quarta-feira, 8 de junho de 2016

Opinião: "Viver Depois de Ti"

Título original: Me Before You
Autor: Jojo Moyes
Tradutor: Ana Maria Chaves e Márcia Montenegro 
Editor: Porto Editora
Edição/reimpressão: Maio de 2013
ISBN: 9789720045775 
Páginas: 424

Sinopse: Lou Clark sabe muitas coisas. Sabe quantos passos deve dar entre a paragem do autocarro e a sua casa. Sabe que trabalha na casa de chá The Buttered Bun e sabe que não está apaixonada pelo namorado, Patrick. O que ela não sabe é que vai perder o emprego e que todas as suas certezas vão ser postas em causa.
Will Traynor sabe que o acidente de motociclo lhe tirou o desejo de viver. Sabe que agora tudo lhe parece triste e inútil e sabe como pôr fim a este sofrimento. O que não sabe é que Lou vai irromper na sua vida com toda a energia e vontade de viver. E nenhum deles sabe que as suas vidas vão mudar para sempre.

Em Viver depois de ti, Jojo Moyes aborda um tema difícil e controverso com sensibilidade e realismo, obrigando-nos a refletir sobre o direito à liberdade de escolha e as suas consequências.

A minha opinião: Deixem-me começar por despachar o que não gostei e que é exclusivo da edição portuguesa:
  • a tradução do título. Mas em que mundo é que Me Before You se traduz por Viver Depois de Ti? A sério, às vezes acho que fazem de propósito para chatear... E agora sempre quero ver como é que fazem para traduzir o título da sequela, Me After You...
  • a capa. Não é propriamente feia, mas este livro merecia algo melhor que uma imagem genérica de uma mulher a correr no campo rodeada por pássaros, já que isso não tem ABSOLUTAMENTE NADA a ver com a história... Eu compreendo que as editoras não queiram gastar muito dinheiro com as capas, mas podiam ter seguido a via da edição original e ter feito a capa apenas com as letras do título. Ou talvez com uma ilustração de uns collants às riscas amarelas e pretas. A sério, um bocadinho de imaginação e de cuidado aos pormenores não ficava nada mal...
  • a edição que li, e que é a primeira, precisava de uma pequena revisão, já que tem algumas gralhas.
Tirando isso, adorei tudo em Me Before You (vou usar o título original, porque me recuso a usar o português). É a história de Lou Clark que, após perder o único emprego que teve, num café da vila, e depois de passar por várias experiências no mercado de trabalho através do centro de emprego, acaba por aceitar tomar conta de um inválido. Os contornos do emprego são, no mínimo estranhos. Afinal, Lou não tem qualquer formação nem experiência na prestação de cuidados ao contrário de outros candidatos e é-lhe comunicado que o emprego será apenas por seis meses. Mas Lou precisa mesmo do emprego até porque a sua família também depende dele...

Contudo, Will Traynor não é um inválido qualquer. Ele ficou quadriplégico depois de ser atropelado por uma moto, mas antes era um homem que vivia para a adrenalina, quer a que retirava dos negócios, quer a que buscava em actividades radicais. Ficar preso a uma cadeira de rodas, com mobilidade apenas acima do pescoço e num dedo foi para ele um destino pior que a morte...

Apesar de ao início a convivência entre ambos ser difícil, a alegria e extravagância de Lou acabam por ser um bálsamo para Will, tornando os seus dias um bocadinho mais suportáveis. E Will parece ser o único que vê potencial em Lou (nem mesmo o namorado dela, Patrick, lhe dá o valor que ela merece) e incentiva-a a sonhar mais alto e a lutar para conseguir aquilo que quer, mesmo que ela própria não soubesse que o queria antes de o conhecer.

Aos poucos desenvolvem uma amizade que evolui para algo mais, mas conseguirá Lou convencer Will de que o que têm é suficiente?

Me Before You é um autêntico murro no estômago e a autora faz um trabalho brilhante na caracterização que faz do dia-a-dia de uma pessoa com quadriplegia, bem como da forma como é visto pelos que o rodeiam, mesmo por aqueles que lhe são mais próximos. Mas não se fica por aí e mostra-nos também o quanto a família de Will é afectada pelo que lhe aconteceu. E pega em assuntos tabu, como o romance com um inválido e o suicídio assistido e trata-os com uma sensibilidade que é tocante.

Adorei a Lou e o Will e mal posso esperar para ler a continuação (vou esperar pela tradução portuguesa apenas porque a minha mãe também é fã da autora e não lê em inglês...). Jojo Moyes está a tornar-se uma das minhas autoras favoritas e tenho pena que não lhe seja dado o devido valor pelo facto de ser uma mulher... Ela não escreve ficção feminina, ela escreve ficção, ponto. E fá-lo incrivelmente bem.

Ah, o livro foi este ano adaptado ao cinema (ainda não vi, mas quero muito ver) e há uma nova edição com a capa alusiva ao filme. Gosto muito mais do que da que tenho...


Classificação: 5

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Este livro conta para os Desafios TBR Pile 2016 e Mount TBR 2016.

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