em sua casa e a tratam como uma filha, acolhem um judeu na cave durante meses, colocando em perigo a sua própria segurança apenas porque sabem que o que está a acontecer não está certo. Para mim, foi aqui que Rosa revelou as suas verdadeiras cores pois, apesar do mau feitio, de estar sempre a resmungar e a chamar nomes, aceitou sem hesitar acolher um judeu em sua casa apenas porque o seu marido havia feito uma promessa há muitos anos.

O judeu em questão é Max, que se torna quase como que um outro filho dos Hubermann e um amigo (praticamente um irmão) de Liesel. Apenas por ser judeu, Max é considerado sub-humano, mas com os Hubermann volta a sentir-se um homem, ainda que obrigado a viver escondido nas sombras, volta a ousar sentir esperança. E alimenta o vício de Liesel, escrevendo-lhe histórias nas páginas que arranca de uma cópia de Mein Kampf e pinta de branco.

E Rudy, o vizinho e melhor amigo de Liesel, que cresce com ela. O corajoso Rudy que idolatra um atleta negro numa sociedade que pretendia o triunfo da raça ariana, sempre pronto a defender os desprotegidos e tão precoce, que uma das coisas que mais almeja é um beijo de Liesel.

O equilíbrio precário de todas estas personagens, como é óbvio, não dura para sempre e algo tão banal como um simples gesto de compaixão e amor ao próximo, ou uma decisão tomada por amor paternal, acabam por despoletar situações dominó que culminarão de forma extremamente dolorosa no final.

Sinto que acabei por falar pouco dos livros que Liesel roubava, mas eles são muito importantes ao longo de toda a história, acabando por funcionar como uma tábua de salvação a que Liesel se agarra e que a ajudam a manter-se sã. E posso garantir que não há nada de fictício nisso...

Uma história fantástica e poderosíssima, sobre a importância de nos mantermos humanos mesmo nas piores condições e sobre o poder curativo dos livros, com personagens ricas e complexas que aprendemos a amar ou a odiar. Para aqueles que, como eu, ainda estão receosos em o ler, façam-no sem medos, mas leiam com um pacote de lenços à mão.

Classificação: 5

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Este livro conta para os Desafios Mount TBR 2014 e TBR Pile 2014.

domingo, 31 de março de 2013

Opinião: "Um Homem com Sorte"

Título original: The Lucky One
Autor: Nicholas Sparks
Tradutor: Saul Barata
Colecção: Grandes Narrativas nº 411
Editor: Editorial Presença
Edição/reimpressão: Junho de 2010
ISBN: 9789722340380
Páginas: 288

Sinopse: Durante a maior parte da sua vida, Logan Thibault foi um homem que em tudo se podia considerar comum. Porém, nada de comum havia naquilo que estava prestes a acontecer-lhe. Quando encontra uma fotografia de uma mulher durante a guerra do Iraque, Logan Thibault passa, inexplicavelmente, a ser um homem com a sorte do seu lado, que sobrevive, sem ferimentos graves, a situações de indescritível perigo. A fotografia, que nunca ninguém chegou a reclamar, começa a ser encarada como um talismã e, de regresso aos EUA, Thibault não consegue deixar de pensar na mulher que lhe salvou a vida. Decidido a encontrá-la, percorre o país à sua procura, mas, assim que a encontra, desenrolar dos acontecimentos foge rapidamente ao seu controlo, e o segredo que transporta consigo poderá custar-lhe tudo aquilo que lhe é querido. Nicholas Sparks traz-nos neste romance uma sublime história sobre a força avassaladora do destino que se sobrepõe a tudo e dá sentido até aos momentos mais inexplicáveis da vida.

A minha opinião: Ler um livro de Nicholas Sparks é como assistir ao que gosto de chamar de filme de Domingo à tarde, geralmente romances (podem ser dramas ou comédias românticas) que não nos acrescentam muito, mas entretêm. E o autor não desilude mais uma vez. Este livro foi mesmo o que precisava depois de Outlander.

Em Um Homem com Sorte, Nicholas Sparks conta-nos uma história repartida pelo ponto de vista dos três personagens principais: Logan Thibault, um ex-militar com uma sorte fora do comum, uma vez que em todo o tempo que combateu no Iraque, nunca se feriu com gravidade, e cuja boa sorte foi atribuída pelos companheiros ao facto de manter consigo a fotografia de uma mulher que encontrou nas areias do deserto e que nunca foi reclamada; Beth Green, a mulher da fotografia; e Keith Clayton, o ex-marido de Beth.

