quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Opinião: "Gritos do Passado"

Título original: Predikanten
Autor: Camilla Läckberg
Série: Fjällbacka #2
Tradutor: Ricardo Gonçalves (do inglês)
Editor: Dom Quixote
Edição/reimpressão: Novembro de 2010
ISBN: 9789722043489
Páginas: 432

Sinopse: Numa manhã de um Verão particularmente quente, um rapazinho brinca nas rochas em Fjällbacka - o pequeno porto turístico onde decorreu a acção de A Princesa de Gelo - quando se depara com o cadáver de uma mulher. A polícia confirma rapidamente que se tratou de um crime, mas o caso complica-se com a descoberta, no mesmo sítio de dois esqueletos.
O inspector Patrick Hedström é encarregado da investigação naquele período estival em que o incidente poderia fazer fugir os turistas, mas, sem testemunhas, sem elementos determinantes, a polícia não pode fazer mais do que esperar os resultados das análises dos serviços especiais.
Entretanto, Erica Falk, nas últimas semanas de gravidez, decide ajudar Patrick pesquisando informações na biblioteca local e novas revelações começam a dar forma ao quadro: os esqueletos são certamente de duas jovens desaparecidas há mais de vinte anos, Mona e Siv.
Volta assim à ribalta a família Hult, cujo patriarca, Ephraim, magnetizava as multidões acompanhado dos dois filhos, os pequenos Gabriel e Johannes, dotados de poderes curativos. Depois dessa época, e de um estranho suicídio, a família dividiu-se em dois ramos que agora se odeiam.
Ao mesmo tempo que Patrick reúne as peças do puzzle, sabe-se que Jenny, uma adolescente de férias num parque de campismo, desapareceu. A lista cresce….

A minha opinião: Gritos do Passado é o segundo livro da série policial Fjällbacka, que se passa na cidade com o mesmo nome, na Suécia. O investigador volta a ser o inspector Patrick Hedström que se encontra, de momento, de férias, à espera do nascimento do seu primeiro filho com Erica Falk, que já conhecemos do primeiro livro.

Mas a descoberta do corpo nu e mutilado de uma jovem na Fenda do Rei faz com que Patrick tenha de voltar ao trabalho. E como se não bastasse, o corpo da jovem encontra-se por cima de dois esqueletos. Que se vem a descobrir serem os esqueletos de duas jovens desaparecidas há mais de vinte anos. O principal suspeito do desaparecimento das raparigas matou-se na altura, portanto não pode ter sido ele a transportar os corpos para a Fenda do Rei. E a rapariga morta agora apresenta ferimentos semelhantes aos dos esqueletos das outras raparigas. Mas o que pode ter levado o assassino a parar de matar durante tantos anos?

A investigação do caso conduz, inevitavelmente, à família Hult, uma família no mínimo estranha. O patriarca, Ephraim, já falecido, era um famoso pregador em cujas assembleias usava os seus filhos, que afirmava terem puderes curativos, para curar todos os tipos de maleitas. Curiosamente, quando uma das suas seguidoras morreu e lhe deixou todas as suas posses, Ephraim reformou-se e os filhos perderam os poderes... Mas se para Gabriel, que nunca se sentiu confortável no papel de curador, perder os poderes foi uma benção, para Johannes foi uma perda da qual nunca se recompôs realmente.

A relação entre os irmãos nunca foi boa, mas depois de Gabriel fornecer à polícia a informação que a fez desconfiar de Johannes e do suicídio deste, os dois lados da família separaram-se irremediavelmente. Mas agora vêem-se forçados a confrontar os esqueletos no armário e a possibilidade de que um deles seja o assassino.

Como se não bastasse tudo isso, Patrick ainda tem de lidar com a necessidade de apoiar Erica, com um chefe irreconhecível e com um colega incompetente. E depois desaparece outra rapariga... Conseguirá Patrick descobrir a identidade do assassino a tempo de a salvar?

Gostei de voltar a Fjällbacka e de rever Patrick e Erica. Ela tem um papel menos relevante neste livro e, sinceramente, gostei mais dela no primeiro livro. Vou dar-lhe o benefício da dúvida e atribuir a sua atitude de capacho às hormonas de grávida, mas irritou-me tanto que se deixasse enredar pela família e conhecidos para que os hospedasse em sua casa, possibilitando-lhes, assim, férias à borla... A sério, se for mesmo essa a cultura na Suécia, é de loucos.

Gostei mais do Patrick, que continua um investigador muito competente. E, apesar de por vezes se deixar envolver demasiado no caso, ele está lá pela Erica. Mas palpita-me que este caso lhe tenha deixado marcas...

A história da irmã da Erica também tem desenvolvimentos e deverá ter um foco maior no próximo livro, considerando a forma como as coisas ficaram. Não percebo porque é tão difícil a Anna reconhecer que precisa de ajuda e aceitar a que Erica lhe oferece...

Mal posso esperar para ver como lidam Patrick e Erica com o bebé!

Classificação: 4

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Este livro conta para os Desafios Mount TBR 2016TBR Pile 2016 e What's in a Name? 2016 (Profession - o título original é Pregador)

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