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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Opinião: "O Vício dos Livros"

Autor: Afonso Cruz
Editor: Companhia das Letras
Edição/reimpressão: Abril de 2021
ISBN: 9789897841972
Páginas: 128


Sinopse: Na biblioteca do faraó Ramsés II estava escrito por cima da porta de entrada: «Casa para terapia da alma». É o mais antigo mote bibliotecário. De facto, os livros completam-nos e oferecem-nos múltiplas vidas. São seres pacientes e generosos. Imóveis nas suas prateleiras, com uma espantosa resignação, podem esperar décadas ou séculos por um leitor.

Somos histórias, e os livros são uma das nossas vozes possíveis (um leitor é, mal abre um livro, um autor: ler é uma maneira de nos escrevermos).

Nesta deliciosa colheita de relatos históricos e curiosidades literárias, de reflexões e memórias pessoais, Afonso Cruz dialoga com várias obras, outros tantos escritores e todos os leitores.

Este é, evidentemente, um livro para quem tem o vício dos livros.


A minha opinião: Não é fácil falar deste livro, mas, na verdade, está tudo na sinopse: é um livro para quem tem o vício dos livros.

Afonso Cruz percorre a História e presenteia-nos com pequenas histórias e curiosidades relacionadas, sempre, com os livros. Também nos oferece, na qualidade de amante de livros, histórias pessoais e reflexões deliciosas.

Não é um livro que se possa descrever, tem de ser experienciado. E que viagem fantástica!


Classificação: 5

segunda-feira, 20 de maio de 2024

Opinião: "Felicidade"

Autor: João Tordo
Editor: Companhia das Letras
Edição/reimpressão: Outubro de 2020
ISBN: 9789897840401
Páginas: 390


Sinopse: Lisboa, 1973

Nas vésperas da revolução, um rapaz de dezassete anos, filho de um pai conservador e de uma mãe liberal, cai de amores por Felicidade, colega de escola e uma de três gémeas idênticas. As irmãs Kopejka são a grande atracção do liceu: bonitas, seguras, determinadas, são fonte de desejos e fantasias inalcançáveis.

Respira-se mudança - a Europa a libertar-se das suas ditaduras e Portugal a despedir-se da velha ordem - e vive-se a promessa da liberdade, com todos os seus riscos e encantos. É neste tempo e neste mundo, indeciso entre tradição e modernidade, que o nosso narrador cai num abismo pessoal. A primeira noite de amor com Felicidade acaba de forma trágica, e o jovem vê-se enredado na malha inescapável das trigémeas Kopejka, três Fúrias que não tem poderes para controlar. À semelhança de uma tragédia grega, o herói encontra-se subjugado por forças indomáveis, preso entre dois mundos.

Felicidade é uma história de amor e assombração nas décadas que transformaram Portugal. Um romance enfeitiçante, repleto de ironia e humor, de remorso e melancolia, em que João Tordo aborda os temas do amor e da morte, e das pulsões humanas que os unem.


A minha opinião: Felicidade é uma tragédia em três actos. O protagonista, cujo nome nunca chegamos a saber, é um adolescente de 17 anos no início da história e tem a vida normal de um adolescente em 1973. No liceu, as trigémeas Kopejka são a inveja das raparigas e as protagonistas das fantasias dos rapazes. Felicidade, Esperança e Angélica são bonitas, misteriosas e populares e embora idênticas fisicamente, as suas personalidades têm características que permitem distingui-las... O protagonista é apaixonado por Felicidade e é no primeiro e único encontro que tem com ela que se iniciam os acontecimentos desta tragédia. 

Não vou contar muito mais porque esta é uma história que merece ser lida e surpreender o leitor com a sua complexidade. Vou referir apenas que, desde o dia em que o protagonista tem o encontro com Felicidade, a sua vida para sempre estará interligada com a vida das trigémeas. E também com a sua morte...

Gostei também bastante do cenário de fundo da história, a revolução na sociedade portuguesa pós-25 de Abril de 1974 vista e experenciada por um jovem adulto cujo futuro ficou arrestado para sempre e que, por isso, nunca pôde verdadeiramente viver o êxtase da esperança de um futuro melhor.

Só tinha lido um conto do autor do qual não tinha gostado, mas adorei ler Felicidade! Adorei a escrita e a forma como tudo se interliga, montando um puzzle cuja imagem só compreendemos totalmente no final. Não será, com certeza, o último livro que vou ler de João Tordo.


Classificação: 5