Quando regressa aos Estados Unidos, Thibault empreende uma viagem pelo país em busca da mulher da fotografia e, quando a encontra, acaba por se apaixonar, não só por ela, mas por toda a sua família. Mas ela tem um ex-marido extremamente possessivo e habituado a levar sempre a sua adiante...

Também aqui surge aquilo que me parece ser imagem de marca do autor, a sensação de inevitabilidade do destino, de que os protagonistas são feitos um para o outro e destinados a ficar juntos, mas que aqui é ainda mais acentuada pelo pormenor da fotografia. A verdade é que resulta e o autor consegue criar um romance credível, ainda que saibamos que só acontece nos livros e nos filmes...

Um Homem com Sorte também já foi adaptado ao cinema (embora tenha dificuldade em imaginar o Zac Efron como Thibault) e, como me apercebi agora que ainda não vi as adaptações dos dois livros anteriores do autor que li, prevejo uma temporada de adaptações cinematográficas de livros de Nicholas Sparks para breve.

Classificação: 4

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Este livro conta para os Desafios Monthly Key Word Reading (luck), Mount TBR 2013,  Book Bingo 2013 (emprestado) e Spring Reading Thing 2013.

domingo, 11 de setembro de 2011

Opinião: "O Décimo Terceiro Conto"

Título original: The Thirteenth Tale
Autor: Diane Setterfield
Tradutor: Manuela Madureira
Colecção: Grandes Narrativas nº 351
Editor: Editorial Presença
Edição/reimpressão: Abril de 2007
ISBN: 9789722337328
Páginas: 368

Sinopse: Vida Winter passou quase seis décadas a iludir jornalistas e admiradores acerca das suas origens, intrigando-os com histórias fantasiosas que mantiveram oculto o seu passado enigmático, tão enigmático como a sua primeira obra, intitulada Treze Contos de Mudança e Desespero, e que continha apenas doze. Porém, tudo isto pode estar prestes a mudar quando Margaret Lea, filha de um negociante de livros antigos e biógrafa amadora, recebe uma carta da famosa escritora convidando-a a redigir a sua biografia. Pela primeira vez, Vida Winter vai contar a verdade, a verdade acerca de uma família atormentada por segredos e cicatrizes. Mas poderá Margaret confiar totalmente nela? E terá sido ela eleita depositária das confidências por um motivo inocente? À medida que somos seduzidos pelo imaginário rico e intenso que rodeia a família Angelfield e que Vida Winter tece perante nós com a magia de uma verdadeira contadora de histórias, o passado invade o presente e temas como o isolamento, o abandono e a identidade emergem das sombras para dotar o derradeiro conto de um carácter apaixonante. Um romance assombroso, impregnado de ecos de A Paixão de Jane Eyre e O Monte dos Vendavais, que se tornou um bestseller imediato e que será publicado em mais de trinta línguas.

A minha opinião: Tenho muita dificuldade em escrever sobre os livros que me marcam, e este livro marcou-me. Marcou-me pela sua história, pelas suas personagens, e pelo facto da autora ter conseguido transmitir-nos o seu imenso amor pelos livros. Não tenho dúvidas que só alguém com um imenso amor pelos livros teria conseguido escrever esta história...

É uma história sobre famílias e os seus segredos, mas o que o torna tão especial é a forma como essa história é contada. É que os livros estão sempre presentes, pois mesmo quando não são explicitamente referidos, encontram-se sempre nos bastidores, sabemos que estão sempre lá, mesmo que não os vejamos.

É também a história de um mistério, o mistério sobre quem é Vida Winter realmente e quais os segredos do seu passado que justificaram a criação de uma nova identidade. Ah, e não posso esquecer o mistério do décimo terceiro conto, o conto mais famoso de Vida Winter apesar de nunca ter sido publicado e ninguém o ter alguma vez lido, e que, ao longo da história, várias personagens perguntam a Margaret se já sabe qual é. Achei esse pormenor delicioso!

As personagens são deliciosas, sobretudo Margaret. Como foi fácil identificar-me com ela, também eu sempre tive mais livros do que amigos... Mas também Vida Winter, Aurelius, Emmeline e Angeline, Missus e John-da-enxada, todos eles são personagens marcantes.

São referidos vários livros na história, alguns já li (Jane Eyre e O Monte dos Vendavais) outros não (A Mulher de Branco, O Castelo de Otranto, O Segredo de Lady Audley, A Noiva Espectral, Villette, Middlemarch, Shirley, Sensibilidade e Bom Senso), mas fiquei bastante curiosa por os ler.

Num ano que tem sido marcado por excelentes leituras, O Décimo Terceiro Conto é mais um livro a entrar na lista dos meus favoritos!

Classificação: 5

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Este livro conta para o Desafio Mystery & Suspense 2011.

domingo, 14 de agosto de 2011

Opinião: "A Mulher do Viajante no Tempo"

Título original: The Time Traveler's Wife
Autor: Audrey Niffenegger
Tradutor: Fernanda Pinto Rodrigues
Colecção: Grandes Narrativas nº 262
Editor: Editorial Presença
Edição/reimpressão: Novembro de 2004
ISBN: 9789722332743
Páginas: 484

Sinopse: Audrey Niffenegger estreia-se na ficção com um primeiro romance prodigioso. Revelando uma concepção inovadora do fenómeno da viagem temporal, cria um enredo arrebatador, que alia a riqueza emocional a um apurado sentido do suspense. Este livro é, antes de mais, uma celebração do poder do amor sobre a tirania inflexível do tempo, que para Henry assume contornos estranhamente inusitados - Cronos preparou-lhe uma armadilha caprichosa que o faz viajar a seu bel-prazer para uma data e um local inesperados. Uma obra inesquecível, que retrata a luta pela sobrevivência do amor no oceano alteroso do tempo.

A minha opinião: Demorei imenso tempo a escrever a minha opinião sobre este livro porque tenho dificuldade em conseguir exprimir o quanto me tocou... Mesmo já tendo passado para a leitura seguinte, dou por mim a "remoer" na sua história e, por isso, tenho sérias dúvidas que consiga expressar convenientemente o quão especial este livro é para mim. Por outro lado, não quero revelar spoilers, o que dificulta ainda mais esta tarefa...

Para começar devo confessar que, apesar de já ter lido várias opiniões positivas sobre este livro, a sua sinopse e a sua estrutura (analepses e prolepses) deixaram-me um pouco de pé atrás... Nunca fui grande fã de ficção cientifica e estava com algum receio por causa das viagens no tempo. Felizmente os meus receios eram totalmente infundados e Audrey Niffenegger conquistou-me completamente! A Mulher do Viajante no Tempo conta-nos a história de um amor que resiste às provações do tempo (e nunca esta frase fez tanto sentido como neste caso...) entre Henry um homem normalíssimo se não fosse pelo facto de, espontaneamente, desaparecer do seu tempo presente e surgir no passado ou no futuro, e Claire a mulher que o conhece desde os seis anos (apesar de ele só a conhecer aos 28...). A história é-nos contada alternadamente pelo ponto de vista de Henry e de Claire e é assim que vamos conhecendo as opiniões, dúvidas e receios de ambos.

Foi impossível não me compadecer de Henry e de Claire, por motivos distintos. De Henry, porque viajar no tempo não era algo que desejasse e também não era algo que pudesse controlar, e porque revivia situações extremamente penosas sem puder fazer nada para as alterar... De Claire pelo sofrimento que cada uma das ausências de Henry lhe causavam, por nunca saber por quanto tempo Henry estaria ausente ou sequer se regressaria...

A autora foi exímia a unir os pontos, no sentido em que situações que tinham ficado por explicar acabaram por ser explicadas à medida que a narrativa avançava (ainda que a resolução pudesse ter sido resolvida no passado...), mas algumas situações nunca foram explicadas, com muita pena minha.

É um livro que deve ser lido com bastante atenção e com alguma continuidade para que determinados pormenores não nos passem despercebidos e para que as ligações entre passado e presente façam sentido.

Há muito tempo que não lia uma história de amor contemporânea que me marcasse desta forma, é um livro que vou reler com toda a certeza! E considerando que é o romance de estreia da autora, fiquei bastante curiosa para ler Uma Inquietante Simetria. É sem dúvida uma autora que vou querer continuar a ler.

Classificação: 5

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Este livro conta para o Desafio What's in a Name 4 (Categoria Travel/Movement)

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Opinião: "A Música do Acaso"

Título original: The Music of Chance
Autor: Paul Auster
Tradutor: Ana Patrão
Colecção: Grandes Narrativas nº 38
Editor: Editorial Presença
Edição/reimpressão: Agosto de 1997
ISBN: 9789722315517
Páginas: 231

Sinopse:
A Música do Acaso é um dos mais intrigantes romances de Paul Auster. Nele conta-se a história de alguém que inesperadamente recebe uma herança, decide abandonar tudo e viajar sem rumo. Disposto a continuar enquanto tiver dinheiro, não estabelece nenhum ponto de chegada, deixando-se conduzir pelo acaso. Este torna-se a força motriz que determina a sua vida, transformando-a numa sucessão de acontecimentos aparentemente sem significado. Assente sobre este jogo perverso, o autor desenrola a história dos seus personagens de acordo com os seus próprios temas-obsessões, definindo o indivíduo simultaneamente pela sua impotência e pela sua capacidade de viajar até aos limites da solidão.

A minha opinião: Este deve ter sido um dos livros mais estranhos que já li... Surreal parece-me a palavra que melhor o descreve. Nunca um livro tinha tido esta reacção em mim: por várias vezes tive de parar de ler porque as acções do personagem principal irritavam-me de tal maneira que tinha de parar e pensar, "calma é só um livro"...


Basicamente conta-nos a história de Jim Nashe que, após ter recebido uma herança, resolve vender tudo o que tem, despacha a filha para casa da irmã, compra um carro e decide percorrer o país no carro enquanto o dinheiro durar. Este desprendimento, para mim, só seria justificado se o protagonista tivesse vivido uma experiência traumatizante (a morte de um ente querido ou uma experiência de quase morte, por exemplo) ou se esta viagem coincidisse com uma viagem de auto-descoberta, em que percebesse quem é e o que realmente importa na vida. Mas não, o protagonista inicia uma viagem de auto-destruição, com sucessivos tiros no pé dos quais não retira qualquer lição e que nem sequer o parecem incomodar minimamente.

A dada altura, quando o dinheiro começa a escassear, conhece Jack Pozzi, um jogador de póquer profissional e vê nele uma oportunidade de ganhar mais dinheiro e, assim adiar a inevitável decisão de o que fazer com a sua vida quando o dinheiro acabar. Claro que tudo corre horrivelmente mal e, a partir daí, Nashe vê-se metido num buraco do qual não consegue sair e o que é que faz? Continua a escavar... Até o fim foi anti-apoteótico, mas nessa altura já não queria saber, só queria que acabasse...

Apesar de não ter gostado da história, gostei do estilo da escrita do autor e não posso negar que tem imaginação, só me parece que não é para mim. Aliás, tenho a sensação que Paul Auster é um daqueles autores que, ou se ama, ou se odeia. Ainda tenho outro livro dele por ler cá por casa por isso ainda lhe vou dar uma segunda hipótese, mas não será para breve.
 
Classificação: 1

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Este livro conta para o Desafio Spring Reading Thing 2011.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Opinião: "A Medida do Mundo"

Título original: Die Vermessung der Welt
Autor: Daniel Kehlmann
Tradutor: Maria das Mercês Peixoto
Colecção: Grandes Narrativas nº 348
Editor: Editorial Presença
Edição/reimpressão: Março de 2007
ISBN: 9789722337151
Páginas: 224


Sinopse: Este romance, ao retratar as personalidades de dois gigantes do Iluminismo alemão, Alexander von Humboldt e Carl Friedrich Gauss, configura de alguma forma uma magnífica fábula do Século das Luzes. A narração começa quando os dois eminentes sábios se encontram em Berlim, no ano de 1828. O autor recria as vidas dos dois homens, revisitando os meios políticos, científicos e culturais da época, com uma arte inexcedível para dar colorido às situações, captar as idiossincrasias de duas personalidades tão diferentes e tudo isto com uma equilibrada economia de expressão, qualidades que propiciam humor e divertimento, suscitando, por outro lado, inevitáveis reflexões sobre as limitações humanas. Humboldt, aristocrata e asceta, fanático da medida, torna-se um dos fundadores da moderna geografia graças às suas incansáveis explorações pelo mundo, enquanto Gauss, o Príncipe das Matemáticas, prefere ficar sentado à secretária fazendo cálculos, exilado de um futuro a que sente pertencer. Apesar destas incomensuráveis diferenças, ambos têm em comum o anseio de transformar o mundo em cálculos verificáveis pela Razão, outras tantas fórmulas para desvendar os segredos do Universo. A Medida do Mundo manteve-se durante cerca de um ano à cabeça das tabelas de vendas na Alemanha, onde vendeu até agora mais de um milhão de exemplares, destronando sucessivamente Harry Potter e O Código Da Vinci. Com este seu romance já traduzido em 34 países, Daniel Kehlmann é considerado um renovador da literatura de ficção em língua alemã.

A minha opinião: Desconhecia totalmente a existência deste livro até o mesmo ter sido o Livro da Semana da Editorial Presença e simplesmente não resisti, tive de aproveitar a promoção... E porquê? Porque sendo geógrafa, Humbolt é uma figura incontornável na minha área e, embora tivesse uma ideia geral do seu trabalho, pensei que esta seria a forma ideal de saber mais sobre o seu percurso de vida.

E, de facto, o autor faz um excelente trabalho de recriação dos sentimentos e motivações por detrás das decisões e actos dos dois protagonistas, Humboldt e Gauss. Contudo esta não é uma história muito fácil de ler, pelo menos para mim não foi, uma vez que a história não é contada cronologicamente, o que ainda se torna mais confuso quando são dois protagonistas.

No fundo esta é a história de uma forte amizade entre dois génios completamente diferentes: Humbolt é optimista, atlético, aventureiro, tem sede de conhecimento e descoberta pela experimentação e exploração, enquanto Gauss é melancólico, extremamente pessimista, privilegia o raciocínio lógico e abomina o "trabalho de campo". Mas apesar de tão diferentes, têm também pontos em comum como a paixão pelo rigor, a excentricidade (cada qual à sua maneira) e a dificuldade de viver em sociedade e de acordo com as regras de comportamento da mesma.

Gostei muito deste livro, mas tenho pena que não tivesse sido mais desenvolvido, até porque o autor deixa no ar um "boato" que acabei por não conseguir perceber se seria verdadeiro ou uma liberdade artística do autor.

Deixo aqui as fotos dos protagonistas do livro, com os links para as respectivas páginas da Wikipédia (basta clicar nos nomes).

 

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Opinião: "Juntos ao Luar"

Título original: Dear John
Autor: Nicholas Sparks
Tradutor: Alice Rocha
Colecção: Grandes Narrativas nº 355
Editor: Editorial Presença
Edição/reimpressão: Novembro de 2006
ISBN: 9722336630
Páginas: 268

Sinopse: Quando pela primeira vez contemplam juntos a noite de lua cheia, John e Savannah sentem-se invadidos pela força inequívoca de um amor nascente, pela percepção de um futuro que acaba de ganhar forma e sentido nos seus corações jovens e expectantes. Nunca a lua lhes pareceu tão bela, nem o mundo um local tão pródigo em promessas. Mas a realidade não tarda a impor-se, precipitando uma vaga de acontecimentos que os coloca perante encruzilhadas de vida brutais. As longas separações a que a carreira militar de John - destacado na Alemanha - os obriga e o peso quase insuportável da saudade impelem Savannah a tomar uma decisão difícil que irá mudar os seus destinos para sempre, mas não o que sentem um pelo outro… No entanto, será a John que caberá a mais amarga de todas as decisões, aquela que ditará os seus futuros de uma forma irrevogável. Mas por mais dolorosa que seja, a escolha certa torna-se sempre nítida quando é o amor genuíno que nos inspira, quando sabemos o que significa amar verdadeiramente alguém…


A minha opinião: John conhece e apaixona-se por Savannah durante uma licença em que regressa a casa. Contudo tem de regressar à base na Alemanha e só voltará a ter uma nova licença daí a um ano. Quando está quase a ser dispensado do exército, algo acontece que muda tudo... Será o amor de ambos capaz de sobreviver ao tempo e à distância?


Também esta é uma história em que uma decisão precipitada muda completamente o futuro dos protagonistas. Gostei bastante da forma como o autor incorporou uma situação real na história que criou e não pude deixar de pensar que essa mesma situação talvez tenha gerado histórias semelhantes na realidade. Também gostei da abordagem ao autismo e à síndrome de Asperger, foi algo que também me fez pensar bastante. A história foi um pouco previsível, mas mesmo assim prendeu-me bastante pois tinha vontade de saber se as minhas previsões estavam ou não certas. A edição que li (2ª) tinha alguns problemas de revisão, principalmente ao nível de concordância de género, mas espero que já tenham sido resolvidos nas edições mais recentes.

Fiquei com bastante vontade de ver o filme pois, como já é costume com os livros de Nicholas Sparks, esta é uma história com bastante potencial cinematográfico.




 

Classificação: 